<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484</id><updated>2012-02-10T23:28:23.941-03:00</updated><title type='text'>O CORAÇÃO NÃO ENGANA</title><subtitle type='html'>Pré-publicação da obra factual "O Coração Não Engana", uma descrição da saga de duas familias durante mais de 4 decadas de vida do autor.
Um auto-retrato provocante da vida de alguém que se assume como realista face ao passado, ao presente e que não tem contemplações para com o futuro, pois desse ninguém conhece os caminhos...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-7578468202467674026</id><published>2008-04-17T15:19:00.001-03:00</published><updated>2008-04-17T15:24:52.739-03:00</updated><title type='text'>XXXIII – UM PEIXE ATEU DENTRO DE UM AQUARIO DEMOCRATA CRISTÃO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Diante da impossibilidade de conseguir acertar sempre nas opiniões formadas apenas com base numa; simples primeira análise, foi procurar ser, ao máximo, o menos politicamente incorreto no trato da imagem pessoal de certas pessoas, mas claro que todos nós temos o direito de errar, porque isso de errar é humano. Foi o que me aconteceu com larga maioria das pessoas que fui conhecendo ao longo da minha passagem pelo chamado aquário democrata cristão, e logo eu um peixe ateu convicto, analisei de modo muito superficial, o que me obrigou a ter que mais tarde refazer totalmente as minhas primeiras leituras, de analise pessoal.&lt;br /&gt;No esforço por me tentar comportar direitinho comecei a abolir um pouco a minha imagem de marca de batalhador e frontal, por vezes até demasiado para além do razoável. Mas tem sempre alguém que felizmente nos consegue fazer entender pelas suas atitudes ou métodos que devemos continuar a ser aquilo que realmente sempre fomos, para que as aparentes simples dificuldades não se instalem e acabem por transformar em problemas enormes.&lt;br /&gt;Muito rapidamente consegui entender que o CDS/PP vivia na base da chamada política pé de chinelo, querendo criar uma imagem aparentemente de partido de agenda que trabalha em cima do joelho e que dessa forma vem encontrando serias dificuldades para se conseguir instalar de modo consistente na política local e nacional.&lt;br /&gt;O CDS/PP onde eu entrei era um partido dominado pelo cinismo e por um amalgama de castas que tinham no cimo das suas diversas pirâmides internas, as chamadas figurinhas carimbadas, com o claro intuito de dominar setores e com esse seu poder aparente conseguirem manter-se á tona de água dentro do aquário do poder.&lt;br /&gt;No distrito de Setúbal a casta predominante era naquela época dominada por um descendente de judeus, e que fique desde já bem claro que nada tenho de anti-semita, antes pelo contrário. Mas com Krus Abecassis, que com a falta de espaço político na sua reta final de carreira, tentava manter o seu espaço de influencia á custa da dominação política no distrito, eu realmente não posso ter qualquer contemplação pessoal. &lt;br /&gt;Para conseguir manter essa sua realidade temporal, organizava pequenos clãs de indefectíveis que de um modo subserviente lhe iam tentando controlar o território. Ao mesmo tempo iam abanando a cabeça em sinal de assentimento perante tudo o que lhes era questionado, ou solicitado, assim acontecia com a mãe e filha que dominavam Santiago do Cacém, com alguns elementos de Setúbal, Seixal, Montijo, Moita e, sobretudo; com o seu fiel “cão de guarda”, o Delegado Distrital de Setúbal Fernando Belo, que ia tentando controlar todos os outros “Kromos” que estavam espalhados um pouco por todo o distrito, e que na sua maioria mais pareciam saídos de um; qualquer filme de animação.&lt;br /&gt;Nessa época, Carlos Dantas, era o “Kromo” do Barreiro, que ambicionava á muito deixar de o ser, e queria transformar-se em Presidente da Distrital. No entanto o líder da casta dominante entendia ser fundamental conseguir manter as estruturas dos concelhos inativas e assim poder continuar a controlar o poder sem necessidade de se expor a riscos desnecessários ou ter que submeter o seu representante a eleições, que lhe poderiam ser bastante adversas.&lt;br /&gt;Por isso as primeiras impressões por vezes enganam, e só mesmo passado algum tempo se podem criar opiniões consistentes, digo isso entre outros; relativamente ao individuo Carlos Dantas.&lt;br /&gt;Assim, quando fui convidado a organizar a estrutura da Concelhia do Barreiro, desde logo o importante para mim era conhecer com quem lidava e então consegui marcar uma serie de iniciativas, para dessa forma, conseguir trazer o senhor Engenheiro Kruz Abecassis ao Barreiro, para dessa forma tentar conseguir saber o que ele afinal também pretendia. Ele acabou por aceder porque também ele queria saber quais eram as minhas intenções. &lt;br /&gt;Foi assim como uma chamada marcação á zona, homem a homem, palmo a palmo, em que um observava atentamente qual a estratégia do outro. &lt;br /&gt;Foi muito cordial esse nosso primeiro encontro, em que lhe possibilitei uma visita à Santa Casa da Misericórdia, aos Bombeiros Voluntários do Barreiro, Corpo de Salvação Publica, ainda nessa época instalados nas suas; velhas e muito deterioradas instalações, ali junto da sede do Luso Futebol Clube, no chamado Barreiro velho. Uma visita á Quimigal, com uma reunião com o Conselho de Administração, e até a uma audiência privada nossa com o Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, nessa época o Dr. Pedro Canário. No final do dia ainda lhe promovi um jantar com militantes, melhor dizendo com larga maioria de novos militantes que eu tinha conseguido já trazer para o partido sem sequer ser eu próprio ainda militante naquela época.&lt;br /&gt;Durante o desenrolar do dia, ao longo das visitas e no decorrer do jantar, desde logo entendi que aquele “Judeu” estava muito pouco interessado na implantação de uma estrutura concelhia do partido no Barreiro. E muito menos estava interessado na possibilidade da realização a curto prazo de eleições distritais, e muito menos ainda tinha criado alguma empatia comigo, pois me via como uma muito seria ameaça ás suas idéias de ascendente sobre o distrito de Setúbal.&lt;br /&gt;Foi assim iniciada uma relação de aproximação do mais hipócrita que se possa imaginar, entre um Cristão de Bíblia e um Ateu puro e duro, e como eu detesto hipocrisia, estava certo que seria somente uma questão de tempo, até que eu terminasse com a encenação.&lt;br /&gt;Respeitando a sua memória, não posso, no entanto; deixar de dizer que tive a nítida sensação, nesse dia, de ter acabado de conhecer um “Capo da Máfia á Portuguesa”, tal o modo como se movimentava e falava tudo mecanicamente articulado e pré-pensado, e isso não tinha nada que ver com o seu já visível e impossível de esconder; Alzaimer.&lt;br /&gt;Até a forma de se transportar era feita como a tradicional entrada e saída de um mafioso, de um local publico, para não se fazer notar no meio da multidão. Entrava antecipadamente o motorista e segurança, verificava o local, e somente era liberada a sua entrada. A saída era feita de molde a evitar quaisquer surpresas no exterior. &lt;br /&gt;Essa minha, muito má impressão inicial, sobre aquela personagem que tinha fama de bom gestor, enquanto Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, mas que na realidade foi; um dos responsáveis direto e indireto, entre outras coisas importantes da cidade, pela destruição do Chiado naquele fatídico dia 25 de Agosto. E tudo apenas porque a sua teimosia em termos de segurança publica, acabou por deixar as ruas da zona da Baixa Chiado, sem entradas rápidas para as viaturas de emergência. Essa minha imagem pessoal negativa nunca melhorou ao longo do tempo, muito pelo contrario, só se foi agravando com o passar do tempo, chegando a uma situação limite de ruptura e confronto político total.&lt;br /&gt;No então isso não impediu de forma alguma que se prosseguisse com o trabalho político já iniciado no Barreiro. Muito para além do nosso conhecimento de que já tinha sido injetado um personagem para fazer o trabalho de controle concelhio para o Delegado Distrital. Essa figura apareceu do dia para a noite, vindo do nada, era o Sr. Pedro Estadão, uma personagem algo sinistra, com olhar de louco, e modos a fazer lembrar os antigos agentes das SS Nazi-fascistas, só lhe faltando a indumentária apropriada, pois que o restante estava lá todo, e bem visível, nos seus modos e formas de estar. &lt;br /&gt;Os seus objetivos eram indisfarçáveis e desde logo conseguiu entrar em choque direto com o Carlos Dantas e o Luis Pires, as pessoas que até aí, mal ou bem, tinham dado a cara pelo partido no concelho do Barreiro.&lt;br /&gt;Obviamente que logo em seguida entrou em choque também comigo, ou melhor; dizendo, o choque foi simultâneo. Ao ser convidado de um modo afável para participar em reuniões de reflexão sobre a situação do partido no concelho, e que nessa época se realizavam em casa da Drª Fátima Craboila.&lt;br /&gt;Realmente ele comparecia ás reuniões sempre muito bem acompanhado pela namorada da época, e atual Juíza Do Ministério Público, e sempre a meu convite pessoal; na minha tentativa de verificar; e confirmar o que afinal ia dentro daquela cabeça, mas cedo se pode confirmar que somente compareciam para tumultuar as mesmas, com opiniões disparatadas e totalmente fora do contexto das discussões, como que a provocar a perda de tempo, em longas analises totalmente estéreis e sobre assuntos sem o mínimo de cabimento político ou social.&lt;br /&gt;Para mim, mais pareciam crianças, querendo brincar de políticos juvenis.&lt;br /&gt;Mas esses tempos não foram só de política pura e dura, deixaram ainda espaço para um bom relacionamento pessoal e intimo com a Fátima, uma professora de historia que tinha um trauma tremendo, pois tinha sido deixada pelo noivo, no altar no dia do próprio casamento. Esse trauma conduziu a um constante temor, que eu da melhor das formas, tentei anular, passando bons e agradáveis momentos na sua companhia.&lt;br /&gt;Em termos políticos surge nessa época o primeiro grande acontecimento deveras intrigante. Quando tentei efetivar a minha inscrição no partido, a mesma foi recusada, sem qualquer explicação para o fato. Foi simplesmente recusada, e como o Delegado Distrital tinha esse poder pessoal discricionário, eu aceitei perfeitamente, ficando desde logo de pé atrás perante aquela criatura. Somente algum tempo mais tarde vim a conhecer pessoalmente o espécime raro, e á constatar ser uma pessoa temerosa, muito efeminada e claramente com aparência e tendências pró-homossexuais, bem assim como o presidente da JC daquela época, um jovem de Sesimbra a que só faltava vestir um vestidinho para se parecer com uma senhora.&lt;br /&gt;O partido estava no Distrito de Setúbal, claramente entregue ao loby gay, e tudo o que fosse contra isso era por eles considerado contra natura.&lt;br /&gt;Nunca nada tive contra as opções sexuais de cada um, embora entenda que as mesmas devem ser assumidas e em termos políticos, uma coisa nada deve ter que ver diretamente com a outra, o que no, entanto; visivelmente não acontecia naquele caso concreto.&lt;br /&gt;A minha militância política anterior não me tinha permitido nunca verificar a existência de um grupo tão estranho em termos de movimento pessoal, como o que vim encontrar no CDS/PP.&lt;br /&gt;Ao longo do tempo acabei por ficar sempre na duvida sobre os chamados jogos de bastidores e com a nítida sensação de uma, certa; duplicidade de personalidade em termos sexuais de alguns personagens, a começar mesmo pelo mais tarde líder do partido, Dr. Paulo Portas.&lt;br /&gt;Se por um lado era visível alguma objetividade hetero, tanto de alguns homens como mulheres, por outro eu sentia que se vivia uma segunda vida por parte de algumas pessoas, e ainda podia verificar a amigável mistura entre o chamado grupo dos “trombeiros” e os “gay’s” na sua maioria alegados bi-sexuais, não assumidos, que se queriam fazer passar por heterossexuais.&lt;br /&gt;Era obvio para mim que o partido tinha naquela época uma elevada chama e influencia sexual, e um chamado loby gay dominante no seu interior, uma dominação que não mudou com o passar do tempo, apenas foi alterando os elementos, e como todos sabem esses grupos são corporativistas e unidos na defesa total dos seus membros.&lt;br /&gt;O meu lugar, e o da própria Concelhia do Barreiro, dentro do partido, a nível pessoal não era de forma alguma dentro desses grupos sexuais corporativistas, por isso muitas vezes notava alguma reserva na formulação de alguns convites sociais á minha pessoa, e aos militantes que me acompanhavam.      &lt;br /&gt;Decidi então apresentar a minha inscrição como militante na concelhia de Lisboa, e a mesma foi aprovada pelo Dr. Telmo Correia e pela Maria Orisia, que não conseguiam entender a razão do Delegado Distrital de Setúbal conseguir aprovar militantes por mim propostos e quando chegada a hora de me aprovar para militante, pura e simplesmente rejeitar a filiação.&lt;br /&gt;Obviamente que a explicação tinha um nome, e esse nome era Krus Abecassis, e o resultado direto da sua visita ao Barreiro, e da analise que tinha feito ás reais possibilidades de ameaça de perda de influencia determinante na zona. Essa ameaça era realmente exata, uma vez que eu fazia questão de afirmar publicamente que em Setúbal deveriam mandar os de Setúbal, e nunca penetras externos enviados por Lisboa.&lt;br /&gt;Passado algum tempo, solicitei a minha transferência para o Barreiro, e a Secretária-Geral da época, Drª Helena Santo, assim procedeu, para desespero do Delegado Distrital e claro também para o Delegado Concelhio, entretanto já nomeado e como seria de esperar, nem mais nem menos do que o Sr. Pedro Estadão. Foi assim bem visível a manobra de me tentar afastar da possível luta pela conquista imediata da Concelhia do Barreiro.&lt;br /&gt;Depois de muitas confusões e excitações só já em pleno ano de 1997, a dois passos das eleições autárquicas, e com todo o nosso trabalho inviabilizado, é que finalmente se resolveram a marcar eleições para a Concelhia do Barreiro.&lt;br /&gt;E se já nas eleições para Delegados ao Congresso Nacional, se tinham verificado muitas e variadas, estranhas ocorrências, então nas eleições concelhias foi o descalabro total. Neste ato eleitoral foi a confirmação de que a própria Secretária-Geral, Drª Helena Santo, estava deveras comprometida com todo aquele nebuloso e ilegal processo, e após várias manobras verdadeiramente infantis, a lista por nós apresentada e candidata á Presidência da Concelhia, e que ainda por cima nem tinha a minha presença, foi liminarmente rejeitada, sem se conseguir entender até hoje a razão de tal atitude, uma vez que ela cumpria todos os requisitos estatutários para poder ser sufragada.  &lt;br /&gt;A Mesa Concelhia era dominada nessa época pela JC, através de Nuno Valente, que era nesse momento claramente afeta a Pedro Estadão, e que, portanto, manipulou de forma clara, inequívoca e obvia todo o processo pré-eleitoral, o que alias; mais tarde vieram a confirmar, na pessoa de Nuno Valente, meu Vice-Presidente numa das Comissões Políticas, por mim presididas, como tendo objetivamente acontecido, a mando de Krus Abecassis, e do seu capanga distrital Fernando Belo.&lt;br /&gt;No entanto marcadas que estavam; as eleições, eu numa manobra puramente para envergonhar o partido, resolvi que uma vez que ninguém justificava a razão do afastamento da nossa lista candidata, mesmo assim iríamos a votos e para o efeito no mesmo dia, hora e local colocamos uma urna, para recolher os votos dos eleitores. Existia uma urna no interior do salão nobre e outra na entrada, na sede de os “Franceses”. Tudo foi feito o mais rigoroso possível com listagem de militantes, lista de presenças para descarga de votos e até uma acta foi lavrada no final dos trabalhos, após a contagem dos resultados.&lt;br /&gt;Quando comparamos as votações o resultado foi de uma vitória nossa por expressivos 7 votos de diferença. A eleição da lista e eleição de Pedro Estadão era assim uma farsa e estava ferida de legalidade, uma vez que nos tinham impedido de concorrer livremente e com toda a legitimidade, e ainda por cima face ao resultado obtido se provava que nós tínhamos a legitimidade eleitoral de presidir á Comissão Política Concelhia.&lt;br /&gt;Noutro qualquer partido, aquela situação ridícula, divulgada na comunicação social como inédita, teria merecido um outro, tipo de tratamento. No CDS/PP da época do Dr. Manuel Monteiro, com a Drª Helena Santo como Secretaria Geral, nada se veio a verificar, para além obviamente da chacota pública através da comunicação social, que aproveitou o fato para demonstrar a situação de falta de organização em que se encontrava o partido.&lt;br /&gt;O Presidente do Partido estava num pedestal e pouco ou nada sabia da política efetiva local, mesmo com o facto pessoal de se deslocar várias vezes ao Barreiro, em visita familiar a sua avó. E tão pouco entendia o que seria melhor ou pior para o Partido no Concelho do Barreiro, embora tivesse sido um dos responsáveis da minha entrada no Partido, tal como o Dr. Gonçalo Ribeiro da Costa.&lt;br /&gt;O seu destino estava assim prematuramente traçado, pois um líder de fachada, que desconhece a realidade do seu partido, que diz liderar, é sempre um líder a prazo, alguém em quem não se pode confiar. Como diria um famoso slogan de campanha: “Você compraria um automóvel a este homem?” a resposta só pode ser Não! &lt;br /&gt;As eleições autárquicas foram assim o teste tanto para o Pedro Estadão como para o líder distrital e obviamente para o líder nacional do partido. O partido apresentou como candidato no Barreiro o farmacêutico Marcarenhas Neto, e não conseguiu sequer apresentar candidatos para todos os órgãos autárquicos, o que provou a falta de capacidade da estrutura política Concelhia, e da coordenação de Pedro Estadão.&lt;br /&gt;Pior do que isso, o candidato era apontado como antigo legionário da PIDE/DGS, policia política do antigo regime, e o presidente do Partido nunca conseguiu terminar com essa terrível imagem negativa, esclarecendo a opinião publica, que na verdade não era bem assim, o que era contado pelos esquerdistas. Mais tarde, pude constatar, por documentos que me foram mostrados pelo referido candidato, que ele tinha efetivamente sido aceite como agente da PIDE/DGS, num concurso público, a que concorrera, pensando ir desempenhar funções numa outra atividade do Estado, uma vez que o edital de abertura não fazia referencia clara á PIDE/DGS. E que após a publicação do seu nome, e de ter constatado para o que realmente era a função final, de imediato recusou a investidura, sendo publicado; imediatamente, uma nova publicação com a sua exoneração, de um cargo que nunca sequer ocupou um minuto que fosse.  &lt;br /&gt;Nenhum dos militantes por mim propostos aceitou candidatar-se, fosse ao que quer que fosse. O partido não conseguiu apresentar candidaturas a todos os órgãos autárquicos, e por outro lado os resultados finais foram paupérrimos para não os classificar de um autentico desastre, e para agravar ainda mais a situação a Comissão Política contraiu devidas financeiras para o partido que nunca veio a poder honrar na gestão de Pedro Estadão.&lt;br /&gt;A nível nacional o resultado foi em tudo idêntico ao do Barreiro, e, entretanto; como se esperava o líder nacional, do alto do seu pedestal, estava a prazo, e pronto a cair em desgraça.&lt;br /&gt;O congresso do CDS/PP em Coimbra marcou a arrancada para novos tempos no Partido, para a chamada era; Paulo Portas, e foi ai que aconteceu o primeiro confronto direto com Manuel Monteiro, na celebre cena do café de Manuel Monteiro, após a intervenção de Paulo Portas ter sido mais ovacionada do que a sua, que era a de um líder naquele momento.&lt;br /&gt;Eu parti para Coimbra no dia anterior ao inicio do Congresso com a companhia de José Peleja no meu potente Alfa Romeu 33, e a velocidade era tanta, que na auto-estrada passamos a saída de Coimbra e acabamos por ter que sair em Aveiro e voltar para trás. Nessa correria louca consegui gastar um tanque completo de combustível desde a saída do Barreiro até chegar ao hotel a Coimbra, menos de 200 quilômetros.&lt;br /&gt;Depois de devidamente instalados no Hotel, aproveitamos a primeira noite para jantar no Restaurante Alfredo’s e ir conhecer um pouco da cidade á noite. Iniciamos a visita por uma discoteca que nos tinham recomendado como a melhor de Coimbra, mas que era realmente tão boa que se encontrava deserta á hora a que por lá passamos.&lt;br /&gt;Decididamente era a nossa noite de sorte, pois entramos no Bingo do centro da cidade, e em pouco tempo fizemos dois Bingos, e ainda por cima seguidos, o que deu para animar ainda mais a noite, que decorreu a correr tudo quanto era bar e boite, que nos fosse recomendada ou não.&lt;br /&gt;No fim da madrugada, resolvemos ir comer algo, para depois se poder ir dormir um pouco, até á hora da chegada da restante comitiva e inicio dos trabalhos do congresso. Foi então que junto do quartel dos bombeiros voluntários, não muito longe do hotel onde estávamos instalados, um policia “bronco” a cair de bêbado, acho mesmo que tinha conseguido beber tanto ou mais do que nós os dois juntos, resolveu colocar-se em frente do carro em plena avenida, e querer inventar uma infração minha ao código da estrada.&lt;br /&gt;Eu; como alias sempre acontece, não tenho grande paciência para aturar autoridades ou fardas, e muito menos para aturar bêbados fardados ou não. Resolvi desde logo, brincar um pouco com o infeliz, e assim para começar, ao avistar a sua figura no meio da avenida a cambalear, e ao mesmo tempo a mandar parar o carro, nem tive qualquer duvida em acelerar para cima dele e parar bem junto ao local para onde tinha saltado. Acabei por parar o carro bem no meio da avenida, sem encostar junto do passeio. Sai do carro para saber o que se passava, ele ficou deveras incomodado e como ainda por cima era “bimbo” daqueles que trocam os B’s pelos V’s, eu desde logo resolvi falar também á moda de (B)Viseu. Foi nesse momento o delírio para o alentejano, Zé Peleja, que não se conteve, e ria as gargalhadas. Depois pedi ao agente para ser ele mesmo a encostar o carro, por forma a não continuar no meio da via, e foi então nova risota, pois o policia ia mesmo fazer isso, estendendo a mão como se fosse para eu lhe dar a chave da viatura.&lt;br /&gt;Por fim lá acalmou e viu que estava a cair no ridículo, então andou a ver se conseguia arranjar uma forma de me multar, arranjou a idéia de que eu tinha entrado em uma rua de sentido proibido no outro lado da avenida, claro que ainda hoje desconheço qual tinha sido a rua. Tínhamos descido toda a avenida desde o seu inicio, sem entrar em nenhuma rua transversal. Pediu então os meus documentos para proceder á emissão da multa. E eu sem problema algum estendi a carteira com tudo, ai foi mais um problema, pois quanto mais mexia na carteira menos conseguia distinguir ou encontrar os documentos. Ele achava notas, cartões de credito, mas dos documentos nada, e a situação cada vez se tornava mais ridícula, ao ver um agente da autoridade completamente ébrio a vasculhar a carteira de um cidadão em busca de documentos, eu pensava para mim: isto só filmado... &lt;br /&gt;Eu finalmente lá tive um pouco de pena dele e acabei por lhe tirar a carteira das mãos e dar-lhe os documentos necessários. Quando ia passar a multa, nova desordem na sua cabeça, pois que a morada do seguro não era a mesma da carta de condução nem do registro de propriedade do carro e o bilhete de identidade tinha também dados que não coincidiam. &lt;br /&gt;O homem ficou desesperado, com tantas moradas diferentes, e para mim isso sim, era uma infração, andar com os documentos desatualizados, em relação ao ultimo endereço, mas para ele o que contava mesmo era a possibilidade de poder passar a multa, fosse de que forma fosse, pois já estava a verificar que tinha caído no mais baixo em termos de ridículo.&lt;br /&gt;A carta de condução estava ainda com a morada da casa dos meus pais, que; entretanto, já tinham falecido, e a casa já não era nossa pertença. O seguro da viatura estava ainda registrado com a indicação da minha antiga morada, e o registro de propriedade do automóvel, esse sim atualizado na minha morada correta do momento.&lt;br /&gt;Foi uma risota geral, pois perante a pergunta dele, só poderia dar mesmo risota geral.&lt;br /&gt;“Atão o senhor quer que amande a multa pra cal morada?”&lt;br /&gt;Respondi na maior cara de pau do mundo: &lt;br /&gt;“pois senhor guarda; escolha uma das três, a que lhe der menos trabalho a escrever, eu moro, ou morei nas três casas!”&lt;br /&gt;Para culminar o hilariante cenário, ele nem sequer tinha algo com que escrever, e fui eu a retirar uma caneta do meu casaco e estender-lhe para que pudesse preencher o impresso de autuação. E ele não parava de referir: “mas que caneta chique... tem bom escrever...”&lt;br /&gt;Nem sei qual a morada que colocou na multa. Por um lado recusei assinar o impresso, e por outro mal ele virou as costas nos fechamos o carro, entrando na pastelaria que ficava no outro lado da avenida, e fomos assim comer, e eu a primeira coisa que fiz foi colocar o impresso, copia, da multa que me tinha sido entregue, no primeiro receptáculo de lixo que encontrei.&lt;br /&gt;Era uma situação mesmo para esquecer, e só recordar como imenso pagode.&lt;br /&gt;Até hoje nada recebi em termos de multa de transito para pagar. E quando mais recentemente solicitei a verificação do meu cadastro, de transgressões viárias, o mesmo estava totalmente limpo, portanto, o policia ‘bêbado’, nem a multa deve ter conseguido passar corretamente. E por certo, com tanta emoção pela caneta que escrevi bem, e confusão com os diversos documentos e moradas, acho que pode até ter emitido uma multa a si próprio, alegando transgressão alcoólica de um agente da autoridade, sem autoridade nenhuma; diga-se.&lt;br /&gt;As aventuras desse dia ainda não tinham acabado, pois o Zé Peleja resolveu comprar, entretanto; um Jornal local, e já no seu quarto, pegar no telefone e solicitar os serviços de uma massagista. Fazendo o pedido pelo telefone e de certa forma algo ébrio, imaginou que seria uma massagista para executar o trabalho que normalmente a maioria das massagistas que se divulgam em certas e determinadas páginas dos jornais executam. &lt;br /&gt;Ás 7 horas da manha chegou á recepção do hotel uma massagista com destino ao quarto do Zé Peleja. Foi confirmado pela recepcionista o pedido, e subiu o elevador com destino ao quarto, só que ao abrir a porta o Zé Peleja diz que ia morrendo, era uma mulher com bem mais de 50 anos, feia como a noite dos trovões, e acompanhada por uma mala de material para executar mesmo a solicitada massagem.&lt;br /&gt;Claro que a própria massagista se apercebeu da sua reação facial, e o pedido de massagem, mesmo massagem, foi prontamente dado como sem efeito, tendo ele obviamente pago o táxi de retorno da profissional de massagem tailandesa.&lt;br /&gt;Ligou de pronto para o meu quarto para contar a aventura, eu ate me custava a acreditar no que estava escutando, mas do José Peleja, até ao dia de hoje, tudo pode acontecer, em termos de aventuras fora do comum. Com este mesmo José Peleja, já foi possível eu avançar num projeto de abertura de uma imobiliária, em Vila Real de Santo António, alugando loja, montando todos os equipamentos, tirando todas as licenças para a laboração desse tipo de comercio, e no final nem se chegar a abrir a firma, embalando os equipamentos, e entregando a loja ao dono.&lt;br /&gt;Mesmo assim, com um trabalho tão rápido por parte da massagista, nos dias que permanecemos em Coimbra, e sempre que o Zé Peleja, solicitava a chave do seu quarto na recepção, ao dizer o numero do quarto todos os funcionários passavam a olhar para ele de imediato. Ficou tão incomodado com a situação que até chegou a pensar em mudar de hotel, eu, no entanto, para evitar esse constrangimento, passei a solicitar as duas chaves ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;No dia seguinte, chegaram o Luis Pires, Sidonio Sousa e a Fátima Craboila, e desde logo decidiram animar um pouco, tentando irritar o Peleja. Para isso, e sem ter muito nexo, começaram com um autentico jogo de futebol no corredor dos quartos, com as laranjas da fruteira do quarto do; Peleja.&lt;br /&gt;Obviamente nasceu logo um atrito, de tal forma incontornável que dura até aos dias de hoje. É que muito embora o Peleja, não tenha comido qualquer fruta da sua cesta, instalada no quarto, a conta acabou por aparecer para ele pagar, pois a fruta apareceu destruída devido ao jogo de futebol.&lt;br /&gt;Nessa mesma época eu vivia um relacionamento escaldante com Fátima Craboila, tão escaldante que nunca passou disso mesmo, antes que ateasse fogo mesmo, e eu me queimasse.    &lt;br /&gt;Ela ainda se encontrava afetada psicologicamente com o casamento fracassado, acho que provavelmente ainda hoje se deve encontrar afetada, pois que essa frustração do altar nunca a deixava chegar a vias de fato, e com isso o nosso relacionamento não passava dos preliminares, o que me deixava deveras intrigado e claro numa muito má situação, quando excitado.&lt;br /&gt;Essa situação aconteceu inúmeras vezes, e durante a nossa estadia em Coimbra, eu fixei como a data limite para entender a situação, e andar para a, frente com a relação ou terminar. Assim uma noite ela foi parar ao meu quaro e depois de muita curtição o mais que eu consegui foi colocar o espartilho á vista. Ao mesmo tempo; que ela própria, levava a que eu lhe produzisse orgasmos múltiplos apenas com a ação das minhas mãos na sua vagina e seios.&lt;br /&gt;Eu acabei por ter orgasmos, devido á sua ação com as mãos, pois ela insistia só em masturbar-me, acho que era uma doença, essa sua apetência para esse tipo de caricia, mas daí não se passava de jeito algum, perante a sua tenaz resistência.&lt;br /&gt;Entendi então que essa relação não seria para continuar, pois uma mulher, adulta, que andava comigo á meses, e que não passava o nosso relacionamento de masturbações mutuas, algo deveria ter de preocupante. Eu poderia ainda tentar investigar o que se passava na realidade, mas para mim ele deveria ser algo próximo de: frigida, ou estar a ter algum outro problema psicológico que eu muito sinceramente não conseguia entender, e por outro lado uma relação não pode ser só e exclusivamente sexo, mesmo que feito dessa forma tão artesanal.&lt;br /&gt;Essa deslocação a Coimbra marcou também o fim desse relacionamento, seguindo a velha máxima do papagaio dos 4 F’s de um meu grande amigo de longa data:&lt;br /&gt;“Se Fo...es Ficas, se não Fo...es Fora!” &lt;br /&gt;Entretanto politicamente despontava um novo projeto político, no fundo o criador do projeto queria ser ele próprio a liderar o mesmo, e surge então o Dr. Paulo Portas. O Barreiro, nomeadamente o nosso grupo político, foi assim pioneiro, e por nosso intermédio o Barreiro tornou-se o primeiro Concelho do país a declarar apoiar publicamente a nível nacional, a nova candidatura á liderança, e a manifestar diretamente o apoio ao Dr. Paulo Portas como candidato a líder do partido.&lt;br /&gt;O Dr. Manuel Monteiro acabou por não ter coragem de se voltar a candidatar á liderança do partido, lançando em nome do seu grupo político a doutora Maria Jose Nogueira Pinto, que foi copiosamente derrotada no Congresso de Braga.&lt;br /&gt;Entretanto, no Barreiro o Sr. Pedro Estadão face ás suas inúmeras trapalhadas acabou por ficar isolado, e sem qualquer apoio militante. Até mesmo a JC lhe retirou o apoio e acabou por ser afastado por uma moção de liderança que eu próprio redigi e apresentei e que foi votada por unanimidade dos presentes em elevado numero. Grande número para a grandeza do partido naquela época, assim registraram-se; 51 votos a favor e nenhum contra, uma vez que após a apresentação e discussão da moção, o Sr. Pedro Estadão pura e simplesmente, num ato de pura cobardia, abandonou a sala, de acordo alias com as suas características já habituais em todas as suas atitudes. Seguidamente pediu a desfiliação do partido e inscreveu-se diretamente no Partido Socialista.&lt;br /&gt;Ironicamente o Partido Socialista do Barreiro, é um verdadeiro asilo de recolha de deserdados de outros partidos, pois ao longo do tempo já vários são os exemplos, de que destaco alem dos por mim apontados ao longo desta minha narração, o senhor Julio Freire, vindo do Partido Comunista, ou alguns ex-militantes da rede terrorista FP/25 de Abril, como Amílcar Romano.&lt;br /&gt;Imagine-se alguém deitar-se um dia como militante de um partido de direita e conseguir acordar no dia seguinte, como militante de um partido de esquerda, e logo ele, Pedro Estadão, que é, ou era, um apólogo da causa nazi-fascista, pois até festas de pendor nazi-fascista freqüentou; agora virar um militante incondicional de esquerda, as voltas que o mundo dá.&lt;br /&gt;O Partido Socialista não tinha razão para duvidar das origens desse senhor, pois quando decidiu aderir ao novo partido o Julio Freire e o Carlos Pires militantes ativos do Partido Socialista, tinham manifestado muita curiosidade em saber da razão da sua saída do CDS/PP. E se no caso do Julio Freire, as suas raízes eram comunistas, já no caso do Carlos Pires que se siba a sua família navegou noutros tempos nas ondas da Ação Nacional Popular de Marcelo Caetano.&lt;br /&gt;Após total esclarecimento e como continuassem a duvidar foi-lhe projetado, em casa do Julio Freire, um filme de uma festa nazi-fascista, em que ficaram deveras espantados com a presença nesse filme do Sr. Pedro Estadão em diversas manifestações de eloqüente apoio á causa do saudoso, para alguns, Adolfo, incluindo até farda e medalhas, para além da linguagem verbal e gestual. Apesar de tudo; acabou por ser admitido como Militante Socialista, e imagine-se vim a saber á dias que até apresentou uma candidatura para Presidente da Concelhia do Barreiro do Partido Socialista, que no entanto acabou por retirar, ao verificar que era popular demais para poder conseguir ser eleito Presidente, o que prova que o crime muitas vezes compensa, mas nem sempre...   &lt;br /&gt;O Partido Popular tinha agora a rara oportunidade de poder organizar-se ao nível do Concelho do Barreiro, com tempo suficiente para poder enfrentar as eleições autárquicas com esperanças fundadas de obter um resultado honroso, para além de assim se conseguir afirmar ao mesmo nível das outras forças políticas do Concelho.&lt;br /&gt;Seriam cerca de quatro anos de trabalho, com alguns atos eleitorais pelo meio, como testes á capacidade de afirmação do partido a nível local, muito embora os resultados de uma eleição a nível nacional tenham muitos diferenciais a nível de decisão do eleitorado em relação a uma eleição com total influencia local.&lt;br /&gt;Preparei uma moção de estratégia bem ambiciosa tendo como primeiro grande objetivo a organização das diversas estruturas a nível local, nomeadamente o próprio partido, a JC e os FTDC, para concretizar esses objetivos eram necessários em primeiro grau de importância á filiação de quadros e capacidades de trabalho para além de todas as outras obvias e necessárias condições.&lt;br /&gt;É, pois, assim dessa forma determinada que; apresento a todos os militantes por via postal, uma candidatura arrojada e composta dos melhores quadros humanos possíveis do partido no Barreiro naquele momento, tendo inclusivamente ido recrutar quadros políticos a Lisboa ao Ministério da Saúde como o Antonio Amaral e o José Costa (Costinha) entre outros.&lt;br /&gt;Com uma candidatura bem abrangente fomos eleitos sem qualquer oposição, e é desta forma, e com as condições mínimas e necessárias que me torno Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro do CDS/PP.&lt;br /&gt;Perante a admiração de muitos, e, sobretudo; com a situação a ser evidenciada pela comunicação social local e mesmo nacional, sobretudo da mais adversa ao partido e mesmo á minha pessoa, decidi que o partido tinha que desde logo arriscar e romper com a indiferença. E para isso nada melhor do que uma tomada de posse dos novos órgãos políticos da concelhia eleitos, numa cerimônia tipo ato publico, desafiando a lógica do comportamento banal e subserviente, que sempre acontecia num chamado pequeno partido. &lt;br /&gt;Por outro lado assumia ainda mais o risco ao realizar esse ato público num espaço amplo, para dessa forma determinar a nossa condição de imagem de marca. Era obvio que eu sabia bem os imensos riscos que iria correr, tinha consciência de que existia mais de 75% de chances de se tornar um imenso desastre caso não fossemos capazes de mobilizar os militantes e simpatizantes, bem como a comunicação social e os representantes dos outros partidos e outros convidados, mas os 25% restantes mereciam bem correr o risco.&lt;br /&gt;Existe uma famosa frase que caracteriza a possibilidade de erro:&lt;br /&gt;“Todos tem direito a errar uma vez. Por isso a bigamia é proibida!”&lt;br /&gt;Tudo foi preparado ao mínimo pormenor e até uma exposição de artes plásticas foi anexada á iniciativa bem como um convite para um moscatel de honra que foi servido após a tomada de posse.&lt;br /&gt;Realizamos a tomada de posse no salão nobre dos “Franceses”, contando com a presença do Presidente do Partido, Dr. Paulo Portas, perante uma sala com uma razoável assistência, o que constituiu um êxito. Estava assim ganha a primeira grande batalha, colocar o partido na rua, no conhecimento das pessoas, fora da sede, afirmar que o CDS/PP existia realmente no Barreiro.&lt;br /&gt;Por outro lado a comunicação social aderiu muito bem á iniciativa e com o cinismo que lhe é característico acabou por analisar e comentar de forma correta. O que era quase um fenômeno, pois sempre trabalharam a nível local na base da descaracterização, e todos os que pertencem á minha geração devem ainda lembrar como assistíamos ao tratamento do partido, e em alguns casos a mim próprio e a outros dirigentes como meros excluídos, por não pactuarmos com o chamado sistema institucionalizado. Descaracterizando assim e criando falácia total sobre o nosso trabalho e imagem.&lt;br /&gt;Desde logo ficou bem patente para a comunicação social, e em especial para os nossos adversários políticos, que a nossa luta era com a gestão municipal do Partido Comunista Português e com o espaço político do Partido Socialista, e restante esquerda. Na verdade os seus representantes tinham sido convidados e estavam na sala bem como o Partido Social Democrata, representado pelo seu Presidente Concelhio da época, Dr. Eduardo Xavier, que escutaram a minha longa intervenção de cerca de quarenta minutos, onde situei o partido face ao espaço político local e suas vertentes futuras.&lt;br /&gt;O Presidente do Partido estava satisfeito, não por cinismo ou hipocrisia, estava mesmo satisfeito e muito bem disposto, chegando ao ponto de até querer jogar uma partida de matraquilhos comigo como parceiro contra uma equipa de voluntariosos militantes da Distrital de Setúbal. Regressou a Lisboa no fim daquela intensa tarde; certo de que poderia contar com o nosso máximo empenho e vitalidade, e com um comportamento deveras audaz e ambicioso, mas sempre leal e frontal, e não para simplesmente lhe agradar, com falinhas mansas ou cínicas palmadas nas costas.&lt;br /&gt;A distrital também iniciava as suas primeiras passadas, e as eleições e referendos distritais eram; sempre um problema em termos de controle em algumas mesas eleitorais, em especial no Sul do Distrito.&lt;br /&gt;O Secretário-Geral tendo conhecimento dessa situação, nomeou-me para eu controlar o ato eleitoral em Alcacer do Sal. No entanto sem o partido dispor sequer de uma sede local, ou outro sitio para proceder ao ato eleitoral, o mesmo acabou por ser realizado em urna móvel instalada numa das minhas viaturas, assim de forma perfeitamente original, e também diga-se irregular, somente eu e o Jorge Pereira da JC, passamos toda uma tarde para conseguir recolher preciosos 3 votos. Só no CDS/PP se poderiam ver situações idênticas com a complacência do Secretário-Geral da época Dr. João Rebelo. &lt;br /&gt;A pouco e pouco conseguimos ir captando no Barreiro novos apoios, novos militantes e inclusivamente recuperar a confiança e a militância de antigos militantes e simpatizantes da JC e do próprio partido, que se tinham afastado por esta ou aquela razão da militância ativa. &lt;br /&gt;Comigo como Presidente a Concelhia do Barreiro instituiu a realização de um jantar anual de Natal.&lt;br /&gt;No primeiro ano esse jantar realizou-se no Restaurante do Moutinho, encerrado para essa nossa realização do partido, e que contou com a presença do líder parlamentar da época Dr. Luis Queiro.&lt;br /&gt;Fiz questão de convidar a comunicação social, e entre outros, esteve presente o jornalista que sempre pior me tratou, a nível de comunicação social, o senhor Sousa Pereira do Jornal do Barreiro, para assim poder relatar com verdade a realidade atual do partido, e este convite não era cínico, era sim para lhe provar o quanto eu exijo respeito.&lt;br /&gt;Mas como seria de esperar, acabou por ser inconveniente, durante todo jantar. Eu que jamais tolerei esse tipo de situação acabei por em bom português; conseguir indiretamente achincalhar e envergonhar publicamente em pleno jantar, para terminar com as suas insinuações. Por outro lado fui obrigado a divulgar publicamente alguns fatos nada abonatórios da sua atividade de escriba em jornais. Comigo como dirigente jamais admitiria o partido ser deturpado na sua ação política e social.  &lt;br /&gt;Foi também possível restabelecer o contato com o ultimo candidato á Câmara Municipal do Barreiro, o farmacêutico Mascarenhas Neto, que com a nossa ajuda e contatos acabou por conseguir recuperar uma avultada verba que o partido a nível nacional lhe devia. Esse compromisso tinha sido assumido pelo Sr. Pedro Estadão, que como em todos os outros compromissos não soube honrar a boa imagem do partido, nem sequer o seu nome pessoal.&lt;br /&gt;No entanto apesar de toda a nossa boa vontade e empenho foi precisamente este senhor farmacêutico que nos surgiu com a primeira jogada de “sacanagem” ao seduzir-nos com a sua oferta de um espaço para instalar uma sede concelhia. &lt;br /&gt;Assim disponibilizou um apartamento propriedade da sua esposa, situado numa zona nobre do Alto do Seixalinho, e que obviamente aceitamos de bom grado, pois seria a nossa primeira sede independente. A conquista de um local com independência e as condições mínimas para se poder desenvolver um bom trabalho. A condição única da oferta seria limpar o apartamento, por troca com um arrendamento com um valor simbólico a combinar posteriormente.&lt;br /&gt;É desta forma que a JC e alguns militantes do partido se empenharam em levar a cabo a limpeza do local, que mais parecia um chiqueiro de porcos, tal a imundice motivada por uma inundação que a casa tinha sofrido.&lt;br /&gt;Depois do local se encontrar totalmente limpo e recuperado, e quando se imaginava poder efetivar o acordo, e assim ali instalar a sede, nem que fosse provisoriamente, o ilustre farmacêutico Mascarenhas Neto, resolveu mudar de idéias e dar o dito por não dito, e assim dar outro destino ao imóvel. Este procedimento, deveras interessante a que se seguiram outros de igual oportunidade, acabou por deixar marcas, e estabelecer uma linha bem demarcada na amizade que ele afirmava existir sem limites, e que assim se podia constatar afinal existir em termos de determinantes jogos de interesse pessoal.&lt;br /&gt;Como sempre eu gosto de testar os meus alegados amigos, e anos mais tarde, já comigo a morar em Espanha, surgiu uma rara oportunidade para realizar um tentador negocio, no decorrer de um fim de semana. E como não tivesse o valor disponível naquele momento, e somente cerca de um mês mais tarde, e como esse cavalheiro sempre batia na mesma tecla, ou seja; batia no peito que nem Tarzan, afirmando que sempre que fosse necessário, podia contar com ele, eu resolvi testar essa sua ferocidade das selvas.&lt;br /&gt;Falei com ele ao telefone, desde Espanha, e disse-lhe qual o favor que lhe estava a solicitar, por quanto tempo necessitaria e qual era o valor necessário, e que por acaso até era; bastante ridículo, para a sua alegada disponibilidade financeira, cerca de dois mil euros, e inclusivamente lhe ofereci garantias, e ele, perante tudo isso; apenas me disse: &lt;br /&gt;“...pois apareça e conversamos!”&lt;br /&gt;Eu necessitava do valor pedido, até ao dia seguinte, e então sem mais demoras pequei no carro e meti-me ao caminho, de minha casa em Espanha até ao Barreiro, cerca de 400 quilômetros. Cheguei ao Barreiro e fui direto á sua farmácia, voltei novamente a expor a minha situação, e para meu grande espanto o cavalheiro, depois de me ter feito andar mais de quatro centenas de quilômetros, gastar dinheiro em combustível e desgaste da viatura, com a maior cara de pau do mundo respondeu-me que naquele momento da sua vida não dispunha desse valor.&lt;br /&gt;Poderia eu acreditar nisso, vindo de alguém com duas farmácias abertas ao público e a funcionarem em pleno. Jamais essa poderia ser a desculpa mais plausível a apresentar, pois esse valor ele poderia apurar num dia normal numa única farmácia.&lt;br /&gt;De forma cordial, eu e a minha ex-esposa despedimo-nos dele, peguei no carro, parei em Alcacer do Sal para comer um laudo jantar, acompanhado por um bom digestivo e conclui os 400 quilômetros de regresso á minha casa.&lt;br /&gt;E depois de mais de oito centenas de quilômetros andados, de gastar combustível e desgastar o carro, e de pagar um laudo jantar, fiquei deveras feliz ao meter a chave na porta da minha casa, pensei numas sabias palavras que já escutei várias vezes, sem infelizmente saber quem é o seu Autor:&lt;br /&gt;”Só traia o seu Rei se tiver a certeza da vitória!”&lt;br /&gt;Essa alegada amizade era muito pouco recíproca, e, sobretudo; muito interesseira, e de amizades desse tipo estou eu farto na minha vida, pelo que até hoje jamais voltei a falar com tal personagem, que ainda teve o arrojo de me enviar uma carta no natal seguinte, a qual eu não abri, não sei do que se tratava e mandei devolver, escrevendo no envelope:&lt;br /&gt;“Desconhecido o destinatário, devolver ao remetente”&lt;br /&gt;Sei por alegada pessoa, que o conhece bem, que foi acometido de um carcinoma da garganta, do qual foi operado. Pois que talvez exista alguma razão para isso, por certo foi muito mentiroso ao longo da vida e decidiram cortar-lhe o pio.&lt;br /&gt;O problema de local para trabalhar era assim o problema de preocupação numero um para o partido, pelo que eu mesmo resolvi que provisoriamente esse não era mais um problema para o partido. Assim a sede passou a funcionar no meu escritório pessoal, que tornei ativo para o partido, era ali que se reunia a Comissão Política, era ali que se toda a atividade do partido se desenvolvia, entre reuniões ou outras atividades organizativas.&lt;br /&gt;Entretanto a FTDC foi-se organizando e com a ajuda do seu Presidente Concelhio, Sidonio Sousa, foi possível arranjar uma sede com as condições mais do que mínimas, mas que mesmo assim conseguia dar cobertura para as atividades da FTDC e da JC.&lt;br /&gt;O Partido crescia e continuava a implantar-se a cada dia que passava a tal ponto que a quando da realização do referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez, foi desenvolvida pelo partido uma campanha ao nível das outras forças políticas, e que em nada ficou a dever em termos de organização e trabalho de rua.&lt;br /&gt;Este acabou por ser o nosso primeiro grande teste de campanha e por assim dizer fomos aprovados. Mas para mim isso não bastava, eu queria arriscar ainda mais e então decidi que conjuntamente com a Comissão Política iríamos lutar para conseguir realizar no Barreiro o comício do partido da campanha a novel nacional, que ao nível do distrito normalmente se realizava sempre na capital, em Setúbal.&lt;br /&gt;Seria a proposta para o primeiro comício digno desse nome no Barreiro, feito pelo CDS/PP, e que eu sabia iria receber muito cepticismo das gentes de Lisboa.&lt;br /&gt;O presidente do partido acedeu ao desfio e então foram mãos á obra; e com um trabalho espantoso em cerca de somente 48 horas preparamos tudo. Divulgação, decoração do salão nobre dos “Franceses”, criação de condições de trabalho para todas as estações de TV e para todos os jornalistas que se creditaram para estarem presentes, e finalmente no dia e hora, com uma boa divulgação conseguimos encher o salão até á porta.&lt;br /&gt;E quando eu próprio usei da palavra para abrir o comício com a minha intervenção, olhei para o salão e fiquei certo de que se tinha conseguido vencer mais uma batalha.&lt;br /&gt;Foi um êxito, transmitido via TV para todo o País, com a cobertura da imprensa política nacional, e a imprensa local teve mais uma vez que se render ás evidencias, nós estávamos a crescer e teriam que contar com o nosso potencial como partido político para as próximas eleições Autárquicas.&lt;br /&gt;A nossa força política em termos também de capacidade de organização, permitia chegar ao ponto de auxiliar estruturas políticas menos favorecidas como era o caso da Concelhia da Moita que tinha como Presidente uma excêntrica, divorciada de um construtor civil, que ia vivendo garbosamente com a mesada que este lhe atribuía, só para não ter que a aturar. A Rosalia aproveitava a atividade política como razão de vida e o seu escape emocional pessoal.&lt;br /&gt;A sua aparição em qualquer ato publico era por si só um acontecimento fora do comum, graças ás suas vestimentas bem coloridas bem como ao seu modo de estar na vida. Onde ela surgia era Show garantido!&lt;br /&gt;A sua estrutura concelhia era despojada de militância, pois qualquer um fugia só de se ver na sua louca companhia. Dessa forma em períodos eleitorais a campanha eleitoral na Moita era como que virtual, até que decidimos ajudar um pouco e desinteressadamente colocar-lhe alguns pendões para mostrar a presença do Partido no Concelho.&lt;br /&gt;O material de propaganda acabou por ser preparado na sua casa e colocado em duas noites de trabalho, o que veio a constituir uma verdadeira surpresa na Moita e zonas limítrofes.&lt;br /&gt;Embora eu e alguns militantes do Partido e da JC tenhamos feito todo o trabalho, ela era como se costuma dizer; pobre e mal agradecida, por isso a Rosalia e a Moita nunca mais contaram com o nosso apoio, ficando assim ainda mais isolada com as sua excentricidades. &lt;br /&gt;Nessa mesma campanha eleitoral, a nossa organização a nível local não parava, e quase todas as noites saiam equipas para colocação de material pelo concelho, pelo que nunca o CDS/PP conseguiu ter uma implantação de material de propaganda como nessa ocasião. Este trabalho diário levava também a ocorrência de fatos curiosos, para mais tarde se recordar, assim o Ricardo “rodas” da Juventude Centrista era um dos jovens mais colaboradores em campanha, talvez por isso tenha aderido de forma tão pronta e espontânea a uma noite de colocação de propaganda que acabou somente por volta das 10 horas da manhã.&lt;br /&gt;A verdadeira aventura foi começar a noite com cerca de; 12 elementos e duas escadas, a colocar pendões nos postes e terminado a meio da manhã, somente com um único elemento, pois todos os outros foram desistindo do trabalho ao longo da madrugada por cansaço. O Ricardo, no entanto, sabendo da minha programação para essa noite, e de forma brilhante e corajosa esteve comigo cerca das 9 horas da manhã a colocar bandeirolas no Parque junto da estação central dos correios, com todos os moradores e transeuntes a observar dois “malucos” a colocar bandeirolas de um de um Partido de direita no centro de uma cidade Comunista. Ainda por cima numa zona de grande movimento, e para terminar a noite de trabalho fomos para a Rua Stara Zagora, junto do parque de estacionamento e da bomba de gasolina anexa ao estádio de futebol do Barreirense, local que agora vai dar lugar a uma grande superfície comercial, e a um Fórum.&lt;br /&gt;Correndo sérios riscos em termos de segurança, cada um de nós pegou em sua escada, e totalmente sozinhos íamos subindo aos: pontes e colocando as bandeirolas, sem ninguém a segurar as escadas á em baixo.&lt;br /&gt;A grande sorte do Ricardo foi que o ultimo poste foi o seu, e eu vim ajudar no preciso momento em que ele exausto adormeceu em cima da escada, esta caiu e ele por instinto agarrou-se ao poste vindo a deslizar até eu o segurar. Foi uma cena verdadeiramente digna de filmagem, para mais tarde recordar, ainda por cima passado o susto inicial, ele desatou á gargalhada, pois aquilo dava mesmo para rir.&lt;br /&gt;Eu sempre me assumi como um político que não tem medo de despir o paletó e ir á luta, fazer campanha de rua, colocar pendão se necessário for, e também por isso sempre fui olhado com alguma desconfiança pela classe política, que entende que um político deve ser um individuo de fatinho, bem penteadinho, boas falinhas e que sabe dar palmadas nas costas, beijinhos nas damas que nadam em cremes na fuça e que fogem do povo, evitam o mercado, a rua empoeirada ou o bairro de lata. Talvez que o PPD/PSD tenha em tempos obtido um resultado interessante na zona rural de Covas de Coina, Fonte do Feto, Quinta da Areia, porque eu peguei no Arquiteto Eduardo Porfírio e fui lá fazer campanha, porta a porta, sem medo de ameaças dos mais desfavorecidos. E talvez por isso mesmo eu ainda hoje possa entrar nesses locais menos favorecidos, com a cabeça bem levantada, e não me importar de beber um copo numa taberna ao lado de um pobre da mesma forma que entro num grande hotel para beber um copo com os finórios, quantas vezes da meia tigela.   &lt;br /&gt;A nossa atividade não parava, e o partido fortalecia-se, no entanto, a nível interno começavam a nascer sérios problemas. O Barreiro estava a tornar-se uma ameaça para certos personagens que sentiam por um lado inveja dos êxitos e por outro o advento de novos tempos que podiam ficar fora do seu controle e que podiam também ser muito prejudiciais para as suas ambições pessoais.&lt;br /&gt;Alguns, claramente acobardados, como o próprio Carlos Dantas, começavam a sentir o peso da chamada identificação étnica com a luta pelo poder por parte do Barreiro, e ele que se escondia por detrás de biombos, tinha agora que se mostrar, no fundo que; dar a cara.&lt;br /&gt;Ele que em vez de assumir a candidatura para a Comissão Política Distrital de Setúbal, tinha lançado a sua própria esposa, uma analfabeta política, obviamente com a idéia de ser ele mesmo a comandar por trás do biombo imaginário, toda a política distrital. Agora tinha que começar a mostrar-se, sob pena de perder em definitivo o comboio do poder.&lt;br /&gt;Ele queria sem duvida projeção pessoal e notoriedade. Funcionava como diz a lenda sobre o Príncipe Narciso, que ficou muito emocionado quando viu, pela primeira vez, a sua imagem refletida nas águas tranqüilas de um lago. Daí se conclui que tal como um lago, também a política é um bom espelho da natureza, no entanto tanto um como outro são muito realistas, e assim o Carlos quando olhava para um espelho via nele refletido somente um tipo anafado e ao mesmo tempo limitado. Só conseguia ver um tipo forte em termos de aparência física, e quando se olhava no espelho novamente voltava sempre a ver a mesma imagem, a do; mesmo individuo limitado e com características de uma determinada dependência e influencia dos interesses políticos e praticas políticas para conseguir concretizar alguns sonhos e objetivos meramente pessoais.&lt;br /&gt;Contrariando Jose Américo, o risonho Rabelais, que gritava em alto e bom som:&lt;br /&gt;“O sorriso é próprio do homem”&lt;br /&gt;O Carlos quando as coisas não lhe corriam de feição ficava assim como diz o Brasileiro:&lt;br /&gt;“Com uma carranca de boi a caminho do matadouro”&lt;br /&gt;Buscava sempre a possibilidade de jogar a mão a um, qualquer; “tacho” público disponível. Foi assim durante muito tempo o seu sonho, que alias era do conhecimento publico, pois não se cansava de o repetir alto e bom som. Sonhava em ser o Assessor ou Adjunto de alguém, não importava de quem, ou alguma outra coisa na Assembléia da Republica. Ironizando um pouco, acho que se atribuísse um lugar de carregador de chávenas de café para as salas do grupo parlamentar, ou de colador oficial de selos de correio na Secretaria-Geral da Assembléia, ele acabaria por aceitar, tal a sua anciã de estar muito perto do poder.&lt;br /&gt;Esta sua anciã de poder foi igual com Manuel Monteiro, Krus Abecassis, Gonçalo Ribeiro da Costa, Rosado Fernandes, Paulo Portas e por certo com muitos mais, pois até com outros Deputados tentou concretizar esse seu sonho.&lt;br /&gt;Depois já mais moderado verificou que os seus sonhos tinham virado pesadelos, pois não reunia as condições para os “tachos” ambicionados. Então tentou as condições mínimas e necessárias para promover a sua autonomia econômica e social, imaginando uma promoção ou nomeação ou algo muito parecido na área do Ministério da Agricultura onde trabalhava como mero licenciado manga de alpaca em direito. Por fim acabou por ser no Ministério da Educação, que anos mais tarde acabou por ser colocado a cortar fitas e fazer figura de “Bobo” na Direção Regional de Educação de Setúbal, como se fosse um “Biblot”, só para que se calasse com a choradeira.  &lt;br /&gt;Mas claro que atrás dele um grupo de “lambe-botas”, tendo como cabeça de cartaz, um, tal de; João Titta Mauricio, de quem contam lindas historias sobre um seu relacionamento, do tipo Professor versus Aluna, a nível universitário, muito próximo do estupro, e outros que como abelhinhas em busca de um pouquinho de poder caído das patas do escravizado poder nacional, para assim conseguirem fixar alguma notoriedade e quem sabe entrar no livro dos recursos dos mais afortunados “lambe-botas” de Portugal e arredores.&lt;br /&gt;Quando se tratava de aparecerem para trabalhar, isso era já um problema, e eram sempre os mesmos a comparecer, até para deixar o salão do andar inferior da sede distrital de Setúbal em condições mínimas de funcionalidade, teve que ser a militância do Barreiro a estar presente.&lt;br /&gt;Aquele local estava entulhado com lixo e material de propaganda não utilizado em eleições anteriores. A única maneira deste se tornar novamente operacional era realizar uma grande limpeza, retirando de lá todo o entulho desnecessário.&lt;br /&gt;Assim, num Sábado, munidos com a camioneta do prestável Joaquim Santos, uma boa equipa procedeu á sua limpeza, com a remoção de todo o entulho para o único local onde todo aquele; material podia ser colocado em segurança e que era o aterro sanitário da Câmara de Setúbal, por isso com a camioneta bem carregada de material de propaganda e outros dejetos, lá foi toda a; equipa participante, com vários carros a fazer de caravana ajudar a efetuar a descarga do lixo.&lt;br /&gt;No entanto sempre teria que acontecer uma aventura fora do comum, e assim quando pretendíamos sair do Aterro foi a grande surpresa, pois como já eram mais de 14 horas, e sendo um Sábado, o local estava já encerrado.&lt;br /&gt;Ao principio ainda pensamos que teriam saído apenas para cumprir o horário de almoço, e voltariam para o período da tarde, no entanto um transeunte informou-nos de que agora só voltaria a ser aberto na Segunda feira.&lt;br /&gt;Era impensável aquilo estar a acontecer, mas aconteceu, ou seja; cerca de: 12 pessoas presas num aterro sanitário com uma camioneta e 2 carros. Ameaçadas de terem que aguardar 2 dias até poderem sair dali, ainda mais que nem segurança havia no local, e ninguém dispunha de celular ali, tudo tinha ficado na sede.&lt;br /&gt;Foi então que eu resolvi que não poderia ali ficar a olhar para o céu aguardando um milagre. Decidi que se iria desmontar o portão de entrada, para se poder sair do local. Com a ajuda de um jogo de chaves que existia no carro do João, da Concelhia de Setúbal, tiramos o portão e lá saímos do local, o portão ficou encostado na vedação, e nem imagino o que devem ter pensado os funcionários na segunda feira ao chegarem para entrarem no aterro, mas assalto não deve ter sido. &lt;br /&gt;Por outro lado eu mais tarde considerei mesmo que tinha sido premeditado o encerramento do aterro conosco lá dentro, era impossível não verificarem a existência das viaturas no local antes de irem embora para o fim de semana.             &lt;br /&gt;E nós no Barreiro?! &lt;br /&gt;Por lá continuava o trabalho, sem nos importarmos com essas lutas de pé de chinelo. No entanto não estávamos dispostos a ser levados por tontos e muito menos a deixar que os nossos militantes fossem usados e abusados.&lt;br /&gt;Na minha vida existem situações que eu considero imperdoáveis, venham elas de onde vierem. Um delas é a traição. E quando ela, a traição, é praticada por alguém a quem considerava; amigo, ainda aumenta mais o meu conceito de verdadeiro crime lesa pátria.&lt;br /&gt;A minha Comissão Política Concelhia começou a verificar a fuga de informações tanto para a Comissão Política Distrital como para a comunicação social, eu também detesto delatores e fofoqueiros, gosto que me digam na cara tudo o que me querem dizer, e por outro lado que tudo o que é sigiloso, é mesmo sigiloso, seja para quem for. &lt;br /&gt;No caso das reuniões da Comissão Política Concelhia, verificava-se que alguns contatos e assuntos que se iam combinado eram reproduzidos com a devida antecedência e clareza para terceiros, o que só podia acontecer se alguém da Comissão Política os transmitisse, pois eu não acredito em assuntos coincidentes, muitas vezes repetidos.&lt;br /&gt;Fiz uma analise das atas das reuniões para verificar as presenças, e um estudo psicológico a todos os membros, confrontei os dados com as respectivas presenças e cheguei á conclusão de que somente um dos elementos poderia estar a reportar o conteúdo das reuniões.&lt;br /&gt;Outra minha grande arma é que detesto ser injusto, acusando inocentes por isso procuro sempre confirmar as situações, para não julgar ninguém erradamente. Neste caso decidi fazer o mesmo, e assim combinei com o João Palma e como José Peleja, membros até então imaculados e da minha máxima confiança, montar uma reunião com dados deturpados, para se verificar se iriam ser transmitidos pelo membro suspeito.&lt;br /&gt;Marquei então uma reunião com o Sidonio Sousa, em que somente estivemos presentes os quatro, e muito rapidamente pude confirmar que tanto o Carlos Dantas como o Luis Pires tinham tido acesso ás informações, por exclusão de partes e uma vez que o Sidonio não saia nessa época da casa do Luis Pires, ficou confirmado quem era o delator das reuniões.&lt;br /&gt;Foi assim que de imediato foi afastado das reuniões da Comissão Política e ao mesmo tempo foi sendo afastado dos diversos cargos que ocupava na hierarquia partidária.&lt;br /&gt;Confirmei mais tarde que as informações eram dadas em troca de alegadas promessas de cargos partidários, profissionais e sociais no futuro.&lt;br /&gt;Posso assegurar que esta situação me afetou muito a nível pessoal, pois o Sidonio além de ser considerado um amigo, estava comigo na política já á alguns anos, desde os tempos da Juventude Social Democrata.&lt;br /&gt;É no fundo uma lição, que nos ensina que na política como na vida no podemos confiar em ninguém a 100%, apenas em nós próprios, pois ninguém é infalível e muitas vezes o traidor esta mesmo ao nosso lado, que nem na historia de Judas para Cristo!&lt;br /&gt;É também nesta época que nasce oficialmente a primeira grande questão com a distrital de Setúbal. Assim o meu Vice-Presidente, Nuno Valente, era na época também o Presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal da Juventude Centrista, e quando se procedeu á formalização das listas candidatas ás eleições legislativas de 2001, a Concelhia do Barreiro indicou por unanimidade; o meu nome para integrar a lista e em segundo lugar o nome do Nuno Valente, e em terceiro o de António Lourenço, um dos meus mais leais colaboradores. Por sua vez em Setúbal, o Sr. Dantas tinha arquitetado um cenário muito interessante, ou seja; em primeiro lugar da lista, e em principio ilegível, iria surgir o nome indicado pela Comissão Política Nacional, neste caso o do Professor Rosado Fernandes, em segundo lugar iria surgir, e de uma forma inquestionável para todos nós, atendendo ao cargo político, a Presidente da Distrital doutora Isabel Fernandes, que seria Deputada, caso; o Partido, consegui-se o verdadeiro milagre de eleger mais do que um Deputado pelo distrito, ou por renuncia ou morte do primeiro da lista, e então em terceiro lugar da lista ele apresentava a proposta de se colocar a ele próprio. Remetendo assim o Presidente Distrital da JC e os outros candidatos para os lugares seguintes, sendo que ainda apresentava em quarto lugar o seu “lambe-botas” numero um, João Titta Mauricio. &lt;br /&gt;Apresentava assim um critério bem “manhoso”, e uma estratégia idêntica á que já tinha adotado para a Distrital, mas aqui bem mais familiar e direta. Ou seja; após as eleições e, em caso de substituição do primeiro candidato eleito, por mero acaso seria a sua esposa. O que iria acontecer na realidade seria que ela iria abdicar e assim ele chegava a Deputado, como representante ninguém sabe muito bem de quem, uma vez que não representava ninguém, nem tinha acento em nenhum órgão concelhio ou distrital, pois não se sujeitara a qualquer votação colegial para nada.&lt;br /&gt;Era assim a camada esperteza familiar saloia, querendo fazer de todos os outros uma cambada de parvos.&lt;br /&gt;Bem entendido que eu nunca em circunstancia alguma discuti o sétimo lugar atribuído ao Barreiro e neste caso á minha pessoa, na lista candidata, e acedi com muito gosto em dar a cara pelo partido naquele momento, e perante o projeto que estava a ser apresentado aos Portugueses.&lt;br /&gt;Discuti sim, e muito, o lugar da Juventude Centrista, e, sobretudo o seu lugar de colocação pessoal na lista.&lt;br /&gt;Foi uma reunião bem tumultuada e que marcou o inicio oficial do fim da nossa boa amizade e companheirismo partidário.&lt;br /&gt;Eu sempre soube distinguir relacionamento político do relacionamento pessoal, mas aquele assunto ultrapassou em muito a questão política, o seu comportamento pessoal ultrapassou em muito o meu pensamento sobre o comportamento político. Por outro lado a sua postura indubitavelmente diminui-o a estima e consequentemente o respeito que devem nortear os comportamentos de alguém que eu entenda estar dentro dos indivíduos identificados como meus amigos, e hoje, entretanto, face a todas as ocorrências políticas e pessoais posteriores nem na condição de simples conhecido o posso colocar.&lt;br /&gt;A JC acabou por subir uns quantos lugares na lista, e o Carlos Dantas e os seus “lambe-botas” oficiais, perceberam que comigo como Presidente da Concelhia do Barreiro, jamais poderiam brincar ou fazer aquilo que muito bem queriam no Partido.&lt;br /&gt;Passei obviamente a ser um alvo a abater, devido á seria ameaça que oferecia para todo aquele grupo.&lt;br /&gt;O período eleitoral decorreu normalmente, com o Barreiro, no entanto, a receber bem menos material de propaganda do que seria normal, e com o partido a conseguir obter resultados meritórios no Concelho, mas bem longe do esperado a nível do Distrito de Setúbal, e mesmo a nível nacional ficou aquém do resultado esperado.&lt;br /&gt;A campanha do Professor Rosado Fernandes era a nível pessoal um susto. Ele como que fugia do eleitorado e a abordagem era bem difícil, em muitos aspetos até no físico, fazia-me lembrar o Arquiteto Porfírio, só que para muito pior, pois na ponta final o Arquiteto até que já abordava os eleitores, enquanto este fugia dos eleitores como o diabo da cruz. No entanto o Professor Rosado Fernandes acabou por conseguir ser eleito depois de muito sacrifício, e graças ao método de apuramento eleitoral e distribuição percentual eqüitativa dos eleitos.&lt;br /&gt;Desde logo as pressões sobre o Deputado por parte da Distrital, não pararam. Primeiro para criar um lugar de assessor para o Carlos Dantas, e como o Deputado em vez disso decidiu colocar um seu familiar, estalou então a guerra e passaram a imaginar a; possível suspensão do mandato, ou mesmo a sua renuncia, utilizando a boataria como arma. Mas nem; uma coisa nem outra, veio a conseguir ter efeitos ou a acontecer, e dessa forma tudo o que foi tentado acabou por não surtir qualquer efeito, pois ele acabou por cumprir todo o mandato, e assim nunca a doutora Isabel Fernandes se conseguiu sentar na Assembléia da Republica como Deputada.&lt;br /&gt;No Barreiro para além da continua preparação das eleições autárquicas, surgem assuntos que merecem a nossa melhor atenção, como o deficiente tratamento dos lixos hospitalares, no Hospital Distrital do Barreiro e nas clinicas existentes no concelho. &lt;br /&gt;Outra vertente abordada por nós foi a necessidade de apoios para a construção de um novo quartel para os Bombeiros do Corpo de Salvação Publica, que muita gente desconhece ter entrado no PIDAC, por indicação expressa da minha Comissão Política Concelhia, um quartel que hoje já existe na realidade, um orgulho para mim enquanto Presidente da Concelhia. Nessa época nós não solicitávamos ao grupo parlamentar, nós como que exigíamos, essa e outras medidas, e por esse motivo é ainda um orgulho muito maior para todos os elementos que fizeram parte dessas Comissões Política Concelhias, ter exigido ao grupo parlamentar algumas prioridades para o concelho, muitas delas já concretizadas como também a nova esquadra para a Policia de Segurança Publica, que sei esta em fase de conclusão.&lt;br /&gt;Mas nesta época surgiu um problema preocupante; a situação da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro. Constatamos que de forma ilegal, expulsou centenas de associados, para além de levar até hoje um tipo de gestão que ninguém consegue controlar.&lt;br /&gt;A instituição em si das misericórdias em Portugal é incontrolável, e funciona como uma verdadeira máfia, a que a igreja católica tem dado total cobertura e muito embora recebam avultadas verbas do Estado, nem o próprio Estado consegue controlar. &lt;br /&gt;A violência intelectual é um denominador comum á nossa civilização. Um sinal muitas vezes de animalidade sem controle que se transforma em marco cultural histórico.&lt;br /&gt;Nunca na minha vida tinha presenciado uma assembléia geral, com um tumulto tal, como a que vim a assistir na Misericórdia do Barreiro, ainda mais de uma entidade com fins puramente sociais e beneméritos, como uma Santa Casa da Misericórdia. O tumulto apenas aconteceu porque foram contratados seguranças privados e colocados de prevenção agentes da Policia de Segurança Publica. A PSP é uma entidade paga pelo dinheiro dos contribuintes, mas que nesse dia foi colocada escandalosamente ao serviço político, por via do Governador Civil de Setúbal, daquela época, um apadrinhado do Partido Socialista, que dessa forma dava cobertura política aos seus camaradas do Barreiro, que queriam controlar a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro.&lt;br /&gt;Os associados foram impedidos de entrar, e só uma “casta” muito especial, previamente escolhida pelo Provedor e seus “capangas” da mesa administrativa, com a ajuda da comandita da igreja católica puderam entrar.&lt;br /&gt;No exterior uma multidão de associados foi impedida de entrar nas instalações de uma entidade que anos a fio se serviu dos pagamentos das suas quotas mensais para ajudar a equilibrar as contas de sobrevivência da entidade, e agora estava transformada num clube privado do Sr. Julio Freire e alguns dos seus camaradas políticos.&lt;br /&gt;Até hoje estou arrependido de nessa noite ter ajudado a apaziguar o tumulto que estava para se transformar numa batalha campal, e ter ajudado a não permitir a invasão das instalações.&lt;br /&gt;Se isso tivesse realmente acontecido, teria terminado nessa mesma noite o projeto pessoal e político de Julio Freire, em transformar aquela entidade em uma extensão de interesses pessoais seus e político por parte de Partido Socialista, que continuam de uma forma escandalosa a controlar os destinos de uma entidade que deveria ser totalmente gerida fora das diretrizes partidárias.&lt;br /&gt;Esta situação é ainda mais grave porquanto algum tempo antes numa assembléia geral o Provedor Julio Freire já tinha sido derrotado nas suas intenções individualistas.&lt;br /&gt;E pouco tempo depois, numa outra assembléia geral, que deve ter sido a mais concorrida da historia da Misericórdia do Barreiro, realizada no salão nobre dos “Franceses” a sua derrota na proposta de alterar os estatutos foi esmagada eleitoralmente.&lt;br /&gt;Nessa mesma Assembléia Geral eu propus a votação por voto secreto e essa proposta venceu, sendo que eu inclusivamente já levava de casa totalmente prontos os votos para virem a ser utilizados, na votação da proposta; seguinte, o que veio a acontecer, para não permitir jogadas de bastidores no seu adiamento.&lt;br /&gt;Jamais na minha vida poderei esquecer a covardia de Julio Freire, tentando subornar-me quase se colocando de joelhos no chão, chorando na minha frente, para que eu não apresentasse a proposta, e em troca ele propunha vários favores no Jornal do Barreiro, controlado pela Misericórdia.&lt;br /&gt;Perante a minha recusa, ganhei nessa noite, vários inimigos, em especial o Jornal do Barreiro, que me passou a tratar com uma invulgar fúria deturpando todas as situações e produzindo ataques pessoais semanais.&lt;br /&gt;No entanto não me arrependo de forma alguma por ter sido firme e ter tomado a atitude e decisão que achei e continuo hoje a considerar a mais acertada, mantendo-me dessa forma integro e frontal com as minhas idéias, a minha personalidade e as minhas convicções que por dinheiro algum do mundo vendo.&lt;br /&gt;Algum dia, que face aos acontecimentos, espero não muito distante, vão perceber o porque; das minhas razões, e das de muitas centenas de associados. Neste processo da Misericórdia do Barreiro, o meu único arrependimento, é mesmo o de ter ajudado a controlar a multidão. Hoje, sabendo tudo quanto sei, eu teria sem duvida entrado á frente da multidão e nem toda a polícia e seguranças do mundo nos teriam detido. Não posso imaginar qual teria sido o resultado, perante muitas pessoas que tinham vontade de fazer justiça pelas suas próprias mãos, e só isso me levou a evitar uma possível tragédia, pois muito embora defensor da pena de morte para crimes hediondos, eu exijo que os mesmos sejam devidamente comprovados. Por outro lado, corrupção é uma coisa e outro tipo de crimes é outra coisa, além de que sempre fui contra linchamentos populares. Prefiro a justiça sim, mas a dos homens, homem a homem. E no caso da pena de morte acho a cadeira elétrica muito mais higiênica e econômica que o fuzilamento, embora, por exemplo, com Sadam o enforcamento não caia nada mal, e em algumas outras circunstancias também não vá mal.    &lt;br /&gt;Nessa mesma época também a exploração de madeira da mata nacional da machada, por parte de um conhecido militante do Partido Socialista de um modo bem estranho mereceram a nossa atenção. E a atuação política foi de tal forma que eu próprio acabei por sofrer três processos crime, como se não fosse representante do partido. Acabei por sair como vencedor de dois dos processos, e somente condenado minimamente, em um deles, por utilizar simplesmente a palavra “promiscuidade”.&lt;br /&gt;No entanto continuo a considerar da mesma forma, como naquela época, que o referido cavalheiro, usou da sua influencia política para como “promiscuidade” retirar mais claras mais valias, e não retiro uma virgula de tudo quanto afirmei naquele tempo, e hoje volto a reafirmar. &lt;br /&gt;A corrupção, e o comportamento banal e subserviente, tanto ocorrem no campo econômico, definindo, alimentando e mantendo o “status quo” de grande parte das elites portuguesas, que se servem dos movimentos políticos e também das pressões exercidas por jogos de interesses junto do poder judiciário, como são exemplos um desses meus processos.&lt;br /&gt;O processo Leonor Beleza, sobre o sangue contaminado e mais recentemente o processo Casa Pia e o Apito Dourado, entre outros, são outros bons referenciais da banalização da justiça.&lt;br /&gt;Embora seja importante percorrer a responsabilidade do poder político em todo este estado de imobilidade administrativa, com a cada vez maior dispensa de responsabilização na reflexão sobre situações verdadeiramente inadmissíveis. Devemos também não esquecer que infelizmente o povo é fortemente influenciado por um lado pela imagem criada e por outro por interesses adquiridos.&lt;br /&gt;O partido conseguiu apesar de tudo chegar ao governo á custa do sacrifício do líder do PSD, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, antes ainda das eleições, traído na fase de negociações para formar uma coligação, uma nova AD. &lt;br /&gt;Engraçado, e irônico que o maior opositor dessa coligação, Durão Barroso, veio a conseguir ocupar a cadeira de Primeiro Ministro, graças precisamente a efetuar uma coligação com quem antes rejeitara, ou seja; com o CDS/PP de Paulo Portas.&lt;br /&gt;É nessa altura, nos momentos antes da chegada ao poder, que eu começo a verificar e sentir de modo efetivo a imagem do partido e do seu líder a mudar. Tudo funcionava e era visto de uma determinada forma enquanto oposição, mas como iminente poder, no governo, já atuava de uma forma totalmente diversa, sempre na base da troca direta de “um simples chouriço por um porco”, e tendo sempre como seu chamado “cão de fila” João Rebelo.&lt;br /&gt;Curiosamente; a comunicação social local, até ai dialogava e cooperava minimamente com o partido, a JC e a FTDC, começa a tratar-nos de modo diferenciado e; novamente com ataques pessoais despropositados em especial pela pena do projeto de jornalista Sousa Pereira, que na época estava do Jornal do Barreiro, obviamente ligado á Misericórdia do Barreiro, e a Julio Freire seu Provedor e ao mesmo tempo Diretor do Jornal, portanto perfeitamente normal o nível dos ataques pessoais.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo surgem claros indícios de que o grupo de Carlos Dantas, esta por detrás de tudo isso, pois surgem apontamentos, fotos e notórias noticias com claros indícios sobre a sua origem, algumas até com o nome Dantas incluído pelo meio, e sempre no Jornal do Barreiro, afeto ao Partido Socialista. Obviamente que tanto eu como os restantes membros da Comissão Política não éramos parvos ao ponto de acreditar que tudo era inocente, pois era mais do que visível o envolvimento de todo aquele “bando” com o Jornal do Barreiro, Julio Freire, Sousa Pereira e o Partido Socialista.&lt;br /&gt;Com a distrital de Setúbal do CDS/PP a tomar algumas decisões bem estranhas para com o ex-Presidente da Concelhia do Partido no Seixal, o Alexandre Décio, eu que sempre me mostrei solidário com os amigos, quando entendo que tem razão, nunca os abandonando em momento algum, consegui manter o contacto deste com a estrutura política.&lt;br /&gt;Um dia ele resolveu marcar uma reunião num restaurante da Charneca da Caparica. Ali chegado com a Fernanda, fomos surpreendidos com um restaurante fechado para o publico e que estava apenas aberto para nos servir. Fomos presenteados com um ótimo jantar com pezinhos de coentrada, migas e umas lagostas cubanas divinais, para além disso; fomos ainda contemplados com fados e guitarradas o que transformou o ambiente em algo para nunca mais esquecer.&lt;br /&gt;O meu amigo Alexandre Décio, é realmente um apreciador da boa vida, da boa comida e, sobretudo; também amigo dos seus bons amigos. Este inesperado serão não era mais do que um muito obrigado pela solidariedade num momento difícil, e ao mesmo tempo o anuncio da sua saída da política, que não da amizade com os amigos.&lt;br /&gt;Numa outra ocasião foi a Viseu uma comitiva do Barreiro, para assistir a uma convenção do Partido. O Décio, que é nascido e criado na região, e a conhece como as palmas das suas mãos, arranjou um almoço; numa aldeia típica próxima, com passagem pela adega do proprietário, escusado será dizer-se que a tarde foi toda dedicada ao almoço e após o encerramento da convenção veio até á Bairrada, para nos fazer companhia, em metade da viagem, e para comer um leitão, tendo regressado novamente a Viseu, e á sua quinta que possui na região, em seguida.&lt;br /&gt;Perante tudo isto, eu sempre achei que o melhor conselho era seguir a proposta de Renato Mezan, autor de – A trama dos conceitos:&lt;br /&gt;“Tenham muita curiosidade e não acreditem demais no que lêem”.&lt;br /&gt;Ou seja:&lt;br /&gt;Quando a cabeça esta prestes a rebentar a única solução é parar olhar o cardápio do restaurante e experimentar a refeição com o nome mais complicado, sem esquecer que contenha pimenta, sal, alho e se possível cebola, acredite que vai dar certo.&lt;br /&gt;O meu relacionamento tumultuado com Sousa Pereira, já não é de hoje, nem de ontem, vem desde os meus tempos de jornalismo radiofônico, no final dos anos 70 do século passado, quando ele queria sabotar, melhor dizendo censurar, um artigo meu sobre o famoso caso da ambulância do Lavradio. Um caso de clara corrupção envolvendo figuras afetas ao Partido Comunista Português e á esquerda, sobretudo á extrema esquerda mais radical a que Sousa Pereira pertencia nessa época.&lt;br /&gt;Algumas figuras conhecidas do Lavradio realizaram um peditório, tendo como objetivo a aquisição de uma ambulância, objetivo nunca cumprido até aquela data e que face á atitude ‘pidesca’ de tentar censurar um artigo meu; me levou a escrever um celebre e histórico artigo “Lápis Azul Tendencioso”, que foi como que a colocação da tampa no caixão do seu jornal da época, o Jornal da “Daterra”, depois disso; muitos outros episódios se seguiram ao longo do tempo, e o nosso relacionamento é de cão e gato, sendo que eu nunca lhe admiti certas situações e funciono mesmo como o cão, e mordo mesmo se for caso disso, e ele já sabe disso e da força dos meus dentes.&lt;br /&gt;A guerra com a comunicação social estava assim lançada. E se bem que nunca tenham estado do nosso lado, o que simplesmente se lhes pedia e exigia era isenção. Agora estavam bastante hostis, mas claro que eu já lhes conhecia essa mania, não era nenhuma novidade para mim, e eu sei muito em como lidar com ela.&lt;br /&gt;Ostracismo!&lt;br /&gt;Essa é a melhor solução, votar ao ostracismo, e impedir que façam noticia na nossa própria casa. Ai sim! Ficam; possessos, e quanto mais possessos melhor, pois; o leitor ao observar o que escrevem, sempre a depreciar e ao ataque, acaba por descobrir por si próprio que algo esta errado naquelas noticias, e que aquele tipo de jornalismo não é correto, e então cada vez que publicam uma nova noticia da “treta” o leitor atento tem a pouco e pouco uma leitura totalmente diversa.&lt;br /&gt;Ao fim de algum tempo o jornalista “marronzista” observa esse efeito “boumerang” e pura e simplesmente deixa de escrever, seja o que por sobre determinado assunto ou pessoa, que queria afetar, por sentir que afinal está ele próprio a ser atingido.&lt;br /&gt;É uma norma sempre presente e que nunca falha. Se, no entanto, se conseguir um órgão de comunicação social limpo e isento na mesma região, tanto melhor, pois o leitor vai ter então um fator de comparação, e então os efeitos são ainda mais rápidos em termos de falta de credito tanto do jornal como em especial do jornalista que faz do jornal um autentico ‘pasquim’ de ataque pessoal.&lt;br /&gt;Assim, aconteceu com esses alegados jornalistas que hoje nada escrevem, limitando-se a criar espaços virtuais onde muitas vezes nem coragem tem de assinar por debaixo o seu nome.&lt;br /&gt;Eu hoje sou, e sinto-me um autentico peixe, ateu, mas já fora do aquário, limitado, da democracia crista, ou de qualquer outro partido.&lt;br /&gt;Hoje, eu sou realmente alguém livre, como um peixe totalmente solto para poder correr os oceanos da liberdade de pensamento.&lt;br /&gt;Há como é bom ser peixe, fora de um aquário, tal como pássaro fora da gaiola.&lt;br /&gt;Ser livre é ótimo!&lt;br /&gt;A liberdade das amarras partidárias é a melhor sensação do mundo, e que só quem é tal como eu livre, pode sentir...&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-7578468202467674026?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/7578468202467674026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=7578468202467674026&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7578468202467674026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7578468202467674026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxiii-um-peixe-ateu-dentro-de-um.html' title='XXXIII – UM PEIXE ATEU DENTRO DE UM AQUARIO DEMOCRATA CRISTÃO'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-7887776770867499885</id><published>2008-04-17T15:17:00.000-03:00</published><updated>2008-04-17T15:19:41.676-03:00</updated><title type='text'>XXXII– A VIDA DA POLITICA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Viver não cansa o que cansa são as perguntas de quem não quer ou não sabe ter opinião própria. Os comentários de quem; não gosta de pensar, ou algumas perguntas de jornalistas que gostam de se fazer de espertos, quando muitos deles nem sabem escrever o seu próprio nome, isso sim cansa, e muito.&lt;br /&gt;Viver realmente não cansa, o que cansa mesmo é ter que fazer muitas vezes de cego, diante dos colarinhos clericais que usam os dogmas para tentar ganhar de modo fantasioso, algumas almas e assim tentarem despovoar o inferno, e outros daqueles locais de que tanto gostam de falar.&lt;br /&gt;Mas o que me cansa mesmo muito; é ter que gramar os que vivem das politicagens, e os cinismos dos oportunistas, ou ter que lidar diariamente com a chamada fofoca de quem não tem nenhum brio ou brilho próprio, e fala dos outros sem saber do que realmente esta a falar, pois muitas vezes nem sabe do, ou de quem se trata. &lt;br /&gt;E o que me fatiga mesmo, e me deixa exausto; é ter que engolir em seco, ao ver certos empregos apadrinhados, ocupados por incompetentes que da vida apenas sabem que nasceram, mas nem sabem como tem conseguido sobreviver até ali, e isso “porra” cansa-me mesmo muito!&lt;br /&gt;Me deixa deveras exausto!&lt;br /&gt;Talvez por causa de muitas destas razões, e canseiras, eu um dia acabei por me cansar mesmo da política, e para não morrer cansado de tanta ‘malandragem’ e ‘hipocrisia’ resolvi cair fora desse estranho mundo, enquanto ainda era tempo de conseguir sobreviver sabendo os caminhos que trilho no dia a dia da minha vida.&lt;br /&gt;Mas quando ainda vivia a política, e não da política como muitos outros ainda hoje o fazem, eu aproveitava mesmo para viver, e guardar memórias que o tempo não apaga.&lt;br /&gt;Desde aquela Assembléia eleitoral da JSD do Barreiro, que passei a viver política por tudo quanto era poro do meu corpo, e por tudo quanto era tempo disponível e vida vivida. Mas mesmo assim, nunca fui egoísta, ainda consegui guardar um pouquinho do meu precioso tempo para conseguir ter alguns bons momentos de autentico companheirismo, intimidade e muitas vezes também cavalheirismo.&lt;br /&gt;Ao contrario do que muitos podem imaginar o dia seguinte a uma vitória eleitoral é sempre o mais difícil de digerir, e se uma derrota pode colocar o visado numa situação de apatia e desalinho durante dias ou mesmo, algumas vezes, semanas, o dia seguinte de um vencedor é de todos os dias o mais difícil. É um dia difícil pela angustia, por não ter outro remédio que não seja assumir a vitória e encarar o desafio de ter de cumprir o programa apresentado, ou as promessas feitas durante a campanha, pois sabe que mais cedo ou mais tarde os eleitores lhe vão cobrar as letras gastas das promessas feitas.&lt;br /&gt;A melhor regra para diminuir essa angustia, que nos vai acompanhando pelo tempo fora do mandato, é cumprir no mais breve espaço de tempo possível, para se conseguir libertar desse peso na consciência, e por outro lado iniciar imediatamente uma luta diária e constante na defesa e consolidação dos objetivos alcançados.&lt;br /&gt;Os primeiros tempos são sempre os mais difíceis, seja por um lado pela novidade, seja também pelo simples fato de que é nesse primeiro período que os derrotados ficam bem mais atentos e, prontos a atacar-nos desde que surja qualquer dúvida ou mal entendido.&lt;br /&gt;No caso concreto da JSD do Barreiro, tal não fugiu á regra, e nos primeiros tempos após a vitória, eu, e toda a minha equipa eleita, sentíamos o peso da constante observação sobre os nossos atos pessoais e decisões coletivas.&lt;br /&gt;O desenvolvimento do trabalho foi-se processando na medida do possível, face ás grandes carências existentes, pela falta de recursos técnicos e financeiros, e que eram já do conhecimento geral.&lt;br /&gt;Naquela época na minúscula sala da JSD, com menos de 9 m2, faziam-se autênticos milagres com os muito escassos meios existentes.&lt;br /&gt;Os cartazes para as campanhas das Associações de Estudantes do Secundário eram normalmente ali trabalhados e pintados em horário que não pudesse prejudicar as atividades do Partido na sala comum, para poderem ali secar durante a noite e a manhã seguinte, período em que a sede normalmente se encontrava encerrada ou com muito pouco movimento.&lt;br /&gt;Nesses gloriosos tempos os cartazes e tarjas eram desenhados e pintados á mão, pois material de propaganda já pronto, e trabalhado numa gráfica, era para nós um luxo que não estava ainda ao nosso alcance, pois a JSD do Barreiro era uma estrutura das mais autônomas e do Distrito que se possa imaginar.&lt;br /&gt;Os próprios autocolantes de campanha para as diversas listas concorrentes eram ridiculamente preparados á mão em processo moroso, repetitivo e porque não dizer mesmo, vergonhoso, para a Juventude Política de um dos maiores Partidos Nacionais. Os programas de candidatura eram montados da forma mais artesanal que se possa imaginar, e posteriormente reproduzidos a preto e branco, tentando colocar o máximo de fotos possíveis e texto no mais reduzido espaço possível para poupar papel e claro o numero de fotocópias a reproduzir. &lt;br /&gt;Tenho que reconhecer, que nos primeiros tempos, não fora a ajuda preciosa do Francisco Mendes Costa, e as dificuldades teriam sido muito maiores, na realidade ele nesse capitulo sabia ser um político com ‘P’ maiúsculo, pois acabadas as eleições entendeu que era com nós que teria de trabalhar. E nesse capitulo como em alguns outros colaborou de forma bastante positiva, esquecendo desde logo em termos práticos, a derrota da lista sua afeta, se bem que obviamente no seu intimo lá se mantivesse a magoa de uma derrota.&lt;br /&gt;Eu achava toda aquela forma de trabalhar em cima do joelho perfeitamente ridícula, mas necessária. O que mais se poderia fazer com os meios disponíveis? Nada, mesmo mais nada, só arquitetar a resolução da questão para o futuro. Mas naquela época a verdade é que não existiam mesmo os meios financeiros e técnicos para se conseguir fazer mais e melhor, nem disponibilidade aparente dos diversos órgãos e responsáveis de nível superior.&lt;br /&gt;A descoberta da existência de uma; maquina repetidora no sótão da sede, foi uma esperança temporária, para se poder assim reproduzir em quantidade programas eleitorais, pois quando contabilizados os custos da sua reparação, e o orçamento para funcionar normalmente, chegou-se á brilhante conclusão de que ficaria ainda mais caro do que se a JSD continua-se a utilizar os precários meios existentes no momento.&lt;br /&gt;O partido não oferecia á JSD nada que lhe fosse útil ou proveitoso, só presentes envenenados, como aquela repetidora desatualizada, velha e podre.&lt;br /&gt;Não demorou assim muito tempo até que eu entendesse que a JSD se tinha que virar pelos seus próprios meios, e a encontrar fontes de financiamento, de que recordo ainda a realização de sorteios, festas e excursões entre outras formas de financiamento relativamente rápido e sem riscos.&lt;br /&gt;O Partido começou a sentir-se incomodado, pois um dos modos que tinham imaginado para torpedear a nossa atividade era precisamente o estrangulamento financeiro.&lt;br /&gt;A tesoureira da Comissão Política, a Fernanda Rodrigues, geria os parcos recursos financeiros com verdadeira mão de ferro, e nós dessa forma conseguíamos ir levando a atividade a cabo com maior ou menor dificuldade.&lt;br /&gt;Por outro lado nessa mesma época a minha vida pessoal era também uma roda viva. Eu nessa época namorava; com a Maria do Céu, mas a relação era já mais por obrigação do que por devoção, e dessa forma eu como que tinha uma namorada?! Uma, por dia, e sempre rodando para não me cansar ou enjoar.&lt;br /&gt;Já mesmo nas semanas que antecederam as eleições para a Comissão Política Concelhia da JSD, não foram só de preparação do ano eleitoral, eu não perdia uma oportunidade de poder conviver com alguma garota mais interessante.&lt;br /&gt;Reconheço que só voltei a ter algum juízo, nesse aspecto, após conhecer a Fernanda e iniciar o namoro com ela.&lt;br /&gt;No mesmo dia eu conseguia sair com 2 ou 3 garotas e chegar mesmo a vias de fato com ambas, era uma loucura total nesse aspecto essa época da minha vida.&lt;br /&gt;Naquela época uma das miúdas de topo do Partido e da JSD era a Vera, filha do Dr. Fernando Silva, que era na época Presidente da Comissão Política do Partido. Era uma garota verdadeiramente deslumbrante, era mesmo modelo profissional e como tal capaz de fazer parar o transito com a sua beleza e compleição física. Era naquela época o sonho de qualquer jovem da JSD e não só, e eu sem saber muito bem como tudo começou, numa festa, acabei por ficar a curtir com ela. Nesse aspecto especifico também não era nada de se jogar fora, no entanto, tanto eu como ela sonhávamos com mais alguma coisa.&lt;br /&gt;Acabou por aparecer na redação do jornal um dia, ao fim da tarde, e não se fez de forma alguma rogada, mostrando desde logo para o que vinha.&lt;br /&gt;Acabou por ser para mim uma grande desilusão, ao aproveitar o famoso sofá desdobrável existente nas instalações da Redação da Voz do Barreiro, pude ter a visão de um corpo realmente escultural, mas só a visão, pois, que; quando fui tocar no seu corpo, este mais parecia construído em material emborrachado, uma garota daquelas de borracha para encher com um sopro...&lt;br /&gt;Tudo estava bem emborrachado e como diria um mecânico com muitas folgas, a única peça do seu escultural corpo que se mantinha sem grandes folgas era a sua magnífica vagina, muito embora ela já não fosse de todo virgem.&lt;br /&gt;Depois veio a grande surpresa, pois para quem imaginava uma jovem pura e casta, acabou por encontrar uma autentica depravada no sexo oral, era mesmo a sua grande paixão e loucura e não fazia nada por menos, adorava chupar todo o liquido como se fosse chantili de um gelado.&lt;br /&gt;Embora eu não tivesse como ponto assente, querer algum dia casar com uma mulher virgem, tal como imaginavam os machos latinos da época, e muito embora isso tenha vindo a acabar por acontecer, também não estava muito disponível, naquele momento da minha vida, e com a minha idade, para me dedicar a colecionar loiras platinadas. Loiras com o corpo tratado na base de tratamento hormonal e com um curso superior, bacharelato e doutoramento em sexo oral.&lt;br /&gt;Nessa mesma época uma jovem amiga da Vera, mostrava grande interesse em me conhecer pessoalmente, e acabou por me ser apresentada precisamente pela Vera.&lt;br /&gt;Até hoje, não sei se por influencia pessoal da amiga, ou mesmo por sua opção pessoal. O que sei é que não largava os locais que eu freqüentava e começou a aparecer inclusivamente na redação do jornal com as desculpas mais esfarrapadas, como ver fotos de arquivo, pensava que a amiga estava por lá, enfim um sem numero de argumentos sem muito nexo.&lt;br /&gt;Sei que a Isabel tinha pouco mais de 18 anos, e descobri também depois que tinha uma vontade indomável de fazer sexo, e o mais interessante é que ela embora ainda fosse virgem, adorava sexo anal, e ser de preferência penetrada em pé.&lt;br /&gt;Acabou por me confidenciar que desde os 14 anos tinha vida sexual ativa, embora até aquele momento fosse virgem, e a razão dessa situação era só uma; o grande segredo da sua vida. Quem a iniciara na vida sexual fora o seu próprio irmão, mais velho 3 anos, e como tal tinha medo de ficar grávida dele, mesmo com preservativo, tinha imenso receio. Eu fiquei extasiado com aquela história, como era possível uma situação daquelas, com o próprio irmão, e ainda por cima ela afirmava que mantinham um relacionamento intimo muito freqüente, umas duas ou três vezes por mês.&lt;br /&gt;Quase que não dava para acreditar, acontecia cada situação na minha vida intima e pessoal, e ainda para agravar mais a situação, acabei por ter que lavar eu próprio o sofá da redação com uma escova, água e sabonete liquido de mãos, pois um belo dia aconteceu o inevitável e ela passou por decisão própria á categoria de plena mulher. &lt;br /&gt;Das poucas vezes na minha vida em que tive receio de ter engravidado alguém, sem querer, foi nessa época e com essa jovem, acho mesmo que ela estava a fim de ficar grávida, pois não tomou nenhuma providencia e fez mesmo questão de se tornar mulher comigo sem tomar nenhuma cautela.&lt;br /&gt;Eu, no entanto, por um lado era mesmo inconsciente e por outro devia ter algum mel, nessa época da minha vida, pois que acabei por ser apresentado; pessoalmente, a uma betinha do Barreirense, sua amiga, que me telefonava todos os dias para marcar encontros. Ao principio até pensei que fosse combinado para me testar, depois confirmei que não, e assim um dia lá nos encontramos na Avenida da Praia.&lt;br /&gt;Não perdeu muito tempo e a sua conversa foi curta e direta, acabei por ter relações com ela na muralha, perto de onde existia um Guincho/grua instalado num passadiço, logo ao lado do Clube de Vela do Barreiro.&lt;br /&gt;Agora a ironia era que não sei se era moda da época, mas adorava ser penetrada analmente e de pé. Devia ter uma grande coleção de calcinhas, pois todas as vezes que nos encontramos aproveitava-as para se limpar, e para limpar o meu pênis e depois; atirava-as ao rio, não sei se para ter sorte, ou para evitar alguma contrariedade em casa.&lt;br /&gt;Acabou por casar com um jogador de basquete do Barreirense, e sempre que me encontrava, brincava dizendo que continuava a comprar calcinhas e como tinha a gaveta cheia, gostaria de escolher algumas para mandar fora e, portanto; era importante combinar alguma coisa. Posso assegurar que nunca mais ajudei a gastar as calcinhas da betinha do Barreirense, embora a ela; vontade não lhe faltasse.&lt;br /&gt;É verdade que a minha memória como a de todos os humanos também tem falhas, e neste caso nem foi a bebedeira que apanhei no Alburrica Bar que me levou a esquecer o nome. É mesmo verdade que consigo fechar os olhos, reviver toda a situação, mas; de forma alguma consigo recordar o nome da alma caridosa que numa celebre noite, dominado pelo álcool em excesso no sangue, teve a rara paciência de me ajudar a caminhar desde a zona do Barreiro velho, até em frente da atual Santa Casa da Misericórdia, ali bem perto da antiga clinica do meu amigo Dr. João Nunes Feijão.&lt;br /&gt;Recordo sim que foi uma noite ridícula em que eu já algo, para não dizer muito, embriagado, e bem alegre, comecei a curtir com ela ainda no Bar, e viemos todo o caminho na pura balada. Ficamos ali porque ela morava próximo do local, na Avenida Dom Afonso Henriques, muito próximo da casa dos pais do Álvaro Ferreira, e o mais ridículo é que acabamos por fazer amor em cima de um banco publico em plena via publica, no meio da madrugada.&lt;br /&gt;Quem conhece o local sabe que é uma das artérias com mais freqüência de transito na cidade do Barreiro, seja a que hora fora, mas que a minha, nossa, inconsciência deu para isso, lá disso não posso duvidar, porque realmente aconteceu, bem ali, naquele mesmo local, que ainda hoje preserva os mesmos bancos. &lt;br /&gt;Aconteceu-me cada coisa, nessa época da minha vida, realmente!...&lt;br /&gt;Recordar hoje essa especial época, até me deixa algo atônito, com alguns fatos inesperados.  &lt;br /&gt;Claro que com a realização das eleições as coisas acalmaram um pouco mais, e tinha que dedicar mais tempo á política que aos prazeres íntimos. Daí que face ao estado em que encontrei a Concelhia da JSD, tenha passado a dedicar-me a um tipo de política mais de acordo com relações publicas do que aquilo que possam imaginar face aos relatos anteriores.&lt;br /&gt;O meu conhecimento com o Nuno Silvestre, Presidente da Distrital de Setúbal da JSD, nasce precisamente no dia das eleições para a Concelhia do Barreiro da JSD, e apesar de todas as vicissitudes políticas ao longo do tempo, mantivemo-nos sempre amigos, fora da política.&lt;br /&gt;Hoje uma certa angustia me percorre, por já não o conseguir contatar á algum tempo, embora saiba que voltou a casar, desta feita com uma cidadã Cubana, e que divide a sua vida entre Almada e Havana. &lt;br /&gt;Enquanto Presidente da Distrital de Setúbal da JSD; o Nuno ia vivendo das suas idéias dispersas, jogadas de bastidores, expedientes, utilizando sem controle os recursos financeiros que o pai, conhecido e respeitado advogado, lhe havia deixado, a ele e á irmã, e sempre vivendo como eterno estudante de direito da Universidade Lusíada.&lt;br /&gt;A sua imagem estava sempre refletida no espelho diário da alcoolemia, com um aspecto e comportamento muito distorcido do que deveria ser um Presidente de uma organização política de juventude, e, sobretudo a de um Deputado da nação, como chegou a ser.&lt;br /&gt;Embora, vezes sem conta avisado por nós, os seus verdadeiros amigos, sobre a imagem negativa que criava em volta da sua pessoa, acabou por cair nas ratoeiras que ele próprio criou com a sua teimosia, que o conduziu ao desastre político e ao conseqüente ostracismo total.&lt;br /&gt;Hoje refeita a sua vida pessoal, após o casamento falhado com Helena Quintela, vive com uma cidadã Cubana e tanto quanto consigo saber esta pessoalmente bem melhor, em termos de controle pessoal.&lt;br /&gt;É também por estas alturas que; sem eu saber muito bem como, me surge uma atração pessoal, pela morena tesoureira da Comissão Política, e foi assim como tiro e queda, de um dia para o outro que começamos um relacionamento que obrigou ao fim da relação que eu mantinha com a Maria do Céu, e também ao fim das minhas muitas e variadas loucuras intimas daquela época.&lt;br /&gt;Ao contrario do que eu poderia imaginar, foi mesmo essa situação que criou tumulto na Comissão Política, uma situação que a oposição tinha de certa forma conseguido geral.&lt;br /&gt;Elas estavam as duas na Comissão Política, o que pessoalmente de forma alguma me agradava, ainda mais que uma era tesoureira e a outra vogal, assim tinham que trabalhar em conjunto, no mínimo falar sobre verbas para a atividade de cada uma. Esta situação acabou por gerar uma autentica guerra campal no interior das reuniões da Comissão Política, tendo como centro da discórdia a minha pessoa, e logo eu que queria preservar a união da equipa.&lt;br /&gt;Realmente eu, de uma forma ingênua, queria tentar conseguir manter a mesma composição do órgão, mas tal tornava-se de dia para dia cada vez mais difícil, se não mesmo impossível de atingir.&lt;br /&gt;Até que constatei, que se tinha iniciado um processo de absoluta falta de confiança na Maria do Céu. Esta transmitia na integra as resoluções das reuniões da Comissão Política aos elementos da oposição, que por sua vez sem o saberem tinham elementos no seu seio que me iam transmitindo também o evoluir de toda a situação e o que se passava no lado contrario.&lt;br /&gt;Decidi solucionar o problema á minha maneira, e para tal tentei que o afastamento fosse por sua livre iniciativa, mas ela, política e socialmente inexperiente, imaginava que poderia criar obstáculos, incluindo a queda da própria Comissão Política. Na verdade até ao dia de hoje eu sempre fui um ser de extremos, e quando colocado perante certas situações, eu vou até ás ultimas conseqüências para acabar com as questões, e não deixar qualquer possibilidade de retorno de cada situação.&lt;br /&gt;Dessa forma defini que como ela não abandonava a Comissão Política, iria ser eu próprio a colocar o seu lugar á votação para saída e ponto final. A reunião marcada para tratar desse assunto acabou por ser bem mais tumultuada do que eu poderia imaginar. Acabou por decorrer num ritmo de insulto, a ponto de em determinado momento ela ter perdido a compostura e me ter ameaçado com uma estatueta de pedra com o busto de Francisco Sá Carneiro. &lt;br /&gt;Foi então o fim, eu que nunca recuo perante uma ameaça, não resisti, e já farto de toda aquela situação, ainda mais que ela; já tinha sido demitida pela Comissão Política, por unanimidade dos presentes, perante a ameaça de levar com um busto de pedra, lancei-lhe um valente soco que ainda hoje recordo a ter levado a pura e simplesmente voar sobre a mesa e ir cair junto da porta do gabinete. &lt;br /&gt;Só a pronta intervenção do meu fiel amigo e colaborador Antonio Melro, impediu nova investida minha, que exigi desde logo que fosse colocada fora da sala e mesmo das instalações da sede, assim como a marcação imediata de uma Assembléia Concelhia, para esclarecimento total da grave situação. Eu agora não a queria fora só da Comissão Política, eu exigia a sua saída da JSD e do Partido.&lt;br /&gt;Obviamente que a situação passou a ser o assunto do dia, e durante alguns dias, tanto a nível local como Distrital, o tema central era que o Presidente do Barreiro, se necessário matava a cobra e mostrava o pau. Mas eu assumi pessoalmente toda a situação e não recuei um milímetro, muito embora muitos sugerissem um pedido formal de desculpas á senhora.&lt;br /&gt;Eu quando assumo uma atitude, sabendo que tenho razão, seja a que titulo for, ou com quem quer que seja jamais peço desculpas a ninguém. E mais uma vez assim aconteceu.&lt;br /&gt;A primeira Assembléia Concelhia, decorreu numa acalorada tarde de Sábado, com o salão a rebentar pelas costuras e com todos os elementos da oposição presentes, e tendo como assunto principal não a política local e a execução do programa da Comissão Política, mas eu fiz questão de iniciar precisamente com a situação criada por questões pessoais no interior da Comissão Política. Acabei por ganhar em toda a linha essa Assembléia, onde inclusivamente fiz votar uma moção de confiança, que acabou por ser votada com uma expressiva e esmagadora vitória minha, para não deixar qualquer duvida, fosse a quem fosse.&lt;br /&gt;A Maria do Céu abandonou a sala vergada ao peso de uma expressiva derrota, bem como a oposição, que a apoiara, e se servira dela como cobaia de ataque político. Solicitou por escrito a sua saída de Militante, no dia seguinte. E como estava tão certa da sua opção política, aderiu em seguida á Juventude Socialista e ao Partido Socialista. &lt;br /&gt;Acabou assim por acompanhar um dos Militantes de opção variada, José Patrão dos Santos, e que pouco tempo depois protagonizou uma hilariante ocorrência comigo, que até teve direito a destaque no Semanário Nacional Expresso. &lt;br /&gt;Assim, quando, uns meses depois, convidei a Juventude Socialista para um Seminário sobre autarquias locais, foi ele próprio quem respondeu, utilizando papel timbrado da Comissão Política Nacional, e devolvendo o convite mandando-me á “merda”. O que como se entende desde logo, mereceu o fim da sua muito precoce carreira política.&lt;br /&gt;Quanto o romance com a tesoureira da Comissão Política, posso dizer que foi um êxito de tal forma conseqüente que acabamos casados por 18 anos, e após divorcio amigável, somos hoje muito bons amigos, tão somente amigos.&lt;br /&gt;Mas na política concreta, tudo tem que se entender de forma rápida, por parte daqueles que acabam de chegar, e nós entendemos na Comissão Política e de um modo nada demorado, que afinal os meios realmente existiam só que estavam vedados a algumas estruturas como a do Barreiro.&lt;br /&gt;Tanto cartazes como autocolantes e outro material de propaganda existia já pronto, e em boas quantidades, mas era controlado pelos membros da Distrital e orientado em termos de distribuição somente para Concelhos afetos á Distrital como Almada, Seixal, Montijo e Setúbal, os restantes Concelhos, tidos como opositores da Distrital, tinham que se virar como podiam ou conseguiam imaginar.&lt;br /&gt;Quem era membro da Distrital, recebia os apoios conforme os seus apetites e como o Barreiro não era membro com representação na Comissão Política Distrital, e era até então considerado oposição, estava á margem desse rateio de material.&lt;br /&gt;Essa foi uma das primeiras batalhas a vencer. Conseguir convencer que não tínhamos nada que ver com o passado e muito menos estávamos simplesmente interessados ou com vontade de apoiar uma Comissão Política Distrital pelo simples fato de; potencialmente graças a isso, passar a poder ter apoios materiais. Nós assumimos desde a primeira hora que queríamos ser independentes, com idéias próprias e receber só aquilo a que tínhamos direito, nem mais nem menos, somente isso.&lt;br /&gt;Nessa época, a Distrital de Setúbal da JSD tinha como Presidente Nuno Silvestre, que era oriundo de Almada, um individuo nado e criado no meio do mais puro e duro caciquismo político eleitoral, sem qualquer duvida ambicioso mas que acabou por se tornar dependente e limitado devido a varias dependências pessoais e políticas. Assim a nível pessoal a sua constante dependência do álcool era incrivelmente condicionadora da sua atuação, e por vezes tornava hilariante a sua coordenação do dia-a-dia, com constantes atrasos na sua presença a vários compromissos e falta de rigor e objetividade no cumprimento de acordos.&lt;br /&gt;Por outro lado, o Nuno em termos ideológicos, vivia emparedado entre um gênio, hoje Juiz de Direito, Fernando Jacob, que era na realidade o cérebro da Distrital e de toda a sua ação política e a organização e o controle do Secretário-Geral, Antonio Mourinho. Por outro lado contava com o apoio, em termos de votos, de toda restante equipa de membros da Distrital, que ele escolhia criteriosamente e que dessa forma possibilitavam a sua manutenção e eternidade no poder.&lt;br /&gt;Tenho a clara noção, de que a minha entrada no circulo político da JSD Distrital, foi inicialmente vista com muitas reservas. Eu não estava incluído na estratégia de controle, e era tido como alguém incontrolável pessoalmente, alguém com idéias próprias e que vinha de fora do sistema e que tanto poderia ajudar como prejudicar toda a nomenclatura, dependendo da minha posição futura.&lt;br /&gt;Era independente demais para os gostos da maioria, que sempre funcionava com as tendências políticas de cada um.&lt;br /&gt;Sei também, que foi um fato muito importante o estudo sobre ao que vinha. A aproximação de alguns Presidentes Concelhios foi desde logo para mim visível em termos de intenções, uns na tentativa de capitalizar apoios e outros para tentarem estudar e perspectivar qual poderia ser o comportamento futuro da Concelhia do Barreiro, e minha a titulo pessoal, em termos de apoio á Comissão Política Distrital de Setúbal da JSD.&lt;br /&gt;Desde o inicio que o comportamento de Presidentes Concelhios, como o Simão Cortiço do Montijo, foram vistos por mim, como claros observadores a mando da Distrital. No entanto também eu desde logo decidi estudar os posicionamentos de cada um, e se no caso concreto de alguns o seu relacionamento para com a Distrital era de total sintonia, como eram exemplos Alcacer do Sal, como Alberto Carreira e o Seixal, com o Paulo Fidalgo, já, por exemplo, precisamente o Presidente do Montijo, me deixava serias reservas. Era, no entanto, o Simão Cortiço, em quem o Presidente da Distrital muito confiava, ou utilizava, mas que para mim era simplesmente um jogador que já tinha inclusivamente apoiado a oposição, e só mantinha a sua posição ao lado dos atuais lideres por claro e evidente interesse e proximidade ao poder.&lt;br /&gt;Naquela época outros exemplos deste jogo dúbio eram o Jorge Alegria de Setúbal e o António Vieira que embora vindo do Seixal não era Presidente Concelhio, como o Paulo Fidalgo.&lt;br /&gt;Existe um velho ditado que afirma:&lt;br /&gt;“Não é com vinagre que se apanham moscas!”&lt;br /&gt;E aplica-se na integra aquela época da Distrital de Setúbal da JSD, que foi confrontada com a exigência de apoios para os Sócio-Estudantis, sendo que nessa época a responsabilidade dessa área era do Paulo Fidalgo, do Seixal, Jardim Ferreira de Almada e do Helder Pisco de Setúbal.&lt;br /&gt;Como a Distrital não queria criar um novo foco de oposição, o Barreiro passou a ter material para poder concorrer ás Associações de Estudantes em pé de igualdade com outros Concelhos. As quantidades iniciais eram bem diminutas, diga-se, mas era bem melhor e mais pratico do que não ter nada, e ter que manufaturar todo o material.&lt;br /&gt;A curiosidade sobre a nova realidade da JSD do Barreiro era enorme, de tal forma que poucos dias após a nossa tomada de posse, éramos convidados para as mais variadas iniciativas, de onde destaco a para que fomos convidados para participar numa festa na Praça de Toiros do Montijo, em que iria estar presente o Presidente da Nacional da JSD, Carlos Miguel Coelho.&lt;br /&gt;O Barreiro, tal como aconteceu ao longo dos meus mandatos, como Presidente da JSD, compareceu em força, de tal forma que até acabou por ser organizado um jogo de futebol entre as duas Concelhias.&lt;br /&gt;Recordo esse importante dia, como um dos que marcam a minha vida na JSD, na política e mesmo na vida pessoal, por vários motivos.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro passou a ser vista com outros olhos e respeitada no Distrito, e eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Presidente da JSD Nacional, que por alguns relatos já escutados, tinha alguma curiosidade de me conhecer pessoalmente.&lt;br /&gt;Acabamos por ficar bem mais de; um hora a falar, sozinhos, sentados no alto das bancadas da praça de toiros, com a festa a decorrer cá em baixo, falando sobre a JSD, sobre a Juventude de Portugal, sobre a situação política geral tanto do Partido como do País, e eu ao mesmo tempo aproveitava para saber melhor com quem lidava, pois o Carlos Miguel Coelho conhecia muito bem a realidade do País, e dos dirigentes da JSD de um modo geral, e como nenhum outro membro da Nacional.&lt;br /&gt;Por outro lado, eu próprio, sentia que estava a ser; estudado, pelo Presidente Nacional, nos mais variados aspetos. &lt;br /&gt;Foi de tal forma importante esta conversa, que a empatia pessoal nascida nesse momento perdura até aos dias de hoje.&lt;br /&gt;O Carlos é hoje um amigo, independentemente da política e acabou por tão somente vir a ser o meu Padrinho de Casamento com a Fernanda.&lt;br /&gt;A JSD ficou a ganhar de forma exponencial com esta reunião e os conhecimentos ali granjeados tornaram a Concelhia do Barreiro de certa forma previligiada em relação a outras Concelhias. Eu consegui abrir algumas portas importantes, e passei a ter como que carta branca para solicitar diretamente material de propaganda na sede nacional da JSD na Rua Buenos Aires, sempre que necessário, e estou convicto de que este voto de confiança foi inicialmente dado pela amizade e confiança criadas, mas também, e, sobretudo; pelos resultados alcançados ao nível das Associações de Estudantes do Secundário, naqueles primeiros meses e anos de gestão, e também pelas posições políticas por mim pessoalmente assumidas.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro não mais deixou de ser respeitada a nível Distrital e Nacional, e nas eleições para a Comissão Política Distrital de Setúbal, tanto a lista dirigente, como a lista opositora, abordaram e lançaram convites efetivos para a nossa participação nas listas candidatas.&lt;br /&gt;O peso da Concelhia do Barreiro, em termos de votos no Concelho Distrital de Setúbal da JSD, era nessa época, muito diminuto, pois para além da inércia do Presidente anterior em termos de novas filiações, existia ainda a imagem de que o Barreiro era oposição. Nessa época dispunha-se de tão somente 3 (três) míseros votos, assim o interesse do apoio do Concelho do Barreiro não era nessa época tanto eleitoral, e muito mais político.&lt;br /&gt;Nós conhecíamos bem os chamados métodos da oposição, que eram os mesmos métodos que já tínhamos derrotado nas eleições Concelhias, e começávamos também a conhecer os métodos da chamada maioria da época. A opção perante as duas propostas de participação apresentadas foi claramente voltada para a lista então liderada por Nuno Silvestre, e eu acabei por aceitar fazer parte da Comissão Política Distrital de Setúbal da JSD, tendo-me sido atribuído desde logo a responsabilidade pela Organização e Implantação a nível Distrital. A JSD nessa época, não conseguia estar implantada em todo o Distrito e, sobretudo; a zona Sul não tinha grande implantação, nem recebia grandes apoios. As Concelhias do Sul eram assim como os parentes pobres tanto da JSD como do PPD/PSD.&lt;br /&gt;Nesse mandato e no seguinte a JSD cresceu a nível Distrital de forma consistente, passando a ter estruturas em todos os Concelhos do Distrito, e hoje no seio do meu grupo de grandes amigos pessoais conto entre outros, com dois ex-Presidentes Concelhios do Sul, o Alberto Carreira de Alcacer do Sal, e o Carlos Gamito de Grandola, que para além de ex-companheiro nas lides políticas é também hoje um dos meus advogados pessoais de confiança.&lt;br /&gt;Foi logo nesse primeiro ano como membro da Distrital da JSD que descobri alguns métodos pouco ortodoxos da política dos caciques. Assim existiam Concelhos com muitos Militantes inscritos nos cadernos eleitorais, mas percentualmente pouco ativos em termos de participação, quando chamados a isso, pelo que saltava desde logo á vista que algo não batia certo em termos de confronto de listagens e realidade de participação.&lt;br /&gt;Por exemplo: na Concelhia de Almada existia a ironicamente conhecida lista telefônica. Era Almada um dos casos mais gritantes, e desta forma a estratégia permitia uma larga e maioritaria representação no Concelho Distrital, sendo que só esse Concelho, nessa época, detinha mais de 40% dos representantes ao Conselho Distrital, existiam moradas com mais de 30 militantes inscritos, como eram exemplos a casa do Nuno Silvestre, Julio Barbosa, irmãos Nascimento e outras moradas. O mesmo acontecia em Setúbal, no Seixal e no Montijo.&lt;br /&gt;As listagens de Militantes eram controladas por elementos da máxima confiança do Presidente da Distrital, e por coincidência todos eles eram oriundos de Almada. A máquina Distrital estava assim também dominada por uma clara maioria de membros, também oriundos de Almada, que a memória ainda me deixa recordar como o Presidente, Nuno Silvestre, Vice-Presidente, Fernando Jacob, Secretário-Geral, Manuel Mourinho, e Vogais, Jardim Ferreira, Duarte Correia, e ainda, outro, elemento que esse sim a memória já atraiçoa em termos de nome. A Comissão Política Distrital era dessa forma composta por nada menos do que 6 elementos em 11, uma obvia e clara maioria.&lt;br /&gt;Acabamos assim por descobrir que existiam militantes reais e fabricados, para encher simplesmente as listagens. Assim fiquei certo de que a política era uma nobre arte da sacanagem, e a ciência do possível, onde quase tudo é possível e onde quem tem o poder o exerce sem ter duvidas e dessa forma domina quem é mais astuto e quem mais consegue utilizar os benefícios e as possibilidades da direta proximidade com o poder.&lt;br /&gt;Não posso provar quem individualmente montou esse esquema de fabulação e fabricação de militantes em termos de Almada e outros Concelhos. Claro que sou livre de pensar e imaginar, no entanto a situação tinha ramificações noutros Concelhos, onde um dos dirigentes locais chegou a adulterar a sua própria data de nascimento para dessa forma poder manter-se por mais um tempo em efetividade de funções na JSD, que nessa época tinha como idade limite os 30 anos. Falo do António Vieira do Seixal, que ao adulterar a ficha, mudou o ano de nascimento, passando a ficar um ano mais jovem. Claro que a falcatrua foi detectada, por mim próprio, e quando confrontado, a historia terminou por ali, passando novamente a ficar com a idade correta, e portando já fora da JSD.&lt;br /&gt;A Concelhia do Barreiro crescia no numero de Militantes de forma legal, e nós ao mesmo tempo víamos a continuação do crescimento desordenado e pouco ortodoxo de alguns Concelhos. Com este crescimento o numero dos nossos representantes no Concelho Distrital crescia também, mas como que duplicava para os outros, e quando confrontada a percentagem de Militantes existentes nas listagens com a realidade, das presenças nas Assembléias Concelhias, ou noutro tipo de contatos, os números de forma alguma batiam certo.&lt;br /&gt;Curiosamente, e embora fosse da minha área de responsabilidade, a organização e implantação distrital, e tivesse por mais de um vez solicitado listagens dos Militantes, nunca consegui ter em meu poder uma listagem de militantes da JSD do Distrito de Setúbal, que me fosse entregue oficialmente, ao contrário do que veio a acontecer anos mais tarde com a listagem dos militantes do PPD/PSD.&lt;br /&gt;Toda esta maquina era controlada pelo Secretario-Geral Manuel Mourinho, que com o maior dos segredos do mundo, controlava esta situação, embora eu tenha acabado por ter acesso a uma copia dessa famosa listagem, arranjada por um dos colaboradores, em quem até as mãos colocariam no fogo, e que obviamente não irei, nem mesmo agora aqui divulgar.&lt;br /&gt;Naquela época só uma operação de refiliação completa conseguiria colocar na legalidade todas as Concelhias, fato que eu apresentei como proposta, e não foi aceite naquela época, mas que veio a acontecer anos mais tarde no Partido, por iniciativa do Secretário Geral Rui Rio, por se ter verificado esta mesma situação fantasmagórica. &lt;br /&gt;Era bastante visível que cerca de 35% dos Militantes estavam inscritos nas listagens imaginarias de alguns Concelhos.&lt;br /&gt;No caso concreto do Barreiro, quando verificamos que não existia outra foram, pois ninguém queria alterar o sistema, optamos por também acompanhar essa imensa fraude, e quando na realidade se tinha direito a 7 ou 8 Conselheiros Distritais, nos com essa transfiguração aumentávamos para 9 ou 10. &lt;br /&gt;A realidade era a mesma de outros Concelhos, mas aqueles, no entanto acabavam por apresentar quase o dobro das falcatruas e obviamente dos representantes.&lt;br /&gt;Assim eu, e o meu núcleo duro, chegamos á conclusão de que; pouco adiantaria continuar a tentar manter uma legalidade, que ao fim e ao cabo ninguém respeitava, e só nos prejudicava, uma vez que ninguém retirava das listagens os Militantes, que tinham pedido exclusão, morrido, ou que estavam lá inscritos como fantasmas. Por outro lado a JSD do Barreiro acabou por fazer o mesmo que todos os outros já haviam feito á muito tempo. E de fato comprovo que injetou alguns militantes fantasmas, sendo os mesmos perfeitamente controláveis por nós, uma vez que todo o mundo na Comissão Política Concelhia, com responsabilidades máximas a esse nível, sabia quem tinha sido inscrito como Militante real ou Fantasma. Existindo inclusivamente uma listagem chamada de fantasma. Essa situação foi numa perspectiva máxima de que o Barreiro chegou a ter 15 Conselheiros Distritais, sendo que três destes eram pura ficção, portanto aproximadamente cerca de; 75 militantes eram fantasmas.&lt;br /&gt;Obviamente que a Distrital um dia, através do Secretário-Geral, Mourinho, apercebeu-se dessa situação, mas nada podia fazer pois todos sabiam que nós sabíamos que eles sabiam que nós apenas tínhamos feito igual a tantos outros Concelhos, e nesse aspecto o Secretário-Geral estava metido até ás orelhas em todo aquele escabroso processo.&lt;br /&gt;Quando hoje me falam de política limpa, eu só posso sorrir, sorrir muito face a tudo quanto sei que pode acontecer dentro da máquina da política, fatos para muitos impensáveis são, no entanto, cozinhados e consumidos no interior do mundo da política e muito em especial na situação da inscrição de Militantes e também, e sobretudo no financiamento partidário.&lt;br /&gt;Enquanto responsável na JSD do Barreiro, conseguimos apurar a existência de militantes que conseguiam estar inscritos em varias organizações políticas de juventude ao mesmo tempo. O caso mais incrível era; o de um jovem que conseguia estar inscrito e ter participação ativa na JSD, na JS e na JC, chegando mesmo ao cumulo de conseguir ser Militante ativo na JSD e no PPD/PSD e ser eleito Presidente de um núcleo da JS. Falo claro do famoso José Patrão dos Santos “Zé Gú”, o homem da carta do “altamente cagando” que me foi dirigida, e que mereceu destaque nacional no semanário Expresso.&lt;br /&gt;A organização do País e nomeadamente da política, permitia situações hilariantes que até á bem pouco tempo continuavam a acontecer, porque a todos interessava manter este tipo de acontecimentos.&lt;br /&gt;Hoje, conhecedor de um pouco da atual política brasileira, revejo muito claramente por aqui, alguns dos vícios existentes no Portugal de á alguns anos, e mesmo alguns vícios existentes ainda no Portugal de hoje, ao nível político.&lt;br /&gt;Encontram-se ainda hoje alguns jogos de caciques políticos. Tenho que reconhecer, no entanto, que no caso particular do controle de filiações, em partidos políticos, o Brasil ganha a Portugal nesse combate direto. A obrigatoriedade da publicação publica e periódica de listas de militantes, combate dessa forma de um modo muito claro e objetivo, a duplicidade de inscrições, ou ainda a Militância não desejável ou fictícia, e tudo isto de um modo muito eficaz, muito embora não respeite a privacidade de cada um.&lt;br /&gt;Com o passar do tempo tornei-me um verdadeiro especialista na mais renomada arte das artes da política e com isso a JSD ganhou militantes reais e ficcionais, no entanto mais uns do que outros, e tornou-se uma estrutura respeitada e com um manancial de quadros técnicos que hoje dão cartas nos mais variados e destacados pontos da vida publica.&lt;br /&gt;Também a nível financeiro a JSD criou meios de financiamento até então desconhecidos, e levou a cabo iniciativas impensáveis até aquela época.&lt;br /&gt;De entre os vários motivos de orgulho destaco as festas da cerveja, com larga capacidade de mobilização, torneios de futebol com a participação inclusive em importantes torneios locais, como nos torneios do 31 de Janeiro e do Luso, com resultados muito positivos, inclusivamente com a conquista de um troféu de campeão de serie no torneio do Luso, e ida direta á fase final do mesmo.&lt;br /&gt;Para sempre não posso deixar de recordar o fato de conseguir que a própria oposição interna, passa-se a colaborar de um modo efetivo nas nossas iniciativas, bem como a liberdade de criação dada ás suas próprias iniciativas.&lt;br /&gt;Recordo assim com alguma emoção o saudoso Carlos Couto, adversário que venci num dos atos eleitorais para a Comissão Política Concelhia, e que mesmo assim, organizou de forma tão brilhante e inesquecível as Iª e IIª Festas da Cerveja da JSD do Barreiro, entre outras iniciativas.&lt;br /&gt;Por outro lado, a JSD que até então se mostrava constantemente amorfa em termos políticos, começou a posicionar-se de forma ativa e racional e com claros posicionamentos sobre os problemas concretos que afetavam os jovens daquela época.&lt;br /&gt;A sede da JSD do Barreiro passou a ser tida como um ponto de referencia diário tanto para militantes como para simpatizantes ou mesmo para jovens sem opção política que ali encontravam resposta e algum encaminhamento técnico em termos educativos, profissionais e mesmo de resolução de problemas sociais.&lt;br /&gt;Virou um ponto de encontro certo para a juventude, que ali podia conviver na máxima liberdade, discutindo os seus problemas e obtendo um tipo de companheirismo raro noutros locais.&lt;br /&gt;Foi assim que uma noite, um grupo de jovens procurou informação sobre um problema que os estava a afetar diretamente. O assunto tinha que ver com a freqüência de cursos profissionalizantes remunerados que estavam a decorrer na Casa dos Rapazes, situada na Quinta da Lomba em Santo André.&lt;br /&gt;Estes jovens sentiam-se enganados na remuneração que lhes estava a ser atribuída, nos cursos de formação financiados pela Comunidade Econômica Européia, e que estavam a decorrer nessa instituição dirigida pelo conhecido Padre Azevedo.&lt;br /&gt;No final de cada mês, obrigavam-nos a assinar recibos de um determinado valor, sendo que apenas lhes entregavam realmente metade dessa verba.&lt;br /&gt;Depois de empenhada investigação chegou-se á conclusão que aquela situação era já uma pratica comum, levada a cabo em outras ações de formação anteriores, por parte do Padre Azevedo e do seu “cão de fila” Sr. Barata, responsáveis pela organização e desenvolvimento daqueles cursos.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro assumiu a defesa desinteressada dos jovens, sendo que á data nenhum deles era Militante da JSD. Até hoje eu guardo religiosamente os documentos originais de todo esse processo.&lt;br /&gt;Os alunos assinaram declarações relatando toda a situação, que foram devidamente reconhecidas notarialmente e a que se juntaram documentos comprovativos da falcatrua, tais como recibos assinados e comprovativos dos valores efetivamente recebidos e que nada tinham de idêntico com os valores apresentados nos recibos.&lt;br /&gt;O assunto acabou por virar escândalo na comunicação social nacional, uma vez que as verbas ainda por cima eram da Comunidade Européia. O problema acabou por ser resolvido, contando com a nossa intervenção junto de várias entidades, incluindo o Departamento de Acompanhamento Fundo Social Europeu, e entre outras figuras, a intervenção pessoal do próprio Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. Uma figura rigorosa que ao principio se mostrou algo intratável, mas que colocado perante a minha objetividade como Ateu e os documentos factuais, não teve duvidas na resolução do assunto, tendo acabado por ficar meu amigo pessoal até ao dia de hoje.&lt;br /&gt;Este assunto acabou por gerar uma grande luta interna com o Partido, que tomou inicialmente a posição de defesa do Padre Azevedo. Não quiseram sequer tomar conhecimento direto dos fatos sobre o assunto, chegando ao ponto de me lançarem ameaças pessoais, atitude levada a cabo pelo Presidente da Concelhia do Partido á época João Monteiro, e por Fernando Cruz o seu Vice-Presidente.&lt;br /&gt;Estas duas personagens chegaram ainda ao incrível de se deslocarem a uma reunião com o Secretário-Geral do Partido, naquela época, Dr. Dias Loureiro, como que para pedirem a minha cabeça, mas; eu, tendo sido antecipadamente avisado dessa intenção, já tinha feito chegar cópia de toda a documentação ao Presidente Nacional da JSD e ao gabinete do Secretário-Geral do Partido, que amavelmente os recebeu, e de um modo civilizado os devolveu ao Barreiro com uma valente reprimenda.&lt;br /&gt;Foi então que nos apercebemos que se tinha mexido em muitos interesses pessoais, instalados ao longo do tempo. Na mesma ocasião tinha-se também descoberto uma serie de vigarices envolvendo Militantes do Partido, com uma rádio local, ligada a uma instituição de solidariedade social, envolvendo ainda um responsável da Repartição de Finanças Local, que também dava cobertura a toda a situação.&lt;br /&gt;Tudo acabou por ser descoberto e resolvido com amplas vitórias da JSD e dos muitos jovens que estavam a ser afetados diretamente em termos pessoais.&lt;br /&gt;Lamentavelmente, e mais uma vez a igreja católica, deu cobertura a salafrários e vigaristas, e esse famoso Padre Azevedo, continua a ser ainda hoje o responsável local por aquela paróquia.&lt;br /&gt;Ao longo dos muitos, anos que por ali se encontra, talvez já bem mais de três décadas, continua a fazer constantes peditórios para construir uma igreja no local, eu diria que face ao tempo decorrido e ao dinheiro angariado, e que ninguém controla, já podia ter talvez construído uma catedral.&lt;br /&gt;Já nos anos 80 do século passado, as suas trapaças eram de todos conhecidas. Chegava ao cumulo de abastecer o seu automóvel particular numa conhecida bomba de combustíveis da cidade, em que trabalhava na época o Luis Filipe, solicitando o abastecimento real de mil escudos de gasolina e a exigência da sistemática emissão de recibos com valores muito superiores, normalmente de cinco mil escudos, e sempre passados em nome da Paróquia de Santo André.&lt;br /&gt;Curioso o fato do Sr. Barata ter, apesar de todas as circunstancias, vindo a ser o candidato do PPD/PSD para a Junta de Freguesia, nas eleições autárquicas seguintes, como curiosa era a situação do responsável pela instituição de solidariedade social de Palhais, um conhecido Dentista, Dr. Valentim, que durante muitos anos foi o candidato local do PPD/PSD nessa Freguesia.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro viveu nessa época uma luta diária com o Partido a nível Concelhio, no sentido de exigir o cumprimento da legalidade interna e mesmo externa, o que garantia o nascimento de inúmeras guerras pessoais.&lt;br /&gt;Mas naqueles históricos tempos da JSD nem tudo era estresse, pois também aconteciam momentos inolvidáveis, contando com a participação de algumas personagens inesquecíveis.&lt;br /&gt;Será que alguém que tenha vivido esses momentos consegue esquecer a importância eu tinha para aqueles militantes a presença, por exemplo, de um Licinio Seabra,  nosso incansável “motorista” com o seu insubstituível Morris Mini de cor verde. Eu penso que absolutamente ninguém!&lt;br /&gt;Filho de um casal de classe média alta, o Licinio Seabra recebia uma lauda mesada para não perturbar a família em Lisboa, e assim veio parar a casa da avó no Barreiro. &lt;br /&gt;A sua verdadeira família eram os amigos e claro a JSD. Acabou por ser adotado devido á sua grande prontidão, servilismo e sociabilidade, além da solidariedade, pois sempre que alguém necessitava de um transporte, sabia a quem podia recorrer. A sua inteligência deveras limitada para a área política, tinha larga margem de progressão e aceitação na área da informática, e tudo o resto era um desastre.&lt;br /&gt;Quanto a conquistas amorosas:&lt;br /&gt;Bom!&lt;br /&gt;As jovens optavam por manter um conhecimento limitado acerca da sua pessoa, de forma a garantir sempre um transporte motorizado pontual e garantido, mas quanto ao resto; tudo ficava mesmo só por isso.&lt;br /&gt;Foram conhecidas as suas empenhadas paixões, quase todas com triste fim, ou dizendo melhor, sem inicio, como a que manteve pela “Bordolinda”. Esta era uma paixão comungada com o José Reis Marques, por uma jovem bem anafadinha, nos seus noventa e muitos quilos, que lhes dedicava alguma atenção, mas que a timidez do Licinio acabava por afastar, na chamada hora H, por sua vez o “Zezé” estragava tudo com; os ataques de asneirada derivados dos vapores alcoólicos.&lt;br /&gt;A Bela, ex-namorada do meu amigo, Pimenta, dedicava muita atenção a meio mundo, mas era o Licinio quem fazia simplesmente de motorista particular, garantindo ida e vinda para casa no Lavradio, fosse a que horas fosse, mas quanto a paixão e romance; nada.&lt;br /&gt;Depois nasceu uma paixão do tipo “Romeu sem Julieta” pela Noelia Trindade, que não adorava muito mais do que o transporte aconchegante no Morris do Licinio, entre Coina e o Barreiro, quando queria deslocar-se á cidade, e também uns passeios aconchegantes de automóvel um pouco por todo o Distrito, tendo o Licinio como motorista e segurança.&lt;br /&gt;Recordo ainda mais umas duas ou três grandes paixões, que no final não se traduziram em nada de concreto. Acabou por casar com uma enfermeira divorciada, bem mais velha que ele, e que já tinha uma filha com mais idade que a dele próprio. &lt;br /&gt;As suas aventuras eram hilariantes, pois como profundamente ingênuo, propiciava-se a cair em todo o gênero de trapaças que lhe fossem preparadas, e foram muitas as ocorrências ao longo do tempo, geralmente quase todas com grande colaboração do seu carro “Austin Mini” como alvo principal.&lt;br /&gt;Um dia; um grupo de amigos seus da JSD, sabendo do seu grande apego ao automóvel, resolveram simular o seu desaparecimento, e ainda por cima de um local publico, bem movimentado, junto da Boleira do Parque no centro do Barreiro, em frente ao Parque Catarina Eufemia.&lt;br /&gt;Aguardaram no café a chegada do Licinio, e após conseguirem prender a sua atenção e presença no café, combinaram-se e não contentes com o simples desvio da viatura, resolveram colocar a mesma dentro do próprio relvado do Parque.&lt;br /&gt;O mais incrível foi terem efetuado a mudança de local de estacionamento totalmente á mão, com a sua colocação no meio do relvado.&lt;br /&gt;Claro que quando os transeuntes viram um automóvel estacionado no meio do relvado do parque, começaram a juntar-se muitos curiosos a comentar e questionar o insólito fato. Assim, e depois da obra realizada, foram regressando á mesa do café, e quando já estava reunido um bom grupo de curiosos, e quase como se fosse normal a situação, comentaram:&lt;br /&gt;“... vejam bem, um louco estacionou o automóvel no meio do relvado do parque debaixo das arvores!...”&lt;br /&gt;O Licinio escutou e até acabou por também comentar, que realmente só um louco poderia fazer um trabalho daqueles. Só apareciam malucos no Barreiro!&lt;br /&gt;A multidão continuou a juntar-se e a questionar a situação, bastante estranha, foi então que o pessoal presente na mesa resolveu decidir ir embora para conseguir assisti, no próprio local, á reação do LIcinio, quando visse que era o seu próprio carro que se encontrava no meio do relvado. &lt;br /&gt;Ao sairmos do café e ao não ver a viatura no local onde a tinha estacionado, o seu primeiro pensamento foi que lhe tinham roubado o carro e foi a risota geral perante a sua cara de aflição.&lt;br /&gt;Entretanto para tudo ficar ainda mais completo, a polícia chegou ao local, para resolver a situação do carro no meio do relvado, e nós de um modo o menos estranho possível incentivamos o Licinio a apresentar mesmo ali uma denuncia pela falta do seu carro. &lt;br /&gt;Finalmente decidiu apresentar queixa junto da patrulha policial e quando se dirigiu ao policia, a primeira pergunta deste foi se o seu carro não seria um Austin Mini de cor verde.&lt;br /&gt;Quando ele respondeu que sim que era um Austin Mini, de cor verde, o policia não agüentou mais, e já bastante irritado desatou a falar-lhe bem alto:&lt;br /&gt;“... então o senhor esta a brincar comigo, estacionou o seu carro no meio do parque, mesmo em cima da relva, e quer agora brincar comigo!”&lt;br /&gt;Foi o delírio total, ver ao cara do Licinio a tentar explicar aos policias da patrulha que não tinha nada que ver com a situação, pois estava no café descansado, quando este tinha desaparecido, e que o tinha estacionado, bem li junto do passeio, e não no meio do relvado.&lt;br /&gt;Tudo acabou na esquadra, e felizmente com um final positivo, pois a policia acabou por entender ter sido mesmo uma brincadeira que alguém lhe tinha feito, sem o seu consentimento.&lt;br /&gt;Na verdade ele sofria muitas brincadeiras, e normalmente por causa do carro, e com este estacionado junto da Boleira do Parque, que era um dos seus locais preferidos de convívio.&lt;br /&gt;Numa outra ocasião, o José Reis Marques, que nessa época andava meio político com ele, resolveu aguardar que estivesse bem entretido no interior do Bar Alburrica, nosso ponto de encontro nessa época, e veio com outros elementos junto da viatura. Despejou os 4 pneus, e ainda por cima com a ajuda do Carlos “Tete” retiraram todos os pipos dos pneus.&lt;br /&gt;Já altas horas da noite, ele decidiu regressar a casa na companhia do amigo Bagorro e deparou com o carro naquele estado, com os 4 pneus em baixo.&lt;br /&gt;Resolveu, no entanto, encher os pneus e com a ajuda de uma bomba de pé começou a tentar encher um dos pneus. Somente quando terminou é que constatou que os pneus não tinham os pipos, e como tal não podia fazer nada naquele momento, pois os pneus não retinham o ar.&lt;br /&gt;Foram para casa a pé, tendo no dia seguinte solicitado o apoio de um funcionário de uma reparadora de pneus, para se deslocar ao local, para recolocar os pipos em falta e encher os pneus.&lt;br /&gt;Claro que muitas vezes lhe esvaziavam os pneus, embora somente nessa noite lhe tenham roubado os pipos. A sua vida com o Austin Mini era que nem a do famoso cômico Inglês Mister Been, uma tormenta tal a quantidade de acontecimentos que lhe acabavam por surgir; como as pegas das portas untadas com massa consistente ou óleo dos travões, ou como incrivelmente lhe aconteceu uma vez, enquanto jantávamos bem longe do Barreiro, e lhe untaram as pegas com dejetos de cão. Outras vezes tapavam a saída de ar do tubo de escape para o ver atrapalhado, para além de mais uma boa dúzia de situações bem comuns de acontecerem a alguém com o caráter como o seu.&lt;br /&gt;Agora nada se pode comparar com o que aconteceu um dia em Setúbal, junto da Sede Concelhia. Era um domingo, e tinha lugar um Conselho Distrital da JSD, e alguns elementos do Barreiro foram para Setúbal de comboio, outros de automóvel. Nesse dia o Licinio ficou de dar boleia no regresso a mim, á Fernanda ao Rui Vilela e também da Drª Lurdes Marques, namorada nessa época do Rui Vilela, e também do inseparável amigo José Marques, que de um modo algo suspeito á ultima da hora desistiu da boleia, tendo regressado com o amigo “Tete”.&lt;br /&gt;Nesse dia o Carlos “Tete” deslocou-se a Setúbal na sua viatura juntamente com outros elementos da Concelhia do Barreiro. De salientar desde já que o Carlos “Tete” era um ótimo mecânico, aliás ainda hoje é essa a sua profissão, sendo mesmo um conhecido industrial do ramo, na zona de Santo António da Charneca. &lt;br /&gt;O que na realidade aconteceu; foi que durante a realização do Conselho Distrital, o “Tete” conseguiu abrir o carro do Licinio e trocar os cabos das velas. O resultado na hora do impacto foi bastante positivo, ainda mais que o Carlos conseguiu fazer crer a todos que a situação nada tinha que ver consigo.&lt;br /&gt;Entretanto na hora de regressar ao Barreiro, a situação tornou-se deveras hilariante. Cada vez que o Licinio dava á chave, para o motor de arranque acionar o motor do carro, era uma chuva de ‘rateres’ bem sonoros e com faíscas a sair do escape, um espetáculo incrível.&lt;br /&gt;Ninguém se conseguia conter sem rir a bom rir, perante a situação e a imagem desolada do Licinio. O barulho foi tanto com as explosões que saiam do carro que; os moradores dos edifícios próximos ao local vieram para as janelas e varandas observar o acontecimento e como a situação se prolongasse ameaçavam o Licinio com a chamada da policia para terminar com aqueles imensos ruídos de explosões, na via publica.&lt;br /&gt;Todo o mundo ria sem parar e o Vilela que não conseguia parar de rir, chegou a rebolar no meio do sujo asfalto sem se conseguir conter em pé de tanto rir.&lt;br /&gt;Eu próprio garanto que cheguei a chorar de tanto rir. Como não havia oficinas abertas por ser domingo, o Licinio acabou por aceitar a nossa sugestão de; deixar a viatura ali estacionada e vir no dia seguinte com um mecânico resolver a situação.&lt;br /&gt;Finalmente regressamos de comboio ao Barreiro, sem deixar de rir toda a viagem perante a incrível situação e o constante lamento e desalento do Licinio.&lt;br /&gt;Já no Barreiro jantamos num restaurante que ficava no centro da cidade, e eis que de um modo estranho surge o Carlos “Tete” e o José Marques, para tomarem de modo disfarçado, consciência dos resultados da brincadeira, assim como se fosse ocasional a sua presença, aquela hora e naquele local.&lt;br /&gt;Desde logo o “Tete” se prontificou em resolver a situação, naquele mesmo dia, para o que sugeria irem imediatamente a Setúbal desde que; o Licinio paga-se do seu bolso o combustível do carro do “Tete” e um petisco e uns copos posteriormente, lá pelas bandas das terras do Sado.&lt;br /&gt;Acertaram a deslocação, e lá partiram os três para Setúbal, com as despesas da viagem todas a cargo do Licinio. Obviamente que a situação foi prontamente solucionada pelo “Tete”, sem que o Licinio tivesse a mais leve suspeita de que a origem do problema tinham sido aqueles dois supostos amigos, que agora o acompanhavam na resolução do problema.&lt;br /&gt;Somente dias depois tomou conhecimento dos causadores da situação, e como já se repetiam muito as brincadeiras, passou a olhar para o Carlos “Tete” com outros olhos, e mesmo o José Reis Marques, que era um dos seus inseparáveis amigos veio a descer alguns, muitos, pontos na sua consideração.&lt;br /&gt;Mas o Licinio daquela época era também um grande desportista, e como tivesse sido convocado para participar nos jogos de futebol entre Concelhias, que se iam disputar no Barreiro, logo se deslocou a uma boa loja de artigos desportivos e adquirir umas botas e restante equipamento, quase de um profissional. Chegado o dia do jogo, a equipa, onde foi incluído, decidiu, no entanto; deixar atuar o “craque” quanto muito uns singelos 10 minutos.&lt;br /&gt;Foi então a chamada lamuria total, por parte do Licinio:&lt;br /&gt;“... ora eu com um equipamento profissional completo da Adidas, e nem cheguei a jogar 10 minutos!...” &lt;br /&gt;Reconheça-se que quem mais abusava da disponibilidade do Licinio era o José Marques que fazia dele um autentico ‘moiro’ de paciência e seu motorista particular e oficial. Por vezes a noite acabava com as normais bebedeiras do José Marques “Zezé”, que em alguns dias resolvia levava a cabo algumas aventuras dignas de um artista de circo, como, por exemplo; conseguir urinar da janela do carro, com este em andamento, ou colocar a cabeça de fora e vomitar para o pára-brisas, deixando o Licinio sem visbilidade para poder continuar a conduzir, ou tentar vir de Lisboa ou de Setúbal, até ao Barreiro, sempre com os pés fora da janela do carro, entre outras aberrações.&lt;br /&gt;Outro amigo que com a sua presença compunha muito bem a imagem do carro do Licinio, era o Tomé, que debaixo dos seus cento e muitos quilogramas, ao entrar e sentar no Austin Mini, deixava o lado do pendura de rastos na estrada,  com a suspensão vergada á sua imponência para além de encher e extravasar completamente o lugar do pendura com a sua imensa área corporal.&lt;br /&gt;Realmente aquele carro graças ao seu proprietário e algumas das suas companhias era mesmo mítico, e de entre muitas outras ocorrências registro ainda; o dia em que conseguiram amarrar um depósito plástico rodado de lixo á traseira do seu carro. Quando ele arrancou foi um burburinho tremendo e como só parou uns metros á frente, foi indescritível a sua imagem a olhar para o carro e para o deposito do lixo amarrado a este.&lt;br /&gt;Numa outra ocasião resolveram amarrar o carro a um poste de iluminação publica, ainda por cima numa rua inclinada, próximo do Bar Alburrica. O Licinio quanto mais acelerava a viatura, maior era a risota geral de todos os presentes, uma vez que o carro não conseguia sair do local, fazendo imenso barulho com as rodas motoras, uma vez que os pneus arrastavam no alcatrão chegando mesmo a levantar fumo. Nesse dia ele ficou como que possesso perante a figura que tinha feito e a brincadeira que lhe tinham feito.&lt;br /&gt;Nesse mesmo local, num outro dia, aconteceu o mais incrível que se possa imaginar, uma vez que o Vilela deixou o Licinio estacionar o seu carro, na época um Citroen praticamente novo. O Licinio, não encontrando outro local, estacionou a viatura praticamente em cima da esquina, próxima da casa do Helder Madeira, e a viatura da recolha do lixo, quando passou no local, viu-se impedida de circular. Como estivesse no interior do Bar, de nada se aperceberam, e a viatura do lixo acabou por passar arrasando o painel lateral do carro desde a frente até atrás. Parecia que alguém tinha feito uma obra de arte nas embaladeiras e nas portas. O Licinio e o Vilela quando vieram recolher a viatura e olharam para esta, iam morrendo, tal o estado em que se encontrava. Um morador do local deu a boa nova que tinha sido a viatura municipal da recolha do lixo, e quando confrontaram o motorista, este simplesmente respondeu para se deslocarem aos serviços para solicitar a reparação, uma vez que ele tinha ainda toda a noite para andar a recolher lixo, e não tinha tempo para os atender. Foi a risota geral.   &lt;br /&gt;Naqueles anos de ouro a JSD teve muitos militantes que se poderiam considerar ingênuos, agora eu considero que nenhum se pode comparar nesse campo ao Licinio Seabra, uma figura verdadeiramente lendária.&lt;br /&gt;Outra figura mítica da JSD, naquela época era o José Reis Marques, “Zéze”, e curiosamente a sua vida como que funcionava a dois tempos, ou seja a sua vida sóbria e a sua vida ébria.&lt;br /&gt;Conviver com o Zé Marques sóbrio, era bem agradável e divertido, mas conviver com a mesma pessoa alcoolizada era algo do outro mundo, e muito difícil de descrever.&lt;br /&gt;Desde que sofreu um acidente de viação na viatura do Carlos Camarão, o “Zezé” ficou com dupla personalidade, virou uma outra pessoa, um ser totalmente diferente daquele individuo que todos conhecíamos. A sua capacidade de domínio pessoal e, sobretudo; o raciocínio rápido foi profundamente afetado, o seu poder de absorção de bebidas alcoólicas pelo organismo foi também profundamente alterado, e a mesma pessoa que antes bebia com moderação e controle, passou a ser quase um alcoólatra compulsivo, pois quase diariamente era impelido a consumir bebidas alcoólicas em quantidades apreciáveis.  &lt;br /&gt;Pior do que tudo isso era a sua falta de auto-controle pessoal que o transportava para estádios diversos de personalidade, iniciando com uma boa disposição e cavalheirismo total, passando depois para um estádio de euforia divertida, depois uma euforia já passando o absurdo e num estádio já mais avançado entrava na situação incomoda e sobretudo asneirenta, não medindo locais ou pessoas presentes como se estivesse a movimentar-se e agindo inconscientemente, de modo totalmente descontrolado em termos sobretudo de linguagem.&lt;br /&gt;O seu fascínio pelo consumo de álcool era tamanho que chegou a manter contas abertas em vários bares do Barreiro, inclusivamente com garrafas guardadas, efetuando religiosamente o pagamento das mensalidades no preciso dia em que recebia o vencimento, e abrindo de imediato uma nova conta a ser encerrada no final do mês seguinte.&lt;br /&gt;Recordo as suas diversas fases ao longo do tempo que se iniciaram pelo consumo compulsivo de cerveja, passando depois ao wisqui, vodka, gim, rum, e acabou por entrar mais tarde no consumo de aguardentes velhas e bebidas brancas, e na última fase de que ainda me recordo andava já no vinho tinto.&lt;br /&gt;Obviamente que devido a alguns comportamentos mais ousados, alguns bares proibiam a sua entrada sempre que o seu estado aparentava encontrar-se já em adiantado estado de decomposição em termos de alcoolemia.&lt;br /&gt;Noutros locais, e por serem públicos e de fácil acesso, a sua entrada não podia ser vedada, no entanto quando se iniciava o período de iminente caos, procuravam resolver o problema sem causar muita agitação visual. Claro que nós próprios numa primeira fase, quando o encontrávamos já perante um estado mais avançado na euforia, tentávamos retira-lo dos locais, o que era sempre muito difícil, pois nunca se considerava alcoolizado, isso era uma palavra que jamais existia no seu vocabulário, mesmo que estivesse quase a cair de ébrio.&lt;br /&gt;Um dia, alguém com alguns conhecimentos sobre o assunto, nos disse que; muitos indivíduos nas condições do José Reis Marques, se apanharem uma bebedeira monumental, diria violenta, tem como reação direta, durante muito tempo evitarem repetir a experiência, para além de que a sua resistência ao álcool é normalmente inferior á capacidade de um individuo que não se embriaga com freqüência, que embora mais fragilizado por esse fato, como não tem problemas de índole mental, agüenta mais a ingestão de álcool.&lt;br /&gt;Pensamos então testar essa teoria, e para isso combinamos um jantar na tasca do Sr. António da “Língua” em Santo André, curiosamente anos mais tarde vim a morar numa casa mesmo fronteira a essa nossa catedral da carne grelhada. Da equipa dessa famosa noite, designada para levar a efeito o teste psicológico versus alcoólico, faziam parte para além de mim, o Carlos Vitorino, Licinio Seabra e o Antonio Melro. Foi, no entanto, um teste para nunca mais se voltar a repetir pois; ele acabou por comer por cinco e beber por dez, e nós é que acabamos por pagar toda a conta, e também fomos nós que acabamos embriagados, e ele ficou são como um pero.&lt;br /&gt;Existiam locais de referencia para o “Zezé” como o Bar Alburrica e a Boleira do Parque, e das muitas e variadas situações registradas nas suas visitas quase diárias ao Bar Alburrica, local onde normalmente entrava sóbrio e acabava por sair de rastos, não se pode esquecer os seus duetos com o cantor “Nelinho”, nas conhecidas canções ‘Leãozinho’ e ‘Menina estas á janela’ no entanto para além da sua componente artística, acaba por deixar sempre a marca da sua presença, com uns quantos “dixotes” a umas quantas presenças femininas que lhe caíssem no gosto, e claro mais umas quantas brincadeiras normalmente pouco ortodoxas.&lt;br /&gt;A sua noite mais memorável, pela negativa, foi dividida entre os bares de Alburrica e do Clube de Vela. Tendo iniciado a noite no Bar Alburrica, e como já estava deveras bem alcoolizado, tentamos retira-lo do local afim de o conseguir levar para casa, mas as nossas inúmeras tentativas não deram êxito, como tal decidimos ir embora sem ele e partimos para o Clube de Vela, na esperança de que não vendo muita gente conhecida no local, se aborrecesse e fosse finalmente para casa pelos seus meios. &lt;br /&gt;Não podíamos estar mais enganados. Como se tivesse ‘faro’ como os bons cães perdigueiros; cerca de meia hora passada, e ele fez a sua entrada gloriosa no Clube de Vela, e vinha na sua máxima força, gritando a plenos pulmões pelos nossos nomes logo que transpôs a porta de entrada, e nos viu junto do balcão. Como todo o mundo estava sentado ao balcão, e com o estabelecimento super cheio, pois decorria um espetáculo ao vivo, ele não se fez rogado e acabou por também conseguir sentar-se junto de nós.&lt;br /&gt;Continuou a beber, muito embora a nosso pedido, junto dos empregados, chamando á atenção para o seu estado, e como sempre acontecia, o álcool acabava por lhe provocar profundos desvios comportamentais. Em determinado momento, e felizmente com o som da musica ambiente alto, e como o empregado do balcão finalmente se recusou a atender um seu novo pedido de bebida, desatou aos gritos:&lt;br /&gt;“... eu quero um batido com sangue de uma virgem ‘mestruada’, tem que haver alguma na sala, vá apalpar e traga lá o batido rápido!...” repetia sem parar para um dos empregados do balcão.&lt;br /&gt;Ninguém se conteve e de imediato todo o mundo pagou a sua despesa e saiu.&lt;br /&gt;Ele não queria sair, e ainda por cima não parava de gritar, portanto ali ficou a dar o seu espetáculo muito particular.&lt;br /&gt;Soubemos no dia seguinte que, obviamente não bebeu o batido tão especial, e a segurança do local teve um imenso trabalho para, o conseguir colocar fora do estabelecimento, e só mesmo após lhe terem aviado mais uma ou duas bebidas, que não obviamente o solicitado batido, o tinham conseguido convencer a sair, para além de que nenhum taxista assumia levar o individuo para casa naquele estado.&lt;br /&gt;As suas cenas com vertente ordinária, quando alcoolizado de forma incontrolável, eram assim mais freqüentes que o desejável, sendo que numa outra ocasião em plena Boleira do Parque, e depois de um laudo almoço bem regado, e seguido de uns quantos digestivos, pretendia beber um café e mais um acompanhamento, ou seja um imenso balão de brandy velho. No entanto, nessa época, a Boleira esgotava a sua capacidade durante a tarde, em virtude de as senhoras da chamada sociedade barreirense ali se deslocarem para lanchar tranquilamente, enquanto colocavam as conversas de comadres e bisbilhoteiras em dia.&lt;br /&gt;O “Zezé” perguntou ao insubstituível empregado, Sr. Alexandre, se por acaso iria vagar alguma mesa para ele se poder sentar, e como foi informado de que nos próximos minutos, tal no estava programado acontecer, desde logo respondeu que ia sim vagar, era só aguardar que ia vagar logo, logo. Então resolveu desatar aos gritos do balcão:&lt;br /&gt;“... eu quero é ‘cona’! Quero uma São Domingos (aguardente) e a ‘cona’ de uma dessas velhinhas!...)&lt;br /&gt;A situação ficou de imediato; bem confusa, com o Sr. Alexandre a tentar acalmá-lo, e se algumas senhoras, poucas diga-se, acharam alguma graça, se assim se pode dizer ou entender, graça, a um bêbado, baixinho, e barrigudo, com botas de caubói e de fatinho, como sempre andava. Outras não acharam muita ou nenhuma graça e desataram a reclamar, alto e bom som. O dono do café, o encrenqueiro Cardoso, não sabia bem o que fazer; se por um lado acalmar e defender o cliente diário de muitas bebidas, se por outro lado tentar acalmar as chiques senhoras mais exaltadas.&lt;br /&gt;Depois de muita insistência lá conseguiram afastar o “Zezé” do local, e a situação acalmou um pouco.&lt;br /&gt;Era impensável conseguir realizar uma deslocação sem contar com a pronta participação do “Zezé”, e de entre varias recordo especialmente três ocasiões impossíveis de esquecer.&lt;br /&gt;O Partido fez uma festa de aniversario a nível nacional em Rio Maior, e como sempre sob a minha presidência, a JSD organizou uma deslocação em força, tendo sido preparada a ida para além de vários carros particulares de 2 autocarros, portanto mais de 100 jovens se deslocaram neste evento, entre os quais o “Zezé”.&lt;br /&gt;O dia foi cheio de animação, e claro também de muitas bebidas, o que para o “Zezé” era uma verdadeira gloria e benção dos céus. De tal forma o dia foi animado que depois de se poder ver o “Zezé” a dançar no meio das bailarinas das escolas de samba no meio da avenida, chegada a hora de organizar o regresso ninguém conseguia encontrar o “Zezé”.&lt;br /&gt;Mais tarde conseguiu-se esclarecer a situação de modo bem rápido, assim com um atraso de cerca de 2 horas, em relação á hora combinada e prevista para dar inicio ao regresso; e com o motorista do autocarro em que faltava o “Zéze”, no limite da paciência, eis que surge o nosso herói, acompanhado por uma vistosa dama, de bem mais de quarenta anos.&lt;br /&gt;Explicação simples, e visível, o nosso herói campeão, andou a correr todas as tascas e tasquinhas da feira, que estava instalada junto ao local do comício festa. Acabou por, já bem alcoolizado, fazer amizade e conquistar a referida dama, que por certo também já alcoolizada o acabou seduzir, e, por o levar a passar a tarde, com alguma animação extra á mistura, e alguma aconchego, até a sua casa, onde acabaram por adormecer, tendo mais tarde acordado e vindo trazer a sua paixão, de uma tarde, ao local de onde o tinha levado para o ninho do amor.&lt;br /&gt;Numa outra deslocação a Évora, num intercambio combinado com a Distrital e Concelhia de Évora, á época liderada pelo meu amigo Antonio Balão e a sua então esposa, Maria do Céu Ramos. Iniciativa que incluía um jogo de futebol de 11, durante o período da manhã, e almoço, com a tarde livre para passear pela cidade, o nosso amigo “Zéze” mal chegado á cidade, logo descobriu que o bar do Estádio do Lusitano de Évora tinha wisqui a preços quase simbólicos. Assim desde logo se dedicou a levar a cabo um verdadeiro vendaval, tentando esgotar todas as garrafas visíveis na prateleira, emborcando cálices do precioso néctar sem parar.&lt;br /&gt;Já o jogo de futebol se encontrava na 2ª parte, quando ele conseguiu chegar junto da assistência, obviamente já devidamente acompanhado, por uma carraspana muito jeitosa, e também por um grupo de alentejanos que aderiram ao seu clube alcoólico, desde a primeira hora, pois por certo já eram sócios de mérito da cooperativa local de alcoólicos e afins.&lt;br /&gt;Claro que como já estava na fase da animação, decidiu que se iria sentar junto do relvado, no banco de suplentes da nossa equipa, fazendo de treinador, o que constituiu uma animação extra para todos os presentes, graças ás suas ordens técnicas e táticas lançadas em altos berros para dentro do relvado.&lt;br /&gt;Recordo que a animação foi tanta que as jovens alentejanas, deliravam com as suas graçolas e imensas frases de inegável paixão á primeira vista, para com damas tão gentis e belas.&lt;br /&gt;Logo que lhe foi possível, aproveitou para fazer amizade mais especial com um alentejano da JSD de Évora, que também adotou o “Zezé” como sua mascote, e lhe apresentou tudo quanto era mulher. E assim se tornaram amigos inseparáveis, até á hora das despedidas para regressar ao Barreiro.&lt;br /&gt;Assim chegados, á hora do almoço, e perante um salão bem repleto de militantes, e após eu e o Antonio Balão termos usado da palavra; para saudar os presentes e a iniciativa, e ainda mesmo antes de se iniciar o almoço, já o “Zezé” tinha conseguido comer de imediato o seu bife e atacar o prato do saudoso Carlos Couto, retirando de lá o bife, deixando apenas o acompanhamento.&lt;br /&gt;Foi uma cena e tanto quando o Carlos Couto regressou do WC e viu o seu prato só com o acompanhamento e sem o bife. Iniciou-se uma larga discussão com os empregados do restaurante, afirmando que não tinha sido servido, e que para ele apenas tinham deixado o acompanhamento da refeição. O Carlos nem se dava conta de que ao seu lado o “Zezé”, já ia lançado a atacar o segundo bife, e ainda por cima era mesmo o seu, dando-se ainda ao luxo de solicitar aos empregados, mais batatas, arroz e até um ou dois ovos estrelados, que segundo ele; iriam muito bem com os bifes, e claro tudo regado com um bom vinho da região.&lt;br /&gt;A situação do almoço do Carlos acabou por ficar resolvida por mim e pelo “To Balão” sem problemas de maior, e o “Zezé” que aparentemente tinha recuperado da primeira bebedeira do dia, acabou a refeição já numa fase muito adiantada da segunda bebedeira do mesmo dia.&lt;br /&gt;Durante a tarde todo o mundo andou a conviver em Évora, enquanto eu tive uma reunião de trabalho com a Concelhia e a Distrital local. Entretanto soube, mais tarde, que o amigo alentejano andou a mostrar Évora e os seus monumentos, tanto arquitetônicos, como de carne e osso, e em especial as suas muitas tascas e tasquinhas ao “Zezé”, pelo que o seu estado era novamente lastimoso.&lt;br /&gt;Quando eu fui com o Antonio Balão e outros membros de Évora e do Barreiro, a um centro comercial para lanchar, encontramos o “Zezé”, com o seu inseparável amigo alentejano, na entrada do local. Ele mal nos viu fez desde logo uma imensa festa, o que era sempre muito mau prenuncio, ainda mais que aproveitou a ocasião para solicitar a informação sobre a proximidade de um WC, ao que lhe informaram que no centro comercial havia um, era só uma questão de perguntar a um dos funcionários ou numa loja, que alguém informava a localização.&lt;br /&gt;Recordo que, fomos lanchar no 1º piso e que o centro comercial tinha um jardim interior no r/ch, com alguns espelhos que refletiam um pouco do que se passava em vários ângulos.&lt;br /&gt;Qual não foi o nosso espanto, quando passado algum tempo nos foi dado ver refletido em um dos espelhos o “Zezé”, a urinar do 1º piso para o pequeno jardim térreo, uma cena verdadeiramente hilariante porquanto algumas pessoas que estavam no r/ch, olhavam para cima para conseguirem ver de onde vinha aquela autentica fonte, repuxo.&lt;br /&gt;Não tenho palavras para descrever o misto de riso e seriedade nos nossos rostos, perante situação tão insólita. O To Balão só me dizia que o Zezé era realmente um caso extraordinário de vitalidade e de inovação em termos de militância política...&lt;br /&gt;Na hora da partida, ao fim da tarde, já ele se encontrava dentro da viatura do Licinio, quando o questionei; sobre o acontecimento do centro comercial, ao que muito simplesmente me respondeu que; Évora era muito grande e desde que acabara o almoço e tinha saído do restaurante que pedia um local para urinar, mas que o alentejano o tinha feito andar quilômetros e de um local decente para se poder urinar nada. Afirmava ainda que tinha encontrado as ruas sempre cheias de gente, e no centro comercial também ninguém lhe dava a informação sobre o WC, e depois já não dava para agüentar mais, foi melhor urinar para o jardim, que era natureza, do que contra uma parede, algo morto e imóvel...&lt;br /&gt;Nem tenho também capacidade para agora conseguir descrever o que me passou pela cabeça naquele momento, mas recordo que me contive até ao extremo para não cometer alguma loucura!&lt;br /&gt;Acabou por regressar ao Barreiro com a janela do carro aberta, apanhando todo o ar possível e imagino que obrigou obviamente todos os ocupantes do carro a também terem que refrescar a memória com a frescura do vento que entrava na viatura.&lt;br /&gt;Chegados ao Barreiro, tudo levava a crer que; o dia teria terminado em termos de animação, por parte do nosso amigo “Zezé”. Desta forma todo o grupo decidiu ir jantar a um restaurante que ficava situado na Rua Vasco da Gama, quase ao lado do edifício do antigo Centro de Emprego, e por incrível que possa parecer ele acabou por conseguir apanhar ali a sua terceira bebedeira do dia. Encerrou a longa jornada desse dia na Boleira do Parque na maior animação possível, com as habituais cenas hilariantes de comedia musical, que é bom nem descrever, tal a situação publicamente criada, e que só a incansável paciência do meu grande amigo senhor Alexandre conseguia agüentar.&lt;br /&gt;No decorrer do VIII Congresso Nacional da JSD, realizado em Troia, criei um intercambio com o então Presidente da Distrital de Santarém da JSD, Miguel Relvas, que era também membro da Nacional da JSD, presidida pelo Carlos Coelho. Assim conjuntamente com o Presidente de Vila Nova da Barquinha, ficou previamente combinada uma ida ao seu Concelho, para se realizar um jogo de futebol, seguido de almoço e convívio entre as duas estruturas de militantes Concelhias.&lt;br /&gt;Depois de tudo organizado, para ter lugar num Sábado, o numeroso grupo partiu dividido em 6 viaturas. O jogo de futebol estava inicialmente marcado para as 10 horas, só que a viagem correu tão bem que mal se chegou á Moita do Ribatejo um dos carros começou a fumegar de tal forma que mais parecia um comboio a vapor. Depois de se requerer a presença de um mecânico, constatou-se que o radiador tinha encomendado a arma ao criador, e de 6 viaturas passou-se a um total de 5, passando o pessoal a ficar bem apertado, graças a nova distribuição.&lt;br /&gt;Como esse dia prometia desde o seu inicio grandes aventuras, chegados muito próximo da região da Chamusca, mais um dos carros resolveu encomendar a alma ao criador, e ficou mesmo por ali abandonado, junto do portão de uma quinta. Desta feita com o motor gripado em virtude da sua junta da cabeça ter queimado, e o condutor ter observado a temperatura a subir e não ter parado a tempo e horas para salvar o que ainda restava da máquina.&lt;br /&gt;O resultado foi voltar a dividir os cerca de 20 elementos pelos 4 carros restantes, escusado será dizer que o pessoal ia quase ao colo uns dos outros, e desde logo ficou combinado que; alguns teriam que fazer o regresso ao Barreiro em transporte público, por ser humanamente impossível resolver a situação com o numero de viaturas disponíveis.&lt;br /&gt;Acabamos por conseguir chegar a Vila Nova da Barquinha, sãos e salvos, e muito próximos das; 13 horas. Desta forma o famoso jogo agendado para a manhã, acabou por ser alterado para depois do almoço, que já estava programado e naquele momento também já atrasado.&lt;br /&gt;Assim, e como forma de, bom convívio, resolveram ofertar alguns digestivos antes da refeição, e tal como seria de esperar o “Zezé” não se fez rogado, provando duas ou três rodadas bem completas de todas as especialidades, e claro que a restante comitiva também não se fez rogada na degustação dos vinhos e moscatéis da região.&lt;br /&gt;Durante o almoço, e por iniciativa inicial do “Zezé”, que abriu pessoalmente as hostilidades, realizou-se uma imensa batalha com azeitonas a voar de mesa em mesa. As azeitonas tinham sido colocadas em travessas espalhadas nas mesas em quantidades industriais. &lt;br /&gt;Não sei até hoje o valor real dos prejuízos causados. No entanto, tanto as toalhas como em especial os reposteiros das janelas, que eram de cor creme viraram para tonalidades entre o esverdeado e a negritude, devido aos tiros com as azeitonas, entre os elementos de Vila Nova da Barquinha e os do Barreiro, foi uma festa imensa. Quando eu entrei na sala do restaurante com o Presidente da Câmara local e o meu homologo local, aquilo mais parecia uma arena. Apesar dos apelos a festa não terminou por ai, e nesse dia nem o Presidente da Câmara local escapou aos ataques, sempre com um sorriso algo amarelo estampado no rosto, devido á caricata situação, mas acabou por almoçar e fazer todas as honras da casa como bom anfitrião.&lt;br /&gt;Seguidamente o grupo dirigiu-se a pé até á escola onde se iria realizar o jogo de futebol, e no caminho até tiveram tempo para tirar algumas fotos, para recordar o evento para a posteridade.&lt;br /&gt;Eu até hoje guardo uma histórica foto, de todo o grupo, em que está também presente o simpático Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha. Esta foto tem como particularidade; ter sido tirada junto de um monumento local, tipo pelourinho, com uma escadaria em pedra, e em que é bem visível o espírito de grupo que norteava toda aquela equipa. Chegando ao ponto de um dos elementos, o conhecido “Peitinhos”, se encontrar com a ‘berguilha’ das calças aberta, simulando que vai urinar sobre a cabeça do Presidente da Câmara, que se encontrava logo abaixo de si.&lt;br /&gt;Como se pode adivinhar, muito embora tenham insistido muito em ver as fotos, eu jamais enviei essa para o ilustre Presidente, que não deveria ficar muito satisfeito ao se ver retratado com alguém a simular uma “mijadela” em cima de si, e um outro a colocar-lhe um para de “chifres”.     &lt;br /&gt;Mas se eu imaginava que os acontecimentos fora da normalidade já tinham terminado, estava profundamente enganado, pois o pior ainda estava por vir a acontecer, pois resolveram, mesmo debaixo daquele estado geral de euforia alcoólica, ir participar efetivamente no jogo de futebol. &lt;br /&gt;Claro que acabaram por jogar, mas ninguém me pergunte qual foi o resultado final do encontro, pois não recordo. Estive todo o tempo ocupado tentando resolver outras situações, por isso recordo sim que tive que andar a apaziguar os ânimos de muita gente, pois as namoradas dos jogadores do Ribatejo resolveram ir assistir ao jogo, e com ‘piropos’ daqui, ‘piropos’ dali, tudo acabou por descambar quase numa batalha campal, dentro e fora do campo de jogo.&lt;br /&gt;Recordo ainda que o “Zezé” era na bancada uma atração á parte, devido ao seu entusiasmo no meio da confusão, gritando maravilhas sem fim para as jovens de Vila Nova da Barquinha, como, por exemplo, que; “eram boas como o milho”. Piropos que caiam bem nas adeptas femininas que sorriam sem parar, mas que deixaram os Ribatejanos ainda mais furiosos.&lt;br /&gt;Face a este clima fora do campo de jogo, a temperatura aqueceu também dentro do campo, o desafio estava bem duro. Alguns dos nossos garbosos atletas até resolveram, para animar a assistência, baixar os calções mostrando o rabo, e quando desafiados pelas jovens do Ribatejo, uma vez por outra, a mostrar coisas menos decentes, para se mostrarem em publico. Em clara resposta a alguma atrevida que gritasse pessoalmente algo de importante para a mentalidade do atleta, ou ainda que clamassem alto e bom som; despe... despe..., bonzão despe se és homem...&lt;br /&gt;Foi um dia para comemorar o hino á autentica luxuria. Eu enquanto Presidente da JSD, e face aos acontecimentos ocorridos nesse histórico dia; jamais voltei a; permitir a realização de jogos de futebol depois de almoços ou jantares que fossem regados a álcool.&lt;br /&gt;Como podem também imaginar, a segunda parte deste intercambio também jamais se realizou. Até hoje a JSD de Vila Nova da Barquinha, ainda não retribuiu a visita ao Barreiro, pelas razões que obviamente se podem compreender, e muito em especial porque os namorados ciumentos não queriam deslocar-se acompanhados, com receio de que os ares do Barreiro pudessem contaminar e ornamentar as suas testas.&lt;br /&gt;Mas nem só de acontecimentos via JSD era feita a vida do “Zéze”. Ele aproveitava a sede da JSD e do Partido, como seu ponto de encontro, para dali sair para conquistar o seu mundo, com aventuras incríveis, como as suas viagens ao famoso “Night an Day” situado em Lisboa numa das transversais da Rua Conde Redondo, onde se apaixonou perdidamente por uma das prostitutas de serviço na casa. &lt;br /&gt;Durante um largo período o “Zezé”, só conhecia um caminho; era Lisboa, e o conhecido bar de alterne. Muitas vezes, eu diria mesmo que demasiadas vezes, ou sistematicamente, ele apenas queria ir ao local para ver aquela sua perola. Uma dama já bem entrada na idade, que se conseguia transfigurar muito bem, debaixo de pinturas bem trabalhadas e por certo uma cinta bem vestida para conseguir moldar os seus quadris nas medidas certas que já á muito tinham passado naturalmente pelo seu corpo. &lt;br /&gt;Mas o local era também a perdição de alguns dos seus companheiros de aventura, assim o Manuel Correia, filho do saudoso Enfermeiro Correia, apenas se deslocava para fazer companhia, uma vez que não arranjou por ali nenhuma paixão. Já o Carlos “Téte” também conseguiu encontrar por ali uma paixão e até o milagre, que se tornou anedota hilariante, de conhecer uma prostituta que se dizia virgem, que lhe afirmou ter sido ele o primeiro homem da sua vida. Ela conseguiu inclusivamente explicar ainda ao inocente “Téte” que só não tinha sangrado na primeira noite em que se encontraram mais intimamente porque o pênis dele era muito delicado... &lt;br /&gt;Claro que o Carlos passou a fazer parte do anedotário geral e motivo de larga risota por parte dos militantes da JSD. Havia até quem perante as suas viagens a Lisboa referisse com ironia; “O Tete vai ao santuário do Conde Redondo visitar a Virgem Maria!..., quem sabe se ainda não vai virar um S. José!”&lt;br /&gt;Já o Paulo Jorge, mais conhecido por “Paulo Grande”, conseguiu encontrar a mulher da sua vida sexual, também por ali. Imagine-se conseguia sair numa única e mesma noite, três vezes seguidas com a mesma prostituta, só para ter o prazer de ir com ela para o quarto, porque segundo ele dizia nunca tinha encontrado uma mulher assim tão deslumbrante, nas artes do sexo.&lt;br /&gt;Já ela não podia dizer o mesmo, e acabou por se queixar de que iria passar a esconder-se, pois era terrível ter relações com o “Paulo Grande”. Segundo ela referia o seu órgão genital era realmente muito grande, provocando-lhe dores horríveis durante a penetração, e que chegava ao ponto de lhe tocar nos ovários... Devia ter razão, pois o seu nome tinha nascido por causa dessa mesma situação ser amiudadas vezes referida. Muito embora o Paulo tenha uma estatura elevada, as namoradas comentavam muito essa particularidade e daí o “Grande”, e por outro lado uma vez uma jovem curiosa tudo fez para testar essa situação, e segundo contavam as amigas; nunca mais se iria esquecer, pois teve que recorrer aos serviços da urgência do Hospital do Barreiro para ser cozida num determinado local, mais apropriado para outras situações ou outros tamanhos menos generosos, mas claro que gostos não se discutem.&lt;br /&gt;Mas o Paulo ainda me veio a ser útil, uns meses mais tarde, quando consegui deixar-lhe de herança uma namorada relâmpago arranjada na Moita, e que já se estava a tornar incomoda. Assim devido ás inúmeras visitas do “Zezé” á discoteca “Naufrágio”, eu ganhei esse premio. Foi também ali que o “Zezé” descobriu uma, outra, paixão da sua vida, onde costumava ir comigo, com o “Téte”, Paulo Grande, Tó, Antonio Melro e muitos outros companheiros e amigos da JSD.&lt;br /&gt;Realmente a Discoteca Naufrágio, situada na Moita, era naqueles anos 80, algo de muito bom a nível de presenças femininas, ali passava a fina flor das mulheres da Moita e arredores, que freqüentavam constantes festas e outras animações realizadas naquela discoteca. Nós passamos a ter cartão de ingresso VIP, e a não falhar quase a nenhum importante acontecimento, passando no local alguns bons momentos.&lt;br /&gt;O “Zezé” acabou por também desenvolver por ali uma paixão, desta feita com a empregada do vestiário de entrada, e quase não entrava na discoteca, pois assim que chegava ficava ali mesmo encostado no namorico platônico. No entanto, como normalmente já vinha um pouco alcoolizado procurava conter-se e então como forma de poupar dinheiro e não piorar a sua situação, de meio sóbrio, ia bebendo copos de água com pedras de gelo, imitando que estava a beber Gin Tonico. Pois por vezes até uma rodela de limão colocavam para satisfazer o seu pedido.&lt;br /&gt;Lamentavelmente mais tarde voltava tudo ao normal, e o “Zezé” acabava por apanhar a sua habitual bebedeira diária.&lt;br /&gt;O Carlos Eduardo “Téte”, era importante nas nossas deslocações por varias razões; para além da sua mais que divertida presença como ‘gago’, ainda levava o seu espaçoso automóvel, que funcionava como um apartamento para solucionar alguma urgência do momento.  &lt;br /&gt;Dizer que o “Téte” ficou batizado com aquele nome, devido à sua gagues constante, e que numa das nossas idas a Lisboa provocou a risota geral. Ao abastecer o carro de combustível, o pessoal questionou quanto devia colocar ou se devia atestar o tanque, ao que ele respondeu:&lt;br /&gt;“Pra ates... atestr é té... te... e meia”&lt;br /&gt;A partir desse dia ficou batizado como “Téte”!&lt;br /&gt;Um dos fatos mais curiosos e interessantes destas nossas deslocações á Moita, á discoteca Naufrágio, era que tanto eu como o Tó estávamos a poucos dias de nos casar, e portanto aquilo era para nós como que uma despedida de solteiro continuada. O “Téte” por seu lado já namorava a sua atual esposa, e para todos os efeitos éramos todos bons rapazes e sem compromisso. Foi assim que por ali se arranjaram umas namoradas?! do tipo relâmpago; bem interessantes para ocupar algum tempo livre, por outro lado o Tó que nessa época dava aulas em Palmela, tinha a sua situação ainda mais complicada, pois também tinha arranjado por ali uma namorada extra?! e o fato de dar aulas se por um lado justificava a escapada noturna, por outro complicava a sua mobilidade. Foi jogando em três tabuleiros ao mesmo tempo, até mesmo á véspera do dia do seu casamento com a Paula, farmacêutica, e sua atual esposa. Nessa noite conseguiu estar com a namorada de Palmela para se despedir e acabar com a situação, e fazer o mesmo com a outra da Moita, o pior é que mesmo colocadas perante a situação, nem uma nem outra queriam terminar o relacionamento, aceitando mesmo o fato de ele se ir casar, e, portanto; deixar de ser um homem livre, mas elas mesmo assim o queriam continuar a ter disponível.&lt;br /&gt;O “Téte” também por ali arranjou uma vistosa namorada?! Para animar algumas noites da semana, e eu conheci uma bancaria do Fonsecas e Burnnay da Rua do Ouro em Lisboa, que morava com a mãe, numa das ruas principais da Moita, não muito longe da Discoteca, com quem também passei alguns bons momentos, durante alguns dias da semana. Para todos os efeitos eu também não tinha compromisso algum, e claro que quando ia a Lisboa acompanhado, evitava sempre passar na Rua do Ouro.&lt;br /&gt;Tudo se complicou quando ela descobriu que eu era Presidente da JSD do Barreiro, ao ver uma foto minha num jornal. A situação ainda se agravou mais quando uma tarde decidiu aparecer na sede, pouco antes de uma reunião da Comissão Política em que a Fernanda iria estar presente.&lt;br /&gt;Nesse dia o saudoso Carlos Couto, como que segurou as pontas, pois eu tive que a afastar dali imediatamente, chegando atrasado á reunião, com a desculpa de ter ido tratar do local de uma festa para a JSD.&lt;br /&gt;Como o perigo de ser descoberto aumentava a cada dia que passava, inclusivamente ela já falava em eu ir conhecer a sua mãe, e claro que o passo seguinte seria por certo algum compromisso mais serio, eu resolvi colocar um ponto final na situação. Na realidade com muita pena minha, pois; em termos de entendimento a nível sexual era uma verdadeira bomba. E foi mesmo graças ao generoso automóvel do “Téte”, que eu tive a minha melhor relação sexual dentro de um automóvel e precisamente com essa mulher. Nunca me irei esquecer da bucólica noite chuvosa em que; no parque de estacionamento da discoteca Naufrágio na Moita, de frente para o rio, foi consolidado esse raro e antológico momento. O mais irônico da situação foi que com toda a precipitação do momento, e com a intenção do regresso rápido á discoteca, ela acabou por esquecer, ou perder, as calcinhas no interior do automóvel. Este fato veio mais tarde a provocar hilariantes brincadeiras dos meus amigos para comigo, e ao mesmo tempo também sérios problemas para o “Téte” uma vez que foi a sua namorada a encontrar as calcinhas azuis e arrendadas, esquecidas no interior da viatura, por debaixo de um banco.&lt;br /&gt;Nessa altura o “Téte” tinha entre outros problemas uma outra namorada extra, que lhe decorava o carro com baton e lhe deixava flores no pára-brisas, o que provocava a ira da namorada e cenas de ciúmes incríveis, para todos os efeitos, para a sua namorada, essas calcinhas eram resultado de uma escapada do Téte. &lt;br /&gt;Eu sei bem o que isso pode provocar pois alguns anos mais tarde veio a acontecer-me o mesmo, com a famosa Ana de Sousa Leal, o que levou inclusivamente a uma viagem pela Europa para tentar resolver a situação.&lt;br /&gt;Não que tenham ficado calcinhas na minha viatura, mas ela dedicava-se a escrever poemas com baton no para-brisa da minha carrinha Citroen, e de manhã era um tormento.&lt;br /&gt;Por isso as calcinhas só vieram naquele momento agravar ainda um pouco a já de si difícil situação do Téte..&lt;br /&gt;Sempre que me é permitido, revisito os locais adormecidos no espaço do tempo, e tal como o pensador e escritor Carlos Aranha, também eu faço como minhas as suas sabias palavras quando afirmo e reafirmo que amo voltar a estar alguns segundos que seja nos paraísos perdidos da minha infância e juventude.&lt;br /&gt;Comigo seguem tão somente o peso dos sentimentos e dos gostos absorvidos, mas tenho que reconhecer que quem consegue praticar a nobre arte da leitura da memória, corre grandes e sérios riscos, pois conseguir lembrar coisas que a outros já esqueceu não é normal e como que se transformam fatos passados em autenticas lendas do presente.&lt;br /&gt;Os fatos das nossas vida, ganham... ou perdem... sentido pratico quando afetam diretamente a nossa interioridade.&lt;br /&gt;Nem sempre os que mais perto estão de nós entendem as razões e as intensidades das nossas experiências muito pessoais.&lt;br /&gt;Todo o relacionamento significativo acaba por deixar marcas profundas no nosso intimo.&lt;br /&gt;É exatamente na solidão do nosso barco da vida; muitas vezes quase á deriva, na sensação de que tudo pode estar perdido que acabamos por encontrar a nossa própria força para sobreviver ás tormentas da vida, aos desafios do nosso dia-a-dia da vida, e acabamos por entender a importância de ter amigos para nos ajudarem a combater os acontecimentos que nos tornam mais vulneráveis, quando os enfrentamos sozinhos.&lt;br /&gt;Temos que ter sempre bem presente que nenhuma dificuldade dura para sempre, toda a tempestade é seguida por uma bonança e todo o problema tem sempre uma solução, por isso a importância dos amigos, sobretudo dos amigos verdadeiros para nos ajudarem a ter uma vida mais intensa e consequentemente realizada.&lt;br /&gt;Na política, no seio da política pura e dura, nós não temos amigos, aqueles amigos verdadeiros, só temos muitos conhecidos amigos, que se movimentam de acordo com as circunstancias do momento e com as prováveis condicionantes do futuro.&lt;br /&gt;Os verdadeiros amigos estão á margem do seio da política. Podem até viver ao nosso lado o dia-a-dia da política, mas é fora dela que podemos constatar quem são realmente esses amigos, verdadeiros e leais. &lt;br /&gt;Ninguém no inicio da vida política consegue intuir isso, só quando já navega no alto mar da política se dá conta de que pensa estar acompanhado quando está; no entanto, só, sozinho, completamente sozinho no meio do mar e das tempestades da política.&lt;br /&gt;Da vida política quando vamos fazer o balanço final, ficam realmente aqueles amigos que já não estão mais na política, aqueles para quem nós já só somos também amigos e não números, é isso a política: simplesmente números. A política dos pequenos valores que flutuam de acordo com a bolsa de interesses. Deste pesar da realidade resulta diretamente que as recordações são mais do que isso em termos de passado vivido, são sem qualquer duvida as lendas do presente que cada um de nós esta a viver no preciso momento em que ‘rebobina’ e torna a ver o intenso filme da sua vida.&lt;br /&gt;Quem naquela época também estava a viver uma situação pessoal deveras incomoda era o Paulo “Grande”, que devido ás constantes noitadas não conseguia dar boa conta do recado no dia seguinte ao serviço dos Telefones de Lisboa e Porto. &lt;br /&gt;Devo, no entanto, referir que as suas noitadas até que me foram úteis, pois como a ex-namorada da Moita não desgrudava, ele sem se aperceber, e como bom samaritano, tomou conta da situação. No entanto o problema era bem maior do que eu imaginara inicialmente, ela continuava vidrada e durante algum tempo mantinha-se numa postura de insinuação e até continuava a surgir na sede nas horas bem mais incomodas.&lt;br /&gt;Depois de muitas negativas lá acabou por aceitar que a situação era impossível de reverter, e lá acabou por aceitar também os presentes que o Paulo lhe oferecia, sim ele quando queria transformava-se num conquistador muito romântico, e desde flores a fios e relógios ele tudo oferecia na tentativa de conquistar aquele coração de pedra, vidrado na pessoa errada.&lt;br /&gt;Devido á conquista que tardava em se concretizar, chegou a andar algum tempo ainda mais desnorteado do que o normal, bebida cerveja como quem bebe água e numa dessas ocasiões até se acabou por expor a uma situação do mais ridículo possível, perante todo o grupo.&lt;br /&gt;Era tradição no período do verão realizar ocasionais reuniões noturnas de amigos, junto da antiga igreja o Lavradio, no cimo da Avenida Joaquim José Fernandes. Ali se juntavam os amigos do Lavradio para cavaquear até altas horas da madrugada, e claro ir bebendo umas cervejas que cada um ia trazendo de sua própria casa ou comprava no café da esquina.&lt;br /&gt;Numa dessas noites, e já a madrugada ia avançada, eis que surge o Paulo, já com uma boa quantidade de álcool no corpo. Nessa noite o pessoal tinha colocado uma grade de cervejas dentro do lago ali existente para conseguir manter de alguma forma a frescura nas garrafas, só que aquela tardia hora da noite já nada restava, era mesmo só a grade com garrafas vazias.&lt;br /&gt;No entanto o Paulo insistia que queria uma, apenas uma cervejinha para terminar a noite, o Manuel Correia resolveu então remediar a situação, e como morava muito próximo, desde logo se prontificou para ir buscar uma cerveja fresca a casa e de caminho guardar a grade de garrafas vazias na sua garagem.&lt;br /&gt;Alguns minutos depois surgiu com uma cerveja na mão, e o Paulo todo contente da vida lá foi beber. Acabou por reclamar um pouco por causa da temperatura e sobre o sabor que segundo ele a tornava acida, mas lá foi bebendo.&lt;br /&gt;O Manuel Correia não parava de rir e animar o pessoal com piadas sobre a cerveja. No entanto ninguém conseguia entender a fundamentação que nos queria transmitir.&lt;br /&gt;Entretanto o grupo foi dispersando e recolhendo a casa, tendo o Paulo acabado por também seguir o seu destino. Foi então que o Manuel Correia contou aos ainda presentes que como não tinha já cerveja em casa, tinha então resolvido a questão de um modo simples e bem pratico, ou seja, urinara na garrafa e tinha recolocado a tampa direitinho, fazendo esta passar por ainda intacta.&lt;br /&gt;Ria a bandeiras abertas dizendo que estava tão perfeita a cerveja que até tinha espuma.&lt;br /&gt;Estava então esclarecida a continua reclamação do Paulo sobre a temperatura e o sabor acido e claro a conversa e as continuas risadas do Manuel Correia sobre a cerveja.&lt;br /&gt;Foi a risota e a galhofa geral de todos os presentes, é que o Paulo para além de tudo tinha uma grande mania, afirmava-se como alguém que se dizia bem mais esperto do que todo o mundo.&lt;br /&gt;Claro que no dia seguinte todo o mundo questionava o Paulo sobre a qualidade da cerveja do Manuel Correia, e que lhe tinha sido servida naquela noite. Ele só afirmava que com a sede que naquele momento sentia, pois bebia tudo o que lhe oferecessem, na verdade até foi o que aconteceu. A risota geral continuava em todo o grupo, perante a sua cara de admiração, sobre tanta risota só por causa de uma cerveja fora de horas.&lt;br /&gt;Só passado algum tempo, ficou então sabedor da brincadeira, e assim durante meses não falou com o Manuel Correia, eu diria mais, não sei se até ao dia de hoje voltaram mais alguma vez a falar-se, sei que ele dizia que o ia matar, mas tal intento, que eu saiba, nunca foi tentado e muito menos concretizado.&lt;br /&gt;Com o crescimento da JSD em numero de militantes, passamos a contar com novas realidades e nos pensamentos desses novos militantes. De entre essas novas realidades, e, sobretudo; em virtude da resolução do assunto dos cursos de formação da Casa dos Rapazes, acabamos por ganhar alguns novos Militantes entre os quais ainda recordo a Anabela, a Paula, Isabel, Rogério, o saudoso Coreolano e o Paulo Margalhau, este o mais ativo e animador da tertúlia, entre todos.&lt;br /&gt;O mais ativo e também aquele que tornou a JSD mais ecológica, é que segundo ele gostava de afirmar; gostava tanto de animais que até tinha um crocodilo em casa, numa banheira num dos WC.&lt;br /&gt;Era sempre uma grande animação, escutar as suas historias sobre o tão famoso crocodilo, até ao dia em que alguém fez a proposta de ver o tão famoso crocodilo, e claro que ai a historia terminou.&lt;br /&gt;De entre as muitas revelações e aventuras do Paulo, recordo o dia em que escutou o Francisco Mendes Costa, então Presidente da Comissão Política do Partido, comentar comigo que para levar a efeito a minha idéia de mudança de imagem e modernidade da sede, era necessário começar-se por substituir o teto falso do salão da sede. Para esta ganhar um novo aspecto, ficar mais atraente e agradável para os Militantes. Mas para que tal se tornasse realidade, entre outras condições, era necessário retirar o teto que lá se encontrava de gesso e ‘esferovite’, e bastante amarelecido pela antiguidade.&lt;br /&gt;A sua grande entrega ao Partido e á JSD não tinha limites, e assim imaginou que seria de grande utilidade fazer, de modo voluntário e quanto antes a retirada do teto falso velho.&lt;br /&gt;Assim um dia munido da chave da sede, que solicitou emprestada ao Carlos Couto, então responsável pelo bar, com a desculpa de que tinha ficado encarregado daquela importante missão, procedeu á destruição de todo o teto falso, que ficou a encher de entulho todo o chão do salão. &lt;br /&gt;Ele, no entanto, tinha-se esquecido de alguns dados importantes que foram; perguntar se o novo teto já tinha sido encomendado ou mesmo escolhido e negociado, e também se estava programada alguma reunião e se era realmente útil efetuar aquele trabalho naquele momento, pois com o chão cheio de entulho era difícil, para não dizer impossível, realizar alguma ação no local, quanto muito utilizar a própria sede.&lt;br /&gt;Um dos problemas é que estava mesmo programada uma Assembléia Concelhia para o dia seguinte no local, e o Mendes Costa ainda não tinha sequer imaginado a quem recorrer para efetuar o orçamento do novo teto. Assim quando chegou á sede e deparou com aquele espetáculo ia morrendo de comoção. Foi então o caos e o desespero pessoal do Mendes Costa que quando soube o autor da obra, ainda ficou mais possesso, com tamanha irresponsabilidade.&lt;br /&gt;Depois ao falar com o Paulo Margalhau obteve uma resposta bastante convincente e adequada á respectiva situação: &lt;br /&gt;“... Sr Costa! Eu pensava que estava a prestar um grande e relevante serviço ao Partido! Eu pensava que estava poupando trabalho e tempo na retirada do teto falso velho!...” &lt;br /&gt;O Mendes Costa ficou sem palavras para contrapor, perante tanta militância ativa e altruísta, mas furioso, mais furioso do que um ‘urso’. O Paulo esteve ausente uns dias da sede, por nosso conselho e até a situação acalmar um pouco... pois ninguém sabia muito bem qual poderia ser a reação do Mendes Costa.&lt;br /&gt;A sede acabou também por ficar; sem teto falso alguns meses, tendo sido a Comissão Política posterior, e da qual eu fiz parte, como Vice-Presidente, quem acabou por colocar um novo teto falso e também uma nova iluminação interior na sede.&lt;br /&gt;O Paulo sempre foi, diga-se, um Militante muito prestável e ativo, sendo da sua autoria mais uma boa mão cheia de importantes realizações em beneficio direto do Partido?!&lt;br /&gt;Comparável ao Paulo Margalhau, em termos de entrega e dedicação, porque não dizer mesmo sacrifício ao partido. Naquela época, só mesmo o Fernando “maluco” que conseguia arranjar confusões cada vez que surgia, e todas elas sempre com finais bem imprevisíveis.&lt;br /&gt;Recordo uma noite de caravana automóvel de fim de campanha eleitoral, em que; ao passarmos junto da sede do Partido Comunista Português no Barreiro, ali bem junto do campo de futebol do Luso, o Fernando seguia pendurado na janela de um dos carros, e com uma verdadeira multidão na rua, conseguiu vislumbrar um jovem, que segundo ele, ameaçava atirar uma pedra á caravana automóvel.&lt;br /&gt;O Fernando não foi de modas, conseguiu saltar do carro em andamento, e mesmo defronte da sede do PCP, agarrou o jovem e pura e simplesmente esborrachou-lhe o nariz contra o poste de iluminação mais próximo.&lt;br /&gt;Foi o tumulto geral, por um lado os Comunistas presentes viam o jovem a sangrar abundantemente á sua frente e tinham o Fernando ali bem á sua mão, para poderem fazer justiça, por outro lado a caravana automóvel ali parada a aguardar o que iria acontecer, e todo o mundo a sentir no ar a fúria dos presentes a instalar-se.&lt;br /&gt;Finalmente ele lá se resolveu a regressar ao carro de onde tinha saltado, mas para tal ficou de revolver na mão. Uma pistola que ninguém sabia de onde tinha surgido, e muito menos que ele possuía. Foram então momentos de grande tensão que obrigaram a negociações rápidas, com alguns membros conhecidos da JCP e do PCP, como o “Bintoito” para se tentar sair dali com todos os carros em perfeito estado, o que não aconteceu na totalidade. Algumas viaturas ainda sofreram algumas amolgadelas na chaparia, como por exemplo o carro do filho do Fernando Cruz, com uma porta amolgada.&lt;br /&gt;O Fernando “maluco” era um daqueles elementos que eram bem dispensáveis nas atividades políticas tanto da JSD como do Partido, pois sempre que surgia, logo tinham lugar alguma ação extra e não programada, e quase sempre com resultados bem desagradáveis.&lt;br /&gt;A época que se vivia naquele fim da década de 80, do século passado, era também um tempo de contabilização dos conhecimentos do passado, com vista a conseguir-se ter uma noção do que poderia vir de certa forma a encontrar-se no futuro.&lt;br /&gt;Não posso também esquecer outro elemento bem altruísta, o Guinot que era tido como ex-legionário e pessoa da máxima confiança do Mendes Costa. Com uma compleição física enorme, andava sempre armado, o que se por um lado se traduzia em alguma confiança com a sua presença, por outro era sempre um risco, pensar-se que em algum momento pudesse fazer uso do armamento numa situação não aconselhada.&lt;br /&gt;Eu aproveitava essa segurança extrema, para em período de campanha eleitoral ir para zonas quase proibidas, e com muito mais confiança. Recordo noites e noites de colocação de propaganda em campanha, somente contando com a sua companhia, e em que me sentia perfeitamente seguro. Tornou-se um meu verdadeiro guarda-costas, que muitas vezes me seguia fielmente, para todo o lado, que nem um fiel “cão” de guarda.&lt;br /&gt;Muitas vezes se tornava incomoda a sua excessiva ação de segurança, como na noite em que partiu o nariz a um jovem, junto da sede, apenas porque ele estava a mexer nuns painéis publicitários do partido que secavam no exterior. Foi incrível como conseguiu deixar o rosto de jovem a escorrer sangue, apenas com uma pancada seca com as costas de uma brocha de colocação de cola. Foi necessário muito bom senso e calma para eu e o Mendes Costa acalmarmos a família do jovem, que se mostrava deveras revoltada com a trágica iniciativa, e ainda mais que ainda por cima eram militantes do Partido.&lt;br /&gt;Na verdade eu com a presença do Guinot, arriscava ir colocar propaganda totalmente só, a locais verdadeiramente de alto risco, como no Alto do Seixalinho, ou em descampados próximos a zonas industriais como na chamada curva do Abreu, onde ninguém arriscava uma visita noturna sem estar bem munido de segurança. Podem chamar irresponsabilidade da minha parte, ou pura aventura, mas na verdade eu me sentia totalmente seguro e confiante. No entanto algumas vezes ele exagerava, como por exemplo, no dia em que viajávamos no salão da 1ª classe de um barco da carreira Lisboa, Barreiro, e ele se sentiu incomodado com a presença demasiado próxima de nós de um individuo, realmente estranho. Ai ele nem pensou duas vezes, e me questionou se eu não achava que estava calor, ao que eu respondi que sim, e sem dizer uma única palavra, virou-se para mim, e tirou o casaco deixando ficar bem á vista o coldre debaixo do sovaco com o pistolão á vista. O individuo olhou para ele, levantou-se e saiu de imediato do salão. Ele virou-se para mim e disse, eu bem que tinha dito que estava calor, mas podia ficar muito mais quente por aqui, assim já vai refrescar...    &lt;br /&gt;Na JSD a maturidade de uns contrapunha-se com a inexperiência e ingenuidade de outros, como que construir uma escola de conhecimentos sobre as virtudes e defeitos do ser humano.&lt;br /&gt;Assim, quanto mais conseguíamos encarar as dificuldades, os aborrecimentos e as próprias frustrações, como testes quase diários á nossa paciência, perseverança e mesmo fé, maiores se tornam as nossas capacidades de conhecimento e evolução interior.&lt;br /&gt;Desta forma sempre que as coisas deram de algum modo errado e fomos obrigados por contingências dos acontecimentos ou do destino a mudar os nossos planos, nunca nos esquecíamos da necessária flexibilidade e constante aceitação da mudança de rumos que assim podia fazer toda a diferença entre o cumprir um objetivo ou ter que criar um projeto diferente e sempre exeqüível.&lt;br /&gt;É verdade, sem duvida nenhuma, que todos os dias nós, até hoje vivenciamos inúmeras emoções, nem sempre muito boas diga-se em abono da verdade, mas que sem qualquer hipótese de duvida interferem diretamente nas nossas opiniões e mesmo na nossa qualidade de vida.&lt;br /&gt;Vem tudo isto a propósito de realidades e situações que ao longo da nossa vida entendemos serem vivenciadas de uma forma, mas que quando as constatamos mais de perto, temos que refazer a nossa opinião e moldar novamente as nossas, até ai convicções sobre determinados assuntos.&lt;br /&gt;Assim na minha primeira Comissão Política Concelhia, um dos membros mais ativos e competentes, era sem duvida o Paulo Afonso, “chu-chu” que enquanto responsável pela área sócio-cultural deu conta de estremo dinamismo e capacidade realizadora. Foram variados os torneios, jogos florais, intercâmbios com outros Concelhos que eu captava e ele acabava por organizar e mais um sem numero de atividades que tiveram a sua intervenção direta ou indireta.&lt;br /&gt;Ao longo de toda a minha vida nunca me preocupei em saber se A, B ou C vivem a sua vida privada dentro dos padrões, que a maioria considera como normais. Mas também nunca entendi como razoável misturar relacionamentos pessoais com política ou com relacionamentos profissionais.&lt;br /&gt;Por essas razões o meu namoro com a Maria do Céu terminou praticamente com a minha entrada na presidência da JSD e a Fernanda acabou por praticamente abandonar a atividade política ativa, em cargos que colidissem com atribuições e competências minhas. Assim que casamos, e mesmo antes, passou sempre a desempenhar funções que não colidissem diretamente com a minha esfera de ação direta.&lt;br /&gt;Curioso que nessa mesma época eu mantive um relacionamento, bem escaldante diga-se, com uma mulher, a Madalena, que era minha colega no Ministério do Trabalho, no IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional do Barreiro, no entanto a sua atividade profissional em nada confluía diretamente com a minha. E muito embora trabalhássemos na mesma Entidade; exercíamos funções bem diferenciadas e estávamos na gestão de projetos que nunca se cruzavam em termos de relacionamento profissional, e penso que só por isso mesmo o relacionamento se veio a desenvolver da forma tão intensa como acabou por ocorrer.&lt;br /&gt;Entretanto na JSD fui confrontado com uma situação diversa, assim o Paulo Afonso tinha uma opção sexual diversa da chamada maioria, e assumiu essa mesma situação, tendo, no entanto, surgido na sua mente uma preocupação sobre a situação e que no seu entendimento iria claramente colocar em jogo a possível coesão da equipa. O Paulo decidiu ir viver com um companheiro em Paço de Arcos, e dessa forma abandonar a casa dos pais, bem como a região do Barreiro.&lt;br /&gt;Solicitou por esses motivos falar comigo particularmente, e recordo que foi de uma humildade e frontalidade pessoal mais do que extremas. &lt;br /&gt;Para mim, enquanto Presidente e para a Comissão Política, seria uma perca considerável a sua saída prematura. Posteriormente e com algum esforço em termos de capacidade de argumentação, consegui-o convencer a manter o seu lugar e a efetivar o trabalho sem necessitar de contar com a sua presença física constante.&lt;br /&gt;O Paulo continuou assim a desenvolver o seu trabalho e acabou por vir a concluir o mandato.&lt;br /&gt;Tomei conhecimento posterior de que passados alguns anos ele ainda mantinha a sua opção sexual diversa da chamada maioria, e esse relacionamento pessoal estável.&lt;br /&gt;Nem por isso desceu na minha consideração, e se hoje o recordo é para contrapor a outro exemplo bem diferente, de alguém que muito embora com uma orientação sexual inicialmente diferente, pretendia manter uma aparência diversa da realidade.&lt;br /&gt;O Dr. Joaquim Navalho, que tinha sido casado e pai de filhos, sem o assumir publicamente era, no entanto, um gay, ou quanto muito um bi-sexual. Situação que acabou por ser confirmada por mim, após me ter sido confirmada por freqüentadores assumidamente gay’s, de um local de encontros homossexuais situado na época, na zona do pinhal de Coina, muito próximo da nova estação ferroviária. Eu próprio acabei por me dar ao trabalho de passar de automóvel pelo local nos horários referenciados, e acabar por confirmar a sua presença no local. Mais interessante ainda foi o fato de que eu para não ficar com qualquer duvida, me desloquei dentro da zona de mato e pude constatar visualmente a sua intensa e diversificada atividade lúdica pessoal. Muito curioso é o fato de que ao longo da sua participação política, conseguia aparentar um posicionamento totalmente diverso, por um lado extraordinariamente pró-moralista, e por outro pró heterossexual, uma vez que conseguia interromper ostensivamente as reuniões da Comissão Política Concelhia do Partido para assistir na tv ao programa erótico semanal da Playboy.&lt;br /&gt;Tanto o Partido quanto a JSD tinham no seu grupo de militantes diversos exemplos de desvio de conduta sexual da chamada opção dita como normal, no entanto ninguém conseguia assumir frontalmente a situação da sua opção pessoal como o fez de forma tão direta o Paulo Martins Afonso. &lt;br /&gt;Registre-se ainda que este assunto mereceu na época, o total respeito e admiração de todos os membros da minha Comissão Política e da também da maioria dos Militantes que entretanto foram tomando conhecimento da situação, por sua livre e espontânea iniciativa pessoal em termos de divulgação.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro segundo relatos de membros que vivenciaram as épocas em questão, já tinha tido situações anteriores análogas, sendo o caso mais obvio o do seu antigo Presidente João Azevedo, que é sem a mínima duvida um homossexual não assumido, no entanto na época da minha presidência, e por várias vezes acabou por se insinuar para comigo, tendo eu respeitosamente respondido de um modo bem delicado, fazendo que não entendia o seu tipo efeminado, a sua cara a nadar em cremes e os objetivos da abordagem.&lt;br /&gt;É obvio que o pensamento é livre e um direito inalienável de cada um, numa sociedade livre, no caso concreto e particular do ex-Presidente da JSD é notório que o seu relacionamento pessoal com outras ilustres personalidades do Partido, era bem mais em termos de defesa do chamado loby gay e ao mesmo tempo de objetivos pessoais. Por exemplo; na sua aparente amizade com um ex-governante, basta observar-se um pouco o Dr. Mira Amaral, para se ter uma noção, ou mesmo uma clara convicção pessoal de se estar na presença de alguém com claros indícios de diversificação sexual. A opinião e o pensamento, mesmo em voz alta, são obviamente livres, e aquilo que hoje assumidamente aqui escrevo é a minha analise perante as vivencias observadas e a minha livre convicção pessoal. &lt;br /&gt;A JSD do Barreiro foi assim; em tempos remotos composta por um núcleo de jovens, com opções sexuais diversas, o que em nada veio a dificultar o seu desempenho político social, e a formação de jovens quadros políticos, que em nada se revelaram ligados a esse famoso Loby, com ligações claras a essas gerações, mas sem o mínimo de indícios de opção pessoal diversa da chamada maioria.&lt;br /&gt;A JSD tinha naquela época; a da minha presidência, um apelidado e determinado grupo de oposição. Uma força de pensamento determinante em termos de bloco unitário, e figuras como o Paulo Freitas, José Carlos Lopes, Luis Pineza, Fernando Pineza, Fernando Cruz Filho, Antonio Macedo, e o saudoso Carlos Couto entre muitos outros, que ainda hoje enquanto militantes do Partido, mantêm uma linha de pensamento bem diversa das novas gerações.&lt;br /&gt;Não estou com isto a chamar de “Velhos do Restelo” a esse grupo, muito embora assim os tenha batizado em determinado momento político. &lt;br /&gt;No entanto, todo o mundo, todo o ser pensante, tende a evoluir, obviamente que uns mais rapidamente do que outros.  As suas perspectivas de movimentação pessoal, infelizmente, sempre se baseavam mais no pessoal do que no coletivo, o que contrapunha com o nosso entendimento político e social, entre outras opções e diferenças básicas, e daí as nossas grandes divergências políticas, que nunca pessoais, pois existia e existe ainda hoje um bom entendimento a nível pessoal.&lt;br /&gt;De entre a chamada nova geração, é bom ressalvar que a gestão dos novos quadros políticos foi mais voltada para a sua formação e integração na sociedade, no entanto tenho que priorizar, alguns poucos casos, como por exemplo; o do Bruno Vitorino que entrou na JSD sob a minha presidência e aprendeu muito do que hoje sabe em virtude da sua participação em duas Comissões Políticas por mim lideradas.&lt;br /&gt;A sua entrada acaba por acontecer por mero acaso e pura brincadeira, com o José Reis Marques “Zezé” a insistir na sua filiação. Diga-se até que; foi uma filiação um pouco contra a sua própria vontade pessoal inicial, uma vez que, era visível a sua maior inclinação para os Socialistas, onde a sua mãe militava, e como ele era um jovem muito agarrado ás “saias da mãe”, a sua opção naquela época era muito mais de proximidade familiar, e não tanto de ideologia política.&lt;br /&gt;No entanto acabou por assinar a ficha de inscrição na JSD, que a minha Comissão Política Concelhia ratificou. Reconheço que a aprovação da sua filiação não se deu tanto em termos de convicção perante o seu ideal político e social, mas bem mais por razões familiares, uma vez que o seu pai e o irmão mais velho eram já militantes do Partido, o que nos dava algumas garantias de conhecimento mínimo sobre a integridade pessoal do individuo naquela época.&lt;br /&gt;Era naqueles tempos um jovem bastante imberbe, introvertido, e pouco dinâmico e até algo trapalhão nas abordagens, durante os primeiros tempos de militância. A sua personalidade á data, nada tinha que ver com a desenvoltura demonstrada pelo seu irmão na área política e social, onde; inclusivamente chegou a ser Presidente da Associação de Estudantes da Escola de Santo André.&lt;br /&gt;A pouco e pouco, no entanto, foi-se integrando no espírito de grupo da JSD e no ano seguinte eu resolvi dar-lhe uma oportunidade e dessa forma convidei-o para integrar a minha equipa da Comissão Política Concelhia, como vogal para a área sócio-estudantil, ficando debaixo da coordenação direta do David Figueiredo, e do João Ilídio Barbosa. Começou então a desenvolver-se, e graças a esses dois ótimos quadros políticos juvenis, foi capaz de realmente aprender de forma rápida os meandros mais básicos da política. No entanto os seus resultados ao nível de realizações, nas associações pelas quais ficou responsável, nesse primeiro ano, não foram nada relevantes, com a conquista de algumas associações já esperadas e até com uma derrota algo inesperada na Escola Alfredo da Silva.&lt;br /&gt;No ano seguinte; eu estava já a idealizar a minha saída da JSD para o Partido, e a procurar lançar quadros políticos, com vista ao futuro da JSD, e foi então convidado para ser um dos meus Vice-Presidentes, tendo então conseguido assimilar todo o funcionamento da maquina local da JSD.&lt;br /&gt;Passado mais um ano resolvi então apostar um pouco mais e levei-o comigo para a Distrital de Setúbal da JSD, e também ai lhe dei a oportunidade de aprender o modo de funcionamento de uma estrutura Distrital.&lt;br /&gt;Será lógico surgir a natural pergunta; se eu considero o Bruno Vitorino como um delfim político meu. A resposta só pode ser dupla, ou seja; por um lado sim e por outro um não.&lt;br /&gt;O Sim, na medida em que lhe dei todas as aberturas e condições para poder concretizar a sua aprendizagem e crescimento concreto enquanto jovem no interior da JSD, não lhe faltando com incentivo e também com alguma moderação quando foi caso disso, e não foram poucas as vezes em que isso teve mesmo que acontecer.&lt;br /&gt;O Não, no justo sentido em que muito embora lhe tenha facultado o aprendizado, inclusivamente de muitos dos jogos de bastidores da política, não posso, de forma algum ser responsabilizado por alguns atos e procedimentos mais recentes. Falo de atos e procedimentos pessoais com que tem pautado a sua vida em termos de atuação ativa na política, nomeadamente nas chamadas traições políticas e outros jogos muitas vezes de baixo caráter pessoal que me têm vindo a relatar ao longo do tempo, e em especial muito recentemente nas lutas a nível distrital e da concelhia.&lt;br /&gt;A JSD mais do que uma escola política deveria ser também uma escola a nível de índole social e hoje é com agrado que tomo conhecimento de que muitos dos que me acompanharam nas mais importantes tarefas na JSD bem como no Partido, são hoje homens e mulheres estabilizados na vida e com as suas vidas pessoais e profissionais cunhadas de êxitos, que obviamente não se podem contabilizar por uma responsabilidade a 100% pelas suas passagens na JSD ou no PPD/PSD, mas que bem lá no fundo tem uma pequena matriz de responsabilidade em alguns aprendizados recolhidos nesses importantes tempos das suas vidas e sem duvida que um Antonio Melro é hoje um bancário de gabarito, o Luis Filipe um bom responsável instrutor de condução e empresário de sucesso, o Paulo Afonso um economista com ótimas qualidades, o Álvaro Ferreira um responsável administrativo com reconhecidos méritos no setor militar, o Carlos “Téte” um empresário de sucesso na área da reparação automóvel, o Licinio Seabra um técnico de computação com muito prestigio, o Paulo Margalhau é hoje um empresário de sucesso, o Carlos Vitorino um prestigiado funcionário da Brisa e um bom Presidente da Concelhia de Palmela do PPD/PSD para além de dar cartas na área sindical, o João Ilídio um muito bom chefe de vendas, o Sidonio Sousa um excelente Chefe na CP, o Filipe Simão um ótimo gerente bancário, o Luis Eduardo um bom engenheiro que também bem poderia ter sido um ótimo advogado, pois não esqueço nunca a sua brilhante proposta de regulamento interno para a JSD da época, em que algumas das suas propostas foram contempladas na redação final, a Marilia Alfaiate hoje uma ótima enfermeira, que também poderia ter sido uma ótima engenheira química, e quem sabe se um dia não conclui o curso superior inicial, o Luis Engrossa que é um bom gestor, a Helena Rodrigues com uma carreira a nível bancário impar, iniciada em Macau e que agora não tem parado de dar cartas em Portugal, o João Palma como empresário de sucesso, o Celinio Reis outro empresário de sucesso, o Jorge Costa um policial de reconhecida craveira, o José Peleja um empresário do ramo imobiliário que não deixa os seus créditos por mãos alheias, e tantos e tantos outros que conseguiram aprofundar as suas vidas, e me deixariam aqui a descrever paginas e paginas de êxitos. Não posso esconder que também existem felizmente poucos, mas alguns fracassos, que pela sua natureza obviamente me escuso de aqui enumerar.  Estou certo, no entanto, de que nunca vão poder esquecer que um dia militaram de forma efetiva na JSD e que por muito pouco que possam ter aprendido nesse seu trajeto político e pessoal, algo acabou por ficar em termos de aprendizado, especialmente na área social.&lt;br /&gt;A Distrital de Setúbal da JSD é um exemplo acabado de como uma deficiente integração pode, no entanto, formar alguns deficientes quadros, sem deixar de se realçar que existem sempre exceções, e que temos de separar o trigo do joio.&lt;br /&gt;Lamentavelmente a política deixou de ser uma missão para servir a “Polis” como pregava Aristóteles e tornou-se uma profissão, em que alguns mais nada sabem já fazer na vida. Um desses exemplos acabados é o do Bruno Vitorino, que fora da política mais nada sabe fazer, e habilitação ou profissão não tem.&lt;br /&gt;A partir dessas situações e dessa lógica criada em torno dos profissionais da política abre-se no fundo uma crise de governança e não governabilidade, porquanto o sistema político cria ciclos de “aberrações” e dessa forma as relações entre os diversos poderes tornam-se pura improvisação da democracia, passando a existir trocas meramente comerciais entre os cargos e os poderes.&lt;br /&gt;O sonho de que o desenvolvimento econômico e social levaria a uma sociedade mais justa, pacifica e igualitária, esta a dormir ou morreu, exigindo um novo sonho.&lt;br /&gt;No entanto eu creio que alguns dos meus mais profundos sonhos políticos morreram mesmo, ou pelo menos estão, entretanto, dormindo!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-7887776770867499885?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/7887776770867499885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=7887776770867499885&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7887776770867499885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7887776770867499885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxii-vida-da-politica.html' title='XXXII– A VIDA DA POLITICA'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-1808289645232808971</id><published>2008-04-14T15:43:00.000-03:00</published><updated>2008-04-14T15:46:23.884-03:00</updated><title type='text'>XXXIV – OS CAMINHOS DE UM PREDADOR INTRANSIGENTE DE CAUSAS</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”&lt;br /&gt;‘Platão’&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Este profundo pensamento de Platão transmite uma imensa sabedoria e ao mesmo tempo moderação, pois a maioria das pessoas não tem realmente a noção de que tanto o auxilio como os; prejuízos pessoais são assim; obra simplesmente do intimo de nós mesmos, e olham para a política; fascinadas com as aparências, sem, no entanto, terem a noção exata da realidade da vivencia interior de um mundo criado para habitat de autênticos predadores.&lt;br /&gt;Muitos dizem odiar a política e os políticos de um modo simplista sem conseguirem entender o muito que está harmonizado no exercício da política. E digo eu mesmo que não é necessário ser nenhum sábio, tipo Platão, para conseguir entender que nós os homens, mesmo sem sermos ou exercermos a política ativa, somos a fonte de tudo o que é bom ou mau para nós próprios, e, portanto; não serve de nada fugir das responsabilidades, nem acusar ou culpar os outros de coisa alguma, pois nós votemos ou não, estamos na política, basta estar vivo para desde logo ser um político, ativo ou passivo, mas um político.&lt;br /&gt;A minha entrada na política ativa no PPD/PSD, sem que eu próprio o tenha entendido desde logo, ocorreu no preciso instante em que me candidatei a Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro da Juventude Social Democrata.&lt;br /&gt;Com a minha candidatura eu estava a dar total razão ao pensamento de Robert Brault:&lt;br /&gt;“Aprecie as pequenas coisas, pois um dia você pode olhar para trás e perceber que elas eram as grandes coisas.”&lt;br /&gt;Para mim, naquele instante, aquela simples candidatura era uma pequena coisa, no entanto para os membros do PPD/PSD era algo muito grande, demasiado grande para o meu entendimento naquele momento. Eu era uma ameaça tremenda á sua hegemonia de anos seguidos de controle do poder local do Partido.&lt;br /&gt;Sem ter a noção exata da importância da minha atitude, eu estava de certa forma a concordar com Frank A. Clark:&lt;br /&gt;“Todos tentam realizar alguma coisa grande não percebendo que a vida é composta de pequenas coisas”&lt;br /&gt;A certeza de que poderia mudar efetivamente algo na política local, com a minha candidatura, era uma mera conjuntura, formalizada com base no visível desconforto criado nas hostes partidárias.&lt;br /&gt;Ninguém na política é anjo, e na vida todos somos imperfeitos, por vezes mesmo tragicamente desumanos, mas pensando e repensando, creio ser sempre o melhor da vida, o contrariar as estações da viagem do comboio da nossa vida, e seguir sempre em frente, defendendo as nossas convicções. Porque existem pequenos e grados fatos na nossa vida de que no final acabam por fazer a grande diferença entre; viver corretamente realizando as nossas convicções, ou levar uma vida de percalços e negações de nós próprios.&lt;br /&gt;Na política foi isso que me aconteceu ao longo de cerca de duas décadas, mas para tal tive que me transformar num autentico predador intransigente na defesa de causas. E quando medito sobre a carreira, passando em revista todos os seus momentos, como num dos muitos filmes que de tempos em tempos surgem na minha mente, medito sobre a estrutura organizacional que criei a nível pessoal, os seus êxitos, problemas e obviamente desilusões, e, ao mesmo tempo; me vai surgindo á cabeça a luta que foi a minha vida para conseguir chegar até aqui, até ao homem que hoje sou, e que já vive fora da política ativa. &lt;br /&gt;Os obstáculos que enfrentei por anos a fio e que; espero sempre tê-los já superado, só por querer ser, sobretudo justo, independente e leal, sobretudo; comigo próprio. Tudo isto e muito mais são cenas de uma; longa-metragem mental que se vislumbra aos meus olhos com um epílogo vitorioso, porque devido em grande medida á minha frontalidade e irreverência nunca me esquivei de a meu; jeito dizer e fazer cumprir as minhas regras de vida pré-estabelecidas.&lt;br /&gt;Confesso que também tenha começado a sofrer por antecipação a certeza de que a breve tempo e sem perder a minha integridade eu me sentiria um vencedor.&lt;br /&gt;Um dia uma colega minha de trabalho no Ministério da Saúde, em Lisboa, a Paula Leitão, perguntou-me porque estava na política ativa, porque aceitava expor-me daquela maneira, dar a cara, e o que realmente poderia ser-me retribuído pela política, e eu respondi-lhe com aquelas mesmas palavras sabias de Platão, dizendo-lhe ainda que não admitia ser governado, simplesmente comandado por aqueles que gostam de política. Claro que ela ficou a meditar nas palavras de Platão e também nas minhas, e nunca mais voltou a questionar-me, porque obviamente deve ter chegado, tal como eu, á conclusão de que Platão tinha toda a razão, e ainda a tem totalmente nos dias de hoje.&lt;br /&gt;Quanto ao que podemos auferir, a resposta esta também subentendida nas palavras de Platão, pois ao não se deixar governar ganhamos sem duvida muita liberdade, algo que não tem qualquer preço, mas que tem um valor morar sem capacidade de ser avaliado.&lt;br /&gt;O mesmo se passava no PPD/PSD daqueles saudosos anos 80 já do século passado, onde a escolha era tentar mudar algo na sociedade ou ser governado pelo projeto político pessoal do Francisco Mendes Costa. Eu optei por ajudar de forma efetiva a tentar essa mudança.&lt;br /&gt;Desde logo ficou bem patente, para mim, que não iria ser nada fácil criar um processo civilizacional tanto na oposição como na chamada maioria. A vivência partidária daquela época não era nada fácil e estava claramente alicerçada na hipocrisia, na arrogância e mesmo na prepotência.&lt;br /&gt;Nunca poderei esquecer o dia em que numa reunião da Comissão Política Concelhia do Barreiro, o Francisco Mendes Costa, do topo da mesa de reuniões, confrontado com a opinião diversa e frontal de um, outro membro, e com o intensificar da discussão se levantou e o ameaçou com um tiro.&lt;br /&gt;Assim mesmo:&lt;br /&gt;“Eu não tenho medo de si e estou farto de si nestas reuniões, se não muda eu mudo-o, e dou-lhe um tiro...”&lt;br /&gt;Era o cumulo da prepotência, era o levar ao extremo a idéia do poder total, sem discussão.&lt;br /&gt;Era para o lado da maioria uma cultura de intrujice, utilizada normalmente por todos os detentores do efêmero poder, mas por aqueles que se julgam eternos e confundem esperteza com inteligência e procuram burilar todas as leis e regras, e dessa forma desmoralizar os que pensam e agem de modo diverso do seu.&lt;br /&gt;Embora o Partido tivesse um programa, uns estatutos e regulamentos, a arrogância produzia como que novos regulamentos criados á medida das idéias e necessidades daquele grupo de claros oportunistas do situacionismo de deterem no momento o poder.&lt;br /&gt;Não posso esquecer que a opinião publica se desiludiu, com aquele tipo de representações publicas, e o Partido não crescia localmente tanto a nível interno como externo. Muito embora anos mais tarde se tenha conseguido uma vitória eleitoral no Distrito de Setúbal, no caso concreto do Barreiro, os malefícios criados ao longo dos anos, e sempre pelas mesmas figuras, não permitiam uma alteração considerável no poder local em termos de resultados. Criei então na minha mente um ideal de modernização e socialização da chamada oposição interna.&lt;br /&gt;No entanto naquela época, como conseguir fundir tantas mínimas linhas de pensamento existentes; por um lado existia Oliveira Soares, para quem o objetivo máximo era a concretização das suas ambições pessoais, por outro lado Adolfo Vitorino que via o Francisco Mendes Costa como a razão principal de todos os problemas políticos locais, chegando a criar um decálogo do Francisco... um grande macacão, de que até hoje guardo religiosamente o original,e que versa assim, ao longo dos seus 10 pontos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º - É intriguista...&lt;br /&gt;... especialidade do bicho.&lt;br /&gt;2º - conta por ouvir dizer...&lt;br /&gt;... mas afirma não acreditar.&lt;br /&gt;3º - insinua-se facilmente...&lt;br /&gt;... fala ao coração do interlocutor.&lt;br /&gt;4º - É mentiroso por natureza...&lt;br /&gt;... mas desculpa-se dizendo que é política.&lt;br /&gt;5º - Faz sempre figura de inocente...&lt;br /&gt;... para mais facilmente culpar os outros.&lt;br /&gt;6º - É choramingas...&lt;br /&gt;... canta frequentemente a canção do ceguinho.&lt;br /&gt;7º - É gastador...&lt;br /&gt;... principalmente se o dinheiro não lhe custou a ganhar.&lt;br /&gt;8º - Eu, eu e eu; posso, consigo e sei...&lt;br /&gt;... conjuga sempre o presente do indicativo dos 3 verbos na primeira pessoa do singular.&lt;br /&gt;9º - Faz planos maquiavelicamente a curto, médio e longo prazo...&lt;br /&gt;... e todos os métodos lhe servem para atingir os seus objetivos.&lt;br /&gt;10º - Tem a manhã da raposa...&lt;br /&gt;... mas ataca como um felino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O decálogo tinha ainda uma importante chamada de atenção:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por favor, tenha você sempre em mente este decálogo e quando ‘alguém’ vier com ‘bocas’ puxe por estas verdades, cite o artigo em questão e ponha um ponto final na conversa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim um ódio visceral que passava muito para além da política.&lt;br /&gt;Estes reduzidos grupos; agrupavam no seu seio uma oposição sazonal, que só surgia e se manifestava quando se realizavam Assembléias Concelhias do Partido, e que produziam criticas sem acompanhar a atividade política diária na sede ou mesmo muito raramente compareciam a assistir a Assembléias de Freguesia ou Municipais, ou mesmo a Sessões Publicas da Câmara, para assim poderem criticar a atuação dos autarcas do partido, todos, sem exceção, afetos á maioria que comandava os destinos do Partido no Concelho.&lt;br /&gt;Somando todos os integrantes da oposição, eu tinha a sensação de estar em presença de um pequeno grupo de “arruaceiros”, mal armados e organizados tipo; “maltrapilhos” e preparados como “soldados” que faziam uma guerra de emboscadas, tipo guerrilha, mas em que cada um dava tiros para onde lhe apetecia. Do outro lado estava um exercito numeroso, bem experimentado e razoavelmente preparado e equipado, mas nada que não se conseguisse na minha mente poder vir a ser derrotado a médio prazo.&lt;br /&gt;Desde logo percebi que seria possível derrotar esse experimentado “exercito” desde que se conjugassem uma serie de condicionantes e fatores que obviamente obrigavam a muito trabalho, astúcia e inteligência, e claro; uma, certa, e determinada paciência temporal, porque “Roma e Pavia não se fizeram num dia...”, e ainda um pouco de sacrifício.&lt;br /&gt;Ao principio foi bem difícil tentar convencer aquelas “cabecinhas pensadoras empedernidas” de que com a sua estratégia jamais conseguiriam mudar o Partido e a sua direção local, simplesmente porque não tinham qualquer estratégia.&lt;br /&gt;Recordo ainda uma acalorada reunião em casa do Engenheiro Vilela, em Vila Chã, em que eu tentei por todos os meios argumentar por uma solução sem qualquer efeito, tendo inclusivamente abandonado a reunião, pois verifiquei estar a ser uma perda de tempo pessoal continuar a escutar certas “pataculadas”. Partindo para mais uma Assembléia eleitoral, e com os seus métodos, mais uma vez foram massacrados.&lt;br /&gt;Já antes disso, numa reunião que verifiquei inconseqüente, em casa do Adolfo Vitorino, eu decidi passar a noite a beber uns drinques do seu bar, ao invés de perder tempo com idéias descabidas, que apenas serviam para ocupar tempo.&lt;br /&gt;Foram assim necessárias muitas cabeçadas e muita discussão, e acima de tudo muitas conversas individuais para ir mudando a mentalidade de cada um dos “empedernidos”.&lt;br /&gt;Depois de contar os “soldados” era visível que a diferença era enorme, pois para cada 1 (um) militante da oposição podíamos contar com 4 (quatro) do lado da maioria, e muito pior do que isso era o fato de que aqueles grupozinhos não conseguiam juntar novos militantes para a causa, antes pelo contrario, alguns que se deixavam seduzir por promessas de negocio ou variadas vezes por serem pessoas com pouco caráter que como foi o caso do casal Vinagre, tanto jogavam de um lado como do outro, segundo as suas conveniências e as da sua esposa, e perante isto nada a fazer, só ser inflexível de que quando mudavam, deixar bem claro que o destino da escolha era definitivo e sem retorno.&lt;br /&gt;Eu sempre entendi que mais vale poucos militantes, mas bons e leais, a um grupelho imenso de gente interesseira e sem caráter, que apenas se anexa por momentos, atendendo a cada circunstancia da época.&lt;br /&gt;Se realmente no meu ideal de mudança queria votos, só tinha uma solução, tinha que ser a JSD que teria de ir trabalhar e construir, ou seja; arranjar esses preciosos votos, e assim decidi fazer, e ao mesmo tempo, que; fortalecia a JSD, crescíamos também no interior do Partido.&lt;br /&gt;O primeiro verdadeiro teste á nossa capacidade de mobilização foram as eleições para Delegados á Assembléia Distrital Partido. Até a esse momento a maioria conseguia eleger quase a totalidade dos Delegados, deixando um simples Delegado na melhor das hipóteses para a oposição, isto quando se conseguia formar uma lista alternativa candidata. A partir daí tudo mudou, e desde essa eleição tiveram que passar a contar com a nossa presença e correspondente votação. Elegemos 2 Delegados do total de 5, tiveram assim que repartir a representatividade, e só ganharam por uma diferença de pouco mais de uma dúzia de votos, para a lista por mim encabeçada.&lt;br /&gt;Nesse dia para além do aviso dos 3 delegados a 2 delegados, e do nosso claro aumento de votação tinham caído no pior dos erros em tudo na vida e também na política, o excesso de confiança.&lt;br /&gt;Foi um susto!&lt;br /&gt;Um susto bem grande e que nunca mais esqueceram.&lt;br /&gt;O mais grave desse dia foi o fato de que Francisco Mendes Costa se candidatava daí a uma semana para a Presidência da Distrital de Setúbal e perdia assim a larga maioria de votos no seu próprio Concelho.&lt;br /&gt;Sem contar ainda que, por via da JSD Distrital, nós do Barreiro contávamos ainda com mais 3 votos por inerência, o que acabava por nos dar a vitória em termos de total, por 5 a 3, a nível de Barreiro.&lt;br /&gt;E na verdade, devido ao nosso empenho, essas eleições para a Comissão Política Distrital de Setúbal do PPD/PSD, foram a nossa primeira grande vitória, e também um primeiro objetivo cumprido.&lt;br /&gt;A minha estratégia de mudança passava também pela Distrital de Setúbal, eu via o poder da estratégia do grupo de Mendes Costa como um polvo, cheio de tentáculos, e só seria possível deteriorar o se poderio, acabando um a um com os seus tentáculos, ou seja; se aquele grupo fosse perdendo poder a nível Distrital, diretamente perderia força a nível Concelhio, e como tal, se nós tivéssemos alguma, por pouca que fosse, influencia Distrital, o peso e influencia deixaria de estar diretamente nas mãos deles, e, portanto; de um só lado dos pratos da balança, possibilitando uma repartição do poder mais equilibrada.&lt;br /&gt;Assim, nas eleições para a Distrital, apostamos todas as nossas fichas no jogo da candidatura de Joaquim Eduardo Gomes, e a nossa influencia acabou mesmo por ser decisiva na hora da contagem de votos, pois as forças estavam tão divididas, que nós com os simples 5 votos podíamos e pudemos mudar muito o resultado final dessas eleições. Fomos nós; com a transferência de votos que acabamos por dar a vitória a Joaquim Eduardo Gomes, e a derrota para Francisco Mendes Costa, por uma diferença de 9 votos.&lt;br /&gt;É muito fácil de ver que se esses nossos 5 votos tivessem ido parar na candidatura contraria, de Francisco Mendes Costa teria tido mais 5 votos e com a retirada desses votos na outra candidatura, ele teria conseguido ganhar por 1 (um) voto, um simples voto.&lt;br /&gt;Nunca mais desde esse dia, eu voltei a ser olhado da mesma forma pelo grupo da maioria no Barreiro, e se até ai eu era uma ameaça, agora era mesmo um pesadelo, considerado como o “carrasco”, o responsável pela derrota Distrital.&lt;br /&gt;Esta vitória distrital resultou desde logo num custo pessoal para mim, pois nas Eleições Autárquicas que se seguiram, como pura vingança fui banido das listas candidatas, muito embora fosse o Presidente da JSD Concelhia, tendo no entanto negociado vários nomes para as listas, e acabado por ser candidato no local mais difícil para o Partido no Alentejo, naquela época, em Santa Susana, próximo da Barragem do Pego do Altar, o que para mim foi um orgulho enorme, e imagine-se que até acabei por ser eleito, no entanto renunciei ao mandato para que um natural da terra exercesse em pleno o seu mandato na Assembléia de Freguesia.&lt;br /&gt;O próximo passo da criação de um espaço próprio e com liderança da oposição, era tentar que Francisco Mendes Costa, perde-se ainda mais espaço de influencia, e como tal a sua posição como; Deputado na Assembléia da Republica, nas eleições legislativas seguintes. &lt;br /&gt;A sua posição como; Deputado da Nação era naquela época um veiculo direto para o clientelismo, a abertura a muitas influencias e prestigio em termos de imagem pessoal, o que acarretava diretamente também a algum poderio do seu grupo no Concelho.&lt;br /&gt;Assim, como membro da JSD Distrital, eu tinha acento e direito de voto, como Vogal na Comissão Política Distrital do Partido. Movimentei assim todas as minhas influencias distritais para captar votos no sentido de afastar Francisco Mendes Costa dos lugares elegíveis da lista candidata. Consegui alguns votos preciosos no Sul do Distrito, inclusivamente de elementos com que á partida ele pensava contar como, por exemplo; o Rubio de Grandola, e em troca apoiei a candidatura do Professor Costa, ao mesmo tempo, que; também obtive a garantia de votos de Setúbal, que não queriam mais apoiar o doutor Fernando Cardoso Ferreira na lista de deputados, e claro em troca apoiei o candidato alternativo.&lt;br /&gt;Aqui o trabalho para obter votos contrários foi ainda mais encrencado, pois obrigou a trabalhar-se uma verdadeira campanha na comunicação social, na tentativa de queimar o Fernando Cardoso Ferreira, em Lisboa, onde tinha fortes influencias na época, nomeadamente no interior do grupo de Fernando Nogueira. &lt;br /&gt;Após a votação bem negativa que obteve o Fernando Cardoso Ferreira na reunião Distrital, foi lançado o movimento na comunicação social de que não tinha apoio das estruturas concelhias e distritais para continuar como Deputado. Só mesmo o fato de ser um declarado adepto de Fernando Nogueira, o acabou por salvar, mas já nada nem ninguém o conseguiu salvar da vergonha publica da votação que o colocava mesmo fora da lista de elegíveis, e claro da sua imagem negativa na comunicação social.&lt;br /&gt;No dia da votação também Francisco Mendes Costa foi parar a um 12º lugar em 16 possíveis, o que o colocava diretamente fora dos elegíveis. No caso dele foi o fim da carreira parlamentar a escassos 6 meses de poder ascender a uma reforma parlamentar. &lt;br /&gt;Eu não tinha esquecido, eu nunca esqueço por toda a minha vida, a vingança das eleições autárquicas e a situação de; mesmo enquanto Presidente da Concelhia do Barreiro da JSD, ter sido banido das listas. Assim de um simples tiro resolvi 2 situações; a minha vingança política pessoal, e ao mesmo tempo o corte de mais um tentáculo do imenso polvo que aquele grupo tinha andado a construir ao longo de anos e anos de trabalho pessoal do Francisco Mendes costa, na realidade o grande mentor de toda aquela estratégia de poder interno.&lt;br /&gt;Agora a luta era local. E só ai se tinha que jogar com total inteligência e astúcia, para possibilitar a criação dos alicerces para uma vitória no Barreiro a médio prazo.&lt;br /&gt;Estávamos a pouco e pouco a conseguir entrar no eleitorado da maioria, e a diminuir a diferença para 1 militante para 2 militantes, no entanto eu sentia que era necessário um golpe de asa para diminuir ainda mais essa diferença, e eu acabei por imaginar essa solução.&lt;br /&gt;Por um lado verifiquei que os militantes estavam mais esclarecidos e também começavam a ficar conscientes da necessidade de uma mudança interna, o problema era que não se podia mudar de um dia para o outro, eles não estavam preparados para um choque tão grande e rápido. &lt;br /&gt;Facilmente consegui constatar que Francisco Mendes Costa ao verificar a sua cada vez menor influencia a nível local e, sobretudo; distrital, por certo iria querer voltar a ter projeção e capacidade de liderança. No entanto de tudo quanto poderia ambicionar somente a Comissão Política Concelhia do Barreiro do Partido estava naquele momento ao seu alcance, e á medida das suas capacidades eleitorais do momento. No entanto era visível que ele ambicionava por mais poder e mais influencia, e para isso necessitava de alargar a sua capacidade eleitoral interna, o que só seria possível entrando no espaço eleitoral da oposição.&lt;br /&gt;Era uma estratégia muito similar á nossa, ou seja; nós queríamos ser maioria e para isso necessitávamos diretamente do seu eleitorado, ele queria ter mais poder e para isso necessitava de mais votos.&lt;br /&gt;Só uma transferência de votos poderia dar a um ou a outro lado, o que cada um ambicionava, e eu sabia que naquele momento ainda não tinha capacidade de entrar vitoriosamente no seu eleitorado.&lt;br /&gt;Chamei a esta estratégia, o “Beijo Mortal”, e assim iniciei conversas com o próprio Francisco Mendes Costa, que se realizavam somente longe dos olhares matreiros do Barreiro, mas por outro lado sempre em local público, nas esplanadas da Rua Augusta em Lisboa, no horário do almoço e algumas vezes também ao fim da tarde.&lt;br /&gt;Foi sendo costurada e cozinhada nesses encontros a lista candidata á Concelhia do Barreiro do PPD/PSD, e curiosamente até hoje, a última Comissão Política Concelhia presidida por Francisco Mendes Costa.&lt;br /&gt;Ele estava tão aberto a novas propostas que inclusivamente aceitava a minha indicação de nomes para compor a lista candidata, aceitando no seu interior a presença dos chamados opositores moderados.&lt;br /&gt;Até parecia a chamada primavera marcelista, pós Salazar, e que acabou por levar Marcelo Caetano, até á derrocada no Convento do Carmo, no dia 25 de Abril de 1974. &lt;br /&gt;Eu aceitei como muito boa aquela oportunidade de entrar diretamente no seu mundo, e assim poder conhecer mais aprofundadamente o seu funcionamento. Por outro lado era uma forma de mudar o sistema, estando dentro dele próprio. Era como poder entrar dentro do polvo e verificar, in-loco, quais os tentáculos que ainda estavam de pé, e aqueles que poderiam ser cortados a curto prazo, e aqueles que podiam ser danificados, para serem abatidos mais tarde.&lt;br /&gt;No entanto de pouco serviu a minha argumentação, junto da oposição, a fim de entenderem quais os objetivos reais, pois eles continuavam numa estratégia isolamento, e sem real capacidade de combate, queriam manter a estratégia de combate inconseqüente que até aquele momento não tinha levado a lugar nenhum.&lt;br /&gt;Para mim era mais do que obvio que naquele momento a oposição éramos nós, os novos militantes, e que; portanto, ao entrar para essa Comissão Política, e seguir a minha estratégia de desgaste interno, esta não iria ter praticamente nenhuma oposição, enquanto nós por lá estivéssemos, pois todos os militantes estavam já esclarecidos dos objetivos estratégicos do meu alegado sacrifício, em pertencer a uma Comissão Política com o Francisco Mendes Costa.&lt;br /&gt;Mas mesmo assim, recordo que os grupozinhos ainda tentaram arrastar alguns jovens para a sua ingênua luta, é claro que é precisamente nessa época que nasce a animosidade com Bruno Vitorino, que sempre comandado pelas “idiotices” do pai tentava recrutar, sem efeito, votos no interior da JSD da época.&lt;br /&gt;Eu levei a estratégia até ás ultimas conseqüências, e integrei 2 elementos da minha máxima confiança pessoal na Comissão Política.&lt;br /&gt;O objetivo era muito claro, mostrar aos militantes da maioria, que nós, vindos da área da oposição, não éramos nenhuns bichos e que podiam também confiar em nós para gerir o partido. Por outro lado foi assim possível conhecer por dentro a própria “carroça do poder” e como estava compartimentada e o seu modo de funcionamento a nível geral.&lt;br /&gt;Tinha ainda a vantagem de; alargar mais a nossa influencia a nível local, com um maior conhecimento dos assuntos autárquicos, uma vez que os Autarcas eram praticamente todos da área da maioria, salvo muito raras exceções, e essas eram na época da JSD, e estavam dentro das contrapartidas que me tinham dado, a quando do meu afastamento das listas autárquicas, como, por exemplo; o Carlos Vitorino na Assembléia Municipal, e felizmente que o Carlos não emprenhava pelos ouvidos, e estava longe do domínio do pai, Adolfo.&lt;br /&gt;Foi sempre algo que admirei e respeitei até hoje no Carlos Vitorino, a sua independência, e capacidade de pensar e agir pela sua própria cabeça. &lt;br /&gt;Era também importante o fato de alguns elementos, da chamada maioria, terem começado a ver e pensar por uma ótica diferente, e assim um Navalho, Bencatel, Gorjão, Bernardino, Pineza, Pinto Ferreira e Carlos Couto, dentro da própria Comissão Política, passaram a até apoiar e votar de outro modo algumas propostas minhas.&lt;br /&gt;A minha entrada provocou, no entanto; algumas rupturas com o próprio Francisco Mendes Costa, e, por exemplo, o seu relacionamento com João Monteiro, aparentemente, ficou afetado e acho até que nunca mais se recompôs como era anteriormente, um relacionamento de total e mutua confiança.&lt;br /&gt;Posso garantir com toda a certeza de que tanto eu como os outros 2 elementos, desempenhamos nesta Comissão Política um mandato com a máxima dedicação e lealdade possível, e que quando chegou o momento de sair para; lançar um novo projeto político concelhio, fui totalmente leal e frontal com o Francisco Mendes Costa. Nada, nem absolutamente ninguém me pode acusar de deslealdade pessoal ou política nesse aspeto.                &lt;br /&gt;No entanto nesses momentos, eu sigo a máxima da canção de Paulo Pontes, Zé Kéti e de Oduvaldo Vianna Filho, ‘Opinião’:&lt;br /&gt;“Podem me prender;&lt;br /&gt;Podem me bater;&lt;br /&gt;Podem até deixar-me sem comer;&lt;br /&gt;Que eu não mudo de opinião!”&lt;br /&gt;Nessa altura já o meu trabalho e o dos restantes elementos tinha surtido totalmente o efeito desejado. Por outro lado já muitos elementos da Comissão Política estavam do lado contrario, como, por exemplo, o Pineza, Engº Pinto Ferreira e o Carlos Couto, entre outros. E também muitos militantes tinham mudado o seu sentido de ver a situação, e obviamente também o seu sentido de voto.&lt;br /&gt;Agora era chegada a hora de voltar a ter uma conversa com os lideres dos grupozinhos de oposição, e saber se queriam entrar numa nova estratégia, esta sim uma estratégia de vitória imediata, pois para mim era chegada finalmente a hora do tal golpe de asa.&lt;br /&gt;Eu não confiava totalmente nesses elementos, e como tal nunca poderia ir mostrar a estratégia na sua totalidade. Mas pude mostrar grande parte do jogo, pois também sabia que eles não tinham outra alternativa, ou apostavam nesta proposta ou ficavam como o 3º grupo a navegar á deriva, como até ali.&lt;br /&gt;Hoje sei que nunca os deveria ter convidado para integrar a estratégia, deveria ter seguido com os meus quadros, os meus militantes, até alcançar a vitória e seguir toda a estratégia de mudança da imagem do Partido, mas nessa época ninguém podia adivinhar que aqueles indivíduos, não fossem mais do que Mendes Costa’s em ponto pequeno, e que em troca de um prato de “lentilhas” vendem a alma ao criador...&lt;br /&gt;Desde aquela tarde da vitória, por um voto na JSD, até ali, tinham passado mais de 6 anos. Seis longos e cansativos anos; de muita luta, trabalho e estratégia. Agora era apostar para ganhar, ou então abandonar tudo, era como entrar no casino com um saco de dinheiro sabendo que a intuição dava a parada da roleta no 19 vermelho, e colocar todo o dinheiro no 19 vermelho. Ao apostar, ou se ganha tudo, ou se perde tudo, muitas vezes tem que ser esse o jogo da vida, e na política passa-se um pouco assim.&lt;br /&gt;Acabaram aceitando e dando razão á minha estratégia inicial, e tinha eu na minha mente que a grande possibilidade de alcançar uma vitória imediata, passava por se apresentar uma candidatura liderada por um candidato diferente, alguém que não fosse ainda conotado com os grupos em presença, e a única pessoa eqüidistante e que sem duvida me dava as mínimas garantias de unificar a JSD naquele momento de certa forma dividida, com uns 65% para mim e uns 35% para o lado contrario, e inclusivamente poder ir buscar alguns votos no próprio partido nomeadamente na maioria, era sem duvida um professor de filosofia, o Eduardo Calisto, um natural da Guiné-Bissau, que dizia ter alguma experiência política, no entanto voltada para a realidade africana, como representante em Portugal do PCD – Partido da Convergência Democrática, um partido de oposição a Nino Vieira na Guiné-Bissau.&lt;br /&gt;No primeiro momento foi bem visível que muita gente se mostrou céptica e muito reservada á minha idéia, sobre o nome, e, sobretudo; pela razão de raça, uma vez que o Calisto é negro, e daqueles negros retintos, como se costuma dizer.&lt;br /&gt;Por outro lado a razão do ceticismo prendia-se com a minha proposta segundo eles, ser demasiado ousada, nunca se vira um Presidente Negro no Partido, e ainda mais no Barreiro.&lt;br /&gt;Na verdade o PPD/PSD dessa época eu o sentia como um partido de certa forma racista, e por incrível que possa parecer fui eu que fui integrando a pouco e pouco outras raças no seu interior, e depois do famoso Neno guarda redes do Benfica, apareceram o Adélio, o Calisto, o Nandinho, e depois foi a abertura total, para a situação que se vive hoje.&lt;br /&gt;Mas depois de conhecerem o Eduardo Calisto pessoalmente, acabaram por aceitar, e assim se constituiu um grupo de trabalho do qual o Oliveira Soares, como que se auto-excluiu numa primeira fase, para depois acabar por surgir e aderir, mas; apenas para fazer figura de corpo presente, assim como para não perder o comboio caso o mesmo realmente fosse o comboio da vitória. Eu entendi isso desde o inicio, mas deixei um compartimento com a porta aberta na estação para acolher esses viajantes oportunistas.&lt;br /&gt;A sede de candidatura acabou por funcionar no escritório do Doutor Joaquim Navalho, curiosamente situado na época a menos de 100 metros da casa do Francisco Mendes Costa, ali na chamada Rua Brás. Toda a campanha foi; desenvolvida, até ao mais ínfimo pormenor, tendo como único objetivo ganhar e mudar a postura do partido em relação ao Concelho e ao passado.&lt;br /&gt;Eu já sonhava com o partido voltado para a rua, para a conquista de espaço na política local, pois tinha uma convicção inabalável que a vitória era algo já concretizado. Acho ate que por incrível, nunca acreditei tanto numa vitória antecipadamente, como naquela do Calisto, pois eu tinha apostado todas as minhas fichas nessa candidatura, e nunca na vida gosto de perder, sobretudo quando vou a jogo. &lt;br /&gt;Lamentavelmente o candidato adversário era um dos homens mais honestos e íntegros que eu encontrei em toda a minha vida pessoal e política, o Engenheiro Nogueira Branco, que acabou por ser copiosamente derrotado, por uns; esmagadores e expressivos 68% de votos.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo; o João Monteiro era também derrotado nas eleições para a Mesa da Assembléia Concelhia, pelo Álvaro Ferreira, e pela mesma margem de votos.&lt;br /&gt;E pela primeira vez na historia da Concelhia do Barreiro, do PPD/PSD tinham votado bem mais de duzentos militantes, o que fez com que na eleição para Delegados á Assembléia Distrital, o desnível ainda fosse maior, e assim em 9 Delegados eles somente conseguiram eleger 3 contra a lista encabeçada; por mim próprio.&lt;br /&gt;Foi uma noite grandiosa, e o destino do PPD/PSD do Barreiro jamais voltaria a ser traçado pela mesma régua e esquadro do passado.&lt;br /&gt;As eleições autárquicas estavam á porta e com elas o ultimo passo do processo de renovação do partido que eu tinha idealizado ser possível. Ou seja; um projeto de tentar a médio prazo mudar todo o destino derrotista, e de pequeno partido a nível local do PPD/PSD, para um partido vencedor e que ambicionaria poder vir a ser poder no Concelho do Barreiro. Por outro lado anular toda uma estratégia situacionista a nível pessoal que tinha sido implantada por Francisco Mendes Costa.&lt;br /&gt;Com a nossa vitória eleitoral na Comissão Política e em todos os órgãos concelhios, uma nova era se abria, e a passagem de oposição a liderança de forma alguma significaria para mim que devíamos cruzar os braços, e esquecer que o partido era uma luta constante, e que agora as responsabilidades além de serem diferentes eram bem maiores. Agora existia um programa para cumprir, uma oposição a ser feita a nível autárquico, responsabilidades acrescidas a nível local, distrital e nacional. Agora nós éramos os observados a cada instante por parte de todos os militantes e simpatizantes.&lt;br /&gt;A facilidade não podia ser uma palavra a integrar no nosso vocabulário, muito pelo contrario, incursões preliminares convenceram-me que a motivação é a principal arma para se conseguir obter resultados positivos quando se esta em maioria, quando se é poder e se tem que o exercer de forma implacável.&lt;br /&gt;Desta forma o poder de construção das listas candidatas estava politicamente nas; nossas mãos, e sem duvida nenhuma, em política mais do que em tudo na vida, quem tem o poder deve exercer o mesmo sob pena de o mesmo acabar por cair na rua.&lt;br /&gt;E se eu entendo realmente o exercício do poder como algo para ser efetivamente exercido, não sou também daqueles que aceitam ou apóiam a chamada caça ás bruxas ou aos judeus como aconteceu num tempo pós-constantino, tão cheio de crueldade como no Egipto dos idos 1.300 a.c., ou na nossa Ibéria de 1.500 d.c., com a Inquisição, ou mesmo mais recentemente com o regime nazi-fascista de Hitler, no entanto naquela época do PPD/PSD do Barreiro, duas personagens estavam para mim totalmente banidas no meu ideal de constituição de listas candidatas, e caso alguém ousa-se tentar a sua inclusão teria sido uma decisão do tipo ou eles ou eu, eram o João Monteiro e o Fernando Cruz, e obviamente pelas mesmas razões que se prendiam com o passado recente. &lt;br /&gt;Eu como bom Ateu, não sou individuo que quando leva uma bofetada numa face, oferece a outra, e desta forma, esta até hoje fora de questão a ressalva de situações desse tipo. Para mim existe a lei natural da vida e em muitas situações; amor com amor se paga!&lt;br /&gt;Por outro lado, eu via de maneira geral, alguns personagens a levarem a efeito ao longo do tempo, um relacionamento promiscuo com as diversas administrações do município.&lt;br /&gt;Um relacionamento baseado no assistencialismo político, funcionando a dois tempos com a utilização do mandato nos primeiros três anos em que nada exigiam e politicamente de nada reclamavam, votando muitas vezes ao lado do poder estabelecido, ou abstendo-se de ter toda e qualquer opinião, não obstaculizando quantas vezes medidas injustas ou que iam mesmo contra as diretrizes do partido, nomeadamente nos orçamentos e planos municipais e em projetos verdadeiramente bárbaros para o Concelho e a sua população. Viviam apenas para manter o poder mais próximo de si, e reservavam para o ano final de mandato toda a voz de descontentamento, através da arte sagaz, irônica e irreverente como se os três anos anteriores não tivessem existido, continuando, no entanto; a receber os proventos de algumas nomeações anteriores, mas não deixavam de criticar ou protestar, mas de uma forma que infelizmente não podiam sequer ganhar o titulo de “bobos da corte”, pois; seria desrespeitoso para com os próprios “bobos”.&lt;br /&gt;A história mostra-nos que os “bobos da corte”, serviram para divertir os monarcas, mas também serviram para ser a voz do povo, para assim com total liberdade criticarem as administrações reais, aqui no PPD/PSD do Barreiro, isso não acontecia, pois os ‘bobos’ após três anos de silencio reservavam um ultimo ano para a omissão dos principais problemas locais.&lt;br /&gt;Este tipo de comportamento era já abordado como uma tradição estimulada pela chamada estratégia Mendes Costa, seu iniciador a que se seguiram todos os outros Vereadores do PPD/PSD, que passaram por esse lugar na Câmara Municipal do Barreiro, e sem qualquer exceção, e o mais grave é que essa situação contraria as mais elementares leis de que uma oposição política se deve reger, que é ser verdadeiramente uma oposição responsável e exigente, sem deixar de ser oposição, e nunca passar a ser capa ou moleta do poder como continua a acontecer até aos dias de hoje.&lt;br /&gt;Portanto, bem mais de três décadas após a instauração do poder democrático em Portugal, e mesmo assim o Partido ainda não conseguiu entender que esse não é o caminho a seguir se algum dia quer realmente ser poder no Concelho do Barreiro.&lt;br /&gt;Eu tinha, e ainda tenho; uma perspectiva totalmente diferente. Achava, e ainda hoje continuo; a pensar da mesma forma, que quem ganha deve exercer o poder, e quem perde deve ficar na oposição, deve assumir esse seu papel integralmente, sem obstaculizar o que não deve ser obstaculizado, porque não vai contra o nosso programa eleitoral e político. Mas mantendo uma posição firme de oposição, consciente e consistente, regida com a devida publicidade publica da razão de ser de cada posição tomada, e esta posição deveria ser a norma a ser tomada em todos os órgãos autárquicos sem qualquer exceção.&lt;br /&gt;Por outro lado entendia a importância de constituírem-se equipas idôneas. E uma equipa candidata á Câmara Municipal capaz de dirigir a Câmara nas suas mais diversas vertentes, tal como se fosse efetivamente eleita na sua totalidade.&lt;br /&gt;Por essa razão me bati ferozmente pela constituição de uma equipa boa, e da mesma forma entendia que era fundamental ter; como candidato a Presidente da Câmara, um candidato idôneo, bem preparado tecnicamente e, sobretudo; conhecedor do Concelho do Barreiro e dos seus problemas e realidades, para ter a capacidade de apresentar as soluções certas para cada questão.&lt;br /&gt;Eu tinha na minha cabeça esse candidato, e apesar de todos os avisos que me chegavam pelos diversos contatos de que seria impossível contar com ele, eu insisti e na companhia do meu bom amigo Helder Gabriel, partimos á abordagem do Arquiteto Eduardo Porfírio.&lt;br /&gt;Tinham razão todos quantos me garantiram a sua indisponibilidade, mas só quem não me conhece bem não sabe que eu não desisto facilmente de conquistar um objetivo determinado na vida. Depois de muitas abordagens, e conversas, e de conseguir convencer o apoio de membros da Distrital se Setúbal para esta minha idéia, tal como o Presidente e na época Ministro da Educação, Engenheiro Fernando Couto dos Santos, do apoio do meu bom amigo, que na época era Eurodeputado, o Engenheiro Carlos Pimenta, que aceitou ser o apoiante publico numero um da candidatura, e do apoio de outros Ministros do Governo da época, chegando ao ponto de conseguir um contato com o próprio Presidente do Partido e Primeiro Ministro, Prof. Cavaco Silva, atual Presidente da Republica, numa interessante tarde passada em Sintra, ele acabou por dar o seu sim á candidatura numa reunião com o Secretario Geral á época doutor José Nunes Liberato, que acompanhou e tenho que o divulgar; apoiou como nenhum outro, toda esta minha luta, que no fundo era a luta do Partido por apresentar um bom candidato, e assim poder apresentar boas listas para as eleições autárquicas.&lt;br /&gt;Era sem duvida um candidato de grande peso técnico e social, respeitado tanto pela esquerda como pela direita, do espectro político local, mas uma pessoa totalmente sem preparação política, pelo que foi necessário moldar toda a sua imagem e capacidade de presença, desde a simples imagem, postura técnica e uso da palavra, no fundo foi necessário construir e adaptar um técnico, para o moldar num político minimamente capaz de enfrentar os desafios que iria ter pela frente.&lt;br /&gt;Foi ele que ao contrario de outros candidatos anteriores, teve liberdade para poder escolher toda a sua equipa, obviamente com a nossa concordância e aprovação dos diversos nomes propostos, seguindo também os nossos critérios de analise dos respectivos perfis, e para meu grande agrado pessoal aceitou opiniões e incluir nomes para mim fundamentais na constituição de uma boa lista de candidatos, como a doutora Ana Teresa Xavier, Manuel de Oliveira, Luis Engrossa, Professor Batista Pereira, entre outros, e acabou por aceitar até a meia imposição de incluir uma proposta de Adolfo Vitorino, relativa a Oliveira Soares, que eu muito sinceramente até ao dia de hoje, não consegui entender que tipo de mais valia pode trazer numa lista de candidatos á Câmara Municipal, mas que respeito em termos de personagem e ideal pessoal de sociedade, embora seja um ideal personalista e individualista baseado na sua imagem e pessoa, não o consigo rever como social democrata em termos ideológicos, e acho que hoje esta muito melhor no papel de Presidente dos Bombeiros, um cargo mais á sua altura como antes também estava mais á sua altura na direção  do Clube de Ciclismo do Barreiro.&lt;br /&gt;A lista de candidatos, no entanto; conseguia cobrir bem todas as áreas de atuação, e desta forma foi possível desenvolver um bom programa eleitoral, tão atual que grande parte dele poderia ainda hoje ser utilizado, pois se mantém atualizado, atendendo a que grande parte dos problemas estruturais e concretos do Concelho estão ainda por resolver nos dias de hoje, e outros existem que se agravaram com o passar do tempo.&lt;br /&gt;A constituição da lista para a Assembléia Municipal acabou por ser a grande surpresa. Eu também tinha ai um nome em mente para a encabeçar, mas que acabou por recusar participar, talvez por algum receio pessoal de uma mudança tão brusca da esquerda para o centro direita. Assim o Engenheiro Álvaro Ribeiro Monteiro, muito embora tenha acompanhado pessoalmente todo o processo, acabou por não aceitar a liderança da lista, que lhe oferecia, uma vez que tinham aprovado o meu nome para ser o numero um como candidato a Presidente da Assembléia Municipal, e eu até hoje não entendi se o que o afastou realmente foi o fato de não querer retirar-me esse lugar, que no fundo eu próprio lhe oferecia, se a mudança radical em termos de; posicionamento político da esquerda para o centro/direita.&lt;br /&gt;Então, face á recusa de Álvaro Monteiro, decidi mudar a minha estratégia, e falei com o Presidente da Distrital do Partido no sentido de que uma nova proposta fosse analisada, desta feita o convite seria para o Francisco Mendes Costa. Foi uma decisão cozinhada entre mim, o Arquiteto Porfírio, e mais uma meia dúzia de colaboradores diretos onde se incluía o meu amigo e eterno colaborador José Martins do Rosário, que me acompanhou em mais esta batalha política, como um dos meus braços direitos. &lt;br /&gt;Esta decisão, de candidatar o Francisco Mendes Costa, para a Assembléia Municipal, foi uma posição tomada contra a vontade inicial de grande parte da Comissão Política Concelhia, e muito em especial do Adolfo Vitorino. E também da JSD, liderada á época pelo Bruno Vitorino, que nessa altura funcionava como um mero garoto de recados do pai, do tipo “Cachorrinho Perdigueiro” que ia farejando e contando as novidades, e do outro lado recebia as ordens para atuar, ‘mijando’ aqui ou ‘latindo’ ali.&lt;br /&gt;Deve salientar-se que foi sem duvida o Presidente da Distrital, de Setúbal, o Engenheiro Fernando Couto dos Santos que; conseguiu convencer tanto o Mendes Costa como os oposicionistas, o que reconheço me deu um enorme prazer, assim como que uma retribuição mais pessoal que política, no convite e negociação para a minha participação na sua última presidência Concelhia. Naquela candidatura que afinal abriu caminho para todas as mudanças que se estavam a viver.&lt;br /&gt;E se essa minha candidatura, ao lado de Francisco Mendes Costa, tinha sido uma surpresa digna de manchetes jornalistas na época, a situação atual de Mendes Costa, na Assembléia Municipal, despertou igual curiosidade e surpresa.&lt;br /&gt;Eu apesar de toda a luta política interna sempre reconheci a importância e o enorme potencial de Francisco Mendes Costa no historial do PPD/PSD do Barreiro, e a sua própria importância no Concelho enquanto cidadão. Posso não concordar com alguns dos seus métodos, agora seria uma profunda injustiça e ingratidão, mesmo uma deselegância pessoal, deixar de reconhecer que é á sua maneira um bom manipulador e construtor de estratégias e profundo conhecedor da política e, sobretudo da legislação autárquica.&lt;br /&gt;Lamento ter que hoje ser verdadeiro, e reconhecer publicamente que ele foi realmente; uma segunda escolha para liderar a lista para a Assembléia Municipal, pois eu tinha decidido não desgastar a minha imagem pessoal naquela época da minha vida, se fosse colocado á frente de uma lista ainda sem qualquer potencial vitorioso, e a primeira escolha, o Engenheiro Álvaro Ribeiro Monteiro, que tinha as mesmas características do Francisco Mendes Costa. No entanto com o grande beneficio de que o Álvaro Monteiro já tinha sido Presidente da Assembléia Municipal e ainda por cima conhecido pela esquerda, sabendo todos os meandros do funcionamento da casa, e da própria Câmara, seria um bom auxiliar para o Partido e para o Arquiteto Porfírio na Câmara. Por outro lado ele também já tinha sido Deputado da Nação, nos tempos inclusivamente da Constituinte, e, portanto; não deixava nada a dever a Mendes Costa nesse aspeto.&lt;br /&gt;Também tinha um, outro, objetivo esta candidatura; eu imaginava que ele poderia entrar em determinado eleitorado da esquerda moderada, e dessa forma estancar algum crescimento do Partido Socialista que iria crescer á custa da transferência direta de votos da esquerda moderada. Era uma questão de Sociologia, pois com a sua candidatura o eleitor pensaria duas vezes antes de votar, e assumiria que se um homem de esquerda era candidato nas listas do PPD/PSD, algo estava já a mudar naquele Partido, e claro que a linha divisória entre a esquerda e a direita não é assim tão firme como muitos imaginam, olhem o exemplo da Helena Roseta e também da Zita Seabra, entre muitos outros como por exemplo o de Durão Barroso.&lt;br /&gt;Portanto o meu pensamento esta nos votos que a esquerda moderada poderia depositar em nós, em vez de os; colocar no Partido Socialista, uma vez que o momento político nacional era terrivelmente difícil para nós, com a popularidade de Cavaco Silva em baixa, a atravessar um dos seus piores momentos governativos em termos de aceitação. Eu tinha a noção clara de que iríamos ter; muitas dificuldades para segurar algum eleitorado mais descontente, e normalmente flutuante, aquele eleitorado que vai dando sistematicamente a vitória umas vezes ao PS outras ao PPD/PSD a nível nacional. Para agravar tudo isto; ainda por cima estávamos a dois passos de Lisboa, e a influencia da “Picareta falante” Guterres, em plena ascenção política, iria sem duvida fazer-se sentir, isto para além de, a nível local também existir na época um adversário bem difícil chamado Aires de Carvalho, á época o líder do Partido Socialista, e um tremendo montador de estratégias.&lt;br /&gt;Na verdade o saudoso Aires de Carvalho seguiu praticamente a minha linha de raciocínio de recuperação da imagem do Partido, e embora não tivesse a JSD para começar a construir a mudança, utilizou a pequena Secção do Lavradio do Partido Socialista para iniciar a construção, de tal forma que acabou por conquistar o Partido a nível do Concelho, retirando o Partido Socialista das ruas da amargura, e acabou por o levar, á presidência da câmara em meia dúzia de anos, pouco antes de falecer prematuramente.&lt;br /&gt;O Partido Comunista encontrava-se com uma nítida perda de eleitorado, como não deixa de acontecer desde a revolução de Abril, e dos primeiros atos eleitorais, eleitorado que tem circulado diretamente para o PS e também para o Bloco de Esquerda, que nessa época era ainda um mero tijolo furado no Concelho do Barreiro. Nesses tempos o prestigio do Presidente da Câmara, Pedro Canário, mal ou bem ainda segurava algum eleitorado comunista, em virtude da recuperação financeira que tinha conseguido realizar ao longo do seu mandato, muito graças ao feliz momento das taxas de juro reduzidas nos diversos empréstimos que foram contraindo ao longo dos anos, e que tinham afogado o Município com compromissos avultados. Por outro lado graças também a muitos investimentos governamentais no Concelho, que fizeram girar um pouco a economia, e também a arrecadação de impostos municipais. Relembrar que nascem nesta época importantes obras como a melhoria da rede viária, novas instalações para os Transportes Coletivos, e o inicio da política social de habitação, entre outras iniciativas.&lt;br /&gt;Talvez que nessa época só eu e Francisco Mendes Costa, e um pouco o Arquiteto Porfírio, e o núcleo duro da direção de campanha que me estava mais próximo, tivéssemos a real noção das dificuldades, e do quão difícil ia ser aquela batalha eleitoral para o PPD/PSD do Barreiro.&lt;br /&gt;Mas nem só a batalha eleitoral com os adversários iria ser difícil para o PPD/PSD, tínhamos que contar também com; os próprios adversários internos, e por incrível que possa parecer, os adversários que estavam sentados ao nosso lado, na própria Comissão Política, que se insinuavam como tendo os mesmo objetivos, mas que estavam a jogar ao mesmo tempo em outros tabuleiros, e com objetivos muito diferentes.&lt;br /&gt;A estratégia tinha sido montada de acordo com as necessidades do momento, partindo do principio de que o Partido como um todo, iria assim responder á chamada, e colaborar como uma verdadeira equipa numa hora tão importante.&lt;br /&gt;Eu esperava tudo isso, ainda mais que nunca existiu tanta disponibilidade tanto financeira como de figuras vindas de fora do próprio partido para assumirem dar a cara por um projeto político diverso no Concelho.&lt;br /&gt;No entanto; pode parecer estranho estar a comparar, neste momento, o passado do PPD/PSD com a realidade que se vivia nessa época, mas tenho que o fazer, pois não era novidade para ninguém que algo estava a começar a ficar errado em todo o projeto político e naquele processo. Lamentavelmente não existe nenhum termo de comparação plausível, nem com o passado, nem com a atualidade com o que realmente aconteceu.&lt;br /&gt;Assim, e enquanto uma equipa preparava e levava a efeito toda uma estruturação das listas candidatas e da pré-campanha e a campanha política de rua, nas nossas costas dois alegados contra poderes defrontavam-se:&lt;br /&gt;Por um lado o Adolfo Vitorino, que já tinha maquinado um projeto de poder familiar, a concretizar a médio prazo, e que está neste preciso momento em que escrevo estas linhas, a atingir já uma fase de acentuada queda. E por outro lado o Professor Eduardo Calisto, que como que levado nas ondas do poder, navegava nas nuvens, imaginando-se já quem sabe; Diretor, Adjunto, Secretário de Estado, eu sei lá o que poderia passar por aquela enevoada cabeça, naqueles momentos, e tudo isso desde o dia em que foi chamado ao Gabinete do Presidente da Distrital, lá no Ministério da Educação no Palácio das Laranjeiras. Assim desde esse dia, o Eduardo Calisto passou a morar nas nuvens e a imaginar-se tal como um extraterrestre, a tal ponto que só faltava planar, pois falava nisto e naquilo, porque o Sr. Ministro dizia, porque o Sr. Ministro fazia e acontecia, etc..., esquecendo-se de que quem ainda mandava no Concelho era a Comissão Política no seu todo e os militantes, e que ali Ministro nenhum manda, ou tem poder.&lt;br /&gt;Para mim, que nunca reverencio ninguém, nem o Primeiro Ministro ou o Presidente da Republica, era muito estranha esta postura de subalterno, uma postura que eu de todo desconhecia no Eduardo Calisto, aquele homem que eu mesmo tinha convidado para entrar naquele projeto político e social.&lt;br /&gt;A sua imaginação voava de tal forma, que até se esquecia dos compromissos assumidos em reuniões da Comissão Política e da Comissão Técnica Eleitoral.&lt;br /&gt;Assim, foi muito fácil começar a entrar em choque comigo, que assumo até ás ultimas conseqüências os compromissos assumidos. Por outro lado o Adolfo Vitorino entrou em choque pessoal com ele, e conseguiu mesmo colocar-me no meio das contendas. Umas vezes eu nem sabia o que se estava a passar, pois eram assuntos tratados em exclusivo entre eles, e em outras; tornavam-se por vezes ridículas as situações, pois que se tratava de assuntos que se tinham acabado de discutir e aprovar em termos de decisões a tomar ou; posições a assumir, e logo em seguida surgiam as duvidas e o embate ideológico e pessoal.&lt;br /&gt;A minha paciência, no meio daquela guerrilha, foi ficando; saturada com tantas ocorrências, muitas delas; fora do comum, e muitas vezes descabidas em termos políticos.&lt;br /&gt;A explosão final deu-se; numa reunião da Comissão Política Distrital de Setúbal, alargada as Concelhias, Candidatos ás Câmaras Municipais e Diretores de Campanha, uma vez que antes dessa reunião, se realizou uma, outra, reunião no Barreiro, alargada que contou com a presença de vários candidatos e do próprio Arquiteto Porfírio, para acertar as suas necessidades pessoais, e algumas exigências de ultima hora que tinham surgido. De entre as necessidades pessoais do Arquiteto, surgiu a de retirar o mesmo profissionalmente da Câmara, e concretizar a sua transferência para a Câmara Municipal de Oeiras, que na época era presidida por Isaltino de Morais. Era na realidade um verdadeiro ninho de acolhimento de candidatos que necessitassem de receber avençados, por isto quando hoje se fala de algumas trapalhadas do Dr.Isaltino de Morais, eu só posso no mínimo sorrir e acreditar perfeitamente nessas e em muitas mais de que é autor, porque destas situações eu tomei pessoalmente conhecimento em termos factuais.&lt;br /&gt;No entanto nessa reunião ficou tudo combinado, e também estabelecido que era totalmente minha, a responsabilidade da apresentação de todos os assuntos a resolver, efetuando essa tarefa nas minhas qualidades de Vice Presidente da Comissão Política Concelhia, Mandatário da Candidatura e Diretor de Campanha, para assim tentar acertar todas as questões pendentes, ainda mais que o Presidente Eduardo Calisto, dizia não se poder deslocar a essa reunião com a Distrital em Setúbal.&lt;br /&gt;Sabemos hoje que nas minhas costas e do Arquiteto Porfírio, bem como da larga maioria dos presentes a essa reunião, o Sr. Adolfo e o Sr. Calisto, embora em guerra permanente, cozinharam novas posições, não aprovadas em reunião, e combinaram que o Sr. Calisto iria á reunião apresentar as mesmas.&lt;br /&gt;Já com a reunião a decorrer na Distrital de Setúbal, o Sr. Calisto apresentou-se na sala, e desde logo numa atitude bastante estranha. Foi-se sentar estrategicamente, todo “lampeiro” no lado contrario da mesa onde eu estava sentado, e como se nada tivesse sido acordado na reunião do Barreiro entre todos os presentes, apresentava-se para iniciar uma intervenção para indicar novos assuntos não aprovados no Barreiro.&lt;br /&gt;Aprestava-se assim para indicar assuntos e decisões diversas das que se tinha aprovado, pelo que eu como que virei a mesa, e publicamente o desautorizei, com todo o poder que a reunião oficial me tinha atribuído, expondo todas as situações tal como tinham ficado aprovadas, perante o olhar incrédulo dos membros presentes que não entendiam o que na verdade se estava a passar no Barreiro.&lt;br /&gt;Eu tinha entendido perfeitamente, naquele momento, o que se estava a passar, por causa de todos os fatos já ocorridos, e os antecedentes com situações muito parecidas. E, sobretudo, aquela tentativa de fazer de todo o mundo tonto, para além de que eu jamais aceitaria ser desautorizado após uma decisão colegial já tomada por um órgão competente para o efeito, pelo que desde logo decidi que não existiam mais condições para a manutenção do Sr. Calisto como Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro do PPD/PSD.&lt;br /&gt;Por mero acaso do destino, essa era uma das peças do puzzle que o Sr. Adolfo Vitorino estava a montar, e que tinha como base a mudança de líder no Barreiro, passando o poder de Presidente a ser exercido por si mesmo. Eu nesse momento estava a fazer o papel de inocente que acredita nas boas intenções do profeta assassino.&lt;br /&gt;Assim depois de uma muito quente reunião em que chegou ao ponto do Sr. Calisto fazer o papel de vitima, chorando em plena reunião, foi apresentada uma moção de desconfiança, a qual nem chegou a ser votada, pois; ele sabia que o resultado lhe seria totalmente adverso. Realmente naquele momento nenhum elemento da Comissão Política iria votar ao seu lado, e apenas podia contar com o seu voto, o que seria uma vergonha e enxovalho pessoal para si.&lt;br /&gt;Apresentou o seu pedido de demissão, o que com base nos estatutos desde logo obrigou o Presidente da Mesa, Álvaro Ferreira, a marcar e convocar imediatamente novas eleições para a Comissão Política Concelhia.&lt;br /&gt;O programa não foi alterado, e a lista candidata sofreu apenas uma entrada para substituir a saída do Sr. Calisto, sendo o candidato a Presidente com a minha concordância, o Sr. Adolfo Vitorino.&lt;br /&gt;Sei também hoje, de que á revelia da Comissão Técnica Eleitoral, o Sr. Adolfo fazia e desfazia convites pessoais, com este e aquele lugar nas listas. Antes da implosão do Sr. Calisto da Comissão Política chegou a maquinar uma estratégia em que o Sr. Calisto avançava como numero dois da lista candidata á Câmara Municipal, sendo o numero três ele próprio, e caso fosse eleito o numero dois renunciaria o mandato para ele assumir o lugar de Vereador. Esta estratégia não surtia efeito porque o Arquiteto Porfírio exigia como seu numero dois o Engenheiro Carlos Bicas, o que deixava pessoalmente muito contrariado o Sr. Adolfo.&lt;br /&gt;A saída prematura do Sr. Calisto de Presidente da Comissão Política Concelhia, em plena pré-campanha eleitoral, caiu como uma bomba na opinião publica local, no entanto acabou por ter muito menos impacto negativo do que o inicialmente esperado por mim próprio. &lt;br /&gt;Acho que uma das razões desse menor impacto negativo, foi precisamente o fato de; ele ter enveredado por uma campanha de ataques pessoais, em vez de ter caminhado pelo lado político, o que teria sido de qualquer forma muito difícil de garantir, pois que ao longo do tempo se verificou que o Sr. Calisto era um elemento totalmente inapto para a prática política em Portugal. &lt;br /&gt;Os ataques pessoais chegaram ao ponto de querer fazer passar para a opinião publica que quase tinha sido obrigado a candidatar-se contra a sua vontade pessoal, o que desde logo pressupõe que é uma pessoa sem vontade própria e muito vulnerável á opinião de outrem. Bem como tentar também fazer crer que eu; meses antes, tinha estado na Guiné-Bissau não a ministrar um curso de ação política mas; a fazer turismo, o que também caiu pela base pois para além de ter sido publicado num jornal local que nesse momento atravessava um fase de muita falta de credibilidade, ainda hoje existem as filmagens das ações ministradas por mim e pelo José Rosário na Guiné-Bissau. Por outro lado a senhora que se prestou a fazer esse trabalho, dando uma entrevista, nem sequer tinha freqüentado os cursos e posteriormente o Doutor. Victor Mandinga, Presidente do Partido - PCD, á época, acabou por ficar incrédulo com tudo aquilo, sendo que eu próprio fui procurado no meu local de trabalho por altos dirigentes do Partido da Guiné-Bissau, para me solicitarem um pedido de desculpas oficial pelo ocorrido, ainda mais que a referida senhora, uma tal Alina Ferraz, não representava nada no Partido, só se representava portanto a ela própria, e aos favores que lhe solicitavam&lt;br /&gt;Tudo tinha sido uma maquinação da oposição interna, que sem capacidade eleitoral naquele momento para nos poder fazer frente, utilizou o Sr. Calisto e essa tal de Alina Ferraz, que inclusivamente se veio a saber; posteriormente, ter mantido um relacionamento pessoal com o alegado jornalista que se vendeu por um “prato de lentilhas” como alias era seu habito, e talvez uma noite bem passada com a cidadã da Guiné-Bissau,  a troco de publicar aquelas “pataculadas”, para além de manter comigo uma questiúncula pessoal desde os tempos da Rádio Arremesso, onde foi apanhado a furtar discos enviados pelas editoras, e que eram portanto propriedade da radio, tendo então nessa época seguido obviamente o seu caminho normal, que foi o olho da rua, por indecente e má figura.&lt;br /&gt;Quanto ao Sr. Adolfo, o seu sonho primário era ser Presidente da Concelhia do Partido, e estava assim concretizado. No entanto o seu objetivo final era muito mais profundo, e só posteriormente vim a conseguir descortinar isso.&lt;br /&gt;Ele não queria ter nada que ver diretamente com a campanha, e assim embora fosse nomeado mandatário, da lista candidata, desde logo substabeleceu em mim esse cargo, e para todos os efeitos legais eu fui também o mandatário da candidatura. A entrega das listas candidatas em tribunal foi já efetuada por mim como mandatário como se pode facilmente comprovar tanto por fotos publicadas na comunicação social, como pelos documentos, existentes no Tribunal do Barreiro, referentes a esse ato eleitoral, e ele compareceu como que para simplesmente surgir na fotografia.&lt;br /&gt;Por outro lado, lançou grande apoio verbal na abertura da sede de campanha no centro do Barreiro, apresentando até como argumento positivo o fato do Partido passar a ter duas sedes abertas ao mesmo tempo. No entanto acabou por fechar, imediatamente, a sede do Partido para só a voltar a abrir após as eleições.&lt;br /&gt;Foi também dele a idéia peregrina da exploração externa do bar da sede de campanha, e para isso como que nomeou o seu filho Bruno para arranjar um “tasqueiro” para assumir o bar de aluguer.&lt;br /&gt;A situação de degradante imagem do bar, que mais parecia uma taberna, conduziu a um enfrentamento comigo para que tudo fosse devidamente regularizado em termos de funcionalidade, com a devida higiene e organização.&lt;br /&gt;Antes mesmo da inauguração da sede de campanha, a equipa contratada para a sua decoração, e paga quase a peso de ouro, por proposta pessoal do Sr. Adolfo, enveredou por uma estratégia de queimar tempo, e de destruir dinheiro, ao utilizar indevidamente muito material, com sucessivas e variadas pinturas. Dessa forma despropositada quase que dobraram o orçamento inicial previsto para a aquisição de tintas e outros materiais de decoração.&lt;br /&gt;Acabei por descobrir que essa estratégia era incentivada por elementos da JSD, na época liderada pelo Bruno Vitorino, por grande coincidência filho do Sr. Adolfo.&lt;br /&gt;Mas como em tudo na vida, também nessa situação existia um limite, que quando ultrapassado me coloca sempre na posição de imediata explosão e resolução do assunto.&lt;br /&gt;Para mim, o limite eram as 72 horas para a inauguração da sede, e verificado por mim que; ou pegava eu mesmo no assunto ou não tinha inauguração na data e hora previstas, eu entendi que era chegada a hora de explodir e tomar nas minhas mãos a condução do processo.&lt;br /&gt;A situação tinha chegado ao cumulo de; terem mandado pintar de azul escuro, na sua totalidade, os vidros de um expositor de bolos e sanduíches do balcão do bar, o que como facilmente se pode entender não iria permitir que se visse do exterior absolutamente nada dos produtos expostos para consumo. Por outro lado as paredes exteriores da sede já estavam na sua terceira camada de tinta e o logotipo que se tinha definido para a candidatura continuava por surgir. &lt;br /&gt;No interior as paredes iam mudando de cor todos os dias e nada de definitivo para se poder trabalhar de forma normal, e exceto o meu gabinete, nada mais estava efetivamente pronto.&lt;br /&gt;Na hora certa, e á minha maneira; chamei as duas senhoras e foram simplesmente demitidas, tendo eu apontado uma a uma as muitas razões da sua imediata demissão, que era irrevogável, e depois disso as ter mandado colocar for das instalações. Recusaram-se então em abandonar a sede, e ai eu tive que também á minha maneira mostrar quem realmente mandava ali. Os vidros do expositor do bar foram partidos pelos meus próprios punhos, a murros á sua frente. E eu manifestei a intenção de em seguida arrancar em cima delas próprias para lhes dar uns “punhetaços”, caso não abandonassem a sede naquele preciso instante. Ainda recordo que saíram aos gritos e eu; como se tivessem esquecido, de; algum material pessoal pura e simplesmente o lancei pela porta fora a pontapé, limpando a sede de todos os seus pertences, para que não existisse mais razão para algum regresso.&lt;br /&gt;Para alguns elementos da JSD foi um grande lamento, pois com a saída da equipa da D. Fátima “borra telas” perdiam assim umas grandes aliadas na sua estratégia de obstrução ao nosso trabalho e dessa forma caia por terra a estratégia de bloquear a inauguração da sede no dia e hora marcados.&lt;br /&gt;Eu já tinha acautelado a situação, e uma equipa de amigos, liderada pelo Cardoso, montou imediatamente andaimes tanto no interior como no exterior da sede e tudo foi concluído tal como tinha sido idealizado. A sede foi inaugurada pelo Engenheiro Carlos Pimenta, no dia e hora marcados.&lt;br /&gt;Foi graças a este problema e perante a reação de certos elementos afetos ao Sr. Adolfo, que eu percebi que existi uma estratégia bem definida de assalto ao poder e de tentativa de me afastar a todo o custo, pois eu era uma seria ameaça ao seu projeto familiar político de futuro.&lt;br /&gt;Como em tudo o que acontece na minha vida, nada ocorre por acaso, e eu quando entro numa missão ou objetivo, entro para concluir, e levar mesmo até ao fim, e decidi que mais uma vez assim iria ser.&lt;br /&gt;A campanha acabou por decorrer esforçada, mas; dentro do previsto, mesmo com os imensos boicotes e clara falta de empenhamento da JSD que era comandada pelo Bruno Vitorino, que tentaram fazer sempre contra vapor nas ações programadas. O Arquiteto e a sua esposa aperceberam-se claramente da situação, mas ficaram descansados, pois eu lhes garanti que o meu trabalho enquanto diretor de campanha, e compromisso pessoal para com ele, face ao desafio lançado só terminaria no dia seguinte ás eleições. &lt;br /&gt;E assim ao contrário do que se poderia esperar face ás ocorrências, fomos bastante cordiais e até para além do razoável, pagou-se á JSD a elaboração e impressão de um desdobrável de campanha bem mais caro do que o do próprio partido para a Assembléia Municipal. Apoiaram-se todas as iniciativas que decidiram realizar, tal como festas, e outras manifestações. No final nada puderam reclamar, pois tiveram todo o apoio solicitado.&lt;br /&gt;No entanto em resposta obtivemos um apoio mínimo na colocação de pendões e outro material de propaganda, e constantes boicotes em termos de participação nas nossas ações de campanha.&lt;br /&gt;Quem muito lucrou financeiramente nesta campanha eleitoral, foi pessoalmente o Bruno Vitorino, que ganhou dinheiro extra, ao ser ele próprio a propor-se em vender ao partido algum material de propaganda, em especial todo o material da JSD, tal como tarjas e bandeirolas plásticas, foi ele quem ganhou a comissão de venda e por outro lado ainda conseguiu; empolar os preços, de forma a permitir-lhe ganhar o diferencial para o preço real, ganhando assim ele e a firma ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Eu pessoalmente, a tudo fui assistindo e registrando com a maior das calmas do mundo, assumindo a postura messiânica de sagrado coração de Jesus em quarto de prostituta, a tudo presenciando em regime de silenciosa e hierática solenidade. &lt;br /&gt;O Arquiteto Porfírio foi eleito, o Partido agüentou em termos percentuais o grande choque que foram as derrotas locais a nível distrital e nacional, e até reforçou a sua posição de representação a nível de Freguesias, passando a ser o Partido “charneira” em muitas delas. O PCP perdeu a maioria absoluta e o PS sem conseguir ganhar a Câmara foi, no entanto; o grande vencedor ao igualar o numero de Vereadores, quatro, do Partido Comunista Português, sendo que o Vereador Eduardo Porfírio fazia a diferença para um lado ou para o outro.&lt;br /&gt;No dia seguinte ás eleições; apresentei oficialmente o meu pedido de demissão de Vice-Presidente da Comissão Política Concelhia do Barreiro, pois jamais poderia pactuar com tamanho cinismo e hipocrisia. Em conjunto com o Arquiteto Porfírio, reunimos e decidimos; efetuar os pagamentos de todas as despesas e dividas ainda não saldadas e mais urgentes, e outras contas pendentes para que o dinheiro disponível ainda desse, nomeadamente despesas de campanha entre as quais estavam dividas do Fernando Pineza, e que ele rigorosamente tinha a titulo pessoal assumido em nome da candidatura, como o pagamento da carne do churrasco de encerramento da campanha e outras despesas, bem como compromissos pessoais do próprio Arquiteto e meus.&lt;br /&gt;Foi o desespero total do Sr. Adolfo, que exigia que o dinheiro da campanha servisse para pagar contas do Partido, como água, eletricidade e renda mensal da sede do Partido, que inclusivamente ele tinha mantido fechada. Chegou ao cumulo de nos ameaçar processar judicialmente ao que eu pessoalmente só pude sorrir tal a pobreza de espírito e baixeza moral a que tinha conseguido chegar. Finalmente, eu conhecia o verdadeiro Adolfo Vitorino de que alguns já me tinham falado, um individuo de baixa nobreza de personalidade, que vidrado num objetivo pessoal e, sobretudo, familiar, não media limites para tentar obter aquilo com que sonhava.&lt;br /&gt;Recebi os ataques pessoais mais vis, cobardes, vingativos e mentirosos que alguém pode receber, mas seguindo uma regra que considero de ouro, transmitida pela sabedoria do avo Massapina, mantive a minha educação.&lt;br /&gt;As pessoas sábias entendem perfeitamente que o homem é a fonte de tudo o que é bom ou mau para nós próprios. E, portanto, não costumam ocupar ou acusar os outros de coisa alguma.&lt;br /&gt;Não sentem qualquer necessidade ou obrigação imperiosa de tentar fazer com que os outros acreditem que elas; tem valor, são assim especiais e importantes.&lt;br /&gt;Quando estão diante de um desafio, de um objetivo, olham para dentro de si mesmas.&lt;br /&gt;Se, são; elogiadas pelos outros, simplesmente sorriem de forma tranqüila certas do dever cumprido e não se alteram de modo algum. Mas se são caluniadas, as pessoas sabias não acham necessário defender o próprio nome, pois que todos sabem que se trata de uma simples calunia que o tempo e o destino vão acabar por provar não ter o mínimo de razoabilidade.&lt;br /&gt;No entanto, levam a sua vida adiante sem medos, conscientes de que tudo esta bem e harmonizam os seus desejos com a vida como ela é, e procuram apenas evitar as coisas que prejudicariam a sua capacidade de exercer a sua vontade mais suprema da maneira mais adequada.&lt;br /&gt;Nunca nos importamos nem um pouco em parecer ignorantes ou sem qualquer sofisticação, sabemos que temos apenas que estar atentos a nós mesmos e ao rumo que queremos dar aos nossos próprios objetivos pessoais.&lt;br /&gt;Hoje, embora continue a pensar desta mesma forma, no entanto já não resisto em ficar calado, em não chamar crápula a um verdadeiro crápula, ou gatuno, como por exemplo, aconteceu com o Pinto das madeiras da Mata Nacional da Machada, no Barreiro. Hoje escrevo o que me dá na real gana descrevendo a realidade doa a quem doer. E claro cá estou e estarei para assumir as minhas responsabilidades, se for caso disso, mas claro que como só escrevo a verdade e aquilo que factual e documentalmente posso provar. Durmo todos os dias; tão calmo e tranqüilo com a minha consciência como se de um bebe se tratasse.&lt;br /&gt;Como resultado direto das eleições autárquicas daquele ano de 1993, eu fui eleito Deputado Municipal, tendo tomado posse em Janeiro de 1994, tal como Francisco Mendes Costa, Carlos Miguel Vitorino e Maria Geny Rocha, todos da bancada do PPD/PSD na Assembléia Municipal do Barreiro. Por outro lado obtive desde logo uma clara vitória pessoal, ao ser eleito Presidente da Comissão Municipal de Meio Ambiente, Obras e Serviços Públicos, o que para a Comissão Política Concelhia, do senhor Adolfo, foi mais uma trágica noticia. &lt;br /&gt;Desde logo houve uma clara preocupação da Comissão Política, em relação á possível diversidade das minhas tomadas de posição em relação ás diretrizes do Partido. Na verdade nem chegou a ser preocupação, pois que ao longo de dois anos de mandato da Comissão Política liderada pelo senhor Adolfo, eu não recebi absolutamente nenhuma diretriz estratégica do Partido, uma vez que a Comissão Política Concelhia liderada por ele nada de nada conseguiu produzir em termos de estratégia política, para complementar o nosso trabalho na Assembléia Municipal. &lt;br /&gt;O Partido caiu novamente para os patamares anteriores do descrédito. Esse foi o resultado real da gestão do senhor Adolfo Vitorino&lt;br /&gt;O grupo parlamentar reunia, amiudadas vezes, quase sempre na casa do Francisco Mendes Costa, e tomava as suas decisões em consonância com aquilo que em cada momento e para cada assunto a nossa consciência política e social mandava.&lt;br /&gt;Além disso; o partido, mais uma vez entrou na estratégia da troca direta de um programa por simples lugares, e de um modo geral a oposição correspondeu na Câmara e nas Juntas de Freguesia a um tipo de passividade na ação, caracterizado pela perca dos mais elementares valores partidários.&lt;br /&gt;Os objetivos estratégicos pelos quais tanto se tinha lutado, tinham assim sido mais uma vez colocados na gaveta e o Sr. Adolfo acentuou ainda mais o demonstrativo da “prostituição” política, ao colocar negociações tanto com o Partido Socialista como com o próprio Partido Comunista Português, para assim conseguir penetrar no ‘abismo’ do poder a qualquer preço.&lt;br /&gt;Fundamentalmente colocou o Vereador Porfírio como o quinto Vereador do Partido Comunista Português. Em Palhais colocou o Sidonio Sousa no executivo da Junta de Freguesia ao lado dos Comunistas, bem como em Santo André com o Manuel Fernandes, também sentado ao lado dos Comunistas. Na Verderena colocou o Jaime Gonçalves ao lado dos Socialistas, e no Barreiro o Helder Gabriel Baeta ao lado dos Comunistas. Não perdeu a oportunidade de negociar mais “tachos” contra natura em todas as outras Freguesias, e desta forma colocar o PPD/PSD como um partido que em nada se podia distinguir de todos os demais. O PPD/PSD voltou a ser a “prostituta” colocada o serviço dos outros.       &lt;br /&gt;Foi tal e qual como mandar para o lixo anos e anos de trabalho no sentido de mudar a postura do Partido. Para mim este projeto político estava encerrado, não valia a pena voltar ao combate, pois que rosto se poderia apresentar no futuro, perante os eleitores, a quem se tenha já vendido um projeto de mudança radical com as praticas anteriores e agora tudo ficava na mesma, ou pior ainda do que anteriormente.&lt;br /&gt;Como seria possível ter rosto para no final do mandato de alianças tanto com Comunistas como com Socialistas ir; novamente vender um projeto de uma historia já; tantas vezes repetida e já tantas vezes adulterada, com um cinismo e uma sem vergonha sem tamanho.&lt;br /&gt;Eu pessoalmente não tenho cara para isso, sou demasiado frontal para aceitar mentir aos eleitores, e quase que escarnecer na cara deles.&lt;br /&gt;O PPD/PSD do Barreiro não tem mesmo emenda, comporta-se sempre da mesma forma, não tem ambição, não sabe esperar pela sua hora assumindo-se com humildade como oposição, no fundo não tem estratégia de vencedor, tem apenas um ideal de comedor das migalhas dos outros, e tanto lhe faz que sejam de um ou de outro, o importante é apanhar as migalhas... estar dentro do tacho do poder! &lt;br /&gt;A prova, provada, de tudo isto que acabo de lhes dizer pode ser comprovada com a seqüência posterior de eleições autárquicas, sempre com o partido sem crescer eleitoralmente, e sempre a cometer o mesmo erro estratégico, e assim a marcar sempre passo, sem capitalizar qualquer meta de crescimento, rumo ao futuro.&lt;br /&gt;A seguir ao Vereador Eduardo Porfírio, seguiu-se o Vereador Eduardo Xavier que pactuou com o Partido Comunista mais uma vez, depois seguiu-se o Francisco Mendes Costa que pactuou com o Partido Socialista, agora está por lá o Bruno Vitorino, que faz de moço de recados para o Partido Comunista Português. Em 2009, outro Vereador se vai seguir isto se conseguir ainda ser eleito. E pouco importa o seu nome porque mais uma vez ira trocar um ideal, uma estratégia, um programa eleitoral, se tiver capacidade para o, apresentar; por um simples “tacho” garantido por 4 anos. &lt;br /&gt;O PPD/PSD do Barreiro é assim um; tipo de projeto para servir só e unicamente alguns interesses pessoais, fechado no seu casulo e a não ser que surja um “messias salvador” de dentro de algum milagre. Se isso não acontecer vai continuar por muitos e bons anos a ser a simples “moleta” do poder, em vez de sequer sonhar em ser ele próprio o Partido do poder, o Partido que pode alterar alguma coisa de profundo no Concelho.&lt;br /&gt;Voltei a freqüentar a sede, após as eleições, tão somente em dias de Assembléia Concelhia, e escolhi as eleições que substituíram Adolfo Vitorino da presidência, pelo doutor Eduardo Xavier, para apresentar a minha ultima candidatura, diga-se vitoriosa, á Assembléia Distrital de Setúbal do PPD/PSD, e em seguida abandonar o partido, como fazem os toureiros, após uma boa tarde de touros, pela porta grande da praça...&lt;br /&gt;Nessa noite tive oportunidade de dar os parabéns ao meu amigo doutor Eduardo Xavier pela vitória na sua eleição como Presidente do Partido no Barreiro, e de lhe dizer em primeira mão que iria abandonar o Partido, por tudo o que naquele momento já não representava para mim. Também lhe disse que ele em termos políticos não iria mudar nada sobre o funcionamento daquela casa, pois os “lobys” eram muito fortes, somente retirava momentaneamente o Adolfo do poder, e que um dia lhe diria as muitas razões porque saia e não acreditava no futuro próximo do PPD/PSD no Barreiro.&lt;br /&gt;Pois para quem leu estas linhas, e conhece a atual realidade, pode confirmar que eu tive razão em tudo, não errei nenhuma das minhas previsões, e ele próprio Eduardo Xavier veio a repetir todos os erros cometidos no passado, ao servir de “moleta” ao poder e a diluir o poder nas Freguesias, sem se assumir como verdadeira oposição.&lt;br /&gt;A minha ultima premonição sobre o PPD/PSD do Barreiro é que tão somente quando um dia perder o seu Vereador na Câmara Municipal, é que vai abrir realmente os olhos, e fazer oposição a valer...          &lt;br /&gt;Naquela época ainda por um momento aventei uma leve e remota hipótese de mudar a minha militância de Concelho, pois convites não faltaram. Essa seria uma forma de assim continuar a poder dar a minha contribuição ao Partido, só que também a nível nacional o PPD/PSD se tinha descaracterizado de tal forma, que a cada dia que passava cada vez se afastava da Social Democracia. &lt;br /&gt;A anunciada derrota nas eleições legislativas, do delfim de Cavaco Silva, o doutor Fernando Nogueira contra o populista socialista, Engenheiro Guterrez, e a cada vez mais certa entrada dos marxistas no poder do PPD/PSD, com o grupo do ex-MRPP Durão Barroso, deixaram para mim a nítida imagem de um futuro Partido sem metas. Achei, com toda a razão que ficaria mais parecido com um “saco de gatos”, sem liderança ou projeto definido, exceto a sua cada vez maior opção pelo crescente federalismo europeu. &lt;br /&gt;O federalismo para mim é o pior dos situacionismos, a maior das maiores faltas de capacidade de liderar. É o caminho mais rápido para um País, como Portugal, passar a ser comandado como um joguete nas mãos das potencias européias, é assumir em definitivo a perda de independência nacional que tantas vezes foi gloriosamente defendida e reconquistada, é aquilo a que eu jamais deixaria a minha consciência ser contaminada, por participar diretamente nesse descalabro.&lt;br /&gt;Para mim, naquele momento o PPD/PSD era também um projeto fechado e, portanto; em nada mais iria adiantar a minha militância contra natura num partido que programaticamente cada vez tinha menos que ver comigo e com a minha forma de ser e pensar. &lt;br /&gt;Aproveitei a Assembléia Distrital de Setúbal que se seguiu ás eleições no Barreiro para usar da palavra e explicar publicamente a razão da minha saída de militante do PPD/PSD.&lt;br /&gt;Renunciei ao meu mandato de Delegado á Assembléia Distrital, fazendo assim assumirem os lugares, os militantes seguintes na minha lista candidata, que curiosamente na sua maioria também acabaram por abandonar imediatamente o Partido e consequentemente a Assembléia Distrital de Setúbal.&lt;br /&gt;Chegava assim a hora da ruptura total com uma parte importante da minha vida, a hora da separação, sempre dolorosa como todas as separações o são, mas sem duvida, necessária para eu me sentir de bem comigo próprio.&lt;br /&gt;Na Assembléia Municipal do Barreiro, a bancada do PPD/PSD começa a ser bombardeada com; Moções e Protestos e ataques variados, baseados precisamente com tudo o que eu era contra. E por outro lado o Partido a nível local suportava a escandalosa gestão do Hospital Distrital do Barreiro por parte do Dr. Cabrita, o que já me tinha obrigado a subir ao palanque da Assembléia Municipal por mais do que uma vez, para usar da palavra demonstrando a minha posição contraria ás opções do Partido e da restante bancada parlamentar.&lt;br /&gt;Também nada mais ali estava a fazer, sentado naquela bancada, uma vez que já não era sequer intimamente militante do partido, decidi então honrar o compromisso com os eleitores e não renunciar ao mandato, solicitando a minha passagem a Deputado Municipal Independente.&lt;br /&gt;Foi o clamor total, pois o Partido tinha imaginado que eu iria renunciar, e dessa forma recuperar um Deputado para as suas cores. Ficaram, portanto; reduzidos a 3 Deputados na bancada, e eu mantive o meu ritmo de trabalho, e pelo contrario até o intensifiquei com a apresentação de inúmeras propostas, moções, requerimentos, protestos e outros instrumentos regimentais, passando a intervir em todos os assuntos, mais parecia um grupo parlamentar de um só elemento. Eu sentia-me como peixe na água. Era líder de mim próprio, tanto negociava a aprovação de documentos com a esquerda como com a direita, e assim foi um ano de maravilhoso trabalho parlamentar, que sem duvida deixou raízes na Assembléia Municipal do Barreiro na resolução dos mais variados assuntos.&lt;br /&gt;Na verdade, bem se vê que o Partido continua hoje a enfrentar o seu maior problema, a identidade que se agrava a cada nova eleição, e expõe o Partido à execração publica.&lt;br /&gt;Não admira que o PPD/PSD que tem um Presidente da Republica, e seja alternativa no arco governamental, não consiga traduzir no Barreiro, toda a expressão política do seu poder. Não está nem nas 2 maiores forças políticas a nível local, e os seus militantes e dirigentes deveriam levar isso em consideração.&lt;br /&gt;Enquanto o Partido não adotar uma linha programática claramente definida, para dessa forma; conquistar a confiabilidade do Barreirense continuara a ser um grande Partido nacional, mas um pequeno Partido a nível local no Concelho do Barreiro.&lt;br /&gt;Ganhar identidade, e personalidade, esta é a grande missão dos militantes do Barreiro, que se continuarem, a perder de vista essa prioridade, vão continuar a ver o Partido parado e a ser um eterno coadjuvante de quem não obtiver maiorias estáveis.  &lt;br /&gt;Eu, sou, sempre fui um homem de projeto e convicções, que gosto de apostar em projetos em que acredito. E já na posição de Deputado Independente e livre de qualquer militância partidária surge na política portuguesa o novo projeto político do doutor Manuel Monteiro, baseado em ideais de uma direita moderna e de forte pendor social, idéias desenvolvidas um pouco por si. Mas e, sobretudo; por um vasto grupo de jovens pensadores políticos entre os quais se destacava o doutor Paulo Portas, que desenvolvia as suas idéias em interessantes artigos no Semanário “O Independente”. Era sem duvida um projeto arrojado, uma lufada de ar puro na política da chamada área política do Centro Direita, de Portugal, e que pela sua forma ainda embrionária me deixava esperançado numa certa pureza e numa possível mudança a nível da política nacional.&lt;br /&gt;Já nos meus tempos de JSD existia alguma aproximação e amizade pessoal com alguns membros da Juventude Centrista, que agora enquanto militantes do CDS/PP me endereçavam constantes convites para a minha adesão nesse novo projeto, declaradamente anti-federalista, e com objetivos muito claros no apoio aos setores produtivos nacionais como a agricultura, as pescas a industria, o comercio, o pequeno e médio industrial e comerciante, a defesa também da classe media, o combate á burocracia, aos impostos injustos, e sobretudo uma política voltada para os mais necessitados no sentido de lhes proporcionar meios para que a sua realidade de vida se alterasse com a criação de postos de trabalho e apoios sociais diversificados. O combate eficaz á corrupção, era outra imagem de marca do projeto, no fundo um pouco de tudo quanto eu pensava e apoiava em termos sociais e políticos. Um projeto trabalhoso, mas; muito tentador em que eu me revia por completo, e muito embora sendo Ateu convicto, admitia poder defender esses ideais sem esbarrar nas minhas opções religiosas, entrando assim num Partido com raízes da Democracia Cristã.&lt;br /&gt;Por outro lado o simples fato de o Concelho do Barreiro não ter nunca tido uma estrutura implantada do CDS/PP, com cabeça, tronco e membros, era desde logo para mim um, outro; desafio tentador. Um convite que eu resolvi aceitar, tendo para isso começado a lançar alguns convites a alguns dos ex-militantes do PPD/PSD e quadros sem partido que comigo tinham trabalhado tanto nas Associações de Estudantes, na JSD como no PPD/PSD. Muitos dos que tinham abandonado o PPD/PSD, depois de devidamente esclarecidos quanto ao projeto e ás linhas programáticas do mesmo acabaram por aderir, tendo dessa forma conseguido formar um bom grupo de quadros técnicos, prontos a iniciar um novo projeto político e social no Concelho do Barreiro.&lt;br /&gt;Este novo desafio da minha vida, confirmava em tudo a abertura de um novo caminho, em que face a tudo o que já tinha vivido política e socialmente, me deixava sentindo um autentico predador intransigente de causas em que o meu coração nunca se engana.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-1808289645232808971?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/1808289645232808971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=1808289645232808971&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/1808289645232808971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/1808289645232808971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxiv-os-caminhos-de-um-predador.html' title='XXXIV – OS CAMINHOS DE UM PREDADOR INTRANSIGENTE DE CAUSAS'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-9103095837090699649</id><published>2008-04-11T17:50:00.000-03:00</published><updated>2008-04-11T17:51:25.115-03:00</updated><title type='text'>XXXVII - DAR UMA CHANCE Á VIDA…</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que realmente vale como principal!”&lt;br /&gt;‘Gherdjef – pensador Russo’ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política é uma atividade que nos trás amigos, conhecidos, inimigos, e até relacionamentos fora do comum.&lt;br /&gt;Quando formei a lista candidata á JSD do Barreiro em 1987 entre tanta gente acabou por surgiu alguém na minha vida, e atendendo a tudo quanto eu já tinha vivido em termos emocionais, achava eu que essa poderia ser mesmo a mulher com quem poderia formar um pacto para toda a vida. Não que eu acredite lá nas ladainhas da igreja católica, que diz que casamento é um contrato para toda a vida, não, nada disso. É só porque eu considero emocional e culturalmente importante o núcleo familiar. São raízes de formação que o longo do tempo me marcaram. A relação com a Fernanda foi assim um tipo de situação ‘flach’ relâmpago, ver, gostar, amar e casar.&lt;br /&gt;Sim foi tudo isso, como num abrir e fechar de olhos, em meia dúzia de meses. E até o nosso primeiro casamento, por o civil, foi outro relâmpago, e aquilo que aconteceu em 2 de Setembro de 1988 foi algo incomum, pois que somente as quatro testemunhas tiveram conhecimento e acesso, mais uma, outra; potencia testemunha que por falecimento de um familiar teve que ser substituída á ultima da hora.&lt;br /&gt;Tanto os meus pais, como os pais dela estavam muito longe de saberem que tínhamos assinado um contrato, sim um contrato de união. Esse nosso contrato acabou por durar 18 anos, o que é isso mais do que um papel que se assina? É um compromisso entre duas pessoas que tem apenas a agravante de ser assinado, pois se duas pessoas realmente se querem, podem perfeitamente firmar esse pacto sem necessitar de assinaturas, bastando para tal a honra da palavra e dos sentimentos.&lt;br /&gt;No nosso caso somente mais de um mês depois tomaram conhecimento efetivo do acontecimento, perante o ar perplexo de uns e quase naturalidade de outros.&lt;br /&gt;É para mim um grande orgulho recordar a forma relativamente serena e com entendimento de perfeita naturalidade com que os meus pais encararam a situação, o seu crescimento em termos de mentalidade e entendimento da nova sociedade constituiu para mim espanto atendendo já á sua idade relativamente avançada na época.&lt;br /&gt;Por outro lado os pais dela, mais jovens, e que deveriam ter uma, outra visão da situação mostraram-se algo inadequados, sobretudo ela que armada em nova rica fazia muita questão de fazer o casamento com um noivo por si escolhido, e por outro lado um festão ao tamanho da sua imaginação. Afinal; acabou por acontecer tudo ao contrario, do que planeara; e nem casou a filha com quem queria idealizar e propor. Pois realmente aquela mulher pensava ser uma obrigação sua enquanto mãe a escolha de um marido para a filha e não a escolha livre por parte desta como se estivesse a trocar sacos de farinha por borregos, á boa maneira dos “labregos” lá da sua terrinha nas Beiras, com o devido respeito pelas gentes honradas das Beiras.&lt;br /&gt;Engraçado que o pai da Fernanda muito embora tivesse ascendência Indiana, não pensava dessa forma de modo algum, e era um homem bastante avançado e democrático.&lt;br /&gt;Todos esses seus pensamentos da D. Ivone Reis Pinheiro, eram contrários as nossas formas de ver a vida, e por outro lado desde a primeira vez em que fomos apresentados que ficou bem patente que a nossa relação iria ser de cão e gato, como se confirmou ao longo de quase duas décadas. &lt;br /&gt;Eu fui visto desde a primeira hora mais como um intruso suportável do que como um agradável genro, que a filha tinha escolhido de modo livre. Como senti sempre esse posicionamento, respondi também sempre da mesma moeda, mas nunca fiz figura de parvo ou de querer alterar esse posicionamento e estatuto. &lt;br /&gt;A minha personalidade é difícil, eu reconheço, é a de alguém que suporta o indesejável até ao dia em que entende ser o limite da paciência. Quando esse limite é alcançado ou ultrapassado então se torna insuportável e ai acaba por dar-se a natural explosão com a desintegração do obstáculo, para possibilitar ao meu eu a continuação do caminho, assim como se fosse uma onda que quebra barreiras, ate acabar por se espraiar na areia branca e lisa de uma praia.&lt;br /&gt;Gosto muito de pessoas sinceras e não cínicas, detesto mentiras, adoro frontalidade e nada de jogadas de bastidores, sobretudo amo muito a minha privacidade e da minha família, detestando as intromissões de quem quer tentar comandar a vida de outrem como se fosse o supra-sumo da inteligência e do conhecimento; e todos os outros uma cambada de atrasados mentais como aqueles que entendem que alguém para dar um simples “peido” tem antes de ter reconhecimento geográfico da zona e das condições climáticas para puder ser finalmente autorizado a poder dar o “pum!”&lt;br /&gt;Algumas; soluções tem sempre o dom de gerar preocupações adicionais, mesmo tendo uma reconhecida eficiência em enfrentar os problemas.&lt;br /&gt;Ao longo do tempo aprendi que para solucionar problemas, sobretudo os pessoais; nada melhor do que manipular uma boa dose de firmeza com um bom senso, o senso comum para agir no momento certo quando as coisas estão a passar dos limites quer seja pelo aumento da quantidade dos problemas, quer seja pelo tipo de situações que começam a surgir.&lt;br /&gt;Não tenho razão nenhuma para lamentar a forma e o modo como solitariamente foi vivendo, de qualquer forma o modo profundamente solitário magoa, mas quando muito na mais profunda parceria com a consciência e nada mais, como acabou por ser concluído um relacionamento de mais de 18 anos. Não lamento o relacionamento de forma alguma; pois houve momentos bons e hoje somos bons amigos, mas na verdade a opção só poderia ser esta que tomei porque um relacionamento a dois deve ser a dois e não com a tentativa do comando de um terceiro elemento como se tinha transformado, com a presença constante da minha ex-sogra, a condicionar diretamente todo o relacionamento do casal. &lt;br /&gt;Portanto nunca poderei ser acusado de ter provocado a ruptura, uma vez que a Fernanda teve todas as oportunidades do mundo para resolver a sua independência familiar, o que nunca conseguiu. Entendo o seu posicionamento enquanto filha única. Já não entendo o seu posicionamento enquanto esposa; dai que tenha optado por aceitar uma separação para manter o seu protecionismo á mãe, o que como tudo um dia tem um fim, assim vai acabar no dia em que lhe colocarem 7 palmos de terra em cima do caixote, ai sim vai tomar consciência de que mandou fora a sua vida por uma idéia de protecionismo, e agora esta só no mundo. &lt;br /&gt;Não acho sem importância a previsibilidade cada vez maior de um confronto que ultrapassaria a discussão calorosa acerca dos limites do espaço e da opinião dessa personagem sinistra. Tive a oportunidade de pelos mais variados meios tentar poder dar a possibilidade de uma mudança de atitudes. Mas essas oportunidades tornaram-se fatores secundários perante a ânsia de notoriedade por parte da senhora e pela certeza de que não iria sofrer nenhuma alteração de comportamento.&lt;br /&gt;Não se pode criticar a atitude da Fernanda, como já disse, atendendo a ser filha única. Agora a critica é apenas no sentido em que se tornou subserviente e se deixou amassar e arrastar para uma situação em que nunca seria a vontade de um ou do outro que iria prevalecer, nem muito menos a nossa vontade comum, mas como mera ditadura pessoal. O simples veredicto absolutista da senhora e, o assunto estaria definitivamente encerrado, e assim; feita a sua vontade, para seu grande e constante, contentamento pessoal.&lt;br /&gt;Assim, o relacionamento com a Fernanda, que começou por ser mais de possibilidade de ser minimamente feliz, passou a ser de amizade, companheirismo, e no final, atendendo ao tema “sogra” e ás suas destrutivas opiniões, passou a uma fase em que o debate tinha perdido toda a profundidade, e importância, pois; a sensibilidade entre nós ainda poderia ter humanizado o debate sem achaques, mas nem isso.&lt;br /&gt;A tudo isto; tenho ainda que somar que em termos íntimos o nosso relacionamento nunca conseguiu ter um rasgo, um bater de asas com uma renovação necessária, para que mentir, se na verdade nesse aspecto nunca fomos verdadeiramente compatíveis.&lt;br /&gt;É talvez por essa mesma razão que eu não posso negar ter encontrado fora muitas vezes aquilo que nunca encontrei em casa, assim em 1994 surge a mais importante relação extra-conjugal, tão somente 6 anos passados do nosso casamento civil, por obra do acaso surge na minha vida a Drª Ana Sousa Leal, uma historidora da Câmara do Barreiro.&lt;br /&gt;Não posso negar que aos 32 anos é com ela que finalmente eu me passo a conhecer na integra em termos pessoais, foi desde ai que me tornei no homem não egoísta que hoje sou em termos íntimos. Agora para mim, muito mais importante que me satisfazer primeiramente a mim próprio, importa satisfazer a minha parceira e; sobretudo, entender que no amor existe a dádiva de um ao outro desde que essa dualidade seja possível, tudo tende a correr bem para ambos, agora quando se parte do principio do egoísmo nasce imediatamente o individualismo, e; consequentemente a relação não pode de forma alguma avançar de um modo positivo, e esta condenada ao fracasso total a curto ou médio prazo.&lt;br /&gt;Foram meses maravilhosos, mas, que; como tudo na vida tem um principio e um fim, e também como tudo na vida tem as suas imperfeições. Eu tentei tudo para conseguir corrigir o seu problema de anorexia, mas era impossível, era bem mais forte e grave do que ela própria poderia supor, e nem a possibilidade de me poder perder conduziu a uma melhoria. Reconheço que fez esforços, mas sempre eram dominados pela potencia da própria doença que como penso são sabedores; não é mais do que um grave distúrbio mental, e uma doença de tratamento na área da psiquiatria e o esforço e força de vontade pessoal é em grande parte determinante para a cura, ou pelo menos controle da doença.&lt;br /&gt;Fazia alguns esforços no sentido de comer carne á minha frente, não resolvia, no entanto nada, pois logo em seguida uma providencial ida ao WC, concluía o esforço com a vontade inquebrantável de vomitar tudo.&lt;br /&gt;Para além do fato de não comer carne e ingerir também muitas bebidas alcoólicas, junto com outro tipo de alimentação muito pouco nutriente, ainda agravava mais o seu estado físico e a sua situação clinica.&lt;br /&gt;A única coisa que realmente a compensava e que parecia alimentar era poder desfrutar do amor, de um modo pleno e total como nunca na minha vida tinha visto ou sentido alguém poder desfrutar e de forma permanente.&lt;br /&gt;Eu acabei por me deixar envolver por esse jogo de sedução e fazer loucuras que noutras circunstancias normais jamais faria e seriam de todo impossíveis no meu modo de viver. Correr riscos totalmente desnecessários, só pelo puro prazer. Pelo puro prazer de quantas e quantas vezes simples aventura.&lt;br /&gt;Outras vezes, as situações eram místicas e estranhas, como o dia em que me dei comigo no interior de uma capela abandonada em plena serra da Arrabida, rodeado de velas, em plena noite de um luar maravilhoso, fazendo amor com ela. Por ali ficamos até ao nascer do dia, correndo o risco de alguém entrar ou passar e achar estranho um automóvel ali estacionado e luz de velas dentro da capela.&lt;br /&gt;Ela como historiadora tinha uma paixão terrível por assuntos ligados á época medieval, dos Templários, e também do período Manuelino.&lt;br /&gt;É espantoso como aqui no Brasil, vim a descobrir uma capela em tudo igual, na sua imagem exterior, com um alpendre igual, e até a disposição das colunas e capitéis. Ando curioso por poder visitar o seu interior, para me certificar se é igual á da mística noite da Arrabida, onde voltamos vezes sem fim e de onde admirava ver o nascer e por do sol.&lt;br /&gt;Nem sabia como, mas muitas vezes voltava totalmente só aquele local, umas vezes simplesmente para me sentar no exterior e meditar, outras para ver o nascer ou o por do sol. Aquele local me transmitia sempre uma estranha sensação de paz interior, uma tranqüilidade aliada a estranha sensação de imortalidade e profundidade da alma.&lt;br /&gt;Alguém pode imaginar como normal que se possa fazer amor em plena noite, no meio de uma mata, como nós fizemos no meio da ‘Mata Nacional da Machada’ no Barreiro. Amor feito debaixo de um intenso temporal, encostados a uma enorme arvore com os relâmpagos a iluminar o céu e a chuva a cair sobre nós, como se estivéssemos num duche, e acabar a rebolar no chão como dois animais no meio da lama. Regressando a sua casa completamente despidos, dentro do carro, e entrando na casa dela na Quinta da Lomba, naquele deplorável estado de corpos encharcados e cheios de lama, correndo o risco de os vizinhos das vivendas anexas nos poderem ver naquele aparato de claro atentado ao pudor, e de loucura descontrolada. No dia seguinte ela levava o seu carro para lavar e limpar, e nem eu sei bem como justificava aos funcionários do lava jato, os estofos naquele estado, cheios de lama e água.&lt;br /&gt;Como é possível alguém ir jantar a Sesimbra, a um conhecido e elegante restaurante e; acabar a fazer amor no meio de um penhasco na Serra da Arrabida, com o mar em fundo, e depois de ela ter tido o arrojo de fazer sexo oral em pleno restaurante, metida debaixo da mesa, sem qualquer hipótese de eu parar com a situação, sob pena de também eu me expor ao ridículo.&lt;br /&gt;O mesmo aconteceu em Setúbal, e da mesma forma acabamos a fazer amor no meio de um dos miradouros da serra com o mar e o Convento da Arrabida como cenário de fundo.&lt;br /&gt;Consegue alguém imaginar um dia inteiro a fazer amor até á exaustão, e ela conseguir ter orgasmos múltiplos, sem conta, e não querer parar, querendo, pedindo exigindo sempre mais, e mais...&lt;br /&gt;Eu cheguei a um momento da minha vida, naquela época em que tive que conseguir parar e pensar o que me movia realmente no relacionamento com aquela mulher. Tratava-se de conseguir caracterizar e interpretar o comportamento dela e o meu próprio, naquela fase da minha vida.&lt;br /&gt;Era sem duvida uma relação dominada por sexo. Sexo puro e duro, com a Ana Sousa Leal. Aquele tipo de relacionamento em que se descobre uma novidade em cada dia e em que nunca se quer parar de descobrir mais, e cada vez mais, chegando ao ponto de nos deixar possuir pelo puro prazer, simplesmente pelo prazer, é como estar de certa forma dependente como um toxicodependente. Mas para quem vive esta situação; em vez de consumir tóxicos, consumimos sexo, e vamos aumentando a dosagem a cada novo consumo, porque o corpo e a mente nos reclamam sempre mais, cada vez mais.&lt;br /&gt;Por vezes chegava a ter medo de mim próprio, mas mais medo ainda dos não limites dela, que em varias ocasiões me aparecia com uma imagem de insaciável, com uma imagem quase ninfomaníaca totalmente deformada da realidade.&lt;br /&gt;Ou melhor; daquilo que consideramos a realidade convencional. &lt;br /&gt;Como tinha sido possível encontrar alguém tão inteligente, e ao mesmo tempo ter uma clara tendência para encontrar o seu escape de vida no sexo e nos seus mais variados conteúdos e formas.&lt;br /&gt;Depois com o seu apetite incontrolável, sem medir nem tempo nem espaço ou local, a minha lógica estava também a ser de certa forma colocada á prova e banalizada. Alguns limites foram ultrapassados, muito para além daquilo que eu até então tinha como razoável, pois ninguém imagina como normal que entre outras coisas se possa; estar num conhecido restaurante e de um momento para o outro a nossa acompanhante desapareça debaixo da toalha da mesa e nos comece ali mesmo a fazer sexo oral, apenas porque sentiu vontade, e não resistiu.&lt;br /&gt;Só pode estar doente, muito doente ou ser muito louca, totalmente desviada das normas convencionais. Por outro lado; eu ao entrar também nessa loucura passei a ser conivente e a permitir e participar diretamente dessa situação, sendo tão ou mais irresponsável e louco do que ela.&lt;br /&gt;Então entre ficar tão ou mais louco que ela, ou parar, eu decidi parar, afastar-me dessa grande loucura diária da minha vida, e mesmo contra a sua vontade coloquei um ponto final em tudo aquilo e de um modo radical.&lt;br /&gt;Hoje, eu penso muitas vezes, que se eu tivesse conseguido corrigir o seu problema psico-alimentar, se não teria sido possível aproximar mais aquela relação, e terminar com aquelas loucuras, mudando para algo mais de acordo com a normalidade. Cheguei a imaginar a minha vida mudada. Embarcar naquele relacionamento que tinha alguns momentos de loucura. Mas que ao mesmo tempo tinha muitos momentos de companheirismo; romance; amor; entendimento; respeito mútuo; lógica cultural em termos de debate de conhecimentos. Mas como conseguir viver tudo isso, que era sem duvida muito bom, em conjunto com o exagerado relacionamento intimo, esse sim que tinha que ser regrado, mas tudo isto, achava eu, poderia ser resguardado se terminassem os períodos de pura loucura e desorientação psicológica e comportamental.&lt;br /&gt;Eu sabia, eu sei que poderia ter dado certo, e sofri muito interiormente por me sentir impotente perante tanta falta de capacidade em conseguir mudar alguém, em conseguir dar-lhe uma chance na vida!&lt;br /&gt;No fundo talvez que tivesse sido uma chance mutua, embora por razoes dispares.&lt;br /&gt;Ela estava doente, eu sabia perfeitamente que isso era real, mas eu não era medico, e muito menos os médicos conseguiam ajudar. Cheguei então á conclusão de que só ela própria iria conseguir ajudar-se e recuperar-se. Se tivesse forças para isso, e vontade muito forte a nível interior, e; sobretudo mental.&lt;br /&gt;Sei hoje que tal como eu suspeitava na época, jamais se conseguiu ajudar e recuperar, e com isso o seu fim foi só uma questão de mais tempo ou menos tempo.&lt;br /&gt;Muitas vezes escutamos dizerem: &lt;br /&gt;“Se arrependimento matasse!”&lt;br /&gt;Pois eu não estou arrependido desta minha situação.&lt;br /&gt;Só aprendemos de verdade na oficina da vida, e como o amor é livre, selvagem, e quanto mais nos sentimos integrados dentro desse estado de total liberdade, mais temos consciência da alegria que significa viver com uma, outra pessoa, porque assim escolhemos.&lt;br /&gt;Se, no entanto; acionarmos o retrovisor da nossa historia pessoal, entretanto veremos que; já tivemos outros motivos para nos orgulhar bem mais. No entanto ninguém pode realmente viver preso ao passado, porque as nossas emoções transitam sempre em forma de lembranças, entre o nosso passado e o nosso presente, e todos os dias nós vivenciamos novas e inúmeras emoções e acontecimentos, nem sempre positivos, mas que diariamente interferem determinantemente e sem qualquer duvida com a nossa vida.&lt;br /&gt;“Quando é que as mulheres começarão a intuir que acima de todas as infidelidades se acha a verdade, quer dizer, a fidelidade a si mesmas...”&lt;br /&gt;‘Alice James’&lt;br /&gt;Hoje, passados todos estes anos, e rememorando tudo quanto vivi com Ana, cheguei a muito triste conclusão de que ela foi de uma fidelidade total a si mesma. Ela era realmente assim, e não quis mudar uma vírgula, naquilo que realmente era.&lt;br /&gt;Claro que o arrependimento pode mesmo matar, mas noutras circunstancias, e eu até já devia estar morto. &lt;br /&gt;Logo eu que abomino dar dinheiro em troca de prazer, fui levado até ao Brasil, para dessa forma alimentar a “prostituta” mais cara da minha vida. Pois que uma “prostituta” não é só aquela que troca sexo por dinheiro ou bens, como consciência disso. É também toda aquela que se envolve para deliberadamente recolher mais valias diretas ou indiretas.&lt;br /&gt;A minha vida ao fim de algum tempo no Brasil, descambou na total desorganização familiar, com a tentativa ultima da minha ex-sogra em querer controlar e comandar a minha vida pessoal. Ao mesmo tempo o meu relacionamento com a Fernanda por essa e outras razões estava na reta final. Como que voltei a uma época por mim também conhecida de alguns anos a esta parte, eram os tempos de uma mulher por dia, do prazer pelo prazer, da ausência de sentimentos de afeto, da ausência de mim mesmo, em alguns aspetos.&lt;br /&gt;É no meio dessa turbulência que surge a Raquel Fernandes das Chagas, uma Brasileira sem nada de especial em termos de imagem, tirando talvez a sua grande desenvoltura em termos de conversa e, capacidade de argumentação, mesmo quando sabia não ter razão. A Raquel vivia saltando de casa em casa, e tanto quanto me acabou por contar, a sua vida era assim já á longos anos.&lt;br /&gt;Nascida de uma relação da mãe com um cavalheiro que desde logo a abandonou para partir para São Salvador da Baia, a mãe ao dar á luz teve que a deixar registrada como filha do seu pai, portanto o avô da Raquel; virou em termos burocráticos e legais, que não biológicos, um pai.&lt;br /&gt;Foi criada pelos: avós, maternos. E pelas tias, uma vez que a mãe não tinha condições materiais e mesmo de formação para a; conseguir criar condignamente. Depois, mais tarde foi para casa de uma tia e dedicou-se ao estudo aprofundado da religião evangélica. &lt;br /&gt;Uma das principais razões, da sua vida ir sofrendo mutações desde muito tenra idade, foi, para além da influencia familiar, o fato de que desde logo se apercebeu que; a sua mãe que também vivia lá em casa, era também algo mais para a sua tia do que simples irmã, o que fez da religião um escape para tentar fugir do pecado que os seus olhos viam diariamente. A sua formação foi tão proveitosa, a nível de religiosidade como função, que chegou a dar formação a jovens, com a leitura da bíblia e outros textos religiosos.&lt;br /&gt;Foi-se mantendo aos saltos de casa de uma tia para a de outra, até que resolveu tentar dar um rumo na sua vida e ir trabalhar.&lt;br /&gt;A igreja Evangélica, no entanto; não permitia muitas das liberdades que lhe estavam a surgir como jovem, nomeadamente achava que era chegada a hora de perder a virgindade, e a igreja proibia terminantemente esse avanço na sua vida pessoal, assim depois de muito arquitetar acabou por escolher um empregado da sua prima e amiga Elizangela para levar a efeito esse desiderato, ao mesmo tempo, que; decidiu abandonar a igreja como crente e passar a ser uma jovem normal do seu tempo.&lt;br /&gt;Segundo contou com todos os pormenores possíveis, escolheu o dia certo, e foi direta ao assunto, e ali nos fundos do escritório da empresa da prima, convidou o trintão para lhe fazer o tão desejado trabalho. Depois veio a arrepender-se mas, já era muito tarde para parar, pois escolheu um mestiço que era possuidor de um avultado membro que ao levantar das suas saias nem olhou duas vezes e foi por ali fora sem parar ou ter algum cuidado, nesse mesmo dia passou a gostar de ser penetrada também por trás, e talvez daí o seu gosto muito especial pelo sexo anal.&lt;br /&gt;O pior foi o inicio, pois relatou que sangrou muito, devido ao tamanho do membro do primeiro candidato escolhido, que a deixou em pânico quando o colocou na sua mão, sendo que nem conseguiu fazer sexo oral, pois; segundo descreve, o seu tamanho era de tal forma exagerado que a deixava engasgada. Mas depois deste portador de penis do tamanho XXL, muitos outros se seguiram, e segundo ela, mesmo dizia, se havia algo no mundo que gostava realmente de fazer era; sexo, sobretudo anal.&lt;br /&gt;Realmente esse seu desejo de iniciar a vida sexual pode ter tido origem num episodio que também contou com muito preceito, e referente á presença da sua mãe em casa de uma das tias. Assim; teria ela na época uns 5 ou 6 anos; uma noite escutou ruídos estranhos vindos do espaço onde estava a cama onde a mãe dormia, e que como ela era ainda muito jovem ficava apenas separado por uma cortina, do espaço onde estava a sua cama, daí que perante os ruídos tenha ido espreitar e tenha presenciado toda a cena da sua mãe fazendo sexo com a sua tia. Esse foi um momento que ela referia como inolvidável, pois conseguir ver duas mulheres satisfazendo-se sexualmente, ainda mais ali tão próximo, na sua frente, era algo único. Viu esse espetáculo muitas vezes, e com a sua mãe a poder gozar com outras parceiras, que foram surgindo na sua vida ao longo do tempo.&lt;br /&gt;Depois, ao longo do tempo foi tendo namorados, uns melhores que outros, nos mais variados aspetos; da sua classificação masculina, e; um até se deu ao luxo de conseguir ter relações com a mãe e a tia ao mesmo tempo, pelo que ela acabou com o relacionamento quando os encontrou aos três no maior desfrute na sua própria cama.&lt;br /&gt;Chegou mesmo a ter um namorado com o qual tinha tudo praticamente acertado para casar, no entanto ele embora membro de uma família abastada, era alcoólico e tratava-a como um simples objeto, para comer de vez em quando e manter em casa, e mesmo nesse aspecto segundo ela era um frouxo, sem capacidade de a; satisfazer intimamente como mulher, por isso volta não volta, quando sentia necessidade, arranjava um colega de trabalho que numa hora vaga lhe colocava os gostos e prazeres em dia.&lt;br /&gt;Foi então morar com um novo namorado que vivia em casa de uma irmã, mas acabou por descobrir que apenas ali estava em troca de sexo ocasional, quando ele sentia prazer e a procurava para se satisfazer.&lt;br /&gt;Antes dessa sua nova morada tinha estado uns meses a viver em casa da prima, a tal famosa Elizangela do primeiro de muitos, e também aí as coisas não tinham corrido muito bem, pois um dia o marido dela chegou um pouco embriagado e foi ter com ela ao quarto para tentar manter com ela relações sexuais. Na verdade eu nunca engoli muito bem essa historia, e hoje perante os acontecimentos anteriores e posteriores; acho mesmo que o marido da prima devia conseguir ir dando cobertura intima ás duas, no entanto ela apontava essa como a razão principal da sua saída lá de casa.&lt;br /&gt;Entretanto começa a ter um relacionamento comigo, e eu próprio a incentivo a; ter uma vida própria, independente, no fundo a mudar de vida. É então que decide alugar um quarto na casa de uma promotora imobiliária de nome Iracema para todos e profissionalmente conhecida como Cema.&lt;br /&gt;Na realidade a sua empresa imobiliária é assim algo artesanal, funcionado em moldes típicos brasileiros e familiares, no bom sentido do desenrasca para ir dando para pagar a eletricidade e o aluguer da casa. O alegado escritório funciona numa das salas da residência, mais parecendo a extensão da sala de estar, onde se pode encontrar os sapatos do filho, as suas calcinhas a secar numa cadeira, ou um vestido pendurado no armário onde estão os papeis para fazer os alegados contratos de aluguer. Enfim uma confusão imensa em que só ela mesma consegue viver e funcionar.&lt;br /&gt;Para ajudar em toda esta “bandalheira” ainda podemos encontrar o filho, que até de nome indica logo que estamos na presença de algum ser estranho, e vindo de outra galáxia, o Ygor, um jovem com algumas limitações psíquicas, mais parecendo um “chimpanzé” tanto no aspecto como no raciocínio como na forma de estar na vida. Por certo este jovem, deve ter algum problema de retardo mental. Um jovem com cerca de 7 anos que não sabe pegar num talher e continua a comer com as mãos como qualquer “Símio”, isto de forma alguma pode ser tido como normal nos dias de hoje. Por outro lado tem por vezes momentos de paragem e imobilização durante largos minutos. Parece distante não escutando nada, e aparentando um olhar sinistro e por vezes mesmo tenebroso, para com as pessoas circundantes.&lt;br /&gt;A mãe saia para ir tratar de algum assunto, e fechava-o no quarto á chave, a sua imagem a espreitar na janela gradeada com aquele seu aspecto e cor de pele ‘mascavada’ é que me fez imaginar nele um “chimpanzé”.&lt;br /&gt;Foi nessa casa que eu acabei por passar um dos maiores sustos da minha vida, vividos até hoje, ao beber um chá oferecido pela tal Iracema, que me colocou num estado nunca antes vivido.&lt;br /&gt;Assim, cerca de meia hora após ter ingerido esse chá, eu fiquei com um tal grau de mau estar interior que; só me possibilitava estar deitado e virado para um dos lados, se me voltava com o rosto voltado para o teto, tudo girava em meu redor e parecia que o teto baixava até ao meu rosto para me esmagar contra o colchão, e depois voltava a subir com a minha vista a ficar com imagem de cores disformes, e eu não conseguia distinguir nada em meu redor, nem sequer a porta de saída do quarto, tudo isto aliado a uma terrível má disposição, que estranhamente não era para vomitar, mas que parecia que me transformava em algo a varias dimensões, e com o corpo a passar por transformações que me levavam a quase entrar ao vivo nas reações vividas pelos atores do conhecido filme ‘Matrix’. Entretanto eu galhardamente recusava-me a fechar os olhos e tentar dormir, embora a sonolência fosse enorme, e a má disposição não passava, só aumentava, sendo que eu não me conseguia manter em pé, muito embora tenha tentado várias vezes, com a idéia fixa de me ir embora daquele local, em busca de auxilio de alguém no exterior. Ali, no interior daquela casa, eu não pretendia qualquer ajuda, nem sequer a de Raquel, pois eu já desconfiava de todo o mundo.&lt;br /&gt;Passei por momentos de grandes suores e taquicardia, sempre acompanhados com a má disposição e esporádicas deturpações da visão.&lt;br /&gt;Fiquei neste estado verdadeiramente alucinado por cerca de duas horas, sem conseguir sair dali, por um lado eu não queria dormir de forma alguma e por outro não me conseguia levantar, pois as tonturas não paravam e eu cambaleava como um bêbado, o que teria impossibilitado a minha condução do buggy para longe dali.&lt;br /&gt;Cheguei a pensar que iria morrer, mas com uma grande insatisfação por não saber de que, e ainda mais numas condições terríveis.&lt;br /&gt;Por fim, e muito lentamente, a situação foi passando, e assim que me consegui levantar e dar uns cambaleantes passos, lá rumei aos tropeções para a minha viatura, na época um buggy, e dali sai sem rumo estabelecido, eu só queria mesmo era conseguir encontrar o mar. &lt;br /&gt;Recordo-me que estacionei junta da praia que fica ao pé do ‘Meg Shoping’ em João Pessoa, e ai fiquei deitado na areia, respirando o ar puro do mar, olhando o céu estrelado, durante longo tempo. &lt;br /&gt;No caminho, e que dista umas centenas de metros, dali ainda senti problemas com a visão. Sobretudo a minha visão a média e a longa distância, e mesmo ao olhar de perto as luzes ainda me surgiam algo disformes. Dessa forma um ou dois dos semáforos que tive de ultrapassar, foram martírios pois; sentia um medo terrível de poder passar como o vermelho ainda acesso, e assim poder provocar involuntariamente um acidente, fiquei ali parado nos semáforos até que o som de uma buzina de um condutor parado na retaguarda me dava sinal de avançar.&lt;br /&gt;Foi uma experiência para não mais esquecer, e jamais ser repetida. Só a posso caracterizar com uma palavra. Terrível!&lt;br /&gt;Dias depois confirmei o que já tinha desconfiado, e agora podia confirmar, a Iracema tinha um jeito especial para feitiçarias e para as chamadas macumbas, assim como a Raquel, que conhecia os produtos próprios para isso. &lt;br /&gt;Eu descobri essa especialidade da Raquel, quando ela foi arrumar alguns armários da cozinha de Iracema, e encontrou caixas e sacos com certas raízes, e ervas secas, bem como velas queimadas, juntas em grupos amarrados com cordéis e com papeis com nomes anexos, isto não era normal, e perante a minha pergunta a Raquel referiu que eram de serviços já feitos. Por outro lado aquelas raízes eram de vários tipos e nomes, alguns dos quais ela até sabia de cor. E mais interessante é que também sabia como eram utilizados e quais os efeitos, de entre estes o que mais me chamou á atenção foi mandrágora, desde logo recordei Romeu e Julieta, e até cheguei a imaginar se não me teria dado essa ‘porcaria’ misturada com outras como um normal chá...&lt;br /&gt;Por ironia do destino, nesse mesmo dia ficou estabelecido por mim, que eu jamais entraria naquela casa, ao verificar que alguém lhe tinha deixado na porta de casa um prato cheio de cachaça com velas acesas dentro, e uma boneca de pano, pequena com variados alfinetes espetados e estrategicamente colocada no centro do prato e no meio das velas. Ela estava a chegar a casa e perante aquela imagem saiu do carro apressada, e chutou tudo aquilo com um violento pontapé, dizendo umas palavras bem estranhas, que não consegui decifrar.&lt;br /&gt;Realmente eu não acredito nessas situações de bruxaria, mas que como dizem os Espanhóis: “... que las hay, Hay! las hay mismo...” e, portanto; perante aquela quantidade de material estranho, mais a alegada “macumba” feita á sua porta, mais os efeitos demolidores do chá; isso tudo junto foi para mim o ponto final. &lt;br /&gt;Foi também nesse momento que a Raquel decidiu ir viver para casa da mãe, em Mangabeira, um dos bairros mais violentos da cidade de João Pessoa, onde muitas vezes a lei é a do velho Oeste, quem não mata, morre na hora, e nem importa o local!&lt;br /&gt;Digo casa, mas na verdade era um casebre, dos muitos que se podem encontrar numa Favela pelo Brasil fora. Sem o mínimo de condições de ser habitado, sem higiene, enfim eu vi em aldeamentos de África melhores cabanas, e com mais dignidade em termos de condições para se viver.&lt;br /&gt;Foi ai que eu, com pena da sua situação pessoal, resolvi no meu regresso ao Brasil deixar que fosse morar para o meu apartamento, obviamente que sabendo tudo quanto sei hoje, jamais o teria permitido, no entanto o erro esta cometido, e o tempo jamais volta para trás, e se arrependimento mata-se...&lt;br /&gt;No entanto foi importante para mim ter vivido essa situação desde Setembro até ao mês de Novembro, pois nesses cerca de 2 meses aprendi muito em termos pessoais e humanos. Obtive um crescimento muito grande interiormente como pessoa, e também no conhecimento do relacionamento humano, hoje devido a isso sou um ser mais consciente e ao mesmo tempo muito mais frio no trato humanitário com certas e determinadas situações.&lt;br /&gt;Naquele apartamento passaram a acontecer fatos que eu a titulo pessoal abomino totalmente, como roupa espalhada pela casa, tanto para lavar como lavada. Sapatos ou chinelos um pouco por todo o lado. Ganchos do cabelo abandonados na bacia, no bidê no local do duche, no próprio chão. Loiça amontoada para ser lavada, quando; “... a rainha fizer anos...” enfim; um sem numero de ocorrência com as quais eu jamais consigo conviver, pois são totalmente contra o meu modo de viver, e para mim são um dos indicadores numero um do que quero ou não quero em minha casa, e essa situação eu não quero de forma alguma, que faça parte da minha vida do dia a dia. Nunca conseguiria viver com uma mulher com essas condicionantes de total abandalhamento da imagem de uma casa.&lt;br /&gt;Por ironia do destino, e provando como o mundo é pequeno, e mesmo sem querer muitas vezes os fatos se repetem, hoje, temporariamente vivo uma situação idêntica. E também mais uma vez já decidi que não é isso que eu quero para mim. Jamais eu viveria com uma pessoa com estas credenciais, no entanto também agora observo os sapatos a ficam abandonados pela casa, muitos deixam os chinelos na entrada da porta, estilo “barraca do cigano” e também a roupa vai ficando um pouco por aqui, e por ali, sem arrumação, lei ou ordem. Outro fato interessante esta minha relação momentânea, conhece a famosa Iracema, o que também me deixa um pouco de certa forma apreensivo, em relação obviamente; ao tratamento com certos métodos mais próprios do “sarava”.&lt;br /&gt;Foi necessário chegar ao Brasil para vir encontrar estas situações. E ainda por cima todos estes personagens pertencem á Igreja Evangélica, não que eu tenha nada de particular, contra ou a favor desta ou outra qualquer religião ou seita, mas o fato é que é as coincidências são no mínimo muito curiosas e intrigantes, sobretudo para um Ateu; como eu.                   &lt;br /&gt;Á primeira vista a Raquel aparentava ser; uma companhia agradável, e depois de melhor conhecer o seu elevado potencial sexual, pois ela entre outras coisas adorava, sobretudo; sexo anal era mesmo louca por isso, e eu assumo que nunca me fiz rogado aos seus gostos, foi assim ficando, um dia após outro como que para convívio sexual, ainda mais que eu reconheço, não vivia um dos meus melhores momentos em termos de estabilidade emocional. &lt;br /&gt;No restante, bom cumpria o trivial, sem ser nada de fazer parar o transito. Pelos seus escritos que ainda conservo, assumia a sua grande paixão, e mesmo até á hora da roubalheira mantinha uma imensa vontade de manter de pé o relacionamento. Depois enveredou por ameaças pessoais, e para culminar pura e simplesmente assaltou a minha casa, levando mais de 8 mil reais em bens, todos registrados em meu nome. Por isso me sinto no direito de assumir que foi no Brasil que eu conheci a “prostituta” mais cara da minha vida, Raquel Fernandes das Chagas, filha de mãe bi-sexual assumida, e pai incógnito, que acabou por ser registrada pelos avos, ficando assim como irmã da mãe biológica, quando deveria ser neta do pai administrativo. Uma confusão de parentescos continuada pelos seus irmãos, cada um com seu pai, que a mãe biológica, uma fanática evangélica, se encarregava de ir colecionando, ao longo da vida. Curioso que a maioria dos evangélicos dizem ser tão crentes no momento do culto, e andam com a bíblia debaixo do braço para impressionar, mas que no fundo são tão depravados, ou mais, do que qualquer outro cidadão não ligado a nenhuma igreja, crença ou seita.&lt;br /&gt;Logo agora que eu falo de evangélicos, e eu saio de uma família para entrar noutra enraizada nesse culto da bíblia debaixo do braço, palavras fáceis, mas não consistentes, e um sentimento doentio de que as suas palavras são lei, ou seja um autentico fanatismo.&lt;br /&gt;Assim na minha nova casa, aqui no Brasil, acabo por conhecer a vizinha do apartamento do r/ch e nasce dai uma atração. Melhor dizendo: uma determinada admiração pela sua simpatia, e assim nasce um novo relacionamento, desta feita com a Lourdes.&lt;br /&gt;O relacionamento com a Raquel já tinha terminado á muito, agora era uma situação meramente carnal, e mesmo assim neste meio tempo já tinha vivido na minha própria casa, por uma semana, a Neide, a tal mulata explosiva. Eu por mera caridade tinha aceitado que a Raquel ali permanecesse, até resolver a sua vida pessoal; até encontrar uma casa, e assim ali foi ficando por mais umas duas ou três semanas, até á data em que resolveu levar a efeito o assalto noturno.&lt;br /&gt;Posso ter tido azar, ou mera coincidência, mas para mim tudo o que diga respeito a pessoas que estejam relacionadas, e sobretudo; enfronhadas nas religiões, nunca corre de forma algo normal ou de um modo bom. Esta foi a minha ultima tentativa, e assim muito embora a Lourdes não seja uma crente praticante, toda a sua família vive debaixo de um certo fanatismo religioso, e dessa forma pude ver in-loco como funciona o seu modo de viver. Batem no peito a palavra “Jesus”, gritam bem alto que vão fazer o bem, mas na realidade estamos perante um autentico bando de “vigaristas” e “impostores” que ‘sacaneiam’ tudo e todos assim que podem. Nesta nova alegada família, os irmãos se ‘sacaneiam’ até não poder mais, é a lei do mais esperto e mais forte que impera, até parece que estamos no meio da selva a lidar com os leões e as hienas, em busca do quinhão melhor da presa.&lt;br /&gt;Como diria o filosofo ‘Manezim Gaudêncio’:&lt;br /&gt;“A política é dinâmica e o adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã!”&lt;br /&gt;Esta máxima é incontestável nesta religião, pois eles não manifestam o mínimo respeito por eles próprios enquanto seres humanos, e, sobretudo; enquanto familiares, atuam bem mais como matilha, parecendo lobos esfomeados em busca de devorar uma presa indefesa.&lt;br /&gt;Lamentavelmente conheci outros produtos dessa congregação religiosa, e não sei se por azar meu eram todos iguais no trato, cheguei então á conclusão de que; se deve tratar de ensinamentos recolhidos nas suas salas de culto, seguindo assim o exemplo do seu demagogo mor, o famoso Bispo Edir Macedo, que dono de uma fortuna impossível de quantificar, sonegada aos muitos ignorantes que vão doando o chamado dizimo em troca de patéticas idéias, com o sonho da entrada no reino dos céus. Tal como outras crenças, não sei quantificar quantas crenças que; fazem difundir as mais variadas crendices, em que algumas chegam ao ridículo de até oferecem umas ‘virgens’ á entrada do paraíso; para os homens que na terra cumprirem alguns rituais que chegam a incluir o seu próprio sacrifício, em atentados á bomba, como quase todos os dias podemos assistir no Iraque. Ou como os Jesuítas que em tempos idos afirmavam os mesmos demagógicos idéias para garantir a entrada monumental e heróica do crente no reino dos céus, dessa forma esse reino deve estar cheio de gente, com uma população incalculável a conferir pelos muitos ‘murcões’ sonegados ao longo dos tempos. &lt;br /&gt;Esse tal Bispo Brasileiro, coitado um miserável, pois consegue viver, apresentando como comprovante perante as autoridades fiscais, um rendimento pouco maior do que o salário mínimo nacional do Brasil é alguém que merece a nossa piedade máxima, pois pobre dele, que com esse rendimento declarado, até deve ter direito a levantar a bolsa família mensal, e desta forma, quantas e quantas vezes me recordo, da minha infância e do famoso padre Adão e das suas escabrosas aventuras... &lt;br /&gt;Como é possível que um homem que é dono de uma estação de tv, jornais, aviões, mansões e contas bancarias avultadas no estrangeiro, não ser colocado perante a verdade e enviado para o seu devido lugar, que deveria ser a prisão por pura vigarice, só mesmo no Brasil, muito embora tenha montado sucursais também na Europa, nomeadamente em Portugal, onde infelizes da vida, tentam acredita num amanhã melhor, a custa do pouco que conseguem amealhar.&lt;br /&gt;A minha opinião pessoal perante os crentes das diversas igrejas e seitas, obviamente que é polemica, mas eu a assumo plenamente. Eu acho que a larga maioria são infelizmente cidadãos tão ignorantes que; nem em si próprios conseguem acreditar, e só por essa razão se enfronham de modo doentio no interior dos templos dessas crenças, procurando encontrar ali aquilo que não conseguem encontrar no interior de si próprios, assim a pobreza de espírito e a fraqueza da alma os faz entregar nas mãos e na bolsa de recolha do dizimo de terceiros; o seu destino.&lt;br /&gt;Faz-me lembrar muitas vezes os nobres antigos, sobretudo os reis que queriam ser imortais, por isso mandavam construir imensos mosteiros e davam; todas as benesses possíveis e imaginárias á Igreja Católica, na esperança desse dom divino, ou em ultimo recurso na tal entrada no tão desejado e místico reino dos céus.&lt;br /&gt;É por causa de exemplos deste tipo que um grupo de ferozes pensadores passou a atacar sistematicamente todas as expressões de fé do homem contemporâneo, atribuindo-lhes a factualmente a responsabilidade por muitos desatinos cometidos nestes últimos séculos da civilização.&lt;br /&gt;Embora eu seja Ateu convicto, e não goste de discutir dogmas, pois que nunca apresentam a resposta para os mesmos, acho, no entanto; que estou certo, de que muitos desatinos foram mesmo cometidos pelo excesso de fanatismo religioso. É certo que muitos dos males da humanidade tem sido cometidos em nome de Deus, de Ala ou de Buda, no entanto o maior causador tem sido sem duvida o homem, que por detrás dessas crendices tem usado e abusado do seu poder e com isso tem conseguido colocar o mundo numa vibração constante, de pólo a pólo.&lt;br /&gt;Nenhum líder religioso está isento de culpas, pois debaixo da sua capa de chamada santidade, e das suas ‘lenga-lengas’ dogmáticas provoca a ira de outrem. O mundo ficaria muito melhor se cada um tivesse a capacidade de pensar por si próprio, sem andar a seguir falsos profetas, pois se Deus realmente existiu, ele é só um.&lt;br /&gt;Todo o fanatismo é irracional. E Deus dispensa com toda a certeza esse tipo de amizades.&lt;br /&gt;A minha forma de pensar a religião esta baseada numa das bases mais sólidas do ateísmo que é a profunda convicção perante o fato de que a religião tem trazido mais morte do que vida ao mundo.&lt;br /&gt;Religião é o subproduto dos medos humanos, da falta de entendimento do sentido da vida, das suas carências emocionais e do seu desejo inato de adoração. Daí que o homem criou as religiões. A religiosidade extrema, e determinada a combater o factual, em detrimento do dogmático, cega e aliena muitas vezes.&lt;br /&gt;Os religiosos usam e abusam da boa vontade das pessoas, mas, no entanto; esquecem que aquilo que nós que; pensamos a igreja de uma forma descomprometida e isenta; é que sabemos que esse tal de Deus, não pertence á igreja, não se subordina aos ritos humanos, não anda acumpliciado com os lideres da religião. Deus não tem pré-requisitos para se chegar até ele, basta uma simples manifestação de vontade, livre de compromissos.&lt;br /&gt;Lamentavelmente, a religião utiliza cada vez mais a palavra Deus, para o seu uso individual, visando unicamente o poder e o dinheiro, afinal de contas abrir uma igreja religiosa é nos dias de hoje um ótimo negocio. Uma Igreja pode eleger um político, pode através dela; ser veiculo para a prática da lavagem de dinheiro, pois as igrejas são imunes á maioria dos impostos, daí que cada vez mais se possam encontrar enxurradas de novos apóstolos e anjos-homens que desejam manter e ampliar o seu poder utilizando gratuitamente a palavra Deus.&lt;br /&gt;Talvez por ser cada vez mais fácil encontrar em cada esquina destes “charlatões”; cada vez se podem encontrar no Mundo, mais pessoas como eu, que não acreditam em nada destas historietas, muito embora tenha consciência de que deve ter existido um homem que tenha andado sobre a terra a pregar, á muitos e muitos anos. No entanto para a mim não existe um Deus superior a reger a nossa vida, a nossa vida é regida única e exclusivamente pela natureza, desde a criação até ao final dos nossos dias. Outras pessoas embora acreditando em um Deus, buscam a sua mensagem de forma isolada na intimidade das suas vidas, talvez esse seja o tal Deus em que acredita a minha irmã Alcina.&lt;br /&gt;O relacionamento com a Lourdes era assim marcado pela clara diferenciação dela em relação ao restante clã, no entanto, sempre influenciada indiretamente pelos pensamentos externos.&lt;br /&gt;Conseguir viver no Brasil quase dois anos é um ato de coragem face ao País real que um europeu aqui vem encontrar, com um processo de evolução da civilização alicerçado na hipocrisia, na arrogância e na prepotência configurado como um País autoritário e violento, aqui a lei é a força.&lt;br /&gt;Para mim mais grave ainda do que a violência é a cultura de intrujice comum a muitos naturais conhecida como o “Jeitinho Brasileiro”, sobretudo utilizado pelos efêmeros detentores do poder que confundem esperteza com inteligência e procuram a todo o instante burlar a lei e a ordem em fatos tão simples, mas as mais das vezes significativos, como; furar a ordem de uma fila, escapar da ação da justiça com artimanhas que estão preparadas de tal forma que neste País é de tal forma humilhada e aviltada a dignidade humana e as leis só existem para condenar os pretos, pobres e prostitutas como se pode comprovar observando os compêndios do direito penal.&lt;br /&gt;Daqui resulta que para um europeu a sua presença aqui é uma constante luta com a sua consciência democrática e social, pois jamais conseguimos observar nesta terra um ideal de justiça como o que o jurisconsulto Romano ‘Ulpiano Apucana’:&lt;br /&gt;“Viver honestamente, não enganar ninguém e dar a cada um o que é seu!”&lt;br /&gt;Não que eu acredite em santinhos, mas na verdade aqui existem muitos exageros de conduta, perfeitamente admitidos e consolidados como dados adquiridos, no dia a dia.&lt;br /&gt;A minha tentativa pessoal de constituir uma família, com a Lourdes, seguindo os velhos cânones Massapina, de que sem uma família somos devorados pelos lobos, ou seja; pela própria sociedade, estava assim a seguir um caminho de tentar, e se bem que no inicio prometia poder tornar-se um êxito, acabou ao longo do tempo por virar um profundo fracasso.&lt;br /&gt;Por um lado eu não conseguia nunca assimilar a cultura da sua família, pois me recusei a deixar controlar e colonizar. Isso nunca aconteceria e obviamente que acabou por não acontecer, e claro que não iria ser agora que eu me iria sujeitar a mudar de pensar em termos sociais, religiosos e outros. E por outro lado é bem visível que face á minha personalidade forte e frontal, também, jamais eu conseguiria ser aceite por aquela gente.&lt;br /&gt;Aquela alegada família era visível que tinha tido princípios algo nobres por parte do pai e da mãe de Lourdes, no entanto talvez que o excesso de dinheiro os tenha tornado por um lado ridículos e por outro lado; totalmente insanos ao direito e ao dever e abertos a uma política do deixa andar.&lt;br /&gt;Uma irmã “sanguessuga” consegue viver largos períodos da sua vida em casa da irmã, sem sequer contribuir para os gastos normais e diários. Na sua ultima investida foram 6 longos meses de hospedagem e quando finalmente saiu, teve que ser quase á força e nem um muito obrigado deixou, resolveu sair um dia como uma fugitiva. No entanto passados alguns meses lá vinha ela para mais uma nova tentativa de hospedagem, mais um exílio dourado, e ai foi o meu temperamento e total frontalidade que salvou a Lourdes de mais uma invasão familiar, digo salvou; mas é mentira, pois ao não conseguir acampar em casa da Lourdes ela foi encaminhada para casa do filho, e na mesma a Lourdes contribuiu com o abastecimento da despensa. Pelo menos foi uma tentativa abortada em termos econômicos diretos que não indiretos.&lt;br /&gt;Um outro irmão vai ‘vigarizando’ toda a família de um modo bem visível e descarado. Sem profissão, vive de expedientes e de enganar um e outro. Lançado na política local acabou por entrar um dia como tigre e sair algum tempo passado; como um gato sem escalpe. Antes disso provocou um desfalque numa empresa onde esteve empregado, e claro que o xadrez foi o seu caminho, ficando á sombra algum tempo. No entanto exceto uma irmã, a única com um pouco, para não dizer muito de visão e dignidade, mais ninguém lhe diz nada, uns por temor reverencial, outros por terem o rabo preso a alguma situação estranha e comum.&lt;br /&gt;Lá vem a minha objetividade ao de cima, ao verificar desde a primeira vez que o vi que; lidava com alguém de pouca confiança, pois sempre me ensinaram que homem que não consiga olhar nos olhos de outro homem, não é de confiar minimamente, e este individuo não olha nos olhos tanta é a sua falta de confiança de enfrentar alguém, que tal como eu, quase consigo ler no fundo dos olhos e; entrar de modo descarado até ao fundo da alma.&lt;br /&gt;Também aqui tive que um dia colocar ordem na capoeira, informando o cavalheiro, olhando-o bem na cara, de que sabia que no Brasil se pode encomendar alguém por meros quinhentos reais, mas que eu não necessitava disso; uma vez que ainda tinha duas mãos. Por outro lado, em ultimo recurso e se necessário fosse eu sabia também muito bem a quem encomendar o serviço. Ficou assim desde logo estabelecido o limite da cerca de proximidade, e ao mesmo tempo a conhecer e saber com quem lidava, eu nunca fui de mandar recados por ninguém, gosto muito de os; transmitir, eu mesmo e de preferência diretamente, olhos nos olhos, pois assim consigo pegar desde logo o ‘boi pelos chifres’.&lt;br /&gt;Outra irmã; veio do Rio de Janeiro atrás do cheiro da herança dos pais. Antes mesmo de chegar, alugou por aqui uma casa para a família se instalar, no entanto quando chegou acabou por montar hospedagem, com armas e bagagens em casa da irmã Lourdes, e foi comendo e bebendo com mais 5 filhos, durante bem mais de um mês. Acabou por ter que sair quase á força e mesmo assim contrariada, quando lhe tive que dizer umas quantas verdades no momento certo, e a proibir de entrar em casa enquanto eu por ali estivesse a viver.&lt;br /&gt;É essa mesma irmã que já numa fase de discussão de partilhas, chama ladra á irmã em plena via publica, a irmã que a acolheu na sua própria casa. Logo a única irmã que ainda nada recebeu de bens da família, por adiantamento ás partilhas. No entanto a irmã continua a falar-lhe. É espantoso como o filosofo Manezim Gaudêncio tem toda a razão na vivencia social brasileira.&lt;br /&gt;Depois de ir constatando, que esta família é mesmo assim. Ainda pude verificar que fazem da casa da irmã um armazém de hospedagem permanente de toda a família, e que ela nunca consegue dizer não a toda esta ridícula situação. Vai dizendo sempre sim ao acumular de dividas e ao avolumar de despesas para conseguir manter sempre ativo o seu modo de ser. No entanto ninguém ousa tomar a iniciativa de um auxilio pessoal, se sentirem que existe algum problema no horizonte, antes pelo contrario, quanto maior é a pressão, maior é a carga que vão desenvolvendo.&lt;br /&gt;E eu estou de momento, no meio desta alegada família, onde um filho com pouco mais de 5 anos, um ‘fedelho’, comanda a vida da mãe, como se fora ele o pai dela. A criança assume a liderança nas exigências, faz birras como forma de chantagem direta, e ela; lá vai dizendo a tudo que sim, sem colocar a sua postura pessoal de mãe em primeiro lugar.&lt;br /&gt;O outro filho de 24 anos, não trabalhava até á pouco tempo, não estuda, vive de expedientes, e claro da mesada da mãe, para poder sustentar a mulher e o filho, que de modo irresponsável criou, ao criar um romance com a baba do irmão, que de empregada ansiava passar a patroa, e assim dar o golpe do baú.&lt;br /&gt;É esta a alegada família, que eu um dia achei que poderia dar certo para mim, que eu um dia imaginei que poderia integrar. No entanto ao fim de cerca de um ano de inúmeras tentativas, sei que jamais poderá dar certo, pois após ter tentado tudo, tenho a nítida sensação de que tal como anteriormente, com Ana de Sousa Leal, também aqui não consigo ter qualquer êxito na tentativa de transformar algo.&lt;br /&gt;É assim que eu continuo sem desistir, na minha busca da felicidade, procurando conseguir formar uma nova família.&lt;br /&gt;Posso enganar-me mais uma vez, mas quanto mais vezes conseguimos encarar as dificuldades, os aborrecimentos e as frustrações, como teste para desenvolvermos a nossa personalidade, a nossa paciência, e perseverança, maiores serão sem duvida as nossas possibilidades de crescimento e evolução interior.&lt;br /&gt;Sempre que as coisas derem de algum modo errado e formos forçados a mudar os nossos planos por algum imprevisto inesperado, não nos esqueçamos de que a flexibilidade e a aceitação da mudança de rumos podem fazer toda a diferença.&lt;br /&gt;Hoje a nossa estrada da vida esta já feita e pavimentada, porque os conhecimentos adquiridos já nos abriram caminhos rigorosos, mas temos que ser, no entanto; vigilantes e disciplinados para tentar não cometer os mesmos erros do passado. Tais requisitos devem ser os mais importantes, e muito embora o amor seja livre e selvagem, e quanto mais nos sentimos nesse estado de total liberdade, mais temos consciência da alegria que significa viver a vida com outra pessoa, desde que seja a pessoa certa, na hora certa, no local certo e porque assim escolhemos de modo recíproco.&lt;br /&gt;Quando a nossa vida parece ir tomar um rumo, uma definição, eis que tudo muda de um momento para o outro.&lt;br /&gt;Gosto muito de ler inúmeros aprendizados e modelos mentais, sobre os mais variados temas. Recentemente li um que como que parecia escrito á minha medida, assim como se fosse feito mesmo para mim.&lt;br /&gt;As pessoas estão constantemente interagindo com o meio em que vivem, e com isso, estão constantemente a modificar-se, assim na visão construtiva de Piaget, isso é chamado de “chama adaptação”. E o processo de adaptação, por sua vez, também segundo Piaget, compreende outros processos; assimilação, acomodação e equilibração.&lt;br /&gt;Na assimilação, as pessoas enfrentam situações novas a partir dos modelos mentais de que dispõem e permitem que novos modelos mentais se juntem aos que elas já tem como adquiridos e admitidos no seu espaço de saber. &lt;br /&gt;Na acomodação, elas fazem uma espécie de triagem dos modelos mentais disponíveis, reorganizando-se e modificando-se para que ofereçam melhores respostas ás suas novas experiências e necessidades.&lt;br /&gt;Já na equilibração, que muito apropriadamente podemos ir chamar de “crescimento da Inteligência”, as pessoas desequilibram-se momentaneamente em busca de soluções para alguma situação desafiadora, e nesse processo, as suas estruturas mentais reorganizam-se e se ampliam, permitindo maior compreensão da realidade. Depois disso a pessoa repõe o seu equilíbrio... muito mais inteligente!&lt;br /&gt;Resumindo, aumentamos a nossa inteligência quando estamos diante de uma situação nova para a qual ainda não temos um padrão de resposta assimilado. &lt;br /&gt;Situações completamente novas nos desequilibram, nos levam a buscar uma resposta adequada, a aplicar essa resposta e, depois, a assimilá-la e acrescentá-la á nossa coleção de modelos mentais, que é o nosso arsenal de inteligência.&lt;br /&gt;O aprendizado é um processo continuo na vida das pessoas. Disso todos nós sabemos; o que nem todos nós sabemos é que ele é um importantíssimo recurso para aumentar a inteligência.&lt;br /&gt;Eu próprio só a pouco e pouco fui ficando capacitado para a importância de não desperdiçar esse valioso recurso, e assim o utilizar para a minha vida pessoal do modo mais espontâneo, mas ao mesmo tempo reunindo todas as condições necessárias para que a sua assimilação seja um verdadeiro êxito em cada instante.&lt;br /&gt;É dentro dessa filosofia e sem planejar nada que em determinado momento da minha vida surgem as situações para acrescentar ás possibilidades de resposta ao êxito da minha vida.&lt;br /&gt;Foi assim que conheci alguém, que é um edificante importante momento da minha vida, uma verdadeira lição de vida, um valor importante e não superficial.&lt;br /&gt;Passados já neste momento, mais de três meses de relacionamento mais intenso, penso mesmo; na minha habitual pergunta:&lt;br /&gt;Mas porque? &lt;br /&gt;Porque não dar uma oportunidade, uma chance á vida...&lt;br /&gt;Porque não?&lt;br /&gt;E vou mesmo dar essa oportunidade a mim próprio, e dessa forma tentar mais uma vez uma hipótese de vitória pessoal.&lt;br /&gt;Eu penso sempre que pode ser.&lt;br /&gt;Quem sabe?&lt;br /&gt;Ninguém!&lt;br /&gt;Nem eu próprio neste momento sei, só mesmo arriscando se pode vir a; saber, mas; como eterno perseguidor da hipotética felicidade pessoal, assumo que vou dar mais uma chance, mais uma á minha vida!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-9103095837090699649?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/9103095837090699649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=9103095837090699649&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/9103095837090699649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/9103095837090699649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxvii-dar-uma-chance-vida.html' title='XXXVII - DAR UMA CHANCE Á VIDA…'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-6027191959236054443</id><published>2008-04-11T17:48:00.000-03:00</published><updated>2008-04-11T17:50:04.112-03:00</updated><title type='text'>XXXVI – UM SONHO UMA NOVA VIDA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;“Meu amor, se exposto em out-door gigante, fatalmente será confundido com slogan de refrigerante”&lt;br /&gt;‘Adeildo Vieira’&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é um destino pessoal que eu; como nunca tinha acontecido na minha vida; ajudo a construir. É sem duvida alguma algo que considero, neste particular momento da minha vida, sinônimo de maravilhoso, desafiador e obviamente deveras desafiador e ao mesmo tempo aliciante.&lt;br /&gt;Nunca como agora a minha vida atingiu um patamar simultâneo, tão grande de felicidade e de angustia, para conseguir transformar em realidade alguns dos meus sonhos pessoais do momento.&lt;br /&gt;Há dias fiquei obstinado com um pensamento exposto em partes de um artigo muito bonito do jornalista Carlos Aranha, como que adivinhando o meu estado de alma, ele que também tal como eu também esta a sentir como nunca acontecera antes; a sua vida como algo finito, e encarando a vida e a morte como a alma mãe de toda uma existência. Nesse maravilhoso trabalho consegue como que ler e transmitir tudo o que vai atualmente, na minha mente, e de tal forma plena o faz, que nem o titulo escapa a esta plenitude de sentimentos:&lt;br /&gt;‘De pleno amor’&lt;br /&gt;“As mulheres, quando não carregam a sombra negra do ciúme, nem quando são servis, dão um toque de suavidade necessário á rispidez desabrida dos insensatos. Suas curvas são belas não somente porque são feitas em carne de qualquer cor, mas porque reforçam a convicção de que o mundo não é horizontal. A sensualidade de cada mulher é para provar que tudo pode ser côncavo ou convexo. E para nós, para respirarmos o mundo, o prazer (e ás vezes a dor) de vive-lo, saímos exatamente do útero. &lt;br /&gt;Mais simbólico, há?”&lt;br /&gt;Claro que estou apaixonado como talvez nunca tenha estado na minha vida. Claro que anseio muito por poder viver esta minha paixão.&lt;br /&gt;E obviamente que depois de muitas mulheres, sempre mulheres de muitas línguas, classes e mesmo cores, tal como os poetas descrevem, como poderia eu ainda sentir uma tamanha paixão, que tal qual surge, até que parece a primeira?&lt;br /&gt;Pois não sei como acontecem as paixões, mas que surgem como uma bomba, algo imaterial que muitas vezes nem se sente ao tacto das nossas mãos, que não tem dia nem hora para detonar, disso eu tenho a certeza.&lt;br /&gt;É a bomba da vida, não que outros amores tenham sido fugazes aventuras, não, alguns não o foram, mas este é diferente, é total, consequentemente sentido e compartilhado. E amar tornou-se de repente algo diferente, construído como uma entrega única sem submissão, com plena consciência de que é aquilo que quero, é aquilo que sinto querer, e por tanto, é por isso que vou lutar.&lt;br /&gt;Nunca na minha vida me senti tão pai sem ser, mas querendo ser pai rapidamente, como que para completar um ciclo que temo se feche rapidamente e sem uma completa conclusão, sem conseqüente objetivo dinástico.&lt;br /&gt;E seguindo mais uma vez as sabias palavras do meu amigo Carlos Aranha, que infelizmente não tenho ainda o prazer de conhecer pessoalmente, acho que a vida não é mesmo vida sem que se possa deixar outra vida.&lt;br /&gt;Eu fui sim egoísta, usei o corpo feminino muitas vezes para prazer e só agora consegui escutar o meu intimo, entender-me e sentir o que é a felicidade que tanto busquei e acabei por descobrir.&lt;br /&gt;“O homem que passa uma vida inteira na terra e propositadamente, porque autoritário, apenas usa o corpo feminino para seu prazer sexual, e não conhece ao menos uma mulher em sua plenitude, desconhece o próprio sentido da maternidade. Ou seja: do ventre de onde saiu”&lt;br /&gt;Como que adivinharam o meu pensamento, a minha ânsia, o meu encontro final com a felicidade.&lt;br /&gt;Não! Não vou morrer.&lt;br /&gt;Não!!!&lt;br /&gt;Eu na verdade sei que um dia irei morrer fisicamente, tenho total consciência e certeza disso, mas não tenho medo disso, em termos físicos. O que eu realmente temo. O que eu tenho verdadeiramente medo é de que possa passar para esse estado comatoso, fatal, tão rápida e inesperadamente, que não tenha tempo de concretizar a minha paixão, o meu sonho.&lt;br /&gt;Como tudo na vida, eu por vezes sou exagerado na compensação de muitos prazeres. É como beber toda a cerveja, e apanhar um imenso porre, só porque nos apetece, bombardear o corpo com absurdos exageros. &lt;br /&gt;Não existem duas mulheres grávidas.&lt;br /&gt;Sei que é isso que mentalmente estão a entender das minhas palavras sobre exagero, mas não. Não existe ainda nenhuma mulher grávida, mas foi fundamental ocorrerem essas situações para eu me conseguir encontrar comigo próprio, e agora perante este meu novo quadro pessoal, sentir que tenho quase o mundo nas palmas das minhas mãos, e tal como escreveu; Ligia Maria Ourique, tenho múltiplas opções: &lt;br /&gt;“Cada um extrai da vida aquilo que condiz com o seu atual interesse e realidade interior. Se um Botânico, um Paisagista, um Engenheiro, Um Pintor e um Jardineiro estiverem caminhando num mesmo jardim simultaneamente, terão todos; impressões diferentes entre si.&lt;br /&gt;O que um observa de um modo, o outro observa de outro, o que chama a atenção a um, poderá passar despercebido ao outro e assim por diante. Por isso, o mundo; aqui mesmo onde estamos. (O mundo aqui mesmo onde eu estou neste momento), independente das evidencias do padrão coletivo, pode ser para cada um, individualmente, um purgatório ou um paraíso.&lt;br /&gt;Há alguns, um pouco insensatos e imprudentes, que se machucam com os espinhos da rosa e irritados a jogam de lado. Há outros, mais atentos e de boa paz, que optam por não brigar com eles, preferem segurar a rosa com jeito e compartilhar do seu perfume e beleza. A flor pode ser a mesma. Mas a opção, é: sempre múltipla, de acordo com cada um.” &lt;br /&gt;Tem toda a razão do mundo a Ligia, a flor pode ser a mesma, mas a opção é sempre de acordo com a opção e sensibilidade pessoal de cada um.&lt;br /&gt;E eu talvez sem me aperceber, já tomei a minha decisão, uma opção das mais importantes da minha vida que foi conseguir entender os diversos porque’s, de em 1961, alguém também ter tomado uma decisão que teve mal ou bem como resultado a minha gestação e a oportunidade de ter sido dado á vida. &lt;br /&gt;E agora mais de 45 anos depois, eu mesmo, no mesmo tempo que descubro esse segredo. O grande segredo da minha vida, da razão de ser de aqui estar, consigo descobrir que tudo se resume a uma simples palavra – Vida!&lt;br /&gt;Sim o segredo da minha vida é o segredo da descoberta da tão procurada felicidade, nada mais, nada menos que – Vida! &lt;br /&gt;A vida é assim algo tão precioso e funciona como uma roda que gira e contorna o tempo, como centro de tudo e tal como a moda, muitas vezes se repete ciclicamente transportada na sua rotação para outras vidas.&lt;br /&gt;Ao longo de mais de metade da minha vivencia neste mundo, os sentimentos e os afetos eram sempre registrados por impulsos determinados pelo conhecimento inconseqüente e inóspito da vivencia passada.&lt;br /&gt;Para mim sentimento e razão eram como que uma batalha no meu cérebro tendo como razão principal a minha própria existência, com a tal pergunta constante que fazia a mim próprio:&lt;br /&gt;Mas quando e por que?&lt;br /&gt;A descoberta recente de que o coração realmente não engana foi para mim algo feliz e ao mesmo tempo angustiante.&lt;br /&gt;Pelo lado da felicidade a confirmação de que o coração não engana, de que o meu coração nunca me enganou, embora eu estivesse muito longe em termos de razão de conseguir encontrar a tal solução final, a solução final do mistério da minha existência, a solução genética da minha vida.&lt;br /&gt;Pelo lado da angustia, o receio de que a descoberta fosse ainda mais intrigante do que a própria pergunta e a constante e persecutória ignorância de anos e anos da minha vida.&lt;br /&gt;E assim acabou por chegar tudo ao mesmo tempo á minha vida, as respostas da origem da felicidade, da origem do porque e a sua resposta e o sonho, quem sabe se não um dos últimos sonhos da minha vida, agora que consegui descobrir tanto e entender como fazer para entender a própria vida.&lt;br /&gt;Algo que eu até á pouco desconhecia e que era motivo de continuas buscas.&lt;br /&gt;Não encontro qualquer explicação para o quanto é importante na minha vida atual a presença de uma mulher, não tem explicação o sentimento profundo de alguma dependência emocional que me acompanha e tudo o que quero é simplesmente viver!... Viver!...&lt;br /&gt;Viver o mais possível e se possível compartilhar esse meu desejo com alguém que soube descobrir esses meus sonhos.&lt;br /&gt;Sonhos de vida, de constituir uma nova família real e ajudar a criar uma nova vida, no fundo fazer girar mais ainda a roda da vida!&lt;br /&gt;Mas realmente eu volto a ser egoísta. Para mim a vida neste momento tanto podia ser vivida com esta mulher como com outra, desde que ela saiba entender o sonho de uma nova vida.&lt;br /&gt;No fundo aquele sonho que martela a minha cabeça, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia, sem parar.&lt;br /&gt;Chego a temer a possibilidade de poder endoidecer, simplesmente por causa de um sonho.&lt;br /&gt;  “Enquanto o mundo pira eu paro para pensar no que fazer.&lt;br /&gt;No meio da força eu faço força para não me arrepender.&lt;br /&gt;E mesmo se estou cego eu sigo.&lt;br /&gt;Um dia quem sabe eu venha a ver clara e elegância!&lt;br /&gt;‘Zeca Baleiro’&lt;br /&gt;A minha vida é neste momento uma grande imagem projetada do pensamento deste poeta cantor. Se existe algo que retrata muito bem de forma clara e precisa a minha forma de estar atual, e de certa forma a paralisia e cegueira que me tem afetado nos últimos meses. O tempo que precisamente tem consolidado completamente as alterações á minha concepção de uma; certa e determinada vida de mais de quatro décadas e meia.&lt;br /&gt;Mas será que foram só; os últimos meses em estive mergulhado nesta aparente cegueira, será que foi só durante a minha estadia aqui por terras do Brasil que estive mergulhado nessa cegueira aparente, ou será que aqui ela se agravou de tal forma, que ao reabrir os olhos, passei a ver o mundo de; uma outra forma, de um outro jeito. Ou será que não criei durante grande parte da minha vida uma concepção muito própria e somente agora defini uma autodestruição de que a concepção do conhecimento era uma atividade até aqui restrita a formas herméticas, complicadas e por mim mesmo pré-determinadas.&lt;br /&gt;Simples fatos que até aqui distanciavam dos objetivos proporcionando, no entanto, uma visão enriquecedora da vida e da realidade vivenciada no dia-a-dia, mas com resultados práticos muitas vezes desastrosos para a minha vida pessoal como, por exemplo, um casamento inconseqüente de 18 anos, em que no final nada restou exceto uma amizade. Nada ficou de pedra sobre pedra, e nem mesmo uma raiz de ligação com o futuro foi possível frutificar de duas décadas de relacionamento.&lt;br /&gt;Hoje mesmo, eu verifico com estranheza como foi possível vivenciar quase duas décadas da minha vida com uma pessoa com a qual não sinto absolutamente nenhuma identificação, tirando algumas cumplicidades pessoais, sobretudo devido a uma atividade política intensa.&lt;br /&gt;É mesmo verdade que enquanto o mundo pira eu paro para pensar no que fazer. Indago o meu inconsciente e tantas e tantas vezes, procuro uma lógica dentro das teorias de Freud e também do Filosofo Alemão Martin Heidegger, para justificar-me a mim próprio, mas acabo por nada encontrar de lógico. Não encontro nada como se a vida pudesse ser o conjunto da soma de várias lógicas, que de lógica obviamente nada tem, o que como todos sabemos não é de forma alguma real.&lt;br /&gt;A vida tem realmente uma razão de ser e uma lógica.&lt;br /&gt;Chegar até aqui é já a soma de inúmeras lógicas.&lt;br /&gt;A complexidade do homem como ser até ao centro do universo é estruturalmente baseada no seu comportamento, e esses fatores são inquestionáveis, portanto o que me posso auto questionar é se na realidade tenho ao longo da minha vida, conseguido interpretar corretamente o meu comportamento, e ai sim me questiono tantas e tantas vezes com resultados práticos de análise, não como ultimamente, em que me quero analisar a mim próprio sobre longos períodos, o que em termos de resultados nunca pode ter grande finalidade.&lt;br /&gt;Paro então, e faço uma interpretação ao meu consciente e entro, entro quantas e quantas vezes no meu próprio inconsciente e observo como que a achada culpa com base numa visão quase cientifica baseada numa identidade de, comportamento, papel, psique, emoção, paixão, sentimento, consciência, fator inconsciente, recalque, compensação, norma, ideal, sujeito, patologia, neurose, individualidade e mesmo originalidade para não falar também no amor próprio e quantas e quantas vezes orgulho em excesso. Sei bem que são tudo conceitos chave, para a compreensão essencial do acesso, as formas mais desenvolvidas, ao meu auto-reflexivo balanço de uma vida e no final; obtenho um saldo de falhas, muitas falhas e omissões, obviamente que ninguém é perfeito, mas eu deveria ter sido um pouco, para não dizer muito mais rigoroso e em termos de maximização de ótimo. Eu devia ter sido mais conseqüente e exigir-me muito mais comigo próprio.&lt;br /&gt;Hoje a mim próprio me pergunto:&lt;br /&gt;É tarde?&lt;br /&gt;Será demasiado tarde?&lt;br /&gt;Será que este é já o meu saldo e balanço final?&lt;br /&gt;Na verdade o que se esconde atrás das cortinas do destino e do tempo e mesmo do espaço não é um destino temível é apenas o destino que mal ou bem foi sendo lapidado hora a hora, dia-a-dia, semana a semana, mês após mês durante mais de quatro décadas por mim próprio e obviamente empurrado por diversos fatores externos que foram surgindo ao longo de uma vida, embora eu saiba hoje, não sei se tarde demais, que nós não somos auto-suficientes para desencadear alguns fatores externos, mas que damos uma ajuda fundamental ao seu surgimento, e disso eu não tenho a menor das duvidas, pois com os nossos comportamentos e decisões, muitas e muitas vezes menos racionais e mais voltadas para um certo pendor da paixão de um momento e ardentemente conhecidas por tantos e tantos vínculos de amor próprio, quantas e quantas vezes mesmo assim feridos.&lt;br /&gt;Mas na nossa vida surgem presenças inesperadas que se tornam constantes, e acontecimentos tantas vezes imaginados ao longo da vida e nunca ocorridos nos tamings pré-estabelecidos e outros que pela sua complexidade nunca imaginamos que possam já vir a acontecer-nos. Mas que mesmo assim e muitas vezes mesmo sem motivo para tal se tornam como que irrelevantes, pela forma como acabam por ocorrer. Estar a viver uma relação de 9 meses, precisamente o tempo que demora uma gestação normal, e não gerar nada, e de um momento para o outro entrar na nossa vida uma outra mulher, que vem revolucionar tudo o que até ai era seguido como tabua de medida universal, e como que nascido do nada ficar com as duas, ao mesmo tempo, com ameaça de gestação, é como se diz em gíria, desta terra dos trópicos: &lt;br /&gt;“Fogo na canjica”&lt;br /&gt;E depois mesmo que á distancia, entrar na nossa vida uma terceira mulher, que revoluciona tudo quanto se tem como dado adquirido.&lt;br /&gt;É ficar sem ter capacidade de reação e comentário...&lt;br /&gt;Mesmo salvaguardando as devidas distancias, nomeadamente o fato de eu neste momento ser um homem divorciado, e portanto, sem qualquer compromisso escrito, mesmo assim só me consigo recordar da situação do meu amigo Sidonio Sousa, que numa única semana conseguiu ser pai por duas vezes e obviamente de mulheres diferentes. Uma a sua legitima esposa e outra de uma tórrida aventura em que andava envolvido á cerca de um ano.&lt;br /&gt;Conseguir juntar duas famílias num mesmo local, para receberem os novos componentes originários de um mesmo pai é deveras hilariante, e de forma alguma uma imoralidade, é mais do que tudo isso, é algo que nem eu consigo encontrar designação, embora se situe entre o absurdo e o exagero de uma vida.&lt;br /&gt;Eu agora, colocado perante a iminência de uma sensação idêntica imagino a náusea e vertigem que deve ter sentido, mas ao mesmo tempo a sensação de grande alegria e admiração por aquelas duas mulheres que se submeteram a esta situação de gritante humilhação. Ainda mais que não sabiam da situação uma da outra, embora estivessem internadas em trabalho de pré-parto em quartos contíguos.&lt;br /&gt;E perante esta situação fazer o que?&lt;br /&gt;Pois nada!&lt;br /&gt;Nada vezes nada, ou seja, no meu caso é assumir a situação e seguir em frente!&lt;br /&gt;Uma mulher de 46 anos, outra de 32 anos. Uma viúva a outra divorciada. Uma com 2 filhos outra com 1 filho de relacionamentos anteriores. E caso se confirme uma gravidez programada e desejada no caso de uma delas, neste caso a mais nova. E uma gravidez não programada e de certa forma indesejada pelo alto risco que comporta uma gravidez aos 46 anos.&lt;br /&gt;Agora a parte emocional de toda a situação. Aquilo que realmente me afeta mais, pois se no caso concreto de uma; ao fim de 9 meses de relacionamento, tudo não passa de uma simbiose de vivencias, sem família e sem assumir constituir família, pois não se manifesta de forma alguma a fim de estabilizar a nossa situação, como que adivinhando que na realidade não existe mesmo situação. &lt;br /&gt;Do outro lado é um relacionamento aparentemente de sonho, uma mulher que parece destinada inconscientemente para mim, dentro de uma vida de muitos e muitos anos, uma simbiose mais perfeita tanto nos momentos mais íntimos como no simples convívio do dia-a-dia. Algo que nunca aconteceu numa percentagem tão grande e conseqüente na minha vida.&lt;br /&gt;Com ela ao meu lado, eu como que sinto a possibilidade de um dia via a poder ter uma família, uma união, até mesmo o jovem nascido de uma outra relação anterior, comunga dessa matriz familiar. Com a outra não acontece em absoluto nada disso, vivo com ela, mas de certa forma não me sinto parte integrante da família, pois a minha orgânica de família é bem diferente. A minha orgânica de família é estruturada na base do relacionamento sólido e isso não acontece, ela tem uma visão da vida baseada no; vão andando, amanhã logo se vai ver como se resolve, e claro que á boa maneira brasileira, e que eu abomino, nunca se resolve. Nunca se tenta antecipar a resolução de possíveis problemas, os problemas quando surgem são atacados em termos de resolução só mesmo quando já não mais podem ser evitados.&lt;br /&gt;Mesmo a educação do jovem da família, o seu filho mais novo, é mais um cuidado das empregadas e das ordens da família do que do real poder de mãe.&lt;br /&gt;Tanto importa que vá freqüentar a escola 2 dias ou 30 ou 29, é igual, basta que um familiar decida levar o jovem e ele ai vai, pois a mãe não tem domínio algum sobre a sua vida diária.&lt;br /&gt;A vivencia caseira é assim do tipo “cabaré espanhol”, onde todo o mundo chega, abanca, come, bebe, dorme e vai embora com a conta por pagar, pois nem um muito obrigado existe para se deixar.&lt;br /&gt;Não consigo ao fim deste tempo todo assumir este tipo de alegada cultura, mais própria da vivencia da tenda dos ciganos, pois se não bastasse essas situações, ainda tenho que ressalvar que a casa funciona mesmo nesse tipo de moldes, com a porta da entrada escancarada, chinelos espalhados na entrada, chinelos espalhados por toda a casa. Roupa amontoada por aqui e por ali, umas peças por passar a ferro outra por arrumar. Roupa suja pelo chão, um pouco por todo o lado, sapatos que vão sendo abandonados indiscriminadamente por todas as divisões, talvez que seja o meu viver que é diferente, ou a minha cultura que é mesquinha.&lt;br /&gt;Reconheço que cheguei a um patamar em que sou impotente para alterar seja o que for na vida desta mulher, pois se a casa funciona dessa forma, o amontoar de dividas é sem numero, e sempre a aumentar, sem noção de que tem que ser pagos os compromissos.&lt;br /&gt;Do outro lado esta alguém que quer assumir uma família, remar para o mesmo lado, arriscar, pelo menos tentar ser feliz e que tem uma imagem totalmente diferente da vida, da vivencia familiar como núcleo central.&lt;br /&gt;Mas dentre toda esta vida agitada, surge mais uma mulher na minha vida. Aquela que revoluciona tudo, que faz bater mais rápido o meu intimo. Aquela que parece estar destinada nas estrelas, para cambiar toda uma vida.&lt;br /&gt;E eu por outro lado; nutro um sentimento profundo, mas um sentimento profundo por mim próprio, em termos individuais, só sentido anteriormente uma única vez na minha vida, e já lá vão muitos e muitos anos, embora nessa época um sentimento muito mais emocional do que carnal e intimo por outra pessoa, concretizado agora de forma conseqüente. Embora que por mais estranho que possa parecer, um sentimento trabalhado na distancia, com um sentir tão próximo, como se ao estender um braço, ele ali esteja, livre para ser tocado.&lt;br /&gt;Cheguei realmente á conclusão que sou talvez realmente um ser para estar só, aguardando talvez um grande desafio que possa surgir, e que altere a minha vida.&lt;br /&gt;A minha vida corre assim aceleradamente no meio de um desfiladeiro de emoções, para uma definição do meu futuro pessoal e emocional.&lt;br /&gt;Conseguir parar e pensar as grandes e profundas mudanças que ocorrem e continuam a ocorrer na minha vida nestes últimos 2 anos, e sem que eu tenha feito grande esforço para tudo quanto vai acontecendo, pois de certa forma sinto que me tenho deixado levar como que pelo andamento do carro do destino.&lt;br /&gt;Talvez que a razão central do destino da minha vinda ao Brasil, tenha sido a capacitação orgânica da minha vida, sendo que por outro lado não tenha evitado, de certa forma ter-me transformado num novo João Viana, ou num Antunes da Silva do século XXI. Esta minha sensibilidade é tanto no capitulo do tratamento pessoal com o sexo feminino, como também agora aparentemente com relação a filhos e paternidades com origem estranha, a se confirmar a consecução da dupla paternidade, e ao mesmo tempo por paixões que deixam a minha vida devastada e longe de ser algo conclusivo.&lt;br /&gt;A minha imagem perante os últimos fatos devera ser mais a de um Antunes da Silva do que a de um Massapina, no entanto só posso atribuir tudo isto a uma pura e conseqüente negligencia pessoal, ou mesmo falta de compromisso para assegurar um melhor recurso na minha personalidade, em alguns aspetos prioritários.&lt;br /&gt;Assumo também que atendendo á alegada cegueira me deixei enveredar numa cadenciada e determinante falta de definição em termos de opção de vida para o futuro pós quatro décadas e meia de vida. Letargia a que somente agora estou a colocar um fim, estudando e estruturando o que posso e devo fazer para ter finalmente uma família, e um ritmo de vida; próprios. Retomando uma vivencia ambiciosa, que muito embora todos os muitos erros que assumo ter cometido, me tem, no entanto, acompanhado por grande parte da minha vida.&lt;br /&gt;Se eu parar neste momento esta analise e perspectiva de construir uma família, tudo isto vai conduzir a um superar das expectativas mais altas em termos de inconsciente, pois corro o serio risco de me transformar, a pouco e pouco, num autentico predador indiscriminado de corações femininos, e obviamente sexual, fatos que nunca me passariam pela cabeça em termos de relação humana.&lt;br /&gt;Pergunto-me o que será que hoje no ano 2007, ás portas do ano 2008, as mulheres conseguem encontrar em mim assim de tão extraordinário que antes eu não tivesse já ou nunca fosse revelado?&lt;br /&gt;Não encontro nenhuma justificativa para que neste momento, em termos, por exemplo, de contatos via internet, eu tenha bem mais de uma centena de contatos que dariam tudo para poder estar intimamente comigo, tanto a viver como a conviver.&lt;br /&gt;Mas a minha vida não pode ser isso, a depredação emocional e sexual, a minha vida hoje de forma determinada, é não poder defraudar mais expectativas, deixando tudo na mesma na minha vida, hoje eu sinto e quero realmente poder mudar a minha vida.&lt;br /&gt;Eu tenho olhado para o tempo, deixando paulatinamente correr os ponteiros do relógio da vida, sem grande noção da passagem do dia e da hora, e agora olho para o relógio e sim observo os ponteiros a caminhar dos segundos, a importância da passagem do tempo e resumo tudo numa frase:&lt;br /&gt;“Mudar de vida!”&lt;br /&gt;Agora tenho que aguardar e programar para conseguir sair desta gruta onde instalei a minha vida, mas como sempre eu sei que vou ser capaz de mais uma vez colocar o barco na água e sair desafiando o vento e as marés por nunca temer o mar.&lt;br /&gt;Aconteça o que acontecer, algo está muito claro na minha mente, eu quero realmente dar um golpe de asa e reentrar na vida ativa de preferência em Portugal.&lt;br /&gt;A minha ambição devia obrigar-me a por uma questão de orgulho ficar no Brasil, mas eu tenho mais do que orgulho, eu tenho ambição e personalidade, para além de que jamais fiquei num País de que esteja farto, e eu estou neste momento farto, super farto, do Brasil. Por isso a minha grande ambição neste momento é retomar a minha carreira profissional em Portugal, mas para isso muitos fatores vão ter que se conjugar, obviamente que com a minha capacidade de luta sei que tudo é possível, mas agora para além da minha luta no caminho do regresso tenha também as duas lutas de encontrar os meios para isso, de acordo com o meu padrão de vida e por outro lado esperar que terceiros liberem o meu regresso. Não posso também esquecer que eu tenho que decidir se quero voltar acompanhado ou totalmente só, e esse é uma decisão que somente a mim cabe, não se trata de uma luta, mas sim de uma decisão pessoal e totalmente isolada.&lt;br /&gt;É incrível como alguém pode combinar tão bem com outro ser de forma tão extraordinária e determinante, como se fosse uma mesma célula, essa junção de forças e prismas só pode ser o embrião da felicidade rumo a um futuro que queremos viver rápido e pronto.&lt;br /&gt;Essa simbiose esta hoje a ser vivida por mim, em termos de coração e razão.&lt;br /&gt;Um e outro querem a mesma coisa:&lt;br /&gt;Viver!&lt;br /&gt;Se ela estiver grávida, pois não escondo que vai ser para mim uma alegria pessoal imensa, mas ao mesmo tempo nos dias de hoje uma dupla angustia, pois significa que vou ter que a breve trecho magoar o meu coração e a minha razão.&lt;br /&gt;Nada ficara como antes da mesma forma se a outra estiver também grávida, pois embora seja com ela que eu poderia um dia vir a viver, e construir a minha família, vou ter que ser bastante sapiente para sair da vida das duas sem grandes magoas para elas.&lt;br /&gt;E se estiverem realmente as duas grávidas?&lt;br /&gt;Como vou considerar uma dupla atribuição, pois tenho plena consciência de que tanto uma como outra são intransigentes na formulação de um relacionamento estável e absolutamente compacto sem interferências de terceiros.&lt;br /&gt;No entanto eu tento imaginar o que pode vir a acontecer caso eu tenha que vir a assumir as duas paternidades ou mesmo só uma, mas com o meu relacionamento a ser conseqüente com outra pessoa que não a mãe do meu filho.&lt;br /&gt;Pois estou consciente de que posso estar a dois passos de me ver envolvido numa autentica guerra campal tendo como centro do conflito a minha pessoa e também eu próprio como o centro e local de explosão. Mas fazer o que? Agora é tarde, agora é esperar e preparar o futuro, de modo determinado e baseado nos pressupostos que vierem a surgir a muito curto prazo.&lt;br /&gt;De algo eu nunca poderei fugir, ao meu destino, ao destino que tenho ajudado a construir e que o meu coração nunca se tem enganado quanto aos caminhos a percorrer.&lt;br /&gt;De fato o tempo passou rápido, e ambas deixaram o meu coração e a minha razão livres, para poder seguir o meu destino, de acordo com o ideal de poder realizar os meus sonhos.&lt;br /&gt;Mais uma vez o destino, marcou a hora.&lt;br /&gt;Não seria ainda agora que eu iria realizar o sonho de uma nova vida. No entanto o sonho de uma outra vida para mim, esse esta totalmente em aberto.&lt;br /&gt;Adormeço todos os dias sonhando com a minha chegada a Lisboa, á minha cidade, á minha casa, ao futuro que realmente decidi que quero para mim.&lt;br /&gt;Quanto a mulheres?&lt;br /&gt;Quem me quiser conquistar mesmo a valer, vai ter que lutar, pois mais do que nunca acho que virei animal solitário e desejoso de seguir o meu trilho.&lt;br /&gt;O futuro espera por mim. O sonho de uma nova vida está á distancia de um oceano, que vou atravessar em breve, nem que seja a nado.&lt;br /&gt;Um sonho de uma nova vida, não passa de forma alguma por aqui, pelas terras de Vera Cruz...&lt;br /&gt;Está decidido!&lt;br /&gt;Decidido esta...    &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-6027191959236054443?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/6027191959236054443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=6027191959236054443&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/6027191959236054443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/6027191959236054443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxvi-um-sonho-uma-nova-vida.html' title='XXXVI – UM SONHO UMA NOVA VIDA'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-7054712487838289838</id><published>2008-04-10T14:36:00.001-03:00</published><updated>2008-04-10T14:40:02.581-03:00</updated><title type='text'>XXXVIII – TRADIÇÃO FAMILIAR</title><content type='html'>A nossa vida é feita de tradições, memórias, gravidez de culturas, e acima de tudo contrastes. Ela, a vida, é como uma mesa enorme, pejada ao longo do tempo dos mais variados manjares, com os sabores mais diversos. São, no entanto, não apenas sabores diferentes, mas em muitas circunstancias os mais antagônicos que se possam imaginar. Os contrastes fazem assim parte integrante da nossa vida.&lt;br /&gt;O nosso dia-a-dia desde o primeiro choro após o parto, é um encontro de contradições uma grande encruzilhada que muitas vezes até já se iniciou bem antes do nosso primeiro choro ou sorriso.&lt;br /&gt;O cronograma da nossa existência é por isso repleto de alegrias, tristezas, prazeres e dores, esperanças e desesperos. Quando se olha para a vida sob estes prismas, a mesma mais parece possuída por uma grande e estranha incoerência por vezes até mesmo insensatez.&lt;br /&gt;No entanto ao longo da vida as peças vão-se encaixando, e acabamos por em terminado momento conseguir entender que existe uma dimensão pedagógica e ao mesmo tempo lógica em tudo o que nos vai acontecendo dia após dia, ano após ano.&lt;br /&gt;O nosso maior problema é muitas vezes conseguir memorizar tudo, para que no momento certo, todas as peças estejam ali á nossa frente, prontas a ser encaixadas no sitio certo. É por isso que ao longo da vida quando não colocamos a suficiente atenção em determinados fatos, somos incapazes de nos conseguir recordar deles mais tarde com total exatidão, quando é tão preciosa e necessária a sua melhor recordação.&lt;br /&gt;Obviamente que sem a necessária motivação, não conseguimos afinar a atenção nem o interesse e dessa forma jamais vamos conseguir memorizar.&lt;br /&gt;Vem tudo isto a propósito de que muitas vezes ficamos com registros soltos na nossa memória. Registros que vão ali ficando guardados por mera contingência do destino, ou simplesmente porque o coração como não se engana, por mais que o tentemos contrariar, acaba por indiretamente comandar a mente. Estabelecem-se assim associações estranhas que ao mesmo tempo, e sem duvida mais tarde, nos vão ser de estrema importância, e então quanto mais dados temos que se possam dessa forma cruzar com essa associação, mais facilmente o cérebro ira conseguir resgatar todas as informações sobre os mais variados assuntos e ficaremos com uma dose extra de sabedoria.&lt;br /&gt;Ao nascer em 1962, eu tal como todo o ser humano chorei, abri os olhos e acabei por descortinar a minha visão muito própria sobre o mundo.&lt;br /&gt;Obviamente que essa época era a da inocência, e embora tenha conseguido caminhar com um ano de idade, o outro tipo de caminhar na vida levou alguns anos mais a ser concretizado na sua plenitude. O caminhar com os meus próprios pés, palmilhando totalmente os caminhos e becos da vida, esse caminhar demora, para todos, muito mais tempo, só que para uns mais do que para outros.&lt;br /&gt;Essa estrada, que só acabamos por conhecer na sua totalidade na reta final da vida, quando conseguimos vencer todas as fases e naturalmente esmorecer nos braços do crepúsculo do tempo, é a vida, e essa estrada é o enigma da nossa existência.&lt;br /&gt;Quem sabe se agora que consegui decifrar uma parte do enigma da minha existência não estarei no inicio de uma, outra; estrada da minha vida.&lt;br /&gt;Possa ser que talvez tenha direito a um novo nascimento, um renascer, aproveitando as palavras sabias de alguém que lamento não conhecer como autor, que para essa situação deixa um pensamento mais profundo:&lt;br /&gt;“Choramos ao nascer, sem compreender o mundo, em que entramos. Morremos em silencio, sem entender o mundo de que saímos.”&lt;br /&gt;O homem, ao nascer, ou renascer, no alvorecer do seu discernimento, direciona o seu olhar para a estrada da vida. No entanto como é uma reta só é possível observar que é longa e por isso lá no final a distancia impede que a nossa visão consiga ver o que verdadeiramente ali existe além do horizonte imaginário. A vida, no entanto, tem algumas curvas ou obstáculo como alguns precipícios ou abismos, por isso só olhamos o presente esquecendo o futuro por si só invisível, e muitas vezes esquecemos uma importante reflexão com a ajuda do passado para tentar amenizar alguma duvida, angustia, incerteza, receio, ansiedade e mesmo medos que possam surgir quando menos esperamos, no meio dessa estrada.&lt;br /&gt;No entanto assumo que muito embora tantas e tantas aventuras tenham acontecido ao longo da minha vida, até ao dia de hoje, eu tenho sabido ir palmilhando essa estrada com as minhas ações, e dessa forma buscar o equilíbrio entre a razão e o coração, observando atentamente e a cada passo a minha bússola instalada no intimo.&lt;br /&gt;Talvez que as minhas memórias funcionem bem e me tem ajudado a marcar a pautar a vida de um modo apesar de tudo equilibrado.&lt;br /&gt;Deve ser também por isso que ainda guardo a imagem do meu pai chegando a casa em Cinfães do Douro. Naquele tempo em que a mesa ainda tinha poderes quase bíblicos sobre a família e a hora da refeição era como algo sagrado.&lt;br /&gt;A felicidade, a minha felicidade era feita um pouco dessas trivialidades sem que eu naquela época senti-se isso.&lt;br /&gt;Hoje, em casa, não há mais essa liturgia do horário da refeição, da união, do repartir da refeição entre a família, talvez porque eu hoje na verdade não tenho uma família, sou eu, e eu só a minha família.&lt;br /&gt;Hoje eu sinto que esses momentos, mesmo que só em sentido de tradição e de memória me fazem sentir inundado por uma onda de felicidade e paz.&lt;br /&gt;Eu um dia já tive uma família!&lt;br /&gt;É certo que ao longo da estrada da vida o que poderia ter sido tem um sabor mais forte e especial do que o que foi e não deu certo. Assim como o tanto fez, como faz.&lt;br /&gt;Mas será mesmo, que eu hoje penso que agora tanto fez como faz?&lt;br /&gt;Estou certo que não.&lt;br /&gt;Talvez por isso mesmo eu ainda aceito convictamente como valido que ainda posso voltar a ter uma família.&lt;br /&gt;Afinal, deve ser isto uma regra quase comum da vida. Os nossos grandes sonhos de infância chegam sempre atrasados.&lt;br /&gt;Difícil mesmo é voltar a sentir emoções, numa idade em que já quase nada nos surpreende, também pode ser uma questão de auto-confiança, e descrédito pessoal em que os sonhos da nossa infância sejam como a idade, e possam surgir sem mesmo que nós precisemos de os chamar...&lt;br /&gt;As memórias e os sonhos podem andar de mão dada, e com eles pode surgir a oportunidade da mudança no presente e futuro da historia do passado, para que não se repita nesta e em futuras gerações.&lt;br /&gt;No novo lar posso preservar os bons ensinamentos recebidos, e até cumprir as máximas mais importantes da tradição familiar.&lt;br /&gt;Estabelecer os meus horários, as minhas regras, constituir a minha família monolítica e obrigar-me a cumprir religiosamente todos os cânones daquilo que entendo hoje por família. A minha solitária família.&lt;br /&gt;Na minha memória podem continuar a surgir os quadros que ornamentavam a grande parede da sala, guardados em vidros emoldurados com rostos e sorrisos de figuras de grau e imagem do passado, os vultos inertes, sempre com o mesmo desafio as traças e ao tempo e que vão assim indelevelmente passando de geração em geração.&lt;br /&gt;Possa ser que de cada vez que fecho a porta da memória e abro os olhos para a atualidade, esses quadros possam ser retirados e limpos, e claro, recolocados no seu devido lugar. Mas como colocar esses quadros nas paredes da historia que não é de mais ninguém só mesmo deles. Assim continuam a ser respeitados e eu continuo a receber deles o seu exemplo de vida e sabias lições de amor e de paz. &lt;br /&gt;Assim cada vez que abro a porta da imaginação posso receber a sua energia e força interior, o calor humano invisível e uma, certa e, determinada solidariedade nos momentos mais difíceis na tal de estrada da vida, assim como o apoio de um ombro amigo do patriarca invisível, e imortal no meu imaginário. Um porto seguro que me pode acolher a qualquer instante sem restrição nenhuma.&lt;br /&gt;Desta forma posso sentir a tradição baseada na norma do: &lt;br /&gt;“Um por todos, todos por um!”&lt;br /&gt;Hoje eu por mim, e somente um por mim...&lt;br /&gt;A minha família devia ter sabido observar e cultivar com convicção essa máxima por parte de todo o clã, no entanto nem todos a souberam cumprir á risca, alguém se desviou a meio do caminho, embora a oportunidade da mudança de rumo fosse possível. Como tal não aconteceu não posso constatar hoje a admiração nem a sua presença e como que o seu quadro individual foi encaixotado e colocado no sótão das memórias fora da aceitação do meu culto familiar.&lt;br /&gt;Pois é, eu só retenho no baú da minha memória, os quadros que me transmitem a fé. A minha fé. &lt;br /&gt;Aqueles quadros que eu reservo como uma boa garrafa de vinho, para ser saboreada em momentos muito especiais. Todos aqueles, muitos ou poucos, quadros que de modo ditatorial admito poderem constar do meu foro intimo e pessoal, aqueles que não fogem da minha vontade incontestável, de rei e senhor das minhas vontades.&lt;br /&gt;Para algumas situações eu gosto de usar um ouço de poesia e recordo Belchior:&lt;br /&gt;“... há tempo (muito tempo) que eu estou longe de casa, e nessas ilhas cheias de distancia o meu blusão de couro se estragou...”&lt;br /&gt;Assim se alguém puder achar que a memória e a idade andam lado a lado, saiba que esta, muito errado. Totalmente errado. A perda da capacidade de retenção das informações nada tem a ver com o envelhecimento nem com a perda de células cerebrais, inclusivamente cientistas dos EUA e da Suécia comprovaram em 1988 que são geradas novas células cerebrais em pessoas adultas, na região do hipocampo.&lt;br /&gt;Pois também não me digam que a minha memória é fraca, pois isso não existe, e se muitas vezes não me lembro de determinadas coisas é porque não encontrei motivação, atenção, interesse especial e particular quando tomei conhecimento inicial com elas.&lt;br /&gt;Eu utilizo adequadamente a minha memória, recordo as pessoas que verdadeiramente me importam e interessam fazer parte da minha vida, os fatos, as leituras e os sons que realmente me agradam e interessam.&lt;br /&gt;“Quando passam nuvens negras mudam todo o jeito de ser o lado oposto do desejo pleno de viver”&lt;br /&gt;‘Carlos Aranha’&lt;br /&gt;Ninguém pode viver preso ao passado. Até pode, mas realmente não deve de forma alguma, sobretudo, quando o passado evoca muito pouco para a realidade do presente. No entanto temos que saber viver as nossas emoções referentes ao passado, pois as nossas emoções transitam, em torno de lembranças, entre o nosso passado, e o nosso presente.&lt;br /&gt;Assim, todos os dias nós vivenciamos inúmeras emoções, claro que nem sempre elas são muito boas, mas quer se queira ou não interferem com a nossa qualidade de vida.&lt;br /&gt;“O único sentido da vida é lutar pelo destino escolhido. E isso que muitas vezes nos leva a lugares tenebrosos, onde existe medo e existe dor!”&lt;br /&gt;‘Sarah’&lt;br /&gt;Mas que fazer? Nada!&lt;br /&gt;A Sarah tem toda a razão! &lt;br /&gt;Temos que seguir o sentido da vida, talvez por isso eu gosto tanto das musicas e letras de Zé Ramalho, e em especial desta sua passagem:&lt;br /&gt;“Quando eu vim aqui senti uma vontade chorada danada de me chegar. Demonstrei o som numa sincopada chorada danada de executar. Todo o mundo ouviu um Rock pesado, chorado, danado, made in...”  &lt;br /&gt;Sempre que me é possível volto a visitar todos os lugares adormecidos no espaço do tempo, do meu tempo.&lt;br /&gt;Apaixono-me, e como que faço amor atingindo orgasmos de prazer ao poder estar alguns segundos que sejam; no interior dos paraísos perdidos da minha infância e juventude.&lt;br /&gt;Comigo resiste somente o peso dos meus sentimentos e gostos, prazeres que fui absorvendo, mas não posso negar que admito aceitar que quem consegue de um modo excelente levar até ás últimas conseqüências o bom funcionamento da memória; vai correr muitos e sérios riscos, pois consegue lembrar-se de fatos que a outros já á muito esqueceu, e como isto não é normal é como conseguir transformar fatos passados em autenticas lendas do presente.&lt;br /&gt;Os acontecimentos que vão ocorrendo na nossa estrada da vida são importantes quando por alguma razão afetam totalmente a nossa interioridade. &lt;br /&gt;Todo o relacionamento significativo acaba por de alguma forma deixar marcas profundas no nosso intimo.&lt;br /&gt;A ajuda preciosa da minha irmã Alcina e de alguns amigos de infância e juventude foram fundamentais para conseguir entender as afinidades consangüíneas com alguns parentes próximos, e o mesmo tempo perceber também que é somente pela oposição de duas coisas, que uma delas se define.&lt;br /&gt;Foi assim graças aos seus tópicos que eu consegui chegar ao equilíbrio na escolha certa que me acabou por dar a dose exata do sabor da vida e assim conseguir desfazer a grande encruzilhada da minha existência biológica. &lt;br /&gt;Por um lado foi espantoso descobrir a razão porque o meu pai; o meu suposto pai, Antonio José Antunes da Silva, tinha para comigo um relacionamento tão especial, talvez que o pensamento de Afonso Arinos tenha algo de premonitório:&lt;br /&gt;“Dificilmente se encontram temperamentos tão antagônicos, tão pouco afeitos para se entenderem e tão afeitos para o entendimento recíproco.”&lt;br /&gt;Pois que ao longo do tempo, tantas e tão amplas duvidas se me foram colocando na mente, sobre a minha real origem e existência em termos biológicos, que me levaram mesmo em certa época a pensar que o primeiro passo seria um exame de DNA. Hoje, para isso a colheita de amostras de sangue da mãe, do filho e do provável pai seria no meu caso, impossível de concretizar plenamente. &lt;br /&gt;Mas, no entanto ainda é possível a recolha de material genético da minha mãe.&lt;br /&gt;Agora consigo entender as razões porque o Antunes da Silva, para além da atitude altruísta de doar o corpo á Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, levou a efeito essa sua decisão somente numa determinada época da sua vida. Até ali ele tinha decidido ser enterrado completamente nu, enrolado num simples lençol de pano cru, mais parecendo um Judeu, embora fosse um ativo Ateu.&lt;br /&gt;A impossibilidade de após a sua morte e desaparecimento do seu corpo utilizado para estudos, tornar impossível a recolha de material para o exame de DNA, o tão famoso acido desoxirribonucleio, era, e foi; umas das suas principais razões para tomar essa atitude.&lt;br /&gt;No entanto a minha irmã acautelou essa situação com um pouco do seu cabelo, mas tal nem é mais necessário, pois que jamais eu poderia sonhar que o meu grupo sanguíneo é praticamente incompatível em termos de poder ser seu filho, quando combinado o seu grupo sanguíneo com o da minha mãe. Ainda por cima para acentuar mais ainda as fracas probabilidades, o seu grupo sanguíneo é raro.&lt;br /&gt;Acho que com tudo isto eu nasci realmente de novo, no preciso momento em que recebi a noticia.&lt;br /&gt;Não porque tenha morrido, mas porque toda a envolvente familiar, de origem e princípios foi alterada da noite para o dia e também porque nenhum de nós é capaz de tolerar a noção de que a nossa visão do mundo possa estar baseada em pressupostos falsos, mesmo que ao longo da vida intimamente soubéssemos que algo estava errado.   &lt;br /&gt;Mesmo com essa total incerteza íntima, a pesar toneladas na nossa mente, no nosso consciente, tendemos a desprezar totalmente e contradizer mesmo a visão do mundo que respeitamos.&lt;br /&gt;Deve-se salientar e respeitar, fazendo mesmo questão de honra, que não vai mal nenhum ao mundo, o direito de quem quer que seja de buscar a sua verdade biológica.&lt;br /&gt;O afeto não é um sentimento que se impõe, nem por norma jurídica, nem por decisão judicial. As relações de afeto entre as pessoas são constituídas ao longo dos anos, muitas vezes, até, sem que exista qualquer vinculo biológico entre elas, como ocorre com a relação entre pais e filhos adotados, marido e esposa, companheiro e companheira.&lt;br /&gt;O conceito de pai pressupõe assim um dado sócio-afetivo constituído na convivência, e não é uma mera decorrência do vinculo genético reconhecido na sentença, que simplesmente atribui a alguém a condição de ser genitor.&lt;br /&gt;A sócio afetividade é um conceito que custou caro ao desenvolvimento do direito de família atual e não pode ser usado de modo a desvirtuar as suas verdadeiras proposições, nem muito menos, dá-lo um caráter de raiz inviolável que na verdade não tem.&lt;br /&gt;Depois de se saber que alguém a quem chamamos Pai mais de 30 anos, não é realmente e verdadeiramente o nosso Pai em termos biológicos, só podemos sentir que a lenda da flor de lótus podia muito bem ter sido algum dia real:&lt;br /&gt;“Ao anoitecer, nas margens do rio Nilo, uma mulher entregou á Flor de Lótus o seu filho pequenino que havia morrido há poucos minutos. Enquanto via a Flor de Lótus envolver docemente a criança e depois submergir com ela. A mãe chorou tanto que adormeceu ali mesmo, no leito frio do rio. Na manhã seguinte, o Lótus despontou vitorioso da água, ao emergir trazendo a criança sã e salva para alegria e felicidade da mãe”  &lt;br /&gt;É exatamente na solidão do nosso barco da vida, muitas vezes quase á deriva, na sensação de que tudo pode estar perdido que afinal conseguimos encontrar a nossa própria força. Dessa forma conseguimos sobreviver ás tormentas da vida, aos desafios do dia-a-dia na caminhada através da estrada da vida, e acabamos por entender a importância da nossa força interior para combater os acontecimentos que nos podem tornar mais vulneráveis.&lt;br /&gt;Temos que ter sempre presente na nossa mente que nenhuma dificuldade dura para sempre, toda a tempestade é seguida de uma bonança, e todos os problemas tem sempre uma solução.&lt;br /&gt;Agora eu tinha que ir encontrar a solução do enigma da minha existência, e também ai a minha irmã já tinha solucionado a questão, só que com uma noticia para mim incrivelmente arrasadora.&lt;br /&gt;Ela própria não conseguiu perceber o tamanho do choque daquela noticia para mim, pois nem sempre os que mais perto estão de nós entendem as razões e a intensidade das nossas experiências pessoais.&lt;br /&gt;Tantas vezes eu, ao longo da vida recordei a pessoa, essa pessoa tão especial e muitos dos curtos episódios do nosso breve convívio. Como poderia eu imaginar que ele teria uma capacidade de imortalidade tão grande na minha memória.&lt;br /&gt;“A mortalidade é um espécie de vida que adquirimos na lembrança dos outros”&lt;br /&gt;‘Denis Diderot’&lt;br /&gt;Algo que de simples pensamento desgarrado desta situação, acaba virando a própria situação e a sua solução.&lt;br /&gt;O principio da lei da atração pode ser resumido em 4 simples palavras:&lt;br /&gt;“Pensamentos transformam-se em coisas!”&lt;br /&gt;E foi mesmo isso que aconteceu, o João, aquele meu suposto meio – irmão, afinal não era nada disso em termos de familiaridade. Ele era bem mais do que isso, ele era o meu verdadeiro Pai biológico!&lt;br /&gt;Quando recebi a noticia tive que assumir uma postura messiânica de sagrado coração de Jesus em quarto de prostituta. Sim um postura de alguém que quase a tudo presenciou mas que esteve todo o tempo em silencio, porque não podia afirmar nada, pois desconhecia tudo.&lt;br /&gt;Só posso dizer que fiquei perfeitamente atônito com a noticia, e a encruzilhada de fatos, porque jamais iria imaginar este tipo de situação na minha própria vida, e por outro lado ao mesmo tempo nasciam perguntas sem resposta imediata. Perguntas para as quais também jamais vou conseguir escutar respostas, das bocas de quem mais gostaria de as escutar, ou seja da boca dos próprios intervenientes.&lt;br /&gt;Perante tudo isto, é nestes momentos que ficamos com a certeza de que ao longo da nossa vida acabamos por prender a nossa própria liberdade, criando grilhões, construindo muros e cercas interiores, para dessa forma, muitas vezes imprevisível, nos impedirmos de expressar os nossos sentimentos e boas emoções.&lt;br /&gt;Nesse instante a minha emoção era de raiva por um lado e infindável curiosidade por outro.&lt;br /&gt;É dessa forma que somos assim nós mesmos que colocamos travões em muitas áreas e sentimentos das nossas vidas, tornamo-nos especialistas da contensão emocional e muito embora saibamos que a vida humana é nada mais do que uma curta existência sobre a terra, mesmo assim racionamos a alegria, a esperança e quantas e quantas vezes mesmo a própria liberdade.&lt;br /&gt;Assim reduzimos os parâmetros dos nossos sentimentos e manifestamos bem mais o nosso ódio que o nosso amor, sobretudo perante algumas pessoas, que para nós são especiais, que fazem parte da nossa matriz de vida, do nosso convívio no dia-a-dia, como por exemplo; os nossos pais ou mesmo a mulher que faz parte da nossa vida em determinado momento.&lt;br /&gt;A nossa auto-estima muitas vezes desce muitos furos abaixo da média e sem sequer nos darmos conta; já não suportamos as pessoas como antes.&lt;br /&gt;A nossa tolerância com as fraquezas dos outros fica muito reduzida.&lt;br /&gt;Foi assim que ao tomar conhecimento desta situação, o meu grau de tolerância com a minha própria mãe biológica desceu muito baixo, muito baixo mesmo, a um nível muito reduzido.&lt;br /&gt;Eu assumo que fiquei nos primeiros momentos, e perante a ausência de uma explicação lógica, intolerante e de tal forma violento que estava a pontos de desfazer um dos laços mais sagrados, e indestrutíveis, que podem existir na vida humana, a ligação entre uma mãe e um filho.&lt;br /&gt;Mas como desfazer um laço desses? Impossível! Só mesmo em termos mentais como que constituindo uma auto-rejeição.&lt;br /&gt;Depois com o passar dos dias, com o amadurecimento das idéias, o meu excesso de intolerância, de justiça pessoal, acabou por cair para um nível de alguma solidariedade e entendimento. Um certo e determinado grau de amor e uma certa capacidade de benevolência para tentar dessa forma colocar um limite e deter um pouco a incredulidade perante a situação, determinando assim até onde devia e poderia chegar a minha posição face aos intervenientes. &lt;br /&gt;Claro que se eu fosse escrever estas linhas, á meia dúzia de meses atrás, seriam bem diferentes, bem amargas e se as tivesse escrito á cerca de um ano jamais conseguiria limitar o meu sentir, a um certo; desencanto para com uma mulher que foi muito importante na minha vida, no entanto hoje; sinto-me equilibrado e até de certa forma feliz por este momento atual da minha vida em que quase posso escolher para onde vou e com quem vou.&lt;br /&gt;“Gente é para brilhar!”&lt;br /&gt;Esta frase de poeta, traduz em grande parte o meu sentimento pessoal atual.&lt;br /&gt;Brilhante!&lt;br /&gt;Brilhar!&lt;br /&gt;Claro que tenho pensado em tudo isto ultimamente, tenho pensado sempre desde que em Setembro de 2006 a minha vida me confrontou com os fatos para os quais eu obviamente que não tenho nem encontro argumentos.&lt;br /&gt;Assim, entendo que a idade permite que valorizemos as coisas simples da vida, por mais complicadas que sejam, e ao mesmo tempo escutar a nossa própria voz, e não ter medo de enfrentar as realidades da vida.&lt;br /&gt;A felicidade faz no fundo parte das inquietações e da busca constante de todos os seres humanos, eu nunca consegui entender o porque?!... &lt;br /&gt;O porque; de certas pessoas terem todas as condições para ser felizes e não o serem.&lt;br /&gt;Vou assim agora olhando as coisas da vida de forma mais plena, tentando compreende-las menos racionalmente e mais humanamente, e cada vez menos vestido de preconceitos e do egoísmo que um pouco a todos acaba por atacar, ficando assim cada vez mais um simples ser humano.&lt;br /&gt;Depois de tantas buscas, para achar o verdadeiro entendimento da minha origem, da minha existência no seio destas duas famílias. Da busca da felicidade, acabei por descobrir que a felicidade não é linear, não é continua é momentânea, e uma lufada de vento, simples como uma gargalhada, assim como poder contemplar o milagre do azul do céu numa noite de temperatura amena ao lado de uma boa companhia. Um milagre real, quando á noite o céu deveria estar cinza, com as estrelas cintilantes a sorrirem para quem as admira como sereias surgindo em praia sem ondas.&lt;br /&gt;Até já consegui entender a importância do ultimo suspiro de um moribundo, e da sua felicidade e serenidade ao encerrar o seu ciclo de vida. &lt;br /&gt;Foi assim que eu encontrei o Antunes da Silva, naquele principio de tarde, na casa mortuária do Hospital de Lamego. Aprumadamente vestido pela minha própria irmã, e com uma imagem de felicidade e serenidade, como nunca encontrei em defunto nenhum, dos que já vi.&lt;br /&gt;Que maravilha, ele tinha cumprido a sua missão, muito mais do que a sua missão. Que orgulho tão grande ter podido viver e conviver com esse grande homem durante mais de três décadas. &lt;br /&gt;Quanto á nossa origem, pois temos que nos capacitar de que muitas vezes é para nós um enigma que quando descoberto; nos deixa mais intrigados ainda do que antes. Foi isso que acabou por acontecer comigo.&lt;br /&gt;Nós colhemos tudo o que plantamos e a felicidade da nossa vida é por ai, plantar e colher!&lt;br /&gt;Portanto temos que ir tratando muito bem do nosso dia-a-dia, e ir aprendendo com as mudanças que nos vão surgindo no caminho, sejam elas físicas, emocionais ou materiais. Poder ser feliz depende de cada um de nós, mas muitas vezes a felicidade é a solução para algumas das nossas questões existenciais, esta ali tão próxima de nós que nem a conseguimos ver ou sentir.&lt;br /&gt;A felicidade por outro lado não depende de qualquer riqueza, não esta no futuro, ela é algo que realmente nós acontece no presente, na vida que vivemos a cada impulso da vida, por mais insignificante que seja. A felicidade é aquilo que nos vai acontecendo num simples instante do presente e muitas vezes não precisa ser sequer entendida, pois que a podemos sentir de modo inexplicável a qualquer momento.&lt;br /&gt;Ser feliz é; por exemplo: estar vivo, estar com quem se ama, escutar a musica de que se gosta, saborear o vinho que adoramos, ou contemplar um maravilhoso pôr do sol.&lt;br /&gt;Bem que eu poderia nomear uma infinidade de coisas simples e que nos dão a sensação de felicidade, mas de uma coisa estou certo, a felicidade esta dentro de nós e depende unicamente de nós mesmos.&lt;br /&gt;Basta abrir o coração e se amar a si próprio, depois amar os outros e a natureza.&lt;br /&gt;Isto é felicidade!&lt;br /&gt;Eu estou feliz!&lt;br /&gt;Estou feliz por saber que o meu Pai biológico é o João, por saber que o Pai gestor foi o Antunes da Silva, por ter tido como mãe a Libânia, e, sobretudo; por ter agora a consciência de tudo quanto aqueles dois seres extraordinários conseguiram fazer por mim durante pouco mais de 30 anos da minha vida.&lt;br /&gt;A única contrariedade em toda em toda esta situação foi não ter conseguido algo simples, muito simples, que era viver a vida de uma forma recompensadora com um enorme bem estar e uma integral segurança da alma, durante todo este tempo de busca genética.&lt;br /&gt;Ao esconderem durante mais de trinta anos a minha real origem biológica, obrigaram-me a viver nos termos estabelecidos por eles próprios e pela sua aprovação alheia.&lt;br /&gt;Para viver bem comigo mesmo é preciso estabelecer padrões de auto-respeito, pois quem busca consenso e credito, não julga os seus comportamentos por si mesmo, mas procura as justificativas de outros para justificar as suas mesmas inúmeras razões momentâneas, mas com o tempo, fui recompensado com um enorme bem estar emocional.&lt;br /&gt;Contudo durante muitos anos, para que serviu a minha liberdade exterior, se não cultivava totalmente uma autonomia interior, porque me sentia internamente preso a grilhões e amarras e jamais podia pensar e agir livremente com a minha vida.&lt;br /&gt;Um dos maiores desafios que enfrentamos nas nossas vidas é a forma como devemos lidar com as tragédias que nos vão acontecendo. Esta única sensação sem ser de forma alguma considerada uma tragédia, é, no entanto, e na verdadeira imagem algo de muito dramático em termos familiares.&lt;br /&gt;Precisamos entender que a vida tem, também, o seu lado mais sóbrio, nunca é feita só de luminosos dias de sol. O nosso grande problema é que o infortúnio venha a bater á nossa porta. Temos, ingenuamente, uma determinada sensação de invulnerabilidade. Acontece que não há uma única pessoa sequer no mundo que não passe por experiências amargas e que, algum dia, não atravesse autênticos degredos emocionais.&lt;br /&gt;As maiores tragédias das nossas vidas ocorrem dentro de nós e nunca fora de nós! Armazenar na nossa alma sentimentos e emoções destrutivas, face ás circunstancias adversas que nos circundam, em nada favorece o rumo das coisas, antes pelo contrario, fazem muito mal, na medida em que transformam o nosso coração num deposito de lixo radioativo emocionalmente.&lt;br /&gt;Eu sempre assumi que a vida deve ser encarada de um modo em que as tragédias se transformam sempre em sementes de vitória e de profundas mudanças nas nossas vidas, quando a partir delas, passamos a reavaliar a nossa existência, os nossos valores, a nossa família, a nossa noção de tempo e espaço.&lt;br /&gt;Sentimentos bons são revividos, a vida é repensada no seu todo e, no fim do túnel, surge uma luz de vida e a possibilidade de sonhar novamente, e repetidamente até ao infinito dos nossos dias.&lt;br /&gt;A melhor opinião que eu posso dar a alguns que estejam a viver um momento negativo é que: a melhor e única decisão a tomar, face ás circunstancias negativas, é a de continuar vivendo. &lt;br /&gt;A vida somente acaba para os fracos e pessimistas. É preciso tomar decisões corajosas em prol da esperança. Da alegria, da cura, da vitória.&lt;br /&gt;Vencer é também uma decisão!&lt;br /&gt;Nenhuma crise dura para sempre! &lt;br /&gt;Tudo passa! &lt;br /&gt;Inclusivamente as nuvens densas que ás vezes pairam sobre nós, acabam por passar e deixar o céu azul celestial. Por isso mesmo, precisamos continuar a caminhar e a lutar, sonhando e olhando sempre com firmeza e objetividade, na rota da estrada da nossa vida.&lt;br /&gt;Há, no entanto, um fato que necessita ser esclarecido e de nunca nos podemos esquecer; nenhum campeão ou vitorioso já nasceu pronto, na realidade o que os faz atingir determinado patamar de êxito, é o instrumento da busca e conquista constantes, diárias!&lt;br /&gt;Hoje em dia sinto-me agradavelmente como se estivesse tal qual um nômade no meio do deserto, pois que deserto não é somente um lugar geográfico alhures plantado no planisfério mundial. &lt;br /&gt;Deserto é também, e muitas vezes, talvez até demasiadas vezes, um estado de alma de alguns, que assim vivem momentos difíceis da existência. Alguns momentos das nossas vidas nos transportam para verdadeiros desertos de terrenos áridos e angustiantes, e sem duvida; solitários. É nestes momentos que nos sentimos completamente deslocados do nosso dia-a-dia, do nosso mundo natural, da nossa civilização de conforto material, e como nos sentimos isolados, ficamos quantas vezes perdidos e perplexos, sem encontrar respostas e direções certas para onde seguir, para onde encontrar a porta de saída do deserto.&lt;br /&gt;Alguém um dia á cerca disto mesmo, me dizia que perder-se no deserto da vida pode significar mesmo o encontro com a madrasta morte.&lt;br /&gt;Eu, no entanto, acredito que o próprio deserto pode ser encarado como um local de vida, de entendimento de nós mesmos, e uma porta de saída para o futuro, ao descortinarmos descobertas e novos sentidos para a liberdade. Pode assim o deserto ser um ponto de mutação na vida de quem o sabe enfrentar com serenidade, com coragem e faz dessa batalha um objetivo de determinação em construir um novo futuro.&lt;br /&gt;Talvez que este seja o meu deserto atual, o da construção de um novo futuro, assente em velhos alicerces materiais e de sabedoria, mas voltados para um futuro sem a concretização e repetição de erros do passado.&lt;br /&gt;Também aqui a tradição familiar pesa bem mais do que muitas lições de vida, e tal como muitos dos meus antepassados, também eu acredito na reconstrução da vida, desde a porta do deserto até ao infinito daquilo que sonhamos.&lt;br /&gt;Por tudo isso, regresso a casa, á minha velha, querida e estimada Europa, com a proposta pessoal de retomar a vida tendo como rumo aquilo que o coração que nunca se engana, me manda fazer:&lt;br /&gt;Ser feliz...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-7054712487838289838?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/7054712487838289838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=7054712487838289838&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7054712487838289838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/7054712487838289838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/04/xxxviii-tradio-familiar.html' title='XXXVIII – TRADIÇÃO FAMILIAR'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-5174554267175950888</id><published>2008-01-16T13:41:00.000-03:00</published><updated>2008-01-16T13:42:26.910-03:00</updated><title type='text'>XXIX - NA POLITICA DA VIDA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Vida!...&lt;br /&gt;Ai esta o tema, a razão de levar anos e anos a lutar, por educação, saúde, emprego, dinheiro, felicidade, e liberdade, e mais umas cem mil razões.&lt;br /&gt;Eu nasci no século XX, um século traumatizado por duas guerras mundiais, com marcas profundas e determinantes de “social – nacionalismo”, com características de incontida dominação mundial, apoiada na invasão de nações, destruição de povos e culturas e lançamento de uma extensa sementeira de ódios e miséria social e temporal.&lt;br /&gt;O mesmo se diga do ‘comunismo’ que se seguiu ao ‘social-nacionalismo’ como doutrina política da moda, e também nada de bom trouxe aos povos por ela dominados.&lt;br /&gt;Foi no fundo o século do confronto direto entre essas duas ideologias dominantes, e das quais nenhuma, acabou por sair vencedora.&lt;br /&gt;Em ambas, a segurança dos ditadores reside claramente na eliminação sistemática de todos quantos tomam a liberdade de pensar de forma contraria á ideologia dominante. Não amar e recusar o pensamento oposto consiste numa das formas mais abjetas da vivencia do ser humano, e foi precisamente isto que essas sociedades colocaram na primeira linha como imagem de marca. &lt;br /&gt;Vem tudo isto a propósito; da minha atualidade de vida, e do que tenho oportunidade, de em pleno século XXI, ver e sentir um pouco por toda esta América Latina, onde hoje habito.  &lt;br /&gt;Com o fim anunciado de uma longa ditadura de Fidel Castro em Cuba, já se estão a tentar formar outras, do mesmo estilo pró-esquerdista, como são os exemplos mais gritantes da Venezuela de Hugo Chaves, e a Bolívia de Evo Morales, entre outras. &lt;br /&gt;Sim digo outras, porque outros populistas ainda ensaiam á sua maneira, o mesmo caminho, por vezes mais longo, tendo, um mesmo objetivo final em vista.&lt;br /&gt;O próprio Brasil, que de democracia tem alguns pingos, mas que vive como Nação eivada de uma classe política de forma predominantemente corrupta, pode sofrer também essa tendência, se caminhar para um plebiscito para sufragar o eternizar do populista demagogo Lula no poder da Republica Federativa.&lt;br /&gt;Mas nem só na política, temos que ter uma vivencia de acordo com a necessidade do propósito, do assumir a liberdade e conhecimento e as formas de convívio com os amigos, ou com outros indivíduos com formas de pensar e agir diferenciadas. A liberdade de cada um só começa no preciso instante em que acaba a dos outros e importa sempre saber respeitar todos os outros nas suas máximas diferenças.&lt;br /&gt;Eu felizmente nasci fora das duas grandes guerras mundiais, em termos temporais e geográficos, mas num País que sem ter vivido internamente os dois conflitos de modo bélico, foi largamente influenciado por esses dois conflitos mundiais. Um País que passou por uma ditadura de certo modo com características profundamente de raiz fascista, sem cair na tentação da objetivação totalitária, muito embora de raízes profundamente influenciadas por um pensamento claramente nacionalista. Os maiores expoentes entre outros foram Oliveira Salazar, Cardeal Cerejeira e um dos mentores de tudo o que podia e não podia funcionar, um homem quase sempre na sombra chamado António Ferro. Desse trio de pensadores, acabaram por florescer pilares importantes, para a manutenção e o desenvolvimento da ideologia dita “salazarista” como a Mocidade Portuguesa e a Ação Nacional Popular, e o chamado orgulho da raça, para não esquecer uma das máximas do “Deus, Pátria e Família”.&lt;br /&gt;Depois de 1974, com a chegada da Revolução, conheci um pouco do outro País, do outro Portugal, onde estavam a tentar impor o outro extremo da escala ditatorial, o totalitarismo apoiado no “comunismo” na sua forma mais primaria e destrutiva da sociedade. Nessa época eram exemplos, o combate a algumas liberdades, de que foi um bom exemplo a crise do Jornal Republica, e a clara libertinagem da ocupação da propriedade privada, em especial no Alentejo, bem como a absorção do sistema produtivo e industrial privado, numa clara tentativa de dominação de raiz proletária, que deu resultados desastrosos em Portugal, de todos conhecidos, e catastróficos  em alguns outros Países, que se deixaram emaranhar nessas doutrinas utópicas sem fundamentação realística, nomeadamente nas antigas colônias, e em várias Republicas do Leste Europeu.&lt;br /&gt;Foi no choque claro e determinante dessas duas ideologias que se foi formando o meu pensamento social e político, acabando por nascer em mim um homem que racionalmente não é assumidamente nem de esquerda nem de direita, não sendo para todos os efeitos um centrista na verdadeira raiz da palavra: “centrista”.&lt;br /&gt;Leio, observo sempre que possível no local, e retiro as minhas próprias conclusões de forma livre e objetiva, momento a momento, ato a ato, e sem ser um marginal do sistema político, assumo que possa de certa forma ser visto, por alguns como; um anarquista ideológico, que retira pontos positivos tanto á direita como á esquerda do sistema político.&lt;br /&gt;Sei! Isso eu sei, e assumo que o sou, e sempre fui realmente polemico! &lt;br /&gt;Tanto sou polemico a nível político como pessoal, pois não gosto nem admito no meu circulo de conhecimentos e convívio, quem faz dos mistérios a sua arama. É um direito meu, com uma liberdade total, liquida e cristalina o não gostar desse tipo de gente, ou de atitudes, talvez por isso mesmo seja como sou na política e Ateu na Religião. &lt;br /&gt;Gosto de coisas claras, límpidas, cristalinas. Só admito os subterfúgios poéticos de Fernando Pessoa, em tudo o resto da minha vida, e em tudo o que gira em redor dela, exijo muita limpidez e frontalidade.&lt;br /&gt;Nunca militei em partidos de esquerda, respeitando tudo quanto de bom podem ideologicamente poder comportar, nomeadamente na sua vertente social em algumas questões de primordial importância para a minha formação, sem entrar no apoio a determinadas utopias, verdadeiramente voltadas para políticas inconseqüentes.&lt;br /&gt;Militei efetivamente em dois partidos, da chamada zona política do centro direita portuguesa, sem ser assumidamente de direita, mas continuando sempre a defender aquilo que considero em cada momento, o mais importante e fundamental para o País, e sem qualquer hipocrisia, obviamente, o que é mais importante, para aqueles que estimo, e amo, e para mim próprio enquanto cidadão.&lt;br /&gt;A minha primeira filiação partidária foi na J.S.D., Juventude Social Democrata, e simultaneamente no P.P.D./P.S.D., Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata, teve mais que ver com um sentimento de absoluta convicção ideológica, personificada numa figura que doutrinariamente tinha um rumo, um objetivo, bebido no que de mais avançado se tinha em termos de Social Democracia na Europa, o exemplo Sueco dos anos 60, 70 e 80. &lt;br /&gt;Esse rumo, essa convicção transformista para um programa ideológico adaptado ás realidades do Portugal dos anos 70 e 80, e compactado num Partido, o PPD da época, liderado pelo Dr. Francisco Sá Carneiro, um conhecido Advogado do Porto, embora nascido no alto Minho, Barcelos, perto do berço de Portugal, era para mim; o espelho da necessidade social e política do Portugal daquela época. Esta situação acabou por ver todas as propostas pessoais e políticas do então líder, serem jogadas por terra, num acidente aéreo, que de acidente nada teve, e só mesmo a grande hipocrisia dos homens pode levar a essa simplista conclusão.&lt;br /&gt;Francisco Sá Carneiro, na verdade foi, e com toda a certeza, assassinado no inicio dos anos 80, por representar uma clara ameaça para, um determinado Portugal, que sentia que uma nova era estava a nascer. Esse novo Portugal existia já, na sua cabeça e nas ambições desse grande artífice político.&lt;br /&gt;Por outro lado, Adelino Amaro da Costa, havia descoberto um imenso escândalo, envolvendo comercio de armamento, e outras jogadas palacianas, envolvendo elementos ligados á extrema esquerda e também á estrema direita. &lt;br /&gt;O País que esses dois gênios da política nacional imaginavam, era um País; á imagem de uma França, que eu conheci pela primeira vez em 1984, e que consegui ver e sentir como uma Nação 25 anos, pelo menos, avante de Portugal em termos sociais, ideológicos e políticos, e muitos anos mais á frente em termos de liberdade e de cultura, sem deixar de ser profundamente nacionalista. &lt;br /&gt;Um País que mesmo em relação á Espanha, anteriormente atrasada, já começara naquela época a dar cartas a um Portugal que parecia parado no tempo. &lt;br /&gt;Uma Itália que na zona Norte da Europa ficava a anos luz, para não falar de uma Suíça ou mesmo em termos comparativos específicos de uma Bélgica, ou até mesmo a Grécia e até mesmo a Turquia. &lt;br /&gt;Aqueles meses na Europa, naquela Europa que me foi dado ver, naquela mesma Europa que hoje é parceira de Portugal na família atual da Comunidade. Nações para as quais Portugal, lamentavelmente, naqueles anos 80 podia ter apenas miragens.&lt;br /&gt;Não posso afirmar que a culpa de toda aquela distancia que os meus olhos viam, era de um regime de quatro décadas de portões meio fechados, e costas voltadas para o mundo real, a que Salazar e os seus companheiros de regime, tinham conduzido Portugal. &lt;br /&gt;No entanto, o meu sentimento perante os fatos concretos que podia observar, era que: A esquerda, existente em Portugal, nos anos 70 e 80, não queria muito progresso. Falava muito, diria eu, “berrava” e gritava muito, sobre a importância do social, mas isso era só ruído de fundo, estava somente transformada isso sim, numa imensa maquina política de caça a privilégios e “tachos”.&lt;br /&gt;Aquele Partido Socialista que Mario Soares acabava de deixar, para se tornar candidato a Presidente da Republica era um ninho de interesses, espalhados um pouco por toda a máquina governativa.&lt;br /&gt;Soares e os seus bons rapazes, como que sufocaram os Ministérios de “boys”, tentando dessa forma; controlar a maquina governamental ao nível ministerial. Imaginaram eles, á boa maneira soviética, que ao controlarem os Ministérios nos níveis médios e inferiores, controlariam eleitoralmente o País, nada, porém de mais errado. O povo não se comporta como mero “cão de fila” ou “pau mandado”. O povo altera a sua forma de estar e pensar de acordo com o volume de notas que lhe entram e saem mensalmente da carteira, e o Partido Socialista, para alimentar o “monstro” imenso, que pariu com a proliferação de empregos e mais empregos espalhados pelos Ministérios, teve que criar ao mesmo tempo alimentação orçamental, através da criação de impostos. Para conseguir manter a maquina alimentada salarialmente, e minimamente operacional, ainda teve que gerar mais impostos, e isso acabou por criar-lhe anti-corpos á sua governação, por parte daqueles  mesmos que tinha andado a espalhar pelos gabinetes e repartições, pois não se podia subjugar a população com a criação de novos impostos, todos os dias, para sustentar um autentico “monstro”.&lt;br /&gt;São estes anos, desde a morte de Francisco Sá Carneiro. A derrota presidencial do candidato Soares Carneiro, frente a Ramalho Eanes, e a criação entretanto do chamado Partido Presidencialista, o P.R.D. – Partido Renovador Democrático, criado á imagem de Eanes, e a manutenção de Mario Soares e das suas políticas, como Primeiro Ministro, que contribuíram, conjuntamente com a “badernice” da gestão dos anos 70 pela esquerda totalitária, para o nascimento e crescente aumento de funcionários em alguns Ministérios, e a carência humana em outros, chegando ao estado comatoso da função publica e do Estado nos dias de hoje. &lt;br /&gt;Este processo não se desenvolve de um dia para o outro, leva anos e anos, tal como uma doença crônica, e para tentar corrigir este processo, vão ser necessários ainda mais anos, e muitos sacrifícios pessoais.&lt;br /&gt;Como a criação de pólos eleitorais nos Ministérios, parecia ser inicialmente, em termos eleitorais, uma medida muito útil e boa. Assim o poder local resolveu imitar o poder central, e encher também os diversos órgãos autárquicos de funcionários, e ainda de mais funcionários. O resultado dessa atitude, também esta hoje já á vista um pouco por todo o País, com os Municípios enterrados em dividas e compromissos bancários, e na sua maioria com cerca de 50%, ou em alguns casos mais das suas receitas destinadas exclusivamente ao pagamento de honorários de pessoal. Criaram assim compromissos bancários ao longo do tempo, para poderem investir na melhoria da qualidade de vida das suas populações, uma vez que o restante das verbas se destina ao pagamento exclusivo de funcionários.&lt;br /&gt;Hoje a maioria das autarquias e ministérios, emagrece a carga de honorários, recorrendo a uma política de corte no numero de funcionários e a chamada contratação externa de alguns serviços, só que esta estratégia vai custar anos de imobilismo, porque para além dos compromissos já assumidos, o Estado tem compromissos financeiros com a banca que vai ter que honrar, em muitos casos esses compromissos são de dezenas e dezenas de anos. Ficam assim gerações empenhadas em pagar os erros que outras resolveram cometer, muitas vezes inconscientemente, mas na sua maioria pela mão de gestores que mesmo conscientes dos seus graves erros continuaram a cometer e em alguns casos a agravar situações já de si bastante graves. &lt;br /&gt;Veja-se o caso concreto da Câmara do Barreiro, em que um dos grandes responsáveis do grave empenhamento financeiro ao longo de anos e anos foi Julio Freire, devido à sua falta de capacidade de gestão, á sua visível incompetência bem patente em casos concretos como os TCB’s e as águas, com custos incalculáveis para o município. Hoje essa mesma personagem esta a liderar um processo de incompetência praticamente igual na Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, com a criação de investimentos desordenados e sem fundamentação financeira. Quando terminar o seu “reinado” quem vier atrás de si, vai ter anos e anos de compromissos para pagar, arranjados por esse verdadeiro incompetente que se arma em gestor.&lt;br /&gt;É neste tipo de imagem de autentico caos, com inúmeros alegados gestores a criarem dividas injustificáveis, que regresso a Portugal, no meio da década de 80, depois de dois anos passados na Europa, com extensas viagens, e com a análise da muito maior evolução estrangeira, e das novas formas de rigorosa gestão, tendo em vista a qualidade das sociedades. &lt;br /&gt;Decido então que as idéias programáticas do PPD/PSD, ainda eram ainda para mim, como que a matriz programática que poderia ajudar a solucionar algo no País. Todo o ideário legado por Francisco Sá Carneiro, e essa mesma matriz estavam para mim perfeitamente atualizados, e se aplicados ainda a Portugal, essas idéias e projetos, poderiam mudar algo e contribuir para fazer de Portugal um País bem diferente, mais social, mais equilibrado e mais próximo da Europa, a tal Europa que eu tivera oportunidade de conhecer pessoalmente.&lt;br /&gt;A derrota de Diogo Freitas do Amaral, nas eleições presidenciais, contra a candidatura de Mario Soares, por uma percentagem mínima, mostrou um País profundamente dividido. &lt;br /&gt;O pensamento político e social, do, á época, ainda jovem líder do PPD/PSD, Aníbal Cavaco Silva, que tinha trabalhado como Ministro das Finanças, num governo da AD – Aliança Democrática de Francisco Sá Carneiro. E que por sua vez tinha diretamente bebido muito do seu saber e ideais, para além de conhecer os projetos que tinha deixado por terminar, foram determinantes para o preenchimento da minha ficha de adesão como Militante da JSD e do PPD/PSD.&lt;br /&gt;No fundo o meu primeiro ato político havia sido o ter assumido a representação, numa mesa eleitoral, da candidatura de Diogo Freitas do Amaral, pior que isso eu tinha conseguido levar a minha mãe a assumir também o apoio aquela candidatura de ruptura com o presente e o passado de Portugal. E ela própria esteve também numa mesa eleitoral, assumindo como delegada representante da candidatura da AD, nessa altura batizada de “Viva Portugal”, e assim aconteceu tanto na primeira como na segunda volta dessas eleições.&lt;br /&gt;Para um jornalista, como na época eu era, foi o assumir, até mesmo a nível familiar, que as minhas, e nossas, idéias, o nosso pensamento político e social, navegavam em águas bem diferentes das da maioria local, que era por larga maioria ‘comunista’. Mas claro que isso não era já surpresa ou segredo para eles, pois os meus artigos jornalísticos eram muito claros e transparentes em termos da definição do meu pensamento político e social. &lt;br /&gt;Por outro lado eu que sempre usara da palavra em Assembleias Estudantis e Clubisticas, descobri que na verdade em termos de oratória, embora não fosse nenhum tribuno de encher a praça, como costuma dizer-se, também não deixava ficar nada mal os meus créditos, fosse que opção fosse, perante uma platéia. &lt;br /&gt;A diferença era nula, e apenas tinha que continuar a assumir, defender e transmitir, olhos nos olhos, da platéia as minhas idéias sem alterar nada da minha forma de ser e estar na vida, sempre frontal e irreverente, mesmo perante platéias adversas, como aquelas onde eu adorava usar da palavra, para sentir a capacidade de conseguir calar um auditório e de ao mesmo tempo, ter a capacidade de o conseguir virar, tornado uma platéia inicialmente adversa para ao longo da intervenção numa platéia domesticada e voltada para o apoio declarado a novas idéias, e isso eu amava fazer, porque intimamente me dava um enorme gozo, iniciar sendo xingado e terminar aplaudido.&lt;br /&gt;Assim, comecei a comparecer a Assembléias Concelhias, tanto do Partido como da JSD, e logo após o próprio Francisco Mendes Costa me ter convidado, para militante do PPD/PSD, na noite da derrota eleitoral, da segunda volta das presidenciais, entre Freitas do Amaral e Mario Soares. E como era um momento particularmente difícil para o Partido, pois um dos compromissos por parte de Cavaco Silva, no Congresso da Figueira da Foz, onde ganhou o Partido, tinha sido a candidatura presidencial de Freitas do Amaral. O que significava naquela época, uma proposta de ruptura com o passado, uma proposta de novos rumos para o Partido e para o País, e logo ele que tinha ficado nas mãos com um Partido dividido, e agora também um País dividido, e ainda por cima não dispunha de maioria absoluta para poder governar tranquilamente. Eu face a tudo isso, convictamente, aceitei passar a militar no Partido Social Democrata.&lt;br /&gt;Eleições antecipadas eram uma saída para a crise, pois encontrando-se o Partido em minoria e com um Presidente da Republica hostil, a convivência sem uma maioria, seria terrível, daí que o melhor seria clarificar a situação de uma vez por todas.&lt;br /&gt;Recordo também muito bem essa noite eleitoral, na sede do PPD/PSD do Barreiro, e como o homem aparentemente sereno, que eu tinha entrevistado dias antes, estava naquela noite algo nervoso, triste, muito triste, e talvez devido á preocupação perante a situação política. Estava branco como a cal das paredes. Esse era o novo Francisco Mendes Costa, que eu ainda não conhecia nessa sua faceta. Não consigo recordar qualquer depoimento seu, efetuado nessa noite, mas acabei por fazer um apontamento pessoal, que foi publicado num dos jornais locais, assim com os resultados eleitorais do Concelho, e a analise a nível Nacional e Local, e as perspectivas de futuro próximo para o País, em que não errei praticamente uma linha, inclusivamente a necessidade de uma maioria para criar estabilidade a nível nacional, como veio realmente a acontecer poucos anos mais tarde.&lt;br /&gt;O que ainda recordo foi que assinei nessa mesma noite a minha ficha de adesão ao PPD/PSD e á JSD, e o fato curioso da mesma ter vindo a merecer, alguns dias depois, algumas reservas por parte de João Monteiro, que não me conhecia de lado algum, e eu muito menos o conhecia de “porra” de lugar algum, e também de alguns elementos ligados á JSD, que eu também não conhecia de lugar algum, e eles a mim muito menos, tirando claro os artigos nos órgãos de comunicação social, e as minhas intervenções em estações de rádio, no entanto as fichas de adesão foram aprovadas por larga maioria, contrariando esses sépticos.   &lt;br /&gt;As assembléias concelhias aconteciam temporariamente tanto no PPD/PSD, como muito mais raramente na JSD, e eu usava da palavra quando assim o entendia, de modo totalmente livre e sobre temas que reputava de importantes, ou que dominava preferencialmente, e ao mesmo tempo discursando de forma clara e frontal, sobre como o Partido estava a ser conduzido no Concelho do Barreiro, personificado numa única pessoa, nada mais, nada menos do que por Francisco Mendes Costa, que diga-se em abono da verdade, era de certa forma, nessa época um líder só, pois ao seu lado contava com algumas, poucas, figuras apagadas, muitas delas bem mais interessadas em retirar algum proveito pessoal do que em assumir claramente diretrizes ideológicas próprias, ou porque lhes faltasse ‘Q.I.’ e alguma massa encefálica suficiente para assumirem o seu pequeno pensamento, ou porque era mais fácil abanar a cabeça e dizer sim, a tudo quanto o líder local apontava como sendo o melhor caminho. Assim figuras como João Monteiro, Fernando Cruz, Fernando Silva, Bernardino, Marlene Abrantes, Pinto Monteiro, Humberto Gorjão, Clarimundo Pereira e muitos outros, navegavam nesse navio de águas mansas, com o “Almirante” Mendes Costa, na ponte de comando, puxando os ‘cordelinhos’ como se eles fossem meras marionetes manobrados pelas suas mãos, cometendo assim o obvio erro pessoal, aliás nunca pessoalmente assumido, de dessa forma desgastar a sua figura, que se devia resguardar, para se preparar para outras batalhas bem mais importantes. Para além de outros diferenciais de gestão, era acima de tudo esta a minha grande sensibilidade em relação a Francisco Mendes Costa, pessoa que sempre considerei um bom estrategista e político astuto e hábil na manobra da política local, debaixo daquele seu simples metro e meio de altura.&lt;br /&gt;Depois surgiam figuras que apoiavam o “Almirante”, mas que tinham a vantagem de ter idéias próprias, mas que; tinham algum receio em as vir a admitir, ou demonstrar claramente, tornando publicas as suas opiniões, com receio de poderem ser tomados como meros “marinheiros amotinados”. Destes, pelas muitas conversas havidas ao longo dos tempos destaco o José Carlos Lopes, Álvaro Ferreira, Gonçalo Rego, Bencatel, Fernando Pineza, e até o Barbosa ex-diretor do Centro de Emprego do Barreiro, que nos momentos sóbrios tinha algum pensamento próprio e que anos mais tarde deixou de militar no Seixal e veio para o Barreiro.&lt;br /&gt;Do outro lado da barricada, estava a chamada oposição interna, que se baseava em termos de oposição efetiva, numa ausência constante da sede concelhia e presenças ostensivas somente quando se realizava alguma assembléia Concelhia do Partido, mas sempre com muito fraca expressão e liderada por um lado pelo Adolfo Vitorino e por outro pelo Oliveira Soares, como oradores, e apoiados por alguns poucos adeptos, muitos deles mais por terem sido deserdados ou expulsos do navio do “Almirante Costa” do que por convicção plena, em termos ideológicos, da necessidade de um novo rumo na estratégia da política local, como por exemplo o Engº Vilela, que outrora fora Presidente da Concelhia, e agora era apenas um mero elemento  da oposição.&lt;br /&gt;Dentro das estruturas do Partido em termos autônomos existiam os Autarcas – Associação Nacional dos Autarcas Social Democratas, que como os Autarcas do Concelho eram controlados pela maioria, também essa estrutura era liderada pelos mesmos, manobrados diretamente por Mendes Costa e o seu grupo de diretos colaboradores. &lt;br /&gt;Os trabalhadores, TSD – Trabalhadores Social Democratas que; por falta de orgânica própria, eram também comandados pela maioria e a JSD, Juventude Social Democrata, uma estrutura de jovens com singelos 87 militantes em 1986/1987, liderados á época pelo Paulo Freitas, que embora com idéias próprias, não era, por razões profissionais, mais do que um simples e fiel seguidor das estratégias de Francisco Mendes Costa.&lt;br /&gt;A Estrutura de Juventude não crescia mais em termos de militância, pois era importante manter um chamado clube fechado e restrito, e assim muito facilmente controlável, para não se perder o controle eleitoral interno, se bem que estivesse profundamente dividido em 3 grupos.&lt;br /&gt;Assim Paulo Freitas, como Presidente, liderava um dos grupos, alegadamente o com maior numero de militantes, que dessa forma ia controlando a concelhia. Existia ainda um grupo de oposição, liderado por descontentes como o Carlos Vitorino, e ainda, um outro grupo de descontentes, que nem apoiavam nem um grupo nem o outro, simplesmente nem compareciam nas instalações da sede.&lt;br /&gt;A maioria tinha a sua situação perfeitamente esclarecida em termos de subserviência ao Partido, uma vez que salvo raras exceções, em termos profissionais deviam algo, pelo menos o favor da colocação profissional. No entanto algo idêntico se passava no Partido nessa época, esta estratégia era particularmente utilizada por Mendes Costa, que assim movimentava as suas influencias, na tentativa de dessa forma fixar votos e apoios. Ao mesmo tempo, ia arranjando colocações e ampliando a sua rede de apoios eleitorais internos. Essa mesma estratégia foi tentada comigo pessoalmente, mas sem qualquer êxito, quando me foi oferecida uma colocação política no Ministério do Trabalho, IEFP, no Centro de Emprego do Barreiro, sem que eu me tenha deixado vender ideologicamente. Essa derrota moral contrariou e enervou muito, algumas cabeças pensadoras da época, que entendiam ser essa uma das formas de me tentar domar, e assim me dominar no sentido de apoiar a causa da chamada maioria.&lt;br /&gt;Nos casos particulares da JSD existiam alguns exemplos, por antiguidade o João Azevedo, que tinha sido Presidente da JSD e foi colocado na sede nacional do Partido em Lisboa, e daí na Comissão Nacional de Eleições, e como que desapareceu do Barreiro, para não incomodar. Outro seu companheiro de Comissão Política da JSD, foi como que despachado para a Câmara de Oeiras, e outro ainda para a Câmara de Sintra.&lt;br /&gt;A situação do Paulo Freitas era o maior exemplo, dessa política de colocações, pois tinha sido colocado na Câmara do Barreiro, pelo próprio Mendes Costa, quando era Vereador do Transito. Os apoios do José Carlos Lopes tinham que ver com a sua colocação na Rádio Antena 1, e os Pineza’s na TV. O Fernando Cruz que trabalhava com o pai, recebia por via deste, apoios para a falida empresa familiar de madeiras. &lt;br /&gt;E no Partido tínhamos ainda a situação do Barbosa no Centro de Emprego, e do João Monteiro nos CTT. Muitas mais situações aconteceram ao longo dos anos, um pouco por todo o lado.  &lt;br /&gt;Atendendo á minha postura frontal e irreverente e de certa forma incomoda para o Partido, a chamada oposição da JSD, liderada na época por Carlos Vitorino, resolveu apostar em mim para tentar ganhar a JSD, liderada pelo Paulo Freitas e que iria apresentar o Luis Pineza, como candidato á sucessão.&lt;br /&gt;A minha aposta, após o convite que me foi feito, era tentar ganhar a JSD, com uma nova postura, com novidade e como forma de tentar mudar algo no Barreiro a nível do próprio PSD num futuro a médio prazo.&lt;br /&gt;Um dia pela manhã, fui visitado na redação do jornal “Voz do Barreiro” do qual era na época Chefe de Redação, pelo Carlos Vitorino e pelo Álvaro Ferreira, efetivando um convite para uma candidatura á liderança da JSD do Barreiro.&lt;br /&gt;A entrada na política ativa, era para mim naquela época, algo muito longe das minhas cogitações pessoais, que nesses tempos estavam voltadas na sua totalidade para a comunicação social, tanto falada como escrita.&lt;br /&gt;Acabei por lhes pedir algum tempo para pensar e decidir, pois para além de existirem as duas possibilidades em aberto, de ser eu ou o Álvaro a liderar a lista, sendo que o que não lidera-se ficava como Vice-Presidente, ficando assim eu, ainda com algum tempo livre para a comunicação social, e menos exposto. Eu fazia questão de não misturar política com jornalismo, em caso de liderança da lista, pois não entendia a possibilidade de liberdade de opinião num mesmo Concelho, entre jornalismo e política ativa, ainda por cima na liderança.&lt;br /&gt;Assim, decidi conhecer a militância para ter uma imagem real do que poderia ser a JSD atual e futura, para além das reais possibilidades de uma candidatura vitoriosa, uma vez que eu, como em tudo na vida, não gosto de entrar para perder.&lt;br /&gt;Foi facultada uma listagem e com a prestimosa ajuda do Carlos Vitorino, fiquei a conhecer um a um os militantes fixos, da suposta maioria da JSD do Barreiro, ao mesmo tempo iniciei uma visita detalhada aos restantes militantes, para saber da sua real situação e posicionamento político, perante a nossa candidatura. &lt;br /&gt;Este contato, sondagem, porta a porta dava a JSD do Barreiro como que efetivamente dividida em 3 grupos quase iguais, ou seja a lista que iria ser encabeçada pelo Luis Pineza, a nossa lista e um outro grupo de militantes que jamais votariam em nenhuma das duas candidaturas, mas que em ultima instancia poderiam votar em nós, por uma questão de voto de protesto, um vez que afirmavam já não acreditar em muitas mudanças, e que tudo continuava na mesma e outros ainda que afirmavam já nada ter que ver com a JSD e o PPD/PSD.&lt;br /&gt;Depois de analisar muito bem todas as possibilidades, cheguei á conclusão de que aquelas eleições eram um tremendo desafio, que se iriam disputar por um máximo de 3 votos de diferença, para um dos lados, e que essa diferença só poderia acontecer se todos comparecessem e no momento do debate 2 ou 3 votos fossem ganhos para a nossa proposta. &lt;br /&gt;Mais um fator a dificultar era ainda por cima o Álvaro Ferreira, que acabou por ficar assente ser meu Vice-Presidente, e que não iria estar presente, e dessa forma nem votaria nele próprio, o que constituía logo á partida um voto negativo, uma vez que no dia das eleições estaria nos Açores em gozo de um período de ferias.&lt;br /&gt;Resolvi apesar de tudo avançar e apostar. &lt;br /&gt;A minha vida, até hoje, sempre foram apostas e constantes desafios, e quanto mais difíceis eles são, mais se tornam de certa forma, instigantes para mim.&lt;br /&gt;O Partido pressentindo a grande ameaça da nossa candidatura, apostou todas as suas cartas na lista contraria, disponibilizando apoios vários, como viaturas e dinheiro para a campanha, liberdade em termos logísticos para poder utilizar o telefone livremente desde a sede, e outros apoios. Por outro lado o Oliveira Soares decidiu jogar nos dois tabuleiros, e tanto dava apoio a uma lista como á outra, na verdade ele sempre foi assim. Um cidadão tipo vira-casaca á portuguesa, um indefinido, que quer papar tudo, e normalmente no fim acaba por não papar nada.&lt;br /&gt;Eles tinham assim toda a máquina na sua mão, e larga vantagem neste aspecto. Acontece quase sempre que quem está no poder utiliza o poder para se tentar manter, controlando a maquina política. Neste caso nem o fato de alguns membros da Comissão Política Concelhia do Partido, nos serem afetos, nos trazia alguma vantagem, ou diminuía de alguma forma os apoios que estavam concentrados no lado contrario.&lt;br /&gt;Por outro lado ainda podíamos contar com algumas jogadas contrarias, protagonizadas pelo Oliveira Soares, alias o atual dirigente dos Bombeiros do Barreiro sempre foi assim, um exímio manipulador, um dualista, que gosta de se rodear de “nulidades” como é atualmente a sua parceria com Manuel da Luz. Claro que esse tipo de atuação tem valido algum ostracismo interno em termos de cargos. Sempre foi uma personagem que ambicionava dar um salto bem maior do que a sua perna, sendo o seu maior sonho a Vereação da Câmara do Barreiro, ou mesmo algo maior, no entanto nunca conseguiu dar esse pulo a seu gosto. Embora graças ao Dr. Joaquim Eduardo Gomes, então Presidente da Distrital de Setúbal do PPD/PSD, lhe tenham facultado alguns “tachos” de pequeno porte, para o irem entretendo, e irritando direta e indiretamente, de certa forma o Mendes Costa.&lt;br /&gt;No caso concreto da JSD do meu tempo, nada lhe devemos, não fez mais do que a sua obrigação, e nós só tínhamos o nosso crer, vontade, e mais do que tudo um projeto concreto para o futuro dos jovens do Barreiro.&lt;br /&gt;Assim, juntamos os poucos apoios de cada um dos candidatos, e fomos á luta. Foi a primeira campanha da JSD do Barreiro, feita em moldes por assim dizer inovadores, com um orçamento, escasso diga-se, mas um orçamento de campanha para ser cumprido, e recordo que na época foi de cerca de 40.000$00, um programa de candidatura baseado numa moção de estratégia por mim escrita, e apoiada por todos os membros candidatos da equipa. Preparado e enviado para todos os Militantes, sem exceção, por via postal, e onde foi possível também efetuar algumas entregas porta a porta, na mão dos próprios Militantes, num ultimo pelo ao voto.&lt;br /&gt;Durante a campanha, e como a oposição não dispunha de um espaço próprio para se poder reunir, acabamos por adotar o café Skipy, próximo da sede do FC Barreirense e tipografia do pai do Helder Madeira, como sede de campanha e candidatura, e ali passávamos algum do nosso tempo. Foi ali que concluímos as maquetas finais do programa eleitoral e candidatura, e foi também dali que; fizemos o ponto de encontro, no dia das eleições, para concentrar os militantes nossos afetos, antes de seguirmos em grupo unido até á sede no dia e hora das eleições.&lt;br /&gt;Por outro lado também conseguimos alguns apoios desinteressados de militantes, que disponibilizaram viaturas, para se poderem ir buscar militantes que habitavam, em locais, mais distantes da sede. Nomeadamente na zona rural, e que não tinham muita disponibilidade de transporte para poderem deslocar-se, participando na Assembléia. Tudo acabou por correr quase na perfeição, e posso assegurar que foi a eleição, que até hoje, me deu mais prazer em participar e disputar, pessoalmente, como líder de uma das listas, de todas as muitas eleições em que liderei listas a determinado órgão ou lugar. Tão saborosa como esta eleição e vitória, só recordo mesmo, a que disputei no Hospital de São José em Lisboa, como candidato a representante administrativo no Conselho Geral. E que obviamente com muito maior numero de eleitores, vim a conseguir ganhar por maioria absoluta, logo na primeira volta, o que nunca tinha acontecido até então na historia do Conselho Geral, do HSJ para aquela área.&lt;br /&gt;Aquela tarde na sede da JSD do Barreiro foi de intenso e verdadeiro debate político, sobre os programas eleitorais, o passado o presente e o futuro da JSD. Em especial Álvaro Ferreira, que tinha pertencido á Comissão Política que cessava funções, foi largamente atacado, mesmo não estando presente, comigo sempre a não deixar cair em saco roto os ataques, muitos deles até pessoais.&lt;br /&gt;Uma tarde com intervenções acaloradas e esclarecedoras para todos os militantes presentes, e que tornou aquela eleição a mais participada de sempre na JSD do Barreiro até aquela data, pois dos 87 Militantes inscritos, acabaram por votar 61.&lt;br /&gt;Por outro lado, das informações que até hoje me chegam, aquela foi a Assembléia Eleitoral com o debate mais longo e produtivo para o futuro da organização no Barreiro, realizada até ao dia de hoje. Naquele dia analisou-se a fundo o que os Militantes queriam realmente para a JSD do Barreiro, no futuro, e depois desse dia, realmente nada voltou a ser igual.&lt;br /&gt;Quando se deu inicio á votação, já a noite caia, eu; intimamente era já um vencedor! &lt;br /&gt;Eu me senti um vencedor, por considerar que tinha ganho largamente o debate, contra verdadeiros pesos pesados da JSD do Barreiro, daquela época, como o José Carlos Lopes, Fernando Cruz Filho, Luis Pineza, Paulo Freitas, entre muitos outros quadros com projetos e preparação no seio da organização local, como o Carlos Ramos e tantos e tantos outros que naquela tarde usaram da palavra.&lt;br /&gt;Pelo nosso lado, salvo raras exceções e algumas intervenções do Carlos Vitorino, eu naquela tarde estive totalmente só contra o “Mundo”.&lt;br /&gt;Quando o Secretario-Geral da Distrital de Setúbal da JSD, Manuel Mourinho anunciou; o resultado da contagem dos votos, fez-se um silencio enorme na sala, eu escutei serenamente o resultado no fundo da sala, como sempre gosto de fazer, entre os Militantes, que são na verdade quem decide, e quando o Mourinho anunciou a Lista – A liderada pelo Luis Pineza com 30 votos, eu já sabia que tinha ganho. &lt;br /&gt;Em seguida anunciou a Lista – B com 31 votos, liderada por mim. Foi como um imenso alivio. Eu não tinha errado, éramos vencedores por 1 (um) simples voto, os votos foram recontados mais umas duas vezes, dentro da sala fechada da JSD, perante representantes das duas listas, e diversos membros da Distrital de Setúbal presentes. De entre os vários membros incluía-se o próprio Presidente da JSD Distrital, Nuno Silvestre, que assim como os restantes membros, só nesse dia conheci pessoalmente. Mas não havia duvidas, éramos mesmo os vencedores!&lt;br /&gt;A abertura da porta, e o sorriso estampado no rosto do Carlos Vitorino, mandatário da minha lista, confirmavam tudo, e sobretudo, o espantoso resultado final, ainda por cima por um voto.&lt;br /&gt;Tínhamos, ganho a JSD do Barreiro, e terminado com uma época e um estilo muito próprio de fazer política!&lt;br /&gt;Quando usei em seguida da palavra, já como novo Presidente eleito da Juventude Social Democrata do Barreiro, a sala continuava cheia de militantes que me apoiaram, e até de alguns adversários que com toda a dignidade de derrotados, souberam dar-me os parabéns pela vitória. Todos aplaudiram, tantos os da oposição como os meus potenciais votantes, a minha chamada á mesa dos trabalhos, como novo Presidente e para assim usar da palavra, nessa qualidade.&lt;br /&gt;Recordo que anunciei que o programa, ao contrario de outros exemplos anteriores, de que tinha tido conhecimento, era para cumprir e acabou mesmo por ser ultrapassado em alguns pontos. A JSD do Barreiro jamais voltaria a ser a estrutura de jovens com Militantes de 1ª e Militantes e 2ª, seriam todos Militantes iguais, todos Militantes da JSD, o que também se conseguiu concretizar enquanto fui Presidente Concelhio. Por outro lado o Partido teria que nos respeitar com estrutura autônoma, e jamais se voltaria a permitir ingerências internas, o que também veio a acontecer nos meus mandatos e muitas vezes com que custos, mesmo pessoais para mim, e de que formas mais estranhas quantas vezes!&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro realmente nunca mais voltou a ser a mesma desde esse dia, e o que antes era uma estrutura organizada para fazer umas gracinhas e; colocar uns cartazes e pendurar umas bandeirolas, para além de fazer algum trabalho “sujo” ao Partido, tornou-se sem duvida na maior organização política de juventude do Concelho do Barreiro, superando mesmo a JCP – Juventude Comunista Portuguesa, em resultados efetivos. Divulgada inclusivamente essa nossa grandeza em jornais nacionais e de modo insuspeito, por jornalistas e comentadores que até eram da área comunista, e comentaram ser com muita preocupação que observavam nessa época este fato político.&lt;br /&gt;A JSD do Barreiro passou dos 87 Militantes do dia da minha eleição, para algumas centenas, e em termos financeiros passou dos 5.755$00 que nos foram transmitidos pelo Paulo Freitas, para algumas centenas de contos, transmitidas ao meu sucessor.&lt;br /&gt;Passamos a conseguir participar em todas as campanhas escolares do ensino secundário, e inclusivamente num dos anos da minha presidência conseguimos conquistar todas as associações de estudantes do Concelho do Barreiro, e conquistar ainda a Associação de Estudantes do Vale da Amoreira, no Concelho da Moita, que nessa época ainda não tinha JSD organizada, um fato inédito, de que nem a JCP algum dia se pode orgulhar.&lt;br /&gt;Dessa maravilhosa equipa não posso passar sem nomear o Álvaro Ferreira como Vice-Presidente, Antonio Melro como Secretário, Fernanda Rodrigues como Tesoureira e os Vogais, Paulo Afonso, João Ilídio, David Figueiredo, Maria do Céu, e como Vogais Suplentes o Sidonio Sousa e o Joaquim Núncio.&lt;br /&gt;O PPD/PSD passou a ter que nos respeitar de igual para igual, e após as eleições do Partido local, realizadas meses depois, tiveram que assinar um termo de acordo de parceria e responsabilização com direitos e deveres em termos de receitas e despesas e posicionamentos políticos. Ficaram também acordados apoios para as eleições das Associações de Estudantes e outros apoios para a organização, bem como a disponibilização imediata das quotas dos militantes da JSD que eram simultaneamente militantes do Partido, e que passaram a ser da responsabilidade da JSD. Nessa altura a JSD deixou de ser vista como o simples grupo de bons rapazes, que serviam simplesmente para colar cartazes e subir aos postes para colocar bandeirolas.&lt;br /&gt;A nível Distrital também a JSD passou a ser respeitada e a ter uma representação condigna, e as primeiras vezes em que o Barreiro passou a ter mais do que um simples elemento na Comissão Política Distrital de Setúbal, como até então acontecia no melhor dos casos.&lt;br /&gt;A nível local a JSD passou a ter voz ativa na comunicação social,e mesmo a nível regional e nacional passamos a ter algumas noticias, periodicamente, devidamente divulgadas, nomeadamente por termos criado um gabinete de imprensa de que nem o Partido se podia orgulhar de possuir e ter divulgado e acabado com certos tipos de compadrio em cursos de formação profissional e outras situações menos claras, onde inclusivamente e de forma bastante infeliz, se movimentavam alguns elementos do Partido.&lt;br /&gt;A minha imagem pessoal que já era de difícil digestão para o Partido no Barreiro, ficou mesmo intragável, e a luta política interna teve o seu inicio, culminando 6 anos mais tarde com a vitória nas eleições para a Comissão Política Concelhia do Partido, e o fim da era do grupo liderado pelo Francisco Mendes Costa, copiosamente derrotados nessas eleições.&lt;br /&gt;A política na nossa vida representa tudo, mesmo que não estejamos empenhados de forma efetiva no desenvolvimento dessa mesma política.&lt;br /&gt;Eu nessa época da minha vida optei por fazer parte da política ativa, e não me deixar comandar pelos políticos, mas fazer também parte das escolhas e decisões desses mesmos políticos.&lt;br /&gt;Se me perguntarem, passados todos estes anos, se considero pessoalmente se fiz bem, ou mal, nessa minha opção de vida, terei que responder que nem poderei dizer que sim, nem que não. &lt;br /&gt;Muito do que fiz na política ativa, ao longo de quase duas décadas, é muito por um lado e pouco por outro, do muito que poderia ter realizado e ajudado a realizar, com outras condições materiais.&lt;br /&gt;No entanto algo eu não posso deixar de vos dizer; tal como na vida, é que fiz política com muito prazer, e tal como na minha vida, só fiz aquilo que me apeteceu fazer, e nunca me deixei comandar por nada nem por ninguém, para fazer algo contra a minha personalidade. Foi para mim um orgulho enorme ter liderado a JSD do Barreiro durante aqueles anos, e puder contar com equipas de colaboradores, tão boas, e com Militantes tão fieis e empenhados numa causa comum.&lt;br /&gt;Fazer política com prazer; podem acreditar que é para mim uma sensação tão boa como poder desfrutar de múltiplos orgasmos, com a mulher que amamos em cada instante...&lt;br /&gt;Eu realmente amei e soube amar a política no momento próprio, sim porque como tudo na vida, existe sempre uma hora e um tem próprios para tudo! &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5519931535779659484-5174554267175950888?l=ocoracaonaoengana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/feeds/5174554267175950888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5519931535779659484&amp;postID=5174554267175950888&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/5174554267175950888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5519931535779659484/posts/default/5174554267175950888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ocoracaonaoengana.blogspot.com/2008/01/xxix-na-politica-da-vida.html' title='XXIX - NA POLITICA DA VIDA'/><author><name>Jose Joao Massapina Antunes da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11181516613144880336</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://1.bp.blogspot.com/_2hFQDzntb20/SOIkCYXj0SI/AAAAAAAAAD8/zmEbXrmpSqs/S220/2001+em+Ayamonte+-+Espanha.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5519931535779659484.post-1612603341555123996</id><published>2008-01-10T09:31:00.000-03:00</published><updated>2008-01-10T09:35:45.743-03:00</updated><title type='text'>XXVII - CRONOGRAMA LABORAL DA NOSSA EXISTENCIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O ano de 1974 não trouxe só a revolução ao Pais, trouxe também a clara mudança de mentalidades ao povo português. A economia até ai funcionando a uma velocidade tipo ponto morto, como que explodiu e com essa explosão por um lado deu-se um incremento em termos de remuneração e por outro a autentica catástrofe para alguns empresários que não estavam preparados para agüentar o embate. &lt;br /&gt;O meu pai que gostava de brincar ás lojinhas, como ocupação extra a juntar á sua vida profissional, também sofreu com esse embate, pois, como todos os outros, via cada vez mais caloteiros a surgirem no seu ramo de atividade. Assim foi a pouco e pouco mudando a sua mentalidade empresarial, adaptando-se aos novos tempos.&lt;br /&gt;Eu também mudei algo na minha vida, foi o período da minha inicial emancipação laboral.&lt;br /&gt;Assim, e graças á minha provável reprovação no ano letivo da revolução, que afinal não veio a confirmar-se, o meu pai decidiu que eu iria ficar a tirar um tirocínio profissional na sua loja e empresa na Rua Sebastião Saraiva Lima em Lisboa. Foi assim que passei a estar ali muito próximo da Morais Soares e da Praça Paiva Couceiro, a dois passos do cemitério do Alto de São João. &lt;br /&gt;Curiosamente o local, onde um dia depositaram os restos mortais do meu irmão, José Francisco, um dos doze irmãos que a minha mãe decidiu dar á luz. Este era dois anos, mais velho do que eu, e que acabei por nunca vir a conhecer, pois faleceu com tão somente um ano de vida, vitima de tosse convulsa, apanhada na casa da ama que dele tomava conta, enquanto a minha mãe dava aulas no Colégio Infante D. Henrique.&lt;br /&gt;Durante cerca de 3 meses, a minha atividade diária passava diretamente por aquela loja. Uma drogaria, no bom velho estilo do termo português, que vendia de tudo desde material para construção civil, até água raz, lexivia e petróleo que nessa época ainda se vendiam a litro. Parafusos, alvenarias em alumínio e cantoneiras, cal para tentar colocar paredes brancas, até que a umidade ou a passagem do tempo voltasse a tingir a tonalidade. E ainda tudo o mais que se possa imaginar, incluindo material elétrico e até loiças, sem esquecer os tão famosos penicos de porcelana e esmalte que eram tão úteis para quem ainda não tinha nessa época um WC em casa. E parecendo mentira, era verdade que nesses anos 70, em Portugal, muitos ainda tinham que ‘cagar’ no penico, ou ir colocar o traseiro ao vento. &lt;br /&gt;Um WC dentro de casa, nessa época, era ainda considerado um luxo. &lt;br /&gt;Eu que nunca tinha reparado nessa preciosidade, pois sempre convivera com o WC, no interior de casa, achava ridículo ter que urinar ou defecar na casinha separada. E muitas vezes em visitas a casas ainda sem esse ‘luxo’ eu fazia o largo esforço de guardar a necessidade fisiológica até não poder mais, pois não me sentia nada confortável naquele apêndice extra da casa, e quanto a utilizar o famoso e artesanal penico nem falar.&lt;br /&gt;Paralelamente, e além dos penicos, a firma do meu pai tinha ainda a representação das tintas “Potro”, mais tarde batizadas de “Infante de Sagres”, cujas fabricas e sede eram em Vila Nova de Gaia. Mas mais importante do que tudo isso eram as representações da maquinas de café “Cimbaly”, com a manutenção da maquinas a cargo da firma do meu pai, e com as instalações, oficinas, a funcionarem  no mesmo local, que era enorme, ocupando toda a área do r/ch do edifício e ainda toda a cave, bem como um imenso terraço traseiro, bem como um saguão existente entre os prédios. Engraçado que foi ai a primeira vez que escutei essa palavra “saguão”. Até achei que se poderia tratar de algum animal, mas afinal era um beco, normalmente úmido por falta da entrada do sol, e que se pode encontrar esquinado entre vários edifícios, mas que raio de ‘bicho’ conseguiram inventar, para denominar um local tão sem utilidade.&lt;br /&gt;Era um mundo empresarial onde nem sequer faltava uma representação de artigos desportivos de uma conhecida marca Coreana, dedicada em especial a tênis de mesa e badminton.&lt;br /&gt;Foi este o universo a que acabei por me ambientar bem melhor do que eu próprio poderia imaginar. Foi com muita rapidez que aprendi a dominar a maioria das manhas e as diversas vertentes do negocio.&lt;br /&gt;No entanto fiquei também certo de que nenhum de nós consegue tolerar a simples noção de que a nossa visão do mundo posa estar baseada em pressupostos falsos. Eu até essa época tinha uma noção e visão daquele mundo onde agora estava a entrar de modo efetivo e que antes teimava em descartar e mesmo contradizer em termos de importância, com a minha visão totalmente distorcida da realidade.&lt;br /&gt;Portanto, nada de mais errado!&lt;br /&gt;Foi assim, ali, naqueles simples meses, daquela quente primavera de 1974, que eu acabei por entender o que até hoje jamais esqueci sobre como a vida fica sem graça quando tudo é muito fácil. Anos mais tarde li uma frase do Sábio Salomão, que me marcou muito, e que de certa forma explica muito bem tudo isto:&lt;br /&gt;“Comer muito mel não é bom!”&lt;br /&gt;Tem toda a razão o Sábio Salomão, pois para além do sentido funcional em que os problemas de saúde podem surgir devido ao excesso de doces, no sentido figurado, provavelmente onde ele queria mesmo chegar, a lógica de uma vida fácil, torna-nos seres egoístas e muito pior do que isso; nada preparados e completamente sem defesas quando confrontados com as dificuldades da vida que em qualquer momento nos podem surgir no dia-a-dia.&lt;br /&gt;Eu até essa primavera, tinha realmente comido demasiado mel!&lt;br /&gt;Hoje mesmo, eu que nunca soube viver sem governar dinheiro em numero considerável, pelo menos suficiente para viver de um modo acima do razoável, passo por opção pessoal, e de modo temporário, por essa fase e dessa forma constato que a vida é sem duvida, feita de constantes contrastes.&lt;br /&gt;Este momento presente da minha vida, esta a ser muito importante, ainda mais que foi determinado por mim de livre e espontânea vontade, e do qual no seu final vou recolher profundos ensinamentos para todo o resto da minha vida. Imagine-se que mesmo vivendo dessa forma eu me consegui tornar economicista e juntar dinheiro, sim virei um autentico ‘forreta’ um ‘mão-de-vaca’, e hoje quando vou gastar um real, penso duas vezes na utilidade do gasto, podem mesmo acreditar, eu nunca fui assim!&lt;br /&gt;A vida é como as estações do ano que vão mudando de acordo com as diversas rotações do nosso universo. Felizes de todos aqueles que tal como eu podem dar-se ao luxo de; de certa forma, poderem comandar essas rotações universais.&lt;br /&gt;No entanto, mesmo assim, muitas vezes temos que saber encarar mudanças bruscas, diferentes de tudo o que estamos habituados a conhecer, sobretudo mudanças antagônicas, pelo que os diversos contrastes são parte integrante da nossa vida.&lt;br /&gt;Assim é o nosso dia-a-dia, um completo conjunto de contradições, no fundo uma grande e constante encruzilhada.&lt;br /&gt;Com muita freqüência a nossa vida é como uma forte ondulação marítima, em alto mar, cheia de alegrias e tristezas, esperanças e desesperos, prazeres e muitas vezes também, dores muito fortes, são assim essas ondas bem altas que melhor refletem o dia-a-dia da nossa existência.&lt;br /&gt;Olhando desta forma simplista, a vida parece uma grande incoerência, uma perfeita insensatez, porque convivemos a todo o instante com todo o gênero de contrastes.&lt;br /&gt;É com a nossa capacidade de equilíbrio perante os contrastes variados da vida, que nos surgem no dia-a-dia, que definimos melhor o nosso destino previsível, aquele que temos capacidade de enfrentar e escolher.&lt;br /&gt;A nossa vida dentro dessa estrada, aonde vamos encontrando encruzilhadas, obriga a escolhas diárias, e o equilíbrio nessas escolhas é que nos dará a dose exata do sabor da vida.&lt;br /&gt;Foi assim que ao fim desse trimestre de 1974, eu colocado perante aquela encruzilhada decidi que por ali não iria, aquele não era o caminho que eu queria de forma alguma tomar.&lt;br /&gt;No entanto, também aproveitei para aprender que é muito bom conhecer, saber como viver e conviver com situações que mais tarde nos podem vir a ser muito úteis noutras áreas da nossa vida. Foi assim que aprendi a conhecer os empregados e a sua capacidade profissional e, sobretudo a sua vontade de bem atender um cliente sem deixar ficar mal o patrão, ou as firmas ou entidades para as quais trabalham, uma autentica aula pratica de relações humanas, que hoje me permite com o mínimo erro distinguir um bom de um mau funcionário, o que também tem os seus inconvenientes pois devido ao meu terrível feitio, eu detesto maus funcionários, seja numa simples loja, num bar ou restaurante, até parece que tenho faro para os cheirar ao longe, e tentar evitar o seu atendimento, para não ter que mais tarde vir a ser indelicado.&lt;br /&gt;Foi também ali que fui aprendendo os muitos truques que comportam o correto funcionamento de um comercio voltado para o atendimento do publico diversificado. Talvez que isso tenha tido alguma, ou muita influencia, direta no meu contato com a política anos mais tarde, pois existe alguma similitude comercial, e dessa forma moldei a minha forma de contato com o cidadão comum, com o contato direto com o potencial eleitor.&lt;br /&gt;Nesse curto espaço de tempo aprendi ainda a lidar com o espécime mais difícil que se pode encontrar na face da terra, e sobretudo no comercio, que são os chamados “caloteiros”, um tipo de individuo que funciona como um verdadeiro  camaleão, mudando constantemente de atitudes e métodos persuasivos. Só consegui entende na totalidade o seu modo de agir, ao ser enviado para cobrar algumas dividas, as chamadas cobranças difíceis, e dessa forma utilizar os chamados métodos Antunes da Silva, que eu algumas vezes observei e que também tive que utilizar, e que sem duvida devido ao seu êxito, ainda hoje fazem parte da minha escola da vida para cobrar dividas difíceis, ou mesmo para solucionar algum problema desse gênero.&lt;br /&gt;Clientes difíceis, requerem sempre técnicas difíceis e diversas, adaptadas a cada caso, pois não existem dois casos iguais. E se no caso de um fornecedor ou de um prestador de serviços, caso ultrapasse o razoável em termos de qualidade ou de tempo de entrega ou montagem, eu funciono de um modo geral de um modo bem simples, dispensando pura e simplesmente na hora os seus serviços, no caso das cobranças o assunto é bem mais difícil.&lt;br /&gt;Naquela época, para se recuperar o chamado credito mal parado, os métodos tinham que ser bem diversos, e de acordo com o cliente, o valor em divida, o tempo de antiguidade do calote e a importância da forma ou do cliente. Sendo que para mim, até hoje, a força do método e o modo a utilizar são proporcionais de um modo direto com a importância ou grandeza em presença. Ou seja; para uma loja grande e de renome, só com muita força e uma dose de explosão de fúria em ultimo recurso se consegue resolver, pois essas individualidades detestam escândalos públicos e publicidade negativa, por essa razão evitam esse tipo de abordagem.&lt;br /&gt;Nessa época as minhas grandes vantagens era ser jovem e saber como agir, era por assim dizer um puro, e como tal ao principio não me levavam muito a serio, no entanto em curto espaço de tempo entendiam que eu não brincava em serviço e de que falava muito a serio. Recordo até hoje duas situações com métodos e resolução bem diferentes, mas com iguais resultados finais, positivos.&lt;br /&gt;A firma do meu pai havia vendido uma considerável quantidade de tintas para uma firma situada numa das avenidas que desemboca na rotunda do relógio, a minha memória vai parar talvez á avenida do Brasil, ou a outra muito próxima, mas não tenho já exata certeza, no entanto sei ainda hoje lá ir ter a pé, partindo da Praça do Areiro, porque acabei por fazer todo o caminho de regresso a pé e nunca mais esqueci as muitas voltas que dei:&lt;br /&gt;A conta em divida era naquela época uma pequena fortuna, superior a 300 mil escudos, o que á data quase dava para adquirir um apartamento em Portugal.&lt;br /&gt;O meu pai insistia por via postal e via telefônica, mas os cavalheiros, dois engenheiros civis, com muita lábia e falinhas mansas, prometiam e nada acabavam por resolver, e nessa época o Antunes da Silva já não era o mesmo justiceiro de anos antes, e levava a vida muito mais tranquilamente. Estava a dois dias de partir para África, Moçambique, e a firma era simplesmente um brinquedo que arranjara para se entreter nas horas mortas, no entanto aquela divida, eu sabia que o preocupava devido ao seu volume fora do comum. &lt;br /&gt;Uma desculpa que muitos construtores utilizavam e com total verdade é que tinham os apartamentos prontos para venda, mas o mercado não suportava mais vendas, a economia nesse setor estava rebentada, e sem grandes esperanças de saída a curto prazo. Era verdade, mas também era verdade que os fornecedores de materiais os tinham entregues a tempo e horas e estavam com as dividas acumuladas perante os fabricantes, era assim um ciclo vicioso, em que o elo mais fraco acabava por partir.&lt;br /&gt;Um determinado dia ele acabou por me falar nessa divida e pela necessidade da sua cobrança, e como já estivesse farto  daquela firma, entendia que a cobrança desse valor tinha que ser feita nem que para isso fosse necessário uma ‘escandaleira’ lá na sede da firma. Por assim dizer, indiretamente deu-me carta branca para efetuar a cobrança, pois para ele e no seu entendimento, aquele assunto iria para ser resolvido iria obrigar a que se chateasse fortemente.&lt;br /&gt;Então uma manhã, decidi colocar-me a caminho. Na realidade para ele eu iria fazer uma tentativa amigável de resolver o assunto, no entanto para mim, quando sai da loja eu ia decidido a resolver aquele assunto ao modo que fosse possível, mas resolver de uma vez, naquele mesmo dia.&lt;br /&gt;Com um simples papel com a morada e um mapa da cidade numa mão, e uma fatura na outra, lá fui parar direitinho ao edifício da sede da firma, era uma vivenda recuperada e adaptada para sede empresarial, para dar um ar de grandeza a uma firma de calotes.&lt;br /&gt;Para aumentar ainda mais a boa imagem tinham colocado duas simpáticas meninas na recepção que mal entenderam de onde eu vinha e ao que vinha desde logo mostraram largo nervosismo tentando ao máximo abreviar a minha visita. No entanto eu sou muito teimoso e mesmo embirrento quando quero, e nesse dia eu pretendia falar com um dos cavalheiros, donos da firma, ou mesmo com os dois, ou com nenhum deles desde que fosse pago o valor em divida imediatamente.&lt;br /&gt;Como sempre faço, nestas situações, o meu primeiro contato é muito firme, mas cordial, sem deixar, no entanto, de ser bem direto e incisivo. Falando sempre alto para que me escutem muito bem, tentando manter o tom uns decibéis acima do normal para que sintam alguns problemas auditivos e dessa forma entendam logo á primeira de que se necessário irei ainda falar mais alto, e sem deixar qualquer duvida de que estou ali para resolver o problema a qualquer custo.&lt;br /&gt;As meninas, ficaram desde logo muito evasivas, e pouco ou nada convincentes ao afirmar que os cavalheiros não estavam nas instalações, e que não tinham ordem para pagar aquela conta, nem cheques assinados para isso e mais um monte de argumentos do tipo ‘baboseiradas’ para entreter e tentar desmoralizar a minha visita, tentando antecipar a minha partida, e dessa forma mais uma vez deixar tudo na mesma.&lt;br /&gt;Eu, sempre ladino, desde logo entendo toda a jogada, e também que pelo menos um dos cavalheiros se encontrava nas instalações. Como o tempo fosse passando e de soluções nada, resolvi mudar a minha atitude, informando que não iria embora sem resolver o assunto, ou a mal ou a bem, recebendo o valor em divida, e que face ao tempo decorrido, e aos prejuízos já causados á firma do meu pai pela falta desse dinheiro na caixa, não poderia existir prejuízo maior. &lt;br /&gt;Como tal seria muito bom contatarem os cavalheiros para comparecerem naquele momento, sob pena de eu ser obrigado a iniciar um escândalo no local, que passaria pela destruição do mesmo em termos materiais. Afirmei ainda em ar de gozação que seria muito triste ter que dar um novo ar e decoração em tão lindo edifício, desde as montras, ás portas de vidro, ás maquetes das construções em exposição, ao mobiliário, etc..., e que não iria esperar muito mais tempo, pois para mim tempo era também dinheirinho.&lt;br /&gt;Elas ao principio ainda olharam uma para a outra e devem ter pensado que eu estaria a brincar, ou tentar fazer bluf, e alegaram mesmo que eles estavam numa reunião fora de Lisboa, e que não podiam ser contatados, e não queriam mesmo ser incomodados, para além de que elas não sabiam se regressariam naquele dia.&lt;br /&gt;Perante este tipo de argumentação eu nem exitei:&lt;br /&gt;“Pois não querem mesmo ser incomodados, e as senhoras muito menos querem incomodar, então esses dois ‘cornos’ vão ficar muito incomodados mesmo com o que aqui vou deixar depois da minha presença...”&lt;br /&gt;Peguei num monte de revistas e jornais que estavam sobre uma mesa pequena rodeada de sofás na zona de espera, e para iniciar, lancei tudo aquilo para dentro do balcão, para o local de trabalho onde elas se encontravam, avisando que em seguida seria a mesa, os ‘biblots’ das prateleiras, maquetas, sofás, quadros, e que iria partir tudo, incluindo o balcão e que só pararia de partir aquela “merda” toda quando ali aparecesse um responsável ou quando já nada mais estivesse disponível para partir, pois eu tinha muito mais que fazer do meu dia do que estar ali a espera a perder tempo por dois ‘escroques’, ‘chulecos’ e ‘parasitas’ e mais uma boa mão cheia de adjetivos com que os classifiquei.&lt;br /&gt;Desataram as duas aos gritos, a chamar-me louco, malcriado, ordinário, que iriam chamar a policia, etc...&lt;br /&gt;Eu então não parei, parti para o ataque total e gritei-lhes que enquanto o problema não fosse resolvido iria ‘escaqueirar’ tudo.  Peguei um pontapé na mesa, e a mesma voou pelos ares com um vidro a menos, estilhaçado pelo chão, agarrei no restante da mesa e atirei para dentro do balcão. Como fizessem menção de utilizar o telefone, arranquei o mesmo com a instalação atrás e tudo. Um quadro com uma foto tipo edifício iluminado, estilo Nova York ou outra cidade parecida, foi arrancado da parede e partido contra o balcão. Elas não paravam de me gritar, e os objetos de voar das prateleiras, caindo dentro do balcão, e quando me preparava para iniciar a destruição de uma das portas de vidro, ou mesmo de uma das montras enormes, eis que surge um cavalheiro alertado pelo imenso barulho e pelos gritos das senhoras. Surgiu bastante alterado, mas logo foi acalmando perante a minha fúria, e de lhe dizer que se queria acabar com aquilo pois que saísse de dentro do balcão, que eu ainda tinha força de vontade para o partir também a ele.&lt;br /&gt;Então mudou a atitude, e foi dizendo que se eu vinha para resolver o assunto, e se falasse em vez de partir o escritório, então poderia chegar-se a um acordo, e tudo ok. &lt;br /&gt;Foi obviamente informado que eu nem tinha vindo tratar de outro assunto, mas que passado todo aquele tempo nada se tinha resolvido, foi também avisado que se vinha para resolver o assunto tudo ok, mas se vinha com falinhas mansas, pois eu mesmo lhe enfiava com uma cadeira nos ‘cornos’ e continuava a festa. Ele que mais parecia um ‘Maricon Espanhol’ de fatinho aos quadradinhos e todo efeminado, numa das fases da discussão, já gritava mais ainda do que as mulheres, com uma ‘vozinha’ meio histérica, acabou por pedir para eu parar para se poder falar.&lt;br /&gt;Eu parei para conseguir saber o que ele realmente queria, mas recusei sair dali para algum gabinete, temia a chamada da policia. Ainda recordo que tudo foi tratado no balcão, comigo com uma cadeira estufada com armação em tubo de alumínio pronta para voar, logo ali á mão de semear, e que ele olhou todo o tempo com um ar aterrorizado, sem saber mesmo se eu não lhe faria pontaria á cabeça com ela.&lt;br /&gt;Tratava-se realmente de um dos cavalheiros, que as meninas tinham afirmado estar fora do escritório, em reunião, e quando consegui confirmei essa situação; então não me contive, mesmo sabendo que tinham cumprido ordens, dirigi-me ás meninas, e com a cadeira ainda nas mãos, disse-lhes:&lt;br /&gt;“estão a ver suas duas pegas como o cabrão do chulo parasita do patrão estava no escritório, cambada de ‘aldrabões’, da próxima vez utilizo a cadeira nos ‘cornos’ para lhes avivar a memória”.&lt;br /&gt;Também não fui nada mole com ele, nada mesmo, fui mesmo o mais ordinário possível no palavreado, pois estava mesmo farto e zangado com aqueles vigaristas. Numa palavra; estava furioso!&lt;br /&gt;Exigi o dinheiro todo, mas ele, no entanto, queria negociar com o meu pai, mas de nada lhe valeram as argumentações ensaiadas. Naquele dia ele tinha que negociar mesmo era comigo, ainda mais que eu achava que ele queria ganhar mais tempo para mandar uma das meninas, alertar, alguma autoridade sobre a situação. Na verdade proibi as saídas, e ninguém saiu da recepção para fazer nada, nem deixava ninguém tentar algum movimento mais fora do comum. Eu reconheço que estava louco de tão furioso que tinha ficado devido ás inúmeras mentiras, e naquela altura por certo não teria medido as conseqüências de qualquer ato que praticasse fora do normal.&lt;br /&gt;Acabou por negociar comigo rápido, ali mesmo ao balcão, e contra a sua proposta inicial de pagar uns míseros cinqüenta mil escudos, que eu recusei na hora, exigi de imediato duzentos mil escudos naquele momento para se começar. E outro cheque na melhor das hipóteses passados 30 dias, com o valor, ainda em divida, e já descontados, os valores apurados com os meus prejuízos nas instalações.&lt;br /&gt;O cavalheiro depois de muito tentar contra argumentar os valores, acabou por cumprir tudo o que foi por mim proposto e exigido, passou os cheques, e incluiu ainda um ultimo com pouco mais de quarenta mil escudos do valor final da divida, pagável a noventa dias e acabou por não receber naquele momento qualquer fatura, pois eu disse-lhe cara a cara que como eram até esse momento uma cambada de ‘aldrabões’, nada me garantia que os cheques tivessem cobertura.&lt;br /&gt;As faturas viriam por via postal, contra o ultimo pagamento, e iriam sendo emitidos recibos, contra o levantamento dos cheques. Ainda regateou bastante, mas, não tinha outra alternativa, ou aquilo ou a cadeira de alumínio funcionava, sendo que ainda o ameacei que poderia voltar com uns amigos, que também gostavam muito daqueles trabalhos. O ‘maricas’ tremia por todo o lado, mais parecia um molho de varas verdes ao vento.&lt;br /&gt;Após ter ainda prometido que o poderia voltar a visitar caso os cheques fossem ‘carecas’, despedi-me com o maior dos cinismos possível. Desejando uma boa arrumação das instalações e regressei á Rua Sebastião Saraiva Lima com um medo tremendo de ser seguido, para um ajuste de contas, pois eu tinha mesmo excedido tudo o que se poderia imaginar para receber aquela conta.&lt;br /&gt;Recordo que decidi fazer todo o trajeto a pé, na esperança de conseguir encontrar um táxi livre, o que só consegui já na Praça do Areiro, hoje Praça Francisco Sá Carneiro. Caminhando como um louco, ou um acossado, olhando para todo o lado, até que lá consegui encontrar um táxi que me colocou em bom porto na porta da loja.&lt;br /&gt;O meu pai obviamente que estranhou a prontidão no pagamento tão rápido dos cavalheiros, logo ele que andava á meses, mais de um ano, para conseguir solucionar aquele assunto. Somente semanas mais tarde acabou por saber como eu tinha conseguido receber aquele avultado valor em divida, e só o soube por mero acaso ao encontrar-se com um dos cavalheiros, que lhe informou da minha iniciativa, dos inúmeros, prejuízos que tinha causado nas instalações, e que não queriam nem ver-me por perto do seu escritório.&lt;br /&gt;Fui recriminado, mas quando me deixou falar. Logo mudou de opinião e acabou por encerrar o assunto mesmo por ali, uma vez que os meus dois argumentos eram imbatíveis:&lt;br /&gt;Em primeiro lugar eu tinha conseguido receber o dinheiro, o que não tinha conseguido naqueles meses todos, e em segundo lugar eu não tinha feito nada que ele antes já não tivesse feito antes, em moldes muito idênticos, ou talvez piores, anos antes. &lt;br /&gt;Eu próprio tinha assistido a uma cena bem pior, no final dos anos 60, para cobrar uma divida em Cinfães do Douro, e onde não se conteve e deu mesmo uns ‘murraços’ bem fortes, num devedor mais atrevido.&lt;br /&gt;No dia em que partiu para Moçambique, jantamos no restaurante do primeiro piso do aeroporto, e recordo que antes de passar para dentro da sala de embarque, se despediu de mim, deixando umas quantas notas, cerca de quarenta mil escudos, no bolso da minha camisa, gozando que era por eu ter poupado dinheiro, ao não ter partido a montra do engenheiro...&lt;br /&gt;Hoje eu sei que a sua recriminação ao meu ato e métodos utilizados, foi justa, e mais para me defender do meu tempestivo temperamento, e de possíveis tentativas futuras, muito embora ainda hoje eu considere que utilizei o único método que poderia ser utilizado, perante a teimosia daquela gente, o chamado método para ser utilizado somente numa situação limite. &lt;br /&gt;Na verdade essas suas recriminações ainda á poucos dias, aqui mesmo no Brasil, me vieram ao cérebro, quando no decorrer de uma violenta discussão, eu estive a dois passos de partir para cima, como se costuma dizer, e me contive, acabando por ganhar a contenda, graças á minha capacidade de argumentação, neste caso física.&lt;br /&gt;Por outro lado, ate hoje não recebi quaisquer despesas pelos prejuízos causados, e mesmo que tivessem surgido jamais seriam pagas com o argumento muito justificável de que poderiam ser atendidas como juros de mora, pelo imenso tempo que tinha decorrido até á resolução da divida.&lt;br /&gt;Em geral não colocamos limitações ás nossas ações, fazendo fé que são justas e são parte da nossa realidade. É, no entanto, importante saber que elas são sempre o resultado dos mais altos valores, que nos foram doados desde a nossa infância.&lt;br /&gt;Seguindo o pensamento de Henry Ford, que conseguiu transformar as simples carruagens puxadas a cavalos em automóveis com a colocação desses metafóricos cavalos lá dentro do motor:&lt;br /&gt;“O que eu desejo da vida posso conseguir!”&lt;br /&gt;“Se você disser que consegue, você conseguirá; se disser que não consegue, não conseguirá”&lt;br /&gt;Se não alcançamos as metas propostas, muitas vezes não tem que ver com fatores externos que estejam, de alguma forma bloqueados, e sim com as conclusões que se vão formando na nossa mente a nosso próprio respeito. &lt;br /&gt;É assim simplesmente uma situação de auto - controle das nossas vidas que nos cabe a nós controlar.&lt;br /&gt;Algum tempo mais tarde, estando eu já fora da obrigação profissional diária, lá para as bandas da Morais Soares, na Sebastião Saraiva Lima, o meu pai solicitou-me o favor de efetuar uma cobrança; de uma tinta vendida para uma drogaria que ficava na zona de Santo António da Charneca, mas com a recomendação de que não deveria tentar o método estremo.&lt;br /&gt;Era uma divida de pouco mais de sessenta mil escudos, e eu até hoje sempre fiquei como um simples “parvo”, na mais completa duvida do valor real total dessa divida, pois acho que ele era bem maior. No entanto, fiquei certo de que ele próprio, já tinha cobrado o valor em “gêneros”, pois a dona da drogaria tinha bem o aspecto de quem sabia resolver alguns problemas efetuando pagamentos sem necessitar de abrir a carteira, abrindo para o efeito outras coisas.&lt;br /&gt;No entanto um dia, desloquei-me ao local, tendo o cuidado de avisar a senhora por via telefônica, sobre a minha visita, e as minhas intenções, para que fosse desde logo portadora do valor da divida em falta, para assim se regularizar a fatura.&lt;br /&gt;Mesmo assim, quando cheguei ao estabelecimento, o mesmo encontrava-se encerrado, e depois de muita investigação efetuada nas redondezas, consegui apurar que a habitação da proprietária ficava situada no mesmo edifício, logo por detrás da loja comercial.&lt;br /&gt;Foi uma autentica ginástica para conseguir chegar á fala com a dama, que depois de reconhecida e finalmente encontrada na sua residência, tentava por todos os meios arranjar argumentos para não pagar, ou melhor, eu acho que tentava arranjar argumentos para o pagamento vir a ser feito diretamente ao meu pai, ou quem sabe, em ultima instancia a mim próprio, utilizando os moldes que eu suspeito que já tinha utilizado anteriormente.&lt;br /&gt;Umas vezes argumentava que depois passaria por Lisboa para pagar lá na loja, outras que de momento não tinha talonário de cheques, outra que o negocio estava muito mau, outras que poderíamos conversar agradavelmente, etc.&lt;br /&gt;Acabou por abrir o estabelecimento, e eu pude conferir que já tinha vendido praticamente todos os produtos que lhe tinham sido fornecidos após a sua encomenda. No entanto, muito embora já tivesse encaixado o dinheiro e respectivos lucros, quanto a pagar o encomendado, nada de intenções, e ainda chegava ao desplante de querer encomendar mais produtos, sem ter qualquer intenção de pagar os primeiros.&lt;br /&gt;Depois de uma acalorada discussão, com direito a assistência de vizinhos e transeuntes, que dessa forma puderam assistir gratuitamente ao espetáculo, eu que de certa forma não deixava os meus créditos por mãos alheias, e decidi que não iria embora sem receber algo, mas em dinheiro, pois a insinuação para outro tipo de pagamento, estava totalmente fora de causa, pois olhando bem para ela, mais me parecia uma ‘Vaca Leiteira’ tresmalhada.&lt;br /&gt;Por fim, vendo que eu não iria abandonar a minha decisão de receber algo, lá resolveu ir contar algumas notas, que mais  pareciam guardadas debaixo do colchão, e assim pagar até ao ultimo centavo a divida, para não ser mais envergonhada em frente da vizinhança, com uma imensa platéia que já se tinha formado para assistir aos desenvolvimentos da cobrança a uma verdadeira ‘caloteira’.&lt;br /&gt;Depois de finalmente pagar, e como o produto, segundo ela própria dizia, era de boa qualidade e se vendia muito bem, encomendou desde logo um novo fornecimento, agora com o compromisso de pagar a 120 dias após a data de entrega.&lt;br /&gt;Lamentavelmente, alguns meses mais tarde, fui novamente obrigado, a mais uma visita, desta feita para efetuar a cobrança dessa encomenda, e muito embora tenha acabado por pagar de um modo bem mais rápido, muito embora tenha no entanto lançado uma nova fornada de argumentos, eu não aceitei uma nova encomenda, pois 
